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BRASIL E MUNDO

COP17 entra em semana decisiva com missão de destravar financiamento

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Por Rafael Cardoso | Agência Brasil 

A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) entrou na última e decisiva semana de negociações em Ulaanbaatar, capital da Mongólia. Os próximos quatro dias do encontro serão divididos em eixos temáticos específicos para tentar acelerar acordos.

Nesta segunda-feira (24), o foco principal são as finanças. Delegações estão mobilizadas para tentar captar mais recursos destinados à restauração dos solos e combate à seca. Os investimentos anunciados durante o dia, no entanto, mostram que os objetivos ainda estão muito longe de ser alcançados.

Os novos recursos somam US$ 1,3 bilhão, mas o déficit anual estimado pelos especialistas das Nações Unidas é de US$ 278 bilhões por ano.

A secretária executiva da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD, na sigla em inglês), Yasmine Fouad, fez um apelo para que setores público e privado se engajem no processo.

“Falamos de financiamento não para doar, mas para investir. Para mobilizar recursos que invistam nas pessoas, nas economias e na prevenção. Prevenção dos conflitos que vemos em muitas das nossas áreas de pastagem. Queremos levar a resolução para além das palavras no papel e implementá-la na vida das pessoas.”

Pastagens são prioridade

O maior anúncio econômico da COP17 envolve as pastagens, que ocupam mais da metade da superfície terrestre e são fundamentais para a subsistência de centenas de milhões de pessoas.

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A Rangelands Flagship Initiative, lançada em parceria pelo governo da Mongólia e a UNCCD, reúne carteira de 45 projetos e está avaliada em US$ 1,2 bilhão. Segundo os organizadores, trata-se da maior mobilização financeira da história da Convenção voltada especificamente para esses ecossistemas.

A iniciativa pretende conservar, gerir de forma sustentável e restaurar pastagens e ecossistemas de terras secas em todo o mundo. O tema é central para a Mongólia, onde a conservação das estepes está diretamente ligada à sobrevivência de comunidades que dependem da criação de animais.

O especialista em economia ambiental do Mecanismo Global da UNCCD Pablo Munõz disse que o déficit financeiro exige novas formas de atuação. Entre as alternativas discutidas estão o uso de recursos públicos que reduzam riscos para investidores privados, garantias, capital de primeira perda, seguros e novos modelos de negócios.

“Reconhecemos a importância das doações e do financiamento concessional [em condições mais favoráveis que as de mercado], mas a escala necessária exige pensar de forma diferente.”

Atualmente, o setor privado responde por apenas cerca de 6% do financiamento global destinado à restauração de terras. Para tentar ampliar essa participação, a UNCCD anunciou uma rede de centros nacionais chamada Business4Land, voltada à aproximação entre empresas, governos e investidores.

A especialista em sustentabilidade no Mecanismo Global da UNCCD Sarah Toumi afirmou que empresas começam a enxergar que também sentirão os impactos ambientais.

“Eles precisam mudar suas práticas para sobreviver do ponto de vista econômico, porque a seca e a degradação do solo representam um risco econômico, não apenas ambiental. Então, precisam pensar em como investir para o bem próprio.”

Segundo ela, setores como agricultura, moda e alimentos dependem diretamente da saúde do solo e da disponibilidade de água. A ideia é que empresas passem a medir seus impactos sobre a terra e incluam a recuperação ambiental em suas estratégias de negócio.

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Nova agenda para as secas

Outra aposta da COP17 é ampliar os recursos destinados à preparação para os períodos de seca. O Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês) anunciou a criação de um programa integrado para gestão de terras, com previsão inicial de US$ 140 milhões.

Da Amazônia à Europa, seca avança e movimenta debates na COP17. Rio seco no Semiárido Nordestino. Crédito: ASA / Divulgação
Seca avança e movimenta debates na COP17. Foto: ASA / Divulgação

A iniciativa pretende auxiliar países a abandonar uma lógica baseada na resposta a emergências e investir mais em prevenção, monitoramento e planejamento, explica Ulrich Appel, representante do GEF.

“Isso ajudará os países a ter um planejamento rodoviário nacional mais robusto, soluções baseadas na natureza e investimentos que fortaleçam a resiliência antes que a seca se torne um desastre”, disse Ulrich.

*O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.

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BRASIL E MUNDO

Brasil e Estados Unidos retomam negociações sobre tarifas 

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O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, vão se reunir na próxima segunda-feira (31), às 14h30, no horário de Brasília. O encontro será realizado por videoconferência e marca a retomada das conversas entre os dois países sobre as tarifas impostas a produtos brasileiros.

A reunião foi confirmada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços após um telefonema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano Donald Trump, ocorrido na última sexta-feira (21). De acordo com o Palácio do Planalto, a conversa durou aproximadamente uma hora e 20 minutos e ocorreu em tom cordial.

Durante o contato, Lula defendeu a reabertura das negociações comerciais e afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo dos Estados Unidos para aplicar as tarifas não têm fundamento. Entre os argumentos citados por Washington estão temas como desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, funcionamento do Pix, etanol e importações relacionadas ao trabalho forçado.

O presidente brasileiro também argumentou que as medidas prejudicam as economias dos dois países. Para Lula, o diálogo é o caminho para preservar a relação comercial e reduzir os impactos do conflito tarifário.

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Trump, por sua vez, teria concordado com a importância de manter os vínculos comerciais entre Brasil e Estados Unidos e sinalizado que as equipes dos dois governos deveriam retomar o contato. A primeira reunião técnica após a conversa entre os presidentes será conduzida pelos representantes das áreas de comércio exterior.

Tarifas atingem exportações brasileiras

Em julho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, conhecido pela sigla USTR, anunciou uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros. A medida foi adotada após cerca de um ano de análise e alcançou setores como siderurgia, vestuário, calçados, açúcar, etanol, medicamentos, máquinas agrícolas e equipamentos elétricos.

Posteriormente, Washington aplicou uma cobrança adicional de 12,5% sobre outros produtos nacionais. A justificativa foi de que o Brasil não teria mecanismos considerados suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Com a soma das medidas, as tarifas em vigor desde o fim de julho atingem aproximadamente US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, segundo estimativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

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O governo brasileiro também recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC). Brasília apresentou um pedido de consultas no sistema de solução de controvérsias da entidade, alegando que as tarifas norte-americanas são incompatíveis com as regras comerciais internacionais. Os Estados Unidos aceitaram participar dessa etapa de consultas.

Busca por acordo

Desde o início da disputa, o governo brasileiro tem destacado que os Estados Unidos registram superávit na relação comercial bilateral, ou seja, vendem mais ao Brasil do que compram. Em documento sobre a adoção de medidas de reciprocidade econômica, o governo afirmou que continuará buscando alternativas para diminuir os prejuízos causados pelas tarifas à economia e à renda dos brasileiros.

A reunião da próxima segunda-feira deverá tratar da possibilidade de ampliar a lista de produtos brasileiros livres das sobretaxas e de encontrar soluções para os setores mais afetados. O encontro também poderá definir os próximos passos das negociações entre Brasília e Washington.

 

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