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O que não é marketing na economia da atenção?

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Por Dayane Nascimento

Na busca incessante por atenção, traduzida em likes, visualizações e engajamento nas redes sociais, muitas pessoas (políticos, influencers, artistas etc.) e empresas incorrem no erro de confundir estratégias de comunicação com práticas antiéticas e prejudiciais. Esses desvios podem gerar resultados temporários, mas comprometem a reputação a longo prazo.

Infelizmente, vivemos um momento em que precisamos explicar o óbvio. O uso de polêmicas envolvendo mentiras e fake news tem o poder de chamar a atenção e mexer com as emoções das pessoas, mas usá-las como estratégia de comunicação e marketing é um erro. Na verdade, são práticas antiéticas e desonestas.

Assim como fazer uso de violência por meio da divulgação de agressões, ofensas, insinuações criminosas e ameaças chama a atenção para algo, mas não é marketing. A promoção da marca ou produto deve sempre respeitar os princípios éticos e os direitos humanos. Portanto, esse tipo de comportamento é abuso, e não marketing.

Um cenário que normaliza absurdos, como a postagem recente do empresário Thiago Nigro, que expôs nas redes sociais imagens do feto logo após ter sido expelido pela esposa, beira o inaceitável, o inacreditável. Além de chocante, a postagem pode ter provocado reações extremas em mulheres que já enfrentaram problemas similares.

Outra situação preocupante se refere a mensagens publicitárias que enganam, iludem e contribuem para danos como consumo excessivo e endividamento. Um exemplo são as apostas on-line (bets) que têm gerado cachês milionários a artistas, atletas, influencers e “influencers mirins”, o que é totalmente vedado por envolver um público suscetível à publicidade.

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Uma reportagem da revista Piauí mostrou que Virginia Fonseca, por exemplo, receberia 30% dos valores perdidos pelos usuários nas apostas como “cachê da desgraça”. Aliás, as bets movimentaram, em 2024, cerca de R$ 20 bilhões mensais, segundo o Banco Central, provocando perdas bilionárias a famílias e à própria economia brasileira. E já representam um problema de saúde pública por levar milhões de brasileiros ao adoecimento mental (vício), entre eles, crianças e jovens.

Nesse cenário complexo, acelerado e globalizado, tornou-se extremamente necessário o compromisso com as boas práticas na comunicação, que compreendem não só nos afastar de artimanhas para atrair a audiência, como prezar pela transparência ao divulgar informações, evitando-se exageros ou omissões na venda de produtos e serviços (o básico!).

Portanto, esse tema envolve muitas camadas, já que são diversos os pontos de atenção devido à dimensão que nossa vida tomou com o advento da internet, das redes sociais e da inteligência artificial. Inclusive, desde 2020, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) exige que as empresas sejam transparentes sobre como coletam, armazenam e utilizam os dados dos clientes, em razão do direito à privacidade.

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Com o anúncio do presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, sobre o fim do uso de checagem de fatos no Facebook e no Instagram, seguindo um modelo semelhante ao adotado pelo X (antigo Twitter), enfrentaremos mais uma rede social que se transforma em palco de vale-tudo pela audiência, desconsiderando as perspectivas éticas de comunicação e o impacto da desinformação na internet.

Assim como é amplamente entendido que um advogado, ao defender seu cliente, não pode fabricar provas, pois isso não seria considerado advogar, as ações irresponsáveis que visam apenas obter resultados financeiros não deveriam ser classificadas como marketing.

Diferentemente daqueles que buscam apenas o lucro imediato, sem priorizar transparência, confiabilidade e respeito, escolhi trabalhar o marketing ético como a única forma de gerar sustentabilidade para o meu negócio e o negócio dos meus clientes. Não vendemos apenas produtos e/ou serviços, cultivamos uma base fiel, que se sente valorizada e confia em nossa marca.

Como profissional da área, convido meus pares a adotar uma postura em que os valores humanos e sociais sejam tão valorizados quanto o sucesso comercial. Assim, independentemente das adversidades, o marketing cumprirá seu papel de ser responsável por suas ações e pelo impacto delas no mundo!

Dayane Nascimento é consultora de marketing com formação na UFMT, especialista em planejamento estratégico e economia comportamental pela ESPM/SP e empresária.

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artigos

Estamos diagnosticando o diabetes tarde demais?

Publicados

em

por  Mariana Ramos

Vale refletir sobre uma pergunta importante: estamos identificando a doença apenas quando ela já está instalada?

Infelizmente, na maioria das vezes, sim.

Estima-se que milhões de pessoas convivam com diabetes sem saber que têm a doença. Isso acontece porque o diabetes tipo 2 pode permanecer silencioso durante muitos anos.

O diabetes tipo 2 não surge de um dia para o outro. Antes que os níveis de glicose no sangue atinjam valores compatíveis com o diagnóstico da doença, o organismo costuma passar anos emitindo sinais silenciosos de que algo não está bem. O problema é que esses sinais frequentemente passam despercebidos.

O primeiro estágio costuma ser a resistência à insulina, condição em que as células deixam de responder adequadamente ao hormônio responsável por controlar a glicose no sangue. Para compensar essa dificuldade, o pâncreas passa a produzir cada vez mais insulina. Durante algum tempo, essa estratégia funciona, mas, com o passar dos anos, em pessoas suscetíveis, o organismo perde essa capacidade de compensação e a glicose começa a subir.

Antes do diabetes propriamente dito, existe o chamado pré-diabetes, uma fase intermediária em que os níveis de glicemia estão acima do normal, mas ainda não são suficientes para caracterizar a doença. É justamente nesse momento que existe uma grande oportunidade de evitar ou retardar o desenvolvimento do diabetes por meio de mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, com tratamento medicamentoso. Vale lembrar que o pré-diabetes não significa que a pessoa inevitavelmente desenvolverá diabetes. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, muitos pacientes conseguem impedir essa progressão.

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Outro sinal que merece atenção é a gordura no fígado, conhecida como esteatose hepática. Atualmente, essa condição passou a ser chamada de doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), mas o termo “gordura no fígado” ainda é o mais conhecido pela população. Hoje sabemos que ela não representa apenas um problema do fígado, mas também um importante marcador de alterações metabólicas. Muitas pessoas descobrem a esteatose em um exame de rotina sem imaginar que ela pode estar associada à resistência à insulina e ao aumento do risco de diabetes.

A circunferência abdominal também é um indicador importante. O excesso de gordura concentrada na região da barriga está diretamente relacionado à inflamação do organismo e ao aumento da resistência à insulina. Nem sempre o peso na balança reflete esse risco. Pessoas que apresentam acúmulo de gordura abdominal, mesmo sem obesidade importante, podem desenvolver alterações metabólicas significativas.

O histórico familiar é outro fator que não deve ser ignorado. Ter pais ou irmãos com diabetes aumenta consideravelmente a predisposição para desenvolver a doença. Nesses casos, o acompanhamento médico e a realização periódica de exames tornam-se ainda mais importantes.

A boa notícia é que o diabetes pode ser identificado muito antes de causar sintomas ou complicações. Além da glicemia de jejum, exames como a hemoglobina glicada e, em situações específicas, o teste oral de tolerância à glicose ajudam a detectar alterações precoces. Quando associados à avaliação clínica, à medida da circunferência abdominal, ao histórico familiar e à investigação de fatores como gordura no fígado, permitem identificar pessoas em maior risco e iniciar intervenções precocemente.

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O grande desafio é mudar a cultura de procurar atendimento apenas quando aparecem sintomas. No diabetes tipo 2, quando sede excessiva, perda de peso, aumento da frequência urinária ou visão embaçada surgem, muitas vezes a doença já está presente há bastante tempo e os vasos sanguíneos, os rins, os olhos e os nervos podem já estar sofrendo as consequências.

Neste Dia Nacional do Diabetes, 26 de junho, a principal mensagem é clara: prevenir é sempre mais eficaz do que tratar as complicações. Conhecer os fatores de risco, realizar exames periódicos e buscar orientação médica antes do aparecimento dos sintomas pode fazer toda a diferença para preservar a saúde e a qualidade de vida. No diabetes, esperar os sintomas aparecerem quase nunca é a melhor estratégia. Quanto mais cedo identificamos o risco, maiores são as chances de evitar a doença e suas complicações.

Dra. Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá-MT.
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