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BRASIL E MUNDO

Brasil e Estados Unidos retomam negociações sobre tarifas 

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O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, vão se reunir na próxima segunda-feira (31), às 14h30, no horário de Brasília. O encontro será realizado por videoconferência e marca a retomada das conversas entre os dois países sobre as tarifas impostas a produtos brasileiros.

A reunião foi confirmada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços após um telefonema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano Donald Trump, ocorrido na última sexta-feira (21). De acordo com o Palácio do Planalto, a conversa durou aproximadamente uma hora e 20 minutos e ocorreu em tom cordial.

Durante o contato, Lula defendeu a reabertura das negociações comerciais e afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo dos Estados Unidos para aplicar as tarifas não têm fundamento. Entre os argumentos citados por Washington estão temas como desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, funcionamento do Pix, etanol e importações relacionadas ao trabalho forçado.

O presidente brasileiro também argumentou que as medidas prejudicam as economias dos dois países. Para Lula, o diálogo é o caminho para preservar a relação comercial e reduzir os impactos do conflito tarifário.

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Trump, por sua vez, teria concordado com a importância de manter os vínculos comerciais entre Brasil e Estados Unidos e sinalizado que as equipes dos dois governos deveriam retomar o contato. A primeira reunião técnica após a conversa entre os presidentes será conduzida pelos representantes das áreas de comércio exterior.

Tarifas atingem exportações brasileiras

Em julho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, conhecido pela sigla USTR, anunciou uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros. A medida foi adotada após cerca de um ano de análise e alcançou setores como siderurgia, vestuário, calçados, açúcar, etanol, medicamentos, máquinas agrícolas e equipamentos elétricos.

Posteriormente, Washington aplicou uma cobrança adicional de 12,5% sobre outros produtos nacionais. A justificativa foi de que o Brasil não teria mecanismos considerados suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Com a soma das medidas, as tarifas em vigor desde o fim de julho atingem aproximadamente US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, segundo estimativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

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O governo brasileiro também recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC). Brasília apresentou um pedido de consultas no sistema de solução de controvérsias da entidade, alegando que as tarifas norte-americanas são incompatíveis com as regras comerciais internacionais. Os Estados Unidos aceitaram participar dessa etapa de consultas.

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Desde o início da disputa, o governo brasileiro tem destacado que os Estados Unidos registram superávit na relação comercial bilateral, ou seja, vendem mais ao Brasil do que compram. Em documento sobre a adoção de medidas de reciprocidade econômica, o governo afirmou que continuará buscando alternativas para diminuir os prejuízos causados pelas tarifas à economia e à renda dos brasileiros.

A reunião da próxima segunda-feira deverá tratar da possibilidade de ampliar a lista de produtos brasileiros livres das sobretaxas e de encontrar soluções para os setores mais afetados. O encontro também poderá definir os próximos passos das negociações entre Brasília e Washington.

 

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Senado aprova fim da escala 6×1; trabalhador terá 2 dias de folga por semana

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Sessão do Senado que votou o fim da escala 6X1 | Foto: Lula Marques

O Senado Federal aprovou, na noite desta quarta-feira (14), a Proposta de Emenda Constitucional 221/2019, que extingue a escala 6×1 — regime em que o trabalhador cumpre seis dias de trabalho para um de folga — e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas. A votação ocorreu em dois turnos, com 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada um deles, muito acima do mínimo de 49 votos exigido para mudar a Constituição. Ao todo, 77 dos 81 senadores registraram presença no plenário.

Pelo texto aprovado, todos os trabalhadores terão direito a dois dias de descanso remunerado por semana, em escala 5×2, sem qualquer desconto no salário. A transição completa levará 14 meses: 60 dias após a promulgação da emenda, as empresas deverão adotar a nova escala e limitar a jornada a 42 horas semanais; decorrido mais um ano, o teto passa a ser de 40 horas.

A mudança é apontada como a mais significativa na legislação trabalhista desde a Constituição de 1988, que havia reduzido a jornada de 48 para 44 horas semanais. O relator da proposta no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), não escondeu o peso histórico do resultado. “Eu tenho certeza que, desde a Constituinte de 1988, esta é a maior conquista dos trabalhadores brasileiros”, afirmou.

Como o relator manteve integralmente o texto aprovado pela Câmara dos Deputados há cinco meses, a proposta dispensa nova apreciação dos deputados e segue direto para a promulgação. A votação dos dois turnos em uma única noite foi viabilizada por um requerimento de calendário especial, apresentado por líderes partidários e aprovado em votação simbólica, que dispensou novas sessões deliberativas.

O caminho da PEC no Senado começou em agosto, depois da aprovação na Câmara em maio. A proposta passou pela Comissão de Constituição e Justiça e foi levada ao plenário na semana passada, cumprindo compromisso firmado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). A sessão desta quarta-feira começou pouco depois das 14h e se estendeu até cerca das 22h, quando o resultado foi anunciado.

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Quase todos os senadores que usaram a tribuna defenderam a proposta, ainda que com ressalvas pontuais. A líder do governo no Senado, Tereza Leitão (PT-PE), vinculou a aprovação ao cotidiano de quem sustenta o país. “Estamos escrevendo este capítulo ao lado de cada trabalhador que acorda antes do sol nascer, de cada mãe e cada pai que querem acompanhar o crescimento de seus filhos, de quem deseja estudar, cuidar da saúde, encontrar os amigos, estar com a família ou descansar”, declarou.

Eduardo Braga (MDB-AM) argumentou que a jornada vigente está superada. “A jornada de 44 horas semanais vigora desde a Constituição de 1988 e não reflete mais a realidade do mundo do trabalho, profundamente transformado pela tecnologia, pela automação, por novas normas e formas de organização produtiva”, disse. Leany Lemos (PSD-DF), por sua vez, trouxe números do Ministério do Trabalho e Emprego e do IBGE para dimensionar o alcance da medida: 36,2 milhões de vínculos com carteira assinada têm jornada contratada acima de 40 horas semanais, praticamente 80% dos contratos formais do país. “Somente 20% dos trabalhadores formalizados no país não trabalham na jornada 6×1”, pontuou.

Entre os discursos mais emocionados esteve o de Paulo Paim (PT-RS). “Quando eu olho para trás, para 30, 40, 50 anos, eu me sinto aqui, agora, um menino negro e pobre que esperou 50 anos para este momento acontecer. Quem operou, trabalhou, em fundições, em fábricas, em marcenarias, em fábricas de barro e de vasos, como eu e tantos trabalhadores, sabe que este momento é especial”, afirmou.

A resistência foi mínima, mas existente. O senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) votou favoravelmente, porém alertou para o risco de a medida elevar o custo do trabalho e pressionar micro e pequenas empresas, que empregam boa parte da mão de obra na escala 6×1. “Não podemos permitir que essa conquista se torne, a médio e longo prazos, em prejuízo para quem queremos proteger”, observou. O PL, apesar de se posicionar contra a proposta durante o debate, liberou a bancada. Já Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único voto contrário da noite.

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Do lado empresarial, Vanderlan Cardoso (PSD-GO) contou a experiência própria como empregador. Segundo ele, a eliminação da escala 6×1 em suas empresas, há mais de cinco anos, ampliou a oferta de mão de obra e aumentou a produtividade. “A única maneira que nós encontramos de resolver a falta de mão-de-obra, que há muitos anos assola esse país, não é de agora, foi flexibilizar o fim dessa jornada”, disse.

Os números que embasam o debate mostram quem mais será alcançado pela mudança. Pesquisa do Ipea, com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), indica que 80% dos vínculos com jornadas superiores a 40 horas semanais tinham salário contratual de até dois salários mínimos — atualmente R$ 3.242 —, percentual que sobe para 90% no limite de três salários mínimos (R$ 4.863). Quem trabalha até 40 horas recebe, em média, R$ 6.211,16 por mês, enquanto os contratados em jornada de 44 horas ganham cerca de R$ 2.627,32, o equivalente a 42,3% desse valor. A escolaridade também pesa: mais de 83% dos vínculos de trabalhadores com ensino médio completo ou menos cumprem jornadas acima de 40 horas, contra 53% entre quem tem ensino superior.

Levantamento do Dieese, elaborado a partir da PNAD 2025 do IBGE, estima que o fim da escala 6×1 e a jornada máxima de 40 horas beneficiarão 26,8 milhões de trabalhadores — 22 milhões com carteira assinada, o que representa 54% dos empregados formais, e cerca de 4,8 milhões de informais que hoje trabalham acima desse limite. Segundo o estudo, mais da metade dos trabalhadores formais do país ainda cumpre jornadas superiores a 40 horas semanais.

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