tce mt
Sérgio Ricardo articula consórcio entre nove municípios para acabar com lixões na Região Araguaia
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, mediou debate que definiu diretrizes para atuação do consórcio viabilizando solução integrada entre nove municípios da Região Araguaia. Apontada em reunião com os prefeitos de Barra do Garças e Araguainha, nesta terça-feira (11), a solução destrava a busca pelo fim dos lixões na região, discutida em mesa técnica instaurada em 2025.
O modelo compartilhado já havia sido indicado como a melhor alternativa para atender à Política Nacional de Resíduos Sólidos, por ser o mais econômico, sustentável e juridicamente seguro. A reunião resolveu a controvérsia se a gestão ficaria a cargo do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Portal do Araguaia (Cidesapa), já existente na região, ou de uma nova estrutura, criada exclusivamente para tratar dos resíduos. Considerando, também, o diagnóstico da mesa técnica apontando Barra do Garças como o município estruturante da solução regional, responsável por quase 70% do volume de resíduos.
“Estão aqui Barra do Garças e Araguainha, mas não se trata apenas dessas cidades. Temos nove municípios que precisamos resolver. Não pode haver soluções isoladas, porque elas não sobrevivem. Como é que um prefeito vai manter sozinho um aterro sanitário na sua cidade?”, afirmou Sérgio Ricardo.
A partir de agora, a mesa técnica também avaliará questões como a logística, o custo da operação, as contratações compartilhadas e o cronograma de encerramento dos lixões. Está prevista ainda a consolidação de um protocolo de intenções e a realização de reunião ampliada no TCE-MT com todos os prefeitos e representantes do Ministério Público Estadual (MPMT).
“São poucas as cidades onde já existem os aterros sanitários legalizados e organizados conforme a lei”, disse o presidente, ao alertar os gestores sobre os riscos da inércia. “Não dá para continuar como está. Porque é contraproducente, e vocês, prefeitos, vão começar a responder processo de improbidade administrativa, vão começar a responder pela não tomada de decisões”, acrescentou.
Os encaminhamentos serão levados aos demais integrantes do consórcio, formado também por Pontal do Araguaia, Araguaiana, General Carneiro, Torixoréu, Ribeirãozinho, Ponte Branca e Novo São Joaquim. “Agora a gente tem que se reunir com os demais prefeitos. Tenho quase certeza de que eles vão aderir, porque é de suma importância para todos. Acho que houve um avanço muito grande agora”, disse Francisco Gonçalves Naves, prefeito de Araguainha e presidente do Cidesapa.
Na ocasião, também foi abordada a possibilidade de destinação dos resíduos para um aterro sanitário em Pontal do Araguaia, onde está sendo construído um empreendimento privado com capacidade de até 100 toneladas por dia. A solução ainda será avaliada quanto a custos, capacidade, logística, condições contratuais, sustentabilidade e atendimento aos municípios.
“O que a gente precisa é, junto com o Tribunal de Contas, formatar esse projeto para termos segurança jurídica, porque é uma empresa privada. De que forma nós vamos levar os resíduos sólidos para lá? Então, a gente precisa do Tribunal de Contas, através dessa equipe, para nos ajudar a formatar de que forma jurídica podemos utilizar esse aterro sanitário”, afirmou o prefeito de Barra do Garças, Adilson Gonçalves de Macedo.
Exigência legal
Conduzida pela Secretaria de Normas, Jurisprudência e Consensualismo (SNJur) do TCE-MT, a mesa técnica reúne os municípios, o consórcio regional e o MPMT. A articulação responde à Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010), que proíbe o descarte do lixo em lixões e obriga os municípios a dispor os rejeitos em aterros sanitários licenciados. O prazo final para a adequação, fixado pelo Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020), venceu em agosto de 2024.
O descumprimento já vem rendendo multas às prefeituras. “Em Araguainha mesmo, o menor município, a gente já pagou mais de R$ 100 mil de multa. Barra do Garças já pagou mais de R$ 2 milhões. Com a ajuda do Tribunal de Contas, a gente vai solucionar esse grande problema, que não é só de Mato Grosso, é de todo o Brasil”, relatou Francisco Gonçalves Naves. Com a atuação da mesa técnica, as sanções foram temporariamente suspensas enquanto a solução regional é construída.
Nesse contexto, os dois prefeitos destacaram a atenção do TCE-MT ao tema. “Nós, dos municípios que integram o consórcio, precisamos disso: que o Tribunal nos indique, nos aponte o melhor caminho a ser percorrido”, afirmou o prefeito de Barra do Garças. “Com o Tribunal de Contas nos orientando, a gente avança. É um processo muito burocrático, e sem o Tribunal de Contas, seria impossível avançar nesse processo que é tão importante”, completou o prefeito de Pontal do Araguaia.
Mesa técnica
Instalada em dezembro de 2025, a partir de solicitação do prefeito de Diamantino, a mesa técnica foi ampliada por Sérgio Ricardo e transformada em procedimento estadual, aberto a todas as regiões. Os trabalhos foram estruturados em duas frentes: uma com os municípios do Cidesapa, no Portal do Araguaia, e outra com os integrantes do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico e Social Vale do Rio Cuiabá (Cides-VRC).
O objetivo é desenvolver propostas para a erradicação dos lixões, definir modelos sustentáveis de aterros sanitários regionais, aprimorar os instrumentos de planejamento e superar as limitações técnicas, operacionais e financeiras dos municípios.
tce mt
Sérgio Ricardo alerta gestores sobre ampliação da arrecadação em encontro sobre Reforma Tributária
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, alertou gestores de todo o estado sobre a importância de ampliar a arrecadação própria até 31 de dezembro de 2026, durante a abertura do 2º Encontro Técnico sobre a Reforma Tributária para Municípios, nesta quarta-feira (14).
Promovido pela Comissão Permanente de Sustentabilidade Fiscal e Desenvolvimento (COPSFID), o evento reúne gestores de 135 municípios na Escola Superior de Contas para discutir os impactos da reforma e orientar as prefeituras sobre medidas que podem influenciar a distribuição de recursos durante a transição para o novo sistema tributário.
“Vamos conversar com os prefeitos para que eles atentem para a arrecadação que vão fazer até o dia 31 de dezembro. O que os municípios irão receber a partir do ano que vem vai depender muito do que arrecadaram de 2019 até 31 de dezembro deste ano”, afirmou o presidente.

O presidente relacionou a preparação para a reforma ao Plano de Metas Mato Grosso 2050, elaborado pelo Tribunal para orientar o desenvolvimento do estado nas próximas décadas, e destacou a situação dos municípios de pequeno porte, que mantêm câmara, prefeitura e secretarias com população reduzida e baixa arrecadação própria. “Temos municípios com 3 mil, 2 mil, 1 mil habitantes que definitivamente não se sustentam. Eles só sobrevivem por causa dos repasses federais e estaduais”, disse.
Na ocasião, o presidente da COPSFID, Valter Albano, reforçou que o encerramento do ano representa um marco para a arrecadação municipal e cobrou maior rigor na cobrança de tributos. “Não haverá mais espaço para facilidades tributárias, para a autoridade gestora fazer de conta que não é o caso de cobrar o imposto. Agora é a hora da verdade, da transparência. Quem administrar bem, for atrás dos devedores e realizar a receita na forma da lei sai bem. Quem não fizer isso terá perdas adicionais. E o limite é 31 de dezembro deste ano”, reforçou.

Já o conselheiro José Carlos Novelli questionou se haverá tempo para os municípios ampliarem a receita própria até o fim do prazo e avaliou que a regra pode precisar de alteração. Além disso, questionou se as emendas parlamentares, responsáveis por grande parte dos investimentos das prefeituras, serão consideradas no cálculo. “Municípios como Jangada, Rosário Oeste, Barão de Melgaço e Nortelândia tiveram receita de mais de R$ 60 milhões em 2025, mas a receita própria de todos eles está abaixo de 10%. Dos 60 milhões, arrecadaram 6. Estamos em outubro e o prazo é 2026. O que os municípios têm de fazer para aumentar essa receita?.”
Nesse cenário, o secretário de Estado de Fazenda, Fábio Pimenta, apontou os possíveis efeitos sobre a autonomia financeira de Mato Grosso. Segundo ele, cerca de 80% da receita estadual é própria, mas as regras da reforma podem aumentar a dependência de transferências federais. “Com a Reforma Tributária, se tudo continuar como está, corremos o risco de perder essa autonomia e depender de repasses federais”, disse. “Hoje, o Estado e os municípios são parceiros na melhor forma de implementação da Reforma Tributária e na garantia da continuidade dos serviços à população”, acrescentou.
Atuação conjunta

Na cerimônia de abertura, a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), promotora de Justiça Anne Karine Louzich, defendeu a cooperação entre as instituições durante a transição e destacou a atuação do MPMT no combate à sonegação fiscal. “O Ministério Público tem uma atuação firme e consolidada, sobretudo em Mato Grosso, no enfrentamento às fraudes fiscais e no combate à sonegação. Temos desafios que estão por vir e precisamos cada vez mais dessa integração. Coloco o Ministério Público como parceiro deste Tribunal e dos fiscos estadual e municipais”, afirmou.
O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Hemerson Máximo, destacou a participação dos municípios no encontro. “A presença de prefeitos, vereadores e secretários demonstra o compromisso dos municípios mato-grossenses para que a reforma seja implantada da melhor forma possível”, disse.
Para o presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel, o debate também deve buscar alternativas para compensar os efeitos da reforma sobre estados com elevada produção e grande volume de mercadorias destinadas a outros mercados. “É importante discutir cada vez mais esse tema para trazer um alento às prefeituras e buscar alguma compensação dentro da reforma para Mato Grosso, que tem uma grande produção, mas precisa levar seus produtos para fora do Estado”, avaliou.
O deputado estadual eleito e ex-presidente da AMM Leonardo Bortolin destacou a importância da cobrança do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), tributo municipal que integra a transição para o novo modelo. “Até o final de 2026 se fecha o ciclo que vai dar base para o seguro-receita dos municípios, e isso vai impactar diretamente no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Por isso é importante que o ISS, que é competência do município, seja muito bem cobrado.”
No mesmo sentido, o membro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) Yendis Costa destacou que o IBS será cobrado no destino e repassado às prefeituras por um comitê gestor nacional, e que os municípios terão de planejar a aplicação desses recursos. “O objetivo deste evento é demonstrar aos prefeitos e gestores municipais como será essa arrecadação a partir do ano que vem e qualificar o ente municipal para que tenha maior planejamento da sua arrecadação tributária.”
Também participaram da mesa de abertura o conselheiro Campos Neto, a controladora-geral da Defensoria Pública de Mato Grosso, Bárbara Natália Nogueira Garnica, e o primeiro vice-presidente da AMM, prefeito de Rondolândia, José Guedes.
Programação
O encontro reúne especialistas para orientar prefeitos, vereadores e equipes técnicas sobre os efeitos da reforma e as medidas necessárias para preparar as administrações municipais. A programação segue até quinta-feira (15), com transmissão pela TV Contas (canal 30.2) e pelo canal do TCE-MT no YouTube.
A programação inclui palestras do procurador do Estado Rogério Gallo e do secretário Fábio Pimenta, do economista Alberto Mendes, responsável pelo anuário Multi Cidades, e de gestores fazendários do município de Serra (ES).
Na quinta-feira, estão previstas palestras de integrantes do Grupo de Trabalho sobre a Reforma Tributária da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), entre eles o auditor público externo do TCE-MT Joel Bino Júnior.
-
esportes5 dias atrásSão Paulo vence o Vitória e deixa zona de alerta do rebaixamento para trás
-
esportes5 dias atrásVasco fica no 0 a 0 com o Remo em São Januário e vê sequência de vitórias chegar ao fim
-
esportes4 dias atrásFlamengo vence o Fluminense e mantém a liderança no Brasileirão
-
esportes5 dias atrásBrasil vence a Argentina por 3 a 1 em amistoso de preparação para a Copa de 2027
-
esportes4 dias atrásPalmeiras atropela o Corinthians por 4 a 1 no Brasileirão
-
AGRO & NEGÓCIO3 dias atrásIMEA mantém estimativa de 48,88 milhões de toneladas de soja para a safra 2026/27 em Mato Grosso
-
esportes4 dias atrásGalo vira nos acréscimos e derruba invencibilidade do Santos
-
esportes4 dias atrásEmpate no 455º Gre-Nal: Grêmio e Internacional seguem na zona de rebaixamento




