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AGRO & NEGÓCIO

Acordo Mercosul-UE: oportunidades e desafios para o produtor rural

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O agronegócio brasileiro acompanha de perto os passos finais do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, com assinatura prevista para este sábado (17), em Assunção, no Paraguai. Após ratificação por embaixadores europeus na sexta passada, o tratado promete abrir portas para exportações e baratear insumos, mas com impactos variados por setor. Segundo estudos de institutos de pesquisa econômica, o pacto pode impulsionar a produção agropecuária em 2% até 2040, somando cerca de US$ 11 bilhões em ganhos.

Para o produtor rural, o foco está nos efeitos práticos: mais mercado para carnes e café, redução de custos em máquinas e fertilizantes, mas com limites em cotas e regras ambientais rigorosas. Entidades setoriais destacam que o acordo altera a competição global, favorecendo quem já investe em rastreabilidade e sustentabilidade.

No setor de carnes, o acordo cria cotas preferenciais para bovinos, aves e suínos, mas os benefícios variam conforme o tipo de proteína.

  • Carne bovina: Cota inicial de 99 mil toneladas (peso carcaça), com 55% resfriada e 45% congelada, e tarifa de 7,5% dentro da cota. A Cota Hilton, de 10 mil toneladas, zerará tarifas. Simulações indicam alta de 5,1% nas exportações e ganho de US$ 521 milhões na balança comercial, priorizando cortes de maior valor em um mercado europeu com rebanho em baixa.

  • Aves: Cota de 180 mil toneladas com tarifa zero, dividida entre cortes com e sem osso. Com surtos de gripe aviária na Europa e EUA, o Brasil ganha como fornecedor confiável, elevando exportações em 19,7% junto com suínos.

  • Suínos: Cota menor, de 25 mil toneladas, com tarifa de € 83 por tonelada. Europa segue dominante na produção, limitando ganhos, mas o conjunto aves-suínos pode gerar US$ 2,57 bilhões extras e 8,9% mais empregos no Brasil.

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Segundo especialistas do setor, o foco não é só volume, mas qualidade e nichos premium, com produção brasileira crescendo enquanto a europeia cai em vários segmentos.

Outros destaques incluem café (tarifas zeradas rapidamente, ampliando fatia no mercado europeu), etanol industrial (quotas extras para usos energéticos), frutas, óleos vegetais e processados de maior valor. Já açúcar, lácteos e grãos in natura (como soja e milho) enfrentam cotas limitadas ou pouca mudança, com fluxos ainda voltados à Ásia.

Pelo lado das compras, o acordo reduz tarifas em itens essenciais, aliviando o custo de produção.

  • Máquinas agrícolas (tratores, colheitadeiras, pulverizadores) e equipamentos de precisão ficam mais baratos, acelerando modernização.

  • Insumos químicos, fertilizantes e veterinários caem de preço, beneficiando soja, milho, cana e proteínas animais.

  • Tecnologias digitais, sensores e automação europeus ganham acesso facilitado, ajudando na rastreabilidade e eficiência energética – chave para atender exigências da UE.

Analistas apontam que agroindústrias, como frigoríficos e usinas, competirão melhor com processamento modernizado. Efeitos indiretos, como serviços logísticos, chegam devagar ao produtor médio.

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Regras de desmatamento, due diligence e sustentabilidade atuam como filtro. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o tratado respeita realidades nacionais, usando dados locais para monitorar biomas – com quedas de 50% na Amazônia e 32% no Cerrado nos últimos três anos.

Cadeias com certificação (café sustentável, carne de baixo desmatamento) lideram ganhos, enquanto produtores em áreas sensíveis precisam investir em compliance para evitar barreiras. Há bônus para bioeconomia e produtos com energia limpa, abrindo portas a pequenos produtores e cooperativas.

No geral, o Ipea projeta US$ 10,9 bilhões a mais na agroindústria brasileira, mas o pacto ainda precisa de aval do Parlamento Europeu e congressos do Mercosul.

Para o produtor rural, o acordo é chance de diversificar mercados e cortar custos, desde que venha estratégia interna de adaptação. Fique de olho nos próximos passos para ajustar o planejamento da safra.

Fonte: Pensar Agro

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Mato Grosso inicia vacinação contra a brucelose 

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Teve início em Mato Grosso a primeira etapa da campanha de vacinação contra a brucelose, uma doença infecciosa que representa sérios prejuízos para a pecuária, causando abortos em vacas e inflamações nos testículos de touros. A imunização é obrigatória para bezerras bovinas e bubalinas com idade entre 3 e 8 meses, e deve ser realizada por um médico veterinário credenciado no Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea) ou por um vacinador sob sua supervisão.

Esta fase da campanha se estenderá até o dia 30 de junho. Produtores que não cumprirem a determinação estarão sujeitos a penalidades rigorosas: uma multa de 01 Unidade Padrão Fiscal (UPF/MT) por animal não vacinado, equivalente a R$ 254,36. Além da sanção financeira, o pecuarista ficará impedido de emitir a Guia de Transporte de Animal (GTA), o que inviabiliza a movimentação do rebanho.

Após a aplicação do imunizante, o médico veterinário responsável tem até 30 dias para emitir o atestado de vacinação. Este documento é comunicado automaticamente ao Indea, que se encarrega da avaliação e registro. É crucial que, mesmo para vacinações realizadas nos últimos dias da campanha, o prazo final para a emissão do atestado não ultrapasse o dia 2 de julho.

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Mato Grosso, com seu vasto rebanho de 31,6 milhões de bovinos, estima que aproximadamente 4 milhões desse total se encaixam na faixa etária obrigatória para a vacinação contra a brucelose. A doença ainda registra alta ocorrência no estado e causa não apenas significativas perdas reprodutivas para os produtores, mas também representa um grave risco para a saúde pública.

A brucelose pode ser transmitida a humanos, especialmente através do consumo de leite cru de animais infectados. Além disso, pessoas que manipulam a vacina ou lidam diariamente com o gado doente estão mais expostas à bactéria, que se concentra em secreções, restos de parto e aborto de animais contaminados.

Para combater a propagação da doença, o Indea reitera a importância da vacinação obrigatória das fêmeas jovens. Complementarmente, o órgão orienta os pecuaristas a implementarem um controle rigoroso, incluindo a realização regular de exames para identificar e eliminar fêmeas e machos doentes, e a revacinação de novilhas com a vacina RB51 antes que entrem em fase de reprodução.

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