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AGRO & NEGÓCIO

Semana do Aviador põe na pista a força da segunda maior frota agrícola do mundo

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O Brasil, dono da segunda maior frota de aviação agrícola do mundo, terá nos dias 11 e 12 de setembro um encontro dedicado à segurança, à capacitação profissional e às novas tecnologias utilizadas pelo setor. A 2ª Semana do Aviador será realizada em Lucas do Rio Verde (332 km da capital, Cuiabá), em Mato Grosso, com programação técnica para pilotos e atividades abertas à comunidade.

Organizado pela Fundação Rio Verde dentro do Show Safra Aero, o evento conta com a colaboração do Portal Pensar Agro e da Federação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de Mato Grosso (Feagro-MT). A programação reunirá profissionais da aviação agrícola e executiva, empresas de manutenção, especialistas em segurança de voo e representantes de órgãos responsáveis pela regulamentação e fiscalização da atividade.

O encontro ocorre no Estado que concentra a maior frota aeroagrícola do país. Segundo os organizadores, Mato Grosso já possui mais de 800 aeronaves agrícolas em operação. O último levantamento nacional detalhado por unidade da Federação, encerrado em 2024, havia contabilizado 749 aeronaves no Estado, número que continuou crescendo com a incorporação de novos equipamentos.

No Brasil, o levantamento consolidado mais recente do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) contabilizou 2.722 aeronaves tripuladas, sendo 2.691 aviões e 31 helicópteros. O número coloca o país atrás apenas dos Estados Unidos no ranking mundial. A projeção do setor é que a frota brasileira se aproxime de 3 mil unidades ao longo de 2026 e possa superar 3,4 mil aeronaves até 2028.

Os números revelam uma atividade que deixou de ser apenas um serviço de aplicação para se transformar em uma cadeia econômica e tecnológica. Estudo divulgado pelo Sindag estima que a aviação agrícola movimentou R$ 8,17 bilhões em 2024 e realizou operações equivalentes a 136 milhões de hectares. Essa área não corresponde a terras diferentes, pois uma mesma lavoura pode receber várias operações aéreas ao longo do ciclo produtivo.

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Além das aeronaves tripuladas, o país possuía aproximadamente 7,8 mil drones agrícolas registrados, segundo o estudo. Aviões, helicópteros e equipamentos remotamente pilotados estão sendo combinados com mapas digitais, sistemas de posicionamento, sensores, softwares de precisão e ferramentas de rastreabilidade.

A aviação agrícola é empregada principalmente em lavouras de soja, milho, algodão, arroz e cana-de-açúcar, além de pastagens e florestas plantadas. As aeronaves podem distribuir fertilizantes, sementes, defensivos químicos e produtos biológicos, além de participar do combate a incêndios em áreas rurais e vegetação.

A velocidade operacional é uma de suas principais vantagens. Em culturas extensivas, uma infestação de pragas, o avanço de uma doença ou uma janela curta de condições meteorológicas pode exigir que o produtor trate grandes áreas em poucas horas. A aeronave permite realizar o trabalho rapidamente, sem entrar com máquinas terrestres na plantação.

Isso evita o amassamento das plantas e a compactação do solo provocada pelo tráfego de equipamentos. Também permite alcançar áreas encharcadas ou de difícil acesso. O resultado, entretanto, depende de planejamento, conhecimento das condições de vento, temperatura e umidade, manutenção adequada e correta regulagem dos equipamentos.

Com o aumento da frota, cresce também a necessidade de formação de pilotos, mecânicos, coordenadores, engenheiros agrônomos e responsáveis técnicos. A operação aérea exige integração entre quem recomenda o tratamento, quem prepara os produtos, quem acompanha as condições ambientais e quem realiza o voo.

É justamente essa demanda que orienta a Semana do Aviador. Na sexta-feira (11), a programação terá debates sobre legislação, segurança operacional, manutenção e tecnologias embarcadas. Estão previstas participações de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), do Sindag, do Instituto Brasileiro da Aviação Agrícola (Ibravag) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

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Entre os temas estão a atualização das regras ambientais e sanitárias, a segurança na aviação agrícola e executiva, os procedimentos de manutenção e o uso de equipamentos de precisão. A programação também terá o painel “Do Cockpit ao Alvo”, voltado à relação entre planejamento, tecnologia de aplicação e resultado no campo, além de uma mostra de aeronaves utilizadas no Brasil.

Os participantes inscritos nas atividades técnicas receberão certificado. A proposta é contribuir para a atualização de profissionais que atuam em um setor marcado pela evolução constante dos equipamentos e pelo aumento das exigências de segurança, documentação e controle das operações.

“Queremos promover informação, treinamento e capacitação para os pilotos e aproximar o universo da aviação agrícola da comunidade”, afirma o diretor executivo da Fundação Rio Verde, Rodrigo Pasqualli. Segundo ele, a realização do encontro acompanha a expansão econômica do agronegócio e da própria atividade aérea em Mato Grosso.

No sábado (12), o aeródromo será aberto à população com apresentações de acrobacias da Rambo Aviação, exposição estática de aeronaves, demonstração de equipamentos embarcados, praça de alimentação e participação de clubes de carros antigos e motociclistas.

Alunos da rede municipal também participarão de voos panorâmicos. A iniciativa pretende aproximar os estudantes das profissões ligadas à aviação e mostrar que o setor envolve atividades como pilotagem, engenharia, manutenção, meteorologia, tecnologia, gestão e segurança operacional.

A entrada é gratuita, mas o credenciamento é obrigatório. As inscrições podem ser realizadas antecipadamente pela plataforma Sympla ou pelos canais oficiais da Fundação Rio Verde e do Show Safra Aero.

Serviço

Evento: 2ª Semana do Aviador – Show Safra Aero 2026
Datas: 11 e 12 de setembro
Local: Aeródromo do Parque Tecnológico da Fundação Rio Verde, Rodovia da Mudança, km 8, Lucas do Rio Verde
Entrada: gratuita, mediante credenciamento
Programação e outras informações CLIQUE AQUI

Fonte: Pensar Agro

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AGRO & NEGÓCIO

Milho pode perder o equivalente a 87 quilos de ureia por hectare

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Um estudo realizado durante duas safras de milho na Argentina mostrou que o uso de um inibidor de urease pode reduzir pela metade, ou até mais, a quantidade de nitrogênio perdida para a atmosfera depois da adubação. Nos ensaios, a ureia convencional perdeu até 20% do nutriente aplicado, enquanto a tratada com o inibidor limitou as perdas a, no máximo, 7%.

O trabalho foi conduzido em campo pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), na região argentina de Paraná, nas temporadas 2024/25 e 2025/26. O objetivo era comparar o comportamento da ureia comum com o de uma formulação tratada para retardar a volatilização de amônia.

A volatilização ocorre quando parte do nitrogênio presente na ureia se transforma em amônia e escapa para a atmosfera. Isso significa que uma parcela do fertilizante comprado, transportado e distribuído na lavoura deixa de estar disponível para as raízes do milho.

A urease é uma enzima naturalmente presente no solo e responsável por acelerar a transformação da ureia. O inibidor desacelera esse processo durante alguns dias, ampliando a possibilidade de o fertilizante ser incorporado ao solo pela chuva e reduzindo sua exposição na superfície.

Para fazer a comparação, os pesquisadores aplicaram doses de 100 e 200 quilos de nitrogênio por hectare, além de manter uma área sem adubação. As aplicações foram realizadas após chuvas de 24 a 39 milímetros, quando o solo ainda estava úmido e apresentava condições favoráveis à volatilização. As perdas foram acompanhadas nos dias seguintes.

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A maior liberação de amônia pela ureia convencional ocorreu entre o segundo e o terceiro dia depois da aplicação. Na safra 2024/25, entre 14% e 15% do nitrogênio aplicado com essa fonte foi perdido. Com o inibidor, o índice caiu para uma faixa de 6% a 7%.

Na temporada 2025/26, a diferença aumentou. A ureia convencional perdeu entre 13% e 20% do nitrogênio, enquanto a formulação tratada ficou entre 5% e 6%. Os resultados mostram que o inibidor não elimina a volatilização, mas reduz de maneira significativa o volume desperdiçado em situações de maior risco.

Na prática, o prejuízo pode ser expressivo. Em uma adubação de 200 quilos de nitrogênio por hectare, uma perda de 20% representa 40 quilos do nutriente. Como a ureia contém aproximadamente 46% de nitrogênio, isso equivale a cerca de 87 quilos do fertilizante por hectare.

Com o inibidor, a perda observada na mesma dose corresponderia a aproximadamente 22 a 30 quilos de ureia por hectare. Na maior diferença registrada pelo estudo, o tratamento preservou o equivalente a cerca de 65 quilos de ureia em cada hectare.

Se a tonelada do fertilizante custar R$ 3 mil, apenas para ilustrar o tamanho econômico do problema, a perda máxima identificada no estudo corresponderia a R$ 261 por hectare. Em uma lavoura de mil hectares, o desperdício chegaria a R$ 261 mil. O uso do inibidor poderia preservar até R$ 196 mil desse valor, antes de descontar o custo adicional do tratamento.

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O estudo, entretanto, não encontrou diferença estatística de produtividade entre a ureia convencional e a tratada. Os rendimentos variaram de 5.277 a 11.915 quilos de milho por hectare e responderam principalmente à quantidade de nitrogênio aplicada.

Isso significa que conservar mais nitrogênio no solo não garante, isoladamente, uma colheita maior. A resposta do milho também depende da disponibilidade de água, da fertilidade, do potencial da lavoura e do equilíbrio com os demais nutrientes. O benefício imediato demonstrado pela pesquisa foi a redução do desperdício, e não um aumento comprovado da produtividade.

Os resultados também não significam que o inibidor será economicamente vantajoso em todas as aplicações. A decisão depende da diferença de preço entre as duas fontes, do risco de volatilização, das condições do solo e da possibilidade de chuva suficiente para incorporar a ureia depois da adubação.

Embora tenha sido realizado na Argentina, o estudo ajuda a dimensionar um problema enfrentado pelos produtores brasileiros. Ele mostra que, sob condições favoráveis à volatilização, o prejuízo não está apenas na eventual perda de rendimento da lavoura, mas no fertilizante pago pelo produtor que desaparece antes de cumprir sua função.

Fonte: Pensar Agro

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