JURÍDICO
Balcão Virtual do STJ completa dois anos com mais de 13 mil atendimentos
Consultar o andamento processual ou tirar qualquer dúvida sobre os serviços judiciais e os sistemas oferecidos ao público pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) são tarefas que, desde março de 2021, podem ser feitas por partes e advogados de forma remota, de qualquer lugar do mundo, com apenas alguns cliques.
Isso se tornou possível com a instalação do Balcão Virtual, que completa dois anos neste domingo (19) e já registrou mais de 13 mil atendimentos.
Desenvolvido como resposta às limitações criadas pela pandemia da Covid-19, o Balcão teve resultados tão bons que se tornou permanente e, hoje, constitui um dos principais pilares do atendimento às partes com processos em tramitação no tribunal e aos seus procuradores.
O ponto de partida foi a edição, em fevereiro de 2021, no auge da pandemia, da Resolução 372 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a qual determinou que os tribunais disponibilizassem uma ferramenta de videoconferência para facilitar o contato do jurisdicionado com o setor de atendimento das unidades judiciárias.
O STJ assumiu o desafio de, em apenas 30 dias – prazo estipulado na resolução –, construir uma solução tecnológica que aliasse eficiência na prestação de informações com o lado humano do atendimento. “A impossibilidade de contato pessoal nos trouxe a preocupação de não perder esses laços com o jurisdicionado. O Balcão foi desenvolvido com o cuidado de preservar o máximo possível o aspecto pessoal do atendimento, mesmo numa relação virtual”, afirma o titular da Secretaria Judiciária, Augusto Gentil.
Com esse foco, o Balcão Virtual do STJ segue três princípios bem definidos desde a sua implementação: humanização do digital, democratização do acesso à Justiça e proximidade com profissionalismo no atendimento.
Ampliação do acesso à Justiça
Em muitas situações, o Balcão Virtual, facilmente acessado por computador, smartphone ou tablet, substitui o deslocamento pessoal do advogado até a sede do STJ, representando uma importante economia de tempo e dinheiro – inclusive no caso de audiências.
Clique na imagem para ver o vídeo sobre como é o atendimento no Balcão Virtual do STJ:
Em linhas gerais, o Balcão Virtual é um canal de atendimento ao público externo por meio de videoconferência, baseado na plataforma Zoom. O grande diferencial está na forma: os usuários são acolhidos em uma sala de espera, onde recebem informações gerais sobre como funcionará a comunicação e auxílio para a configuração de áudio e vídeo; após o acolhimento, são encaminhados para o atendimento individual em uma das salas virtuais.
Atualmente, o Balcão Virtual integra a Seção de Atendimento e Apoio ao Advogado, localizada no Espaço do Advogado, e tem três módulos: o Balcão Virtual geral, o Balcão Virtual da Presidência e o Balcão Virtual da Vice-Presidência. O funcionamento é de segunda a sexta-feira (exceto feriados), das 10h às 18h.
Os números desses dois anos de existência do serviço são expressivos: ao todo, foram realizados 13.687 atendimentos, com duração média de pouco menos de dez minutos. Entre os assuntos mais frequentes, figuram previsão de julgamento, informações sobre distribuição, dúvidas a respeito da inclusão de peças na Central do Processo Eletrônico (CPE) e pedidos de audiência.
Virtual com um toque humano
Segundo a chefe da Seção de Atendimento e Apoio ao Advogado, Daniela Barros Veloso, a principal preocupação do setor é garantir que seja prestado um atendimento “de alta qualidade, personalizado para as necessidades do usuário e humanizado”. Daniela Veloso destaca que todas as manifestações dos usuários são catalogadas em pesquisa de satisfação e analisadas pela equipe, sempre em busca de melhorar o serviço.
O primeiro contato do usuário é com a página do Balcão Virtual no portal do STJ. A seguir, alguns dados estatísticos sobre o acesso à página desde a instalação do serviço:
O resultado positivo tem sido observado nas avaliações dos profissionais de direito que utilizam o serviço. Para o advogado Jorge Patrício de Medeiros Almeida Filho – que utiliza o Balcão do escritório sediado em Minas Gerais –, o atendimento é exemplar: “Eu realmente acredito que esse nível de excelência técnica e de cordialidade é uma demonstração clara de que nós, brasileiros, também podemos implementar práticas institucionais com elevados níveis civilizatórios”.
Um dos desafios iniciais, conforme recorda Augusto Gentil, foi a falta de modelos a serem seguidos. A normativa do CNJ, editada no contexto da pandemia, previa apenas 30 dias para tudo funcionar. O secretário judiciário do STJ destaca o pioneirismo de vários aspectos na estruturação do serviço, especialmente na definição das regras e do formato para o atendimento, o que incluiu a escolha do suporte tecnológico. “Após a implementação do Balcão Virtual do STJ, fomos procurados por outros tribunais para compartilhar as boas práticas”, ressaltou o gestor.
Atendimento ágil agradou os usuários
O resultado dessas boas práticas é um atendimento ágil, com pouco tempo de espera. De acordo com a advogada Camila Dias, usuária frequente do serviço, a agilidade foi um diferencial percebido logo de início. “A primeira vez me causou grande e boa surpresa, sobretudo por não esperar tamanha qualidade no atendimento, considerando a grandeza do órgão e o volume de trabalho desempenhado diariamente. Felizmente, a qualidade do serviço permaneceu a mesma nos atendimentos seguintes”, declarou.
Para ela, o atendimento virtual é um complemento ao presencial, uma alternativa mais rápida e prática para certas situações, evitando deslocamentos ao tribunal. A profissional enfatiza esse caráter complementar do Balcão, pois acredita que certas demandas ainda exigem o atendimento presencial, também disponível no STJ.
“O atendimento realizado pelo Balcão Virtual é uma solução muito eficiente e conveniente para resolver questões simples ou rotineiras, como consultas sobre procedimentos, informações sobre serviços ou saneamento de dúvidas. Nesses casos, ele pode ser visto como um substituto do atendimento presencial, evitando deslocamentos desnecessários, gerando economia e otimizando tempo tanto para os usuários quanto para os servidores”, concluiu.
Presidência e vice aderiram à plataforma
No início da atual gestão do STJ, em agosto de 2022, a novidade foi a ampliação do Balcão Virtual para incluir dois módulos específicos, o Balcão Virtual da Presidência e o da Vice-Presidência. No âmbito da Presidência, de setembro de 2022 a março de 2023, foram realizadas 757 audiências pelo Balcão Virtual.
Para a juíza auxiliar Maria Paula Cassone Rossi, que conduz essa interação com os usuários no ambiente virtual da Presidência, um dos importantes benefícios trazidos pela plataforma é a otimização da gestão do tempo, já que os advogados, ao ingressarem na sala virtual, já tiveram a oportunidade de testar microfone e câmera com a equipe que os recepcionou previamente, encontrando-se aptos ao início do atendimento.
Desse modo, o tempo destinado a cada atendimento é integralmente dedicado à demanda trazida pelo advogado ao STJ, o que torna mais efetiva a experiência. Além disso, ganha-se em produtividade, na medida em que a metodologia possibilita o atendimento de um maior número de pessoas por dia.
Primeiro, o advogado é atendido por um colaborador, que cadastra e faz a triagem, bem como os ajustes técnicos de som e conexão. Depois, o usuário é direcionado para a sala de espera individual, onde aguarda pela audiência. Na hora marcada para o atendimento, ele é transferido para a sala virtual com a magistrada.
Audiências relativas a habeas corpus que estejam registrados à Presidência são realizadas, em regra, no mesmo dia da solicitação. Para outras classes processuais, objetiva-se a realização dos atendimentos no mesmo dia ou no dia seguinte, a depender do horário do requerimento, salvo impossibilidade de agenda pelo advogado. Esse ritmo de audiências, na visão da magistrada, só é possível devido à metodologia empregada na organização do Balcão Virtual no STJ.
Ela estima que o tempo necessário para cada atendimento sofreu significativa redução a partir do momento em que o novo serviço foi implementado. Somente no período do recesso forense – 20 de dezembro a 6 de janeiro –, o inédito Balcão Virtual da Presidência registrou 92 atendimentos a advogados de 11 unidades federativas, cumprindo, assim, o seu propósito de encurtar a distância entre as partes e o Tribunal da Cidadania. No Balcão Virtual da Vice-Presidência, que entrou em operação logo depois, houve cem atendimentos entre o final de outubro e o início de março.
Atendimento virtual colabora com a celeridade processual
Para o juiz Denis França, instrutor no gabinete do ministro Og Fernandes, vice-presidente do tribunal, o serviço também otimizou o atendimento relativo aos feitos que tramitam na Vice-Presidência, trazendo como um dos benefícios a democratização do acesso em favor dos advogados de outras unidades da federação. Além disso, segundo o juiz, a objetividade que pode ser emprestada às considerações trazidas pelos advogados auxilia na própria celeridade da tramitação processual.
Residente em Rondônia, a advogada Santiele Almeida Gisbert é um dos exemplos de usuária que, mesmo com a distância física, puderam ter um atendimento ágil e rápido por meio do Balcão. Santiele elogiou as profissionais envolvidas, incluindo quem fez o primeiro contato, quem mediou a sala de espera e quem representou a Presidência na audiência virtual. “Não tenho críticas, apenas elogios para todo o atendimento que recebi no STJ. Todas foram super atenciosas e receptivas”, afirmou.
De acordo com Augusto Gentil, a modalidade de atendimento virtual ainda pode ser melhorada com novas funcionalidades. Uma delas é a adaptação do serviço para atender pessoas portadoras de deficiência. O Balcão totalmente acessível a pessoas surdas e cegas será lançado em breve. Paralelamente, o setor está empenhado em ampliar a divulgação do serviço e aprimorar as ferramentas tecnológicas e o treinamento dos servidores que fazem parte da equipe.
Fonte: STJ
JURÍDICO
Como usar assinatura digital para agilizar processos jurídicos
Descubra como usar a assinatura digital para agilizar processos jurídicos, saiba a diferença entre assinatura eletrônica e digital e veja dicas de segurança e boas práticas para a área de Direito.
A tecnologia tem revolucionado todas as áreas do mercado, e o universo jurídico não ficou de fora dessa transformação.
Com a digitalização dos documentos, audiências virtuais e peticionamentos eletrônicos, a assinatura digital passou a ser uma aliada fundamental para advogados, empresas e órgãos do Judiciário.
Ela oferece mais agilidade, segurança e eficiência no trâmite de contratos, procurações, petições e outros atos essenciais para o andamento dos processos.
Neste artigo, descubra como usar a assinatura digital para acelerar processos jurídicos, reduzir burocracias e garantir total validade legal em suas demandas.
Entenda o papel da assinatura eletrônica e digital no Direito
No contexto jurídico, é comum que os termos “assinatura eletrônica” e “assinatura digital” sejam usados como sinônimos, mas há uma diferença técnica importante entre eles.
A assinatura eletrônica é um conceito amplo, englobando qualquer método de identificação de autoria em meio digital, como senhas, tokens, biometria ou até mesmo o simples ato de digitar o nome em um campo.
Ela já possui validade jurídica em muitos casos e é amplamente utilizada em plataformas de peticionamento eletrônico e portais do governo.
A assinatura digital, por sua vez, é um tipo de assinatura eletrônica baseada em certificado digital, emitido por uma autoridade certificadora reconhecida, como as que integram a ICP-Brasil.
Esse certificado garante a autenticidade, a integridade e o não repúdio do documento, conferindo valor legal idêntico ao de uma assinatura manuscrita reconhecida em cartório.
Na prática, ambas têm papel essencial para desburocratizar e acelerar o dia a dia dos profissionais do Direito, tornando o fluxo processual mais rápido e seguro.
Principais benefícios da assinatura digital em processos jurídicos
O uso da assinatura digital traz uma série de vantagens para escritórios de advocacia, departamentos jurídicos e órgãos públicos. Veja os principais benefícios:
- Agilidade nos trâmites: Assinaturas de contratos, petições, procurações e pareceres podem ser realizadas em minutos, sem necessidade de imprimir, reconhecer firma ou se deslocar até o cartório.
- Redução de custos: Menos gastos com papel, transporte, envio de documentos físicos e autenticações presenciais. Os processos tornam-se mais econômicos e sustentáveis.
- Validade jurídica: Documentos assinados digitalmente têm a mesma força legal que os assinados à mão, desde que sigam as normas da ICP-Brasil.
- Segurança e rastreabilidade: Cada assinatura digital fica vinculada ao certificado do assinante, com registro de data, hora, IP e trilha de auditoria, o que dificulta fraudes e alterações não autorizadas.
- Facilidade para atuar à distância: Em tempos de trabalho remoto e processos eletrônicos, a assinatura digital permite que advogados, clientes e testemunhas validem documentos de onde estiverem, acelerando acordos e instruções processuais.
Como implementar a assinatura digital no fluxo jurídico
Para começar a usar a assinatura digital no seu escritório ou setor jurídico, siga alguns passos essenciais:
- Adquira um certificado digital: Procure uma autoridade certificadora reconhecida pela ICP-Brasil e faça a emissão do seu certificado digital (e-CPF, e-CNPJ, token ou smartcard).
- Escolha uma plataforma confiável: Existem diversas soluções especializadas para o meio jurídico, como Clicksign, DocuSign, Certisign, Adobe Sign e até sistemas integrados dos tribunais. Verifique se a ferramenta oferece criptografia, auditoria, autenticação em dois fatores e integrações com sistemas de gestão de documentos (GED) ou processos judiciais eletrônicos.
- Digitalize o seu acervo: Migre contratos, procurações, petições e outros documentos para o formato digital, padronizando a tramitação eletrônica dentro do escritório.
- Oriente clientes e parceiros: Informe clientes, sócios, correspondentes e testemunhas sobre como funciona a assinatura digital, esclareça dúvidas e garanta que todos estejam confortáveis com o novo modelo.
- Implemente rotinas seguras: Mantenha o certificado digital protegido, utilize senhas fortes e ambientes seguros ao assinar documentos. Treine a equipe sobre boas práticas de segurança digital.
Casos práticos: onde a assinatura digital agiliza o Direito
O uso da assinatura digital já é uma realidade em diversas situações cotidianas do universo jurídico:
- Petições e recursos: A maioria dos tribunais brasileiros já aceita (ou até exige) petições assinadas digitalmente nos sistemas de Processo Judicial Eletrônico (PJe), eliminando o uso do papel.
- Procurações: Procurações públicas e particulares podem ser assinadas digitalmente, conferindo agilidade na representação de partes e no ingresso de ações.
- Contratos e distratos: Instrumentos de negociação, acordo e rescisão podem ser validados em minutos, permitindo o fechamento de negócios à distância e com total validade jurídica.
- Laudos e pareceres: Documentos técnicos e jurídicos podem ser assinados digitalmente, assegurando autoria, integridade e fácil conferência posterior.
- Audiências e atas: Atas de audiências virtuais e presenciais podem ser assinadas eletronicamente, facilitando o arquivamento e o acesso posterior.
Dicas de segurança para advogados e clientes
- Proteja seu certificado digital: Nunca compartilhe senha ou token, utilize computadores confiáveis e mantenha softwares sempre atualizados.
- Confira sempre antes de assinar: Leia atentamente o conteúdo do documento digital antes de concluir a assinatura.
- Valide a assinatura recebida: Utilize ferramentas oficiais (como o validador ICP-Brasil) para conferir a autenticidade de documentos recebidos.
- Tenha backup seguro: Armazene cópias digitais em ambientes protegidos, com acesso restrito e backups automáticos.
- Treine a equipe: Mantenha todos atualizados quanto às melhores práticas para evitar golpes e fraudes digitais.
O futuro do Direito: agilidade, economia e sustentabilidade
A adoção da assinatura digital representa um passo importante para tornar o ambiente jurídico mais moderno, ágil e alinhado às necessidades da sociedade digital.
Além de acelerar o andamento processual e diminuir custos, a digitalização contribui para a sustentabilidade, reduzindo o uso de papel e facilitando o armazenamento de informações.
Com a ampliação dos processos eletrônicos, dos atendimentos remotos e da integração entre sistemas, o uso da assinatura digital tende a crescer ainda mais, tornando-se um diferencial competitivo para escritórios, departamentos jurídicos e profissionais autônomos.
Invista em tecnologia, atualização constante e promova uma cultura digital para aproveitar todos os benefícios dessa transformação.
Conclusão
Implementar a assinatura digital é um caminho sem volta para quem busca mais eficiência, segurança e competitividade no setor jurídico.
Do peticionamento à formalização de contratos e procurações, as soluções digitais já são reconhecidas e indispensáveis nos tribunais e escritórios mais modernos.
Siga as dicas deste artigo, escolha as ferramentas certas e agilize os processos jurídicos do seu dia a dia com muito mais confiança e praticidade.
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