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POLÍCIA

Vereador é torturado, tem orelha cortada e família fica mais de 3 horas como refém em assalto 

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Uma madrugada de terror marcou a vida do vereador Wesley Cláudio (Novo), de 44 anos, e de sua família em Rondonópolis (a 212 km de Cuiabá). Na madrugada desta segunda-feira (28.09), por volta das 1h30, dois homens armados arrombaram a porta da residência da família, no bairro Cascalhinho, e mantiveram o parlamentar, a esposa e os dois filhos como reféns por mais de três horas. Durante o cativeiro, Wesley foi torturado e teve parte da orelha direita decepada. Nenhum suspeito foi preso até o momento.

Conforme o boletim de ocorrência, os criminosos reuniram as vítimas na sala, onde as amarraram e as mantiveram sob ameaça de armas de fogo durante todo o cativeiro. A dupla exigia R$ 1 milhão e afirmou aos reféns que monitorava o vereador havia três dias, alegando ter recebido a informação de que ele guardava essa quantia em casa — supostamente destinada à compra de votos. Wesley negou possuir o dinheiro e passou a ser agredido.

A violência atingiu o ponto mais grave quando os assaltantes ameaçaram cortar o braço do filho mais novo do parlamentar, de apenas 9 anos. Segundo relato da cunhada do vereador, os criminosos colocaram o braço da criança sobre uma mesa e fizeram a ameaça. Diante da cena, Wesley pediu que a agressão fosse feita nele, no lugar do filho. Foi então que os invasores cortaram parte de sua orelha direita. O vereador também foi atingido com coronhadas na cabeça.

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A esposa do parlamentar, Fabiula Moreira, também foi vítima: foi agredida e enforcada duas vezes, ficando com lesões no pescoço e na região do olho. O filho adolescente, de 18 anos, apresentava leves arranhões no rosto. Em determinado momento do cativeiro, os assaltantes fizeram uma chamada de vídeo com outras três pessoas, e um dos envolvidos na ligação ordenou que as agressões ao vereador continuassem até que ele revelasse onde estaria o restante do dinheiro.

Depois de revirar todos os cômodos da casa, os criminosos localizaram R$ 38 mil em espécie, além de R$ 4 mil no carro da família — um total de R$ 42 mil. Também levaram celulares, bijuterias e as alianças do casal. Por volta das 3h50, fugiram no Volkswagen Polo branco pertencente à família.

Foi após a fuga dos assaltantes que o filho mais velho conseguiu se desvencilhar das amarras, arrombou a porta do quarto dos pais e libertou o restante da família. Pela manhã, o vereador acionou a Polícia Militar. Ele e a esposa foram socorridos pelo Samu e encaminhados ao Hospital Regional de Rondonópolis, em razão do ferimento na orelha.

A Polícia Militar registrou a ocorrência como sequestro e cárcere privado, lesão corporal e roubo. O caso é investigado pela Polícia Civil, que ainda não confirmou a autoria nem prendeu nenhum suspeito.

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Em nota, Wesley Cláudio informou que ele e a família estão bem e já receberam todos os cuidados necessários. “Agradecemos a preocupação, as orações e todas as mensagens de carinho. Neste momento, pedimos compreensão e respeito à privacidade da família”, diz o texto.

Nas redes sociais, o caso repercutiu e mobilizou manifestações de repúdio. O prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), lamentou o sequestro e a tortura sofridos pelo vereador e afirmou, em entrevista à rádio 104 FM, que o ataque teve motivação política. “Isso é claro, é óbvio que foi um ataque político”, declarou. Ferreira destacou a proximidade com o parlamentar — Wesley é líder do governo na Câmara Municipal e foi assessor do prefeito quando ele era deputado estadual — e afirmou que a violência o deixou indignado. “Chegamos numa situação crítica de ter que conviver com a violência, a barbárie já dentro da política. Eu não aceito isso de jeito nenhum e não vou dar um passo atrás”, completou.

O prefeito disse ainda ter procurado a Secretaria de Segurança Pública do Estado e a Casa Civil para tratar do caso. A suposta motivação política, no entanto, ainda não foi confirmada pela investigação.

Eleito em 2024 com 801 votos, Wesley Cláudio cumpre o primeiro mandato na Câmara de Rondonópolis. É casado e pai de três filhos.

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POLÍCIA

Ex-policial mata ex-companheira, se entrega e é indiciado por feminicídio

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Ex-policial, Ricardo Souza Pessoa, (no detalhe), sua ex-companheira Noeli Sinsem

Por João Arruda | Cáceres (MT)

O policial civil Ricardo Souza Pessoa, vulgo Ricardinho, 63 anos, assassinou a ex-companheira Noeli Sinsem, 49 anos. O feminicídio ocorreu por volta das 13 horas desta segunda-feira (28.09), no hotel de propriedade do casal, situado no bairro Jardim Cidade Nova, área sul do setor urbano de Cáceres (a 210 Km de Cuiabá).

O réu confesso do crime brutal que chocou a cidade de Cáceres se apresentou na sede da Delegacia Regional de Cáceres e efetuou a entrega da arma utilizada para matar a ex-esposa.

De acordo com fontes policiais, ele fez um relato da ocorrência. Em seguida, recebeu voz de prisão, sendo levado para exames de corpo de delito e, posteriormente, recambiado até a Delegacia Especializada em Defesa da Mulher, onde, neste momento, está sendo interrogado e, ao mesmo tempo, indiciado pela autoria do feminicídio.

Ricardo é natural de Uberlândia, em Minas Gerais, fez parte da Polícia Civil de Mato Grosso e há pouco tempo se aposentou.

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O que se sabe desse episódio com desfecho trágico é que ambos estavam separados e a ex-companheira, que residia fora do município, regressou a Cáceres há quatro dias e se hospedou no hotel até conseguir uma moradia. Porém, testemunhas relataram que, no início da tarde, ouviram gritos e estampidos de tiros.

*João Arruda é jornalista em Cáceres, MT

 

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