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AGRO & NEGÓCIO

Embarques de carne bovina de Mato Grosso para os EUA crescem 50,4%

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Os Estados Unidos ganharam espaço entre os destinos da carne bovina produzida em Mato Grosso em agosto. Os embarques para o mercado norte-americano cresceram 50,4% em relação a julho, em um movimento de maior participação de outros compradores internacionais da proteína mato-grossense.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em agosto foram embarcadas 8,2 mil toneladas para os Estados Unidos, frente a 5,4 mil toneladas em julho.

O avanço dos Estados Unidos ocorreu em um mês marcado pela diversificação dos destinos. De acordo com a Secex, as exportações para os mercados fora da China cresceram 31,11% na comparação mensal.

Além dos Estados Unidos, outros países registraram aumento expressivo nas compras em agosto. Os embarques para a Rússia avançaram 80,62%, enquanto as vendas para as Filipinas cresceram 57,11% na comparação com julho.

Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, o desempenho reforça a importância de se manter uma carteira ampla de compradores internacionais.

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“Quando diferentes mercados ampliam suas compras, a cadeia ganha mais alternativas para o escoamento da produção e fica menos exposta às oscilações de um único destino. A pecuária de Mato Grosso tem capacidade produtiva, qualidade e escala para atender compradores com diferentes perfis e exigências. Por isso, a diversificação é estratégica para dar maior estabilidade às exportações e fortalecer a presença da carne mato-grossense no comércio internacional”, afirma o diretor de Projetos do Imac.

No total, os frigoríficos de Mato Grosso exportaram 72,30 mil toneladas equivalentes-carcaça (TEC) de carne bovina em agosto, movimentando US$ 351,34 milhões.

Para Andrade, ampliar a presença em diferentes países também contribui para consolidar a imagem da carne produzida. “Estar presente em diferentes mercados mostra a capacidade da pecuária de Mato Grosso de atender demandas distintas. Essa presença internacional é importante não apenas para o volume comercializado, mas para construir relações comerciais de longo prazo e posicionar a carne mato-grossense entre compradores de diferentes regiões do mundo”.

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AGRO & NEGÓCIO

Crédito privado cresce e amortece recuo do Plano Safra

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O avanço dos instrumentos privados de financiamento está ajudando o agronegócio a cobrir parte do espaço deixado pela retração das linhas tradicionais de crédito rural. O estoque de Cédulas de Produto Rural (CPRs) chegou a R$ 576,4 bilhões em junho, crescimento de 12% em 12 meses, enquanto fundos e títulos ligados ao setor também ganharam participação.

Os saldos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) cresceram 81% em dois anos. No mesmo período, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) avançaram 9%. A expansão mostra que o financiamento da produção está se tornando mais diversificado e menos concentrado nos bancos.

Essa alternativa ganhou importância porque a área financiada pelas linhas de custeio do Plano Safra diminuiu 25,8% em 12 meses. O total passou de 34,2 milhões de hectares em julho de 2025 para 25,4 milhões no mesmo mês deste ano, segundo dados do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O valor liberado caiu em proporção menor, de R$ 205,8 bilhões para R$ 181,1 bilhões, retração de 12%. O número de contratos recuou 10,3%, de 867 mil para 777,8 mil.

Na prática, o financiamento médio aumentou de aproximadamente R$ 6 mil para R$ 7,1 mil por hectare. Isso mostra que o crédito disponível está cobrindo uma área menor e acompanhando, ao menos parcialmente, o aumento dos custos de produção.

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As CPRs permitem ao produtor levantar recursos tendo como referência a produção rural, com pagamento em produto ou dinheiro. O instrumento pode ser negociado com bancos, cooperativas, tradings, fornecedores e investidores, ampliando as possibilidades além das linhas oficiais.

As emissões de CPRs somaram R$ 377,8 bilhões durante a safra 2025/26. Embora o estoque continue crescendo, o ritmo das novas operações perdeu força, sinal de que o crédito privado também sente os efeitos dos juros elevados e da maior cautela dos financiadores.

O acesso a essas alternativas ainda é desigual. Grandes produtores, cooperativas e empresas com maior capacidade de oferecer garantias conseguem chegar com mais facilidade ao mercado privado. Pequenos e médios agricultores continuam mais dependentes dos bancos, das cooperativas de crédito e das linhas subsidiadas do Plano Safra.

A maior seletividade está relacionada ao crescimento das operações rurais com algum grau de dificuldade. Em julho, 23,5% da carteira ativa estava classificada como problemática, somando R$ 207,5 bilhões. Esse valor não representa apenas inadimplência: inclui contratos em atraso, renegociados ou prorrogados.

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As instituições financeiras também passaram a reconhecer antecipadamente possíveis perdas, conforme as regras da Resolução 4.966, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em vigor desde janeiro de 2025, a norma leva os bancos a aumentar as reservas quando identificam deterioração na capacidade de pagamento, o que reforça a cautela nas novas concessões.

No Rio Grande do Sul, onde sucessivas perdas climáticas elevaram o endividamento, a área financiada caiu 29,3%. O valor contratado recuou 18,3%, para R$ 23,1 bilhões, e o número de operações diminuiu 16,4%, para 189,6 mil.

Apesar da retração, os resultados atuais da produção, das exportações e dos preços dos alimentos permanecem sustentados por lavouras implantadas com recursos contratados anteriormente. O efeito da redução mais recente do crédito será conhecido com maior clareza durante a safra 2026/27.

O crescimento das CPRs, dos CRAs e dos Fiagros mostra que o setor encontrou novos caminhos para financiar a produção. Esses instrumentos ainda não substituem o crédito bancário, principalmente para pequenos e médios produtores, mas ampliam as fontes de recursos e reduzem parte da dependência do Plano Safra.

Fonte: Pensar Agro

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