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Projeto de escola estadual fica em 3º lugar em premiação nacional

Ação teve como objetivo o acolhimento dos estudantes visando o bem-estar físico e emocional

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Grêmio Estudantil - EE Paulo Freire Canarana MT - Projeto Ouvintes do Coração

Grêmio Estudantil – EE Paulo Freire Canarana MT – Projeto Ouvintes do Coração

O projeto Ouvintes do Coração, desenvolvido pelo Grêmio Estudantil da Escola Estadual Paulo Freire, em Canarana (823 km a Leste de Cuiabá), ficou em terceiro lugar no Prêmio Construindo a Nação, realizado pelo Instituto da Cidadania Brasil. A iniciativa também foi destaque nas modalidades ‘Vídeo de maior impacto’ e ‘Temas mais contemporâneos’.

 

 

Ao todo, o prêmio selecionou 18 projetos de todo o país, indicados por júri especialista e voto popular.

 

O Ouvintes do Coração surgiu diante da preocupação com o bem-estar físico e emocional dos alunos da unidade, que começaram a pensar em uma forma de acolhimento.

 

A professora de Matemática Cleca Paro foi uma das idealizadoras. Segundo ela, seus próprios alunos entenderam a necessidade do acolhimento ao próximo, já que muitos colegas passavam por problemas pessoais e alguns estavam se mutilando.

 

“Foi prensado na importância do tema e também da fragilidade dos jovens, que decidimos pelo projeto. Vimos muitas situações neste ano, que reforçaram a necessidade de um acolhimento”, explicou.

 

Para o projeto ser executado, 30 pessoas, entre alunos e professores, foram treinadas por uma psicóloga da cidade, que já atuava na unidade escolar com ações de conscientização. Eles se tornaram, então, ouvintes, palavra que deu nome ao projeto.

 

Caixas foram espalhadas pela escola, com intuito dos alunos desabafarem por meio de recados. Em seguida, as ações ganharam espaço via WhatsApp e até por encontros presenciais dentro da escola.

 

Uma das integrantes do projeto, Heloisa Cristina Irber, de 15 anos, disse que ao se tornar ouvinte, passou a entender a importância de estar presente na vida dos colegas. “Ouvir desabafos, mesmo sem falar nada, já é importante. Como ouvintes, só podemos nos manifestar se pedirem opinião ou conselho”, frisou.

 

Ao longo do projeto, foram mais de 80 atendimentos, e muitos alunos foram encaminhados para o acompanhamento psicológico. Entre os casos que os alunos enfrentavam, foram descobertos abusos morais dentro de casa, déficit de aprendizagem, tendências suicidas e até mesmo casos de violência sexual.

 

 

 

 

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Família aguarda há quase 10 anos conclusão de inquérito sobre morte de jovem

Wagner Honório da Silva, de 25 anos, morreu em 2017 após internação no serviço municipal de saúde; Conselho de Medicina reconheceu negligência e Município já foi condenado na esfera cível, mas investigação criminal não avançou.

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Morto aos 25 anos por negligência médica: quase uma década depois, família de Wagner Honório da Silva ainda espera por justiça

A morte do jovem Wagner Honório da Silva, 25 anos, ocorrida em 16 de setembro de 2017, ainda aguarda conclusão na esfera criminal. Ele havia sido internado no dia 14 de setembro de 2017 no serviço municipal de saúde de Canarana com quadro de fortes dores nos membros superiores, abdominais, lesões dermatológicas e diagnóstico de Herpes Zoster. O óbito ocorreu dois dias após a internação.

De acordo com o relato da família, já no segundo dia de internação, com piora visível do quadro, foi solicitado ao médico o encaminhamento para o Hospital Regional de Água Boa. O pedido, segundo a família, não foi atendido.

Um mês após o óbito, em 24 de outubro de 2017, a família registrou Boletim de Ocorrência sob o nº 2017.353749. A notícia, por se tratar de jovem conhecido na cidade, gerou mobilização, com abaixo-assinado que reuniu mais de 700 assinaturas pedindo investigação.

Paralelamente, a família levou o caso ao Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRMMT), com abertura de Processo Ético Profissional (PEP). Segundo o relato, o Conselho reconheceu a negligência médica e sua relação direta com o dano causado ao paciente. A penalidade aplicada, por ser a primeira representação contra o médico, foi considerada branda pela família. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União.

Na esfera da justiça comum, houve condenação do município pela negligência médica reconhecida.

Inquérito

Apesar dos desdobramentos nas esferas ética e cível, a família afirma não ter obtido retorno da Polícia Civil sobre a investigação criminal.

No dia 8 de março de 2022, quase cinco anos após o registro do BO, familiares procuraram a delegacia de polícia para saber do andamento. Segundo o pai, Sr. Valdeci:

“cheguei lá, mais o advogado, estava um ‘converseiro’ lá dentro, depois que falaram nome do meu filho ficou tudo quieto. O advogado pediu cópia do inquérito. Mas, entregaram só a folha do Boletim. Falaram que iam dar andamento. Cinco anos e nada. Não moveram uma palha pelo meu filho.”

Conforme o advogado da família, Dr. Paulo Sérgio, após a visita foi juntado pedido de abertura de inquérito, com resumo dos fatos, relatório do Conselho de Medicina, cópia de documentos e requerimento de diligências.

O inquérito tramita sob o nº 1001650-29.2022.8.11.0029 na Justiça Estadual. Consta nos autos portaria de abertura datada de 08 de março de 2020, mesmo dia da visita à delegacia.

Em julho de 2022, a família representou os fatos junto à Promotoria da cidade. A Promotoria realizou diligências, obteve cópia dos processos junto ao CRMMT e à Prefeitura Municipal e, por já existir investigação aberta, encaminhou o material ao delegado para continuidade.

Em março de 2023, um ano após o pedido de abertura da investigação, a família requisitou ao Juízo providências. O Juiz determinou remessa à Promotoria para manifestação, por se tratar de crime cuja ação é pública incondicionada, onde o dever de investigar é da Polícia Civil e de processar, do Ministério Público.

No mesmo mês, a Promotoria se manifestou e determinou diversas diligências à Autoridade Policial.

De acordo com a família, até o momento, apesar das diligências determinadas, o médico não foi intimado a prestar esclarecimentos na esfera criminal.

Em 3 de abril de 2023, a família procurou a Câmara Municipal de Canarana e expôs o caso na tribuna. Segundo o relato, não houve retorno por parte dos vereadores.

O pai do jovem desabafou:

“parece que o pobre não tem vez mesmo. Nada vai trazer meu filho de volta. Mas, saber que o culpado vive normalmente, atende na cidade e eu o vejo viver como se nada tivesse acontecido. Como se meu filho morresse todo ano. Como se nós fossemos lixo. Com certeza se meu filho tivesse atropelado um filho de um médico estaria até hoje preso. Como é o contrário. Nada acontece.”

Diante da situação, a família ingressou com representação criminal junto ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) para que seja investigada a desídia na condução da investigação do óbito. Também representou junto à Corregedoria da Polícia Civil de Mato Grosso para apuração de eventual desvio de função e faltas dos agentes.

Em nota, o advogado da família declarou:

“É estarrecedor ver que, enquanto o responsável pela tragédia continua exercendo a medicina normalmente, as providências requisitadas pela Promotoria são ignoradas e a investigação não é feita por aqueles que são pagos para tal. Com o suor e sangue dos contribuintes. A impunidade é certa a cada dia que passa. Já acionamos a Corregedoria da Polícia Civil e o Ministério Público contra essa desídia protocolar. A família não busca vingança, busca apenas o cumprimento da lei, mas o silêncio e a inércia das autoridades estaduais passam a dolorosa mensagem de que a vida de um jovem humilde não tem valor para as instituições.”, Dr. Paulo Sérgio.

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