Várzea Grande
Com dívida de R$ 1 bilhão, Várzea Grande ganha mesa técnica do TCE-MT para renegociar precatórios
O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) instalou, nesta terça-feira (28), mesa técnica que busca soluções para o endividamento histórico da Prefeitura de Várzea Grande. Entre os encaminhamentos debatidos, três foram apontados como prioridade: a aprovação imediata da Lei de Acordo Direto de Precatórios pelo Legislativo do município, a revisão da Lei de Distribuição do ICMS e a vinculação de receitas do Departamento de Água e Esgoto (DAE) a seus precatórios.
O presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, destacou a gravidade da situação. “Várzea Grande vive um caos e hoje a prefeita é vítima de todo um histórico de 40 anos de não pagamento de precatórios, que uma hora ia estourar no colo de alguém. A cidade hoje está inviabilizada.” Ele também defendeu a aprovação da norma pela Câmara. “Isso não tem nada a ver com o relacionamento do presidente da Câmara com a prefeita. Não é uma questão política”, completou.
A mesa técnica foi solicitada pelo conselheiro Antonio Joaquim, relator das contas do município, após o bloqueio de R$ 19 milhões determinado judicialmente em razão do não pagamento de parcelas de precatórios. “A mesa discute a questão permanente do problema do precatório. O Tribunal não tem autoridade de mudar uma decisão judicial, mas nós estamos discutindo o conjunto da obra”, salientou o conselheiro.

De acordo com Flávia, a maior parte dos precatórios é de verba alimentar, o que torna a fila um problema social além de financeiro. “Para solucionar o impasse, a Lei de Acordo Direto, que já funciona em âmbito estadual e atualmente tramita na Câmara Municipal, permite que credores interessados aceitem um desconto de até 40% para receber os valores de forma antecipada, saindo da ordem cronológica tradicional.
Dívidas do DAE
Embora a maior parte do passivo municipal tenha origem no DAE, é a Prefeitura quem arca com o pagamento, por força de decisão judicial que reconheceu sua responsabilidade subsidiária. Segundo Antonio Joaquim, isso gerou o maior gargalo financeiro da gestão, uma vez que a autarquia responde por cerca de R$ 500 milhões da dívida total de R$ 1 bilhão.
“O problema dos precatórios existe porque houve abuso no passado. Os gestores simplesmente não pagavam. No caso do DAE, o departamento não tem receita para nada, mas o Governo do Estado firmou um TAC para investir R$ 60 milhões em cem dias. Vou propor na mesa técnica que as receitas futuras geradas pelo DAE a partir desse aporte sejam obrigatoriamente vinculadas ao pagamento de seus próprios precatórios, aliviando o caixa da prefeitura”, explicou.
Impacto Fiscal e Desequilíbrio do ICMS

A prefeita ressaltou que, ao assumir a gestão, enfrentou impactos severos nas finanças a partir de 2025, representados pelo aumento do percentual constitucional sobre a receita corrente líquida para o pagamento de precatórios e pela queda no retorno do ICMS. “Para se ter uma ideia da diferença em relação à gestão passada, o ex-prefeito Kalil pagava cerca de R$ 700 mil a R$ 800 mil mensais em 2023, enquanto hoje a minha parcela fixa é de R$ 6,4 milhões”, disse.
Com relação ao desequilíbrio fiscal gerado pela legislação estadual, Sérgio Ricardo explicou que vai sugerir à Assembleia Legislativa (ALMT) e ao Governo do Estado a reavaliação dos critérios da lei. “Várzea Grande arrecada R$ 1,5 bilhão de ICMS por ano, mas só recebe R$ 400 milhões. Para onde está indo esse dinheiro e por que essa lei? É difícil tirar dinheiro de um caixa com uma prefeitura que tem dificuldade para arrecadar e levar para outro lugar.”
Ação de Alcance Nacional
Os precatórios não são um problema exclusivo de Várzea Grande. Segundo Sérgio Ricardo, pelo menos 40 municípios de Mato Grosso enfrentam uma situação delicada, com risco ou efetivação de bloqueio de contas, o que inviabiliza as administrações locais.
Para enfrentar esse cenário, o presidente anunciou que o TCE-MT fará uma articulação direta em Brasília, junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), para discutir a realidade dos precatórios do estado. Essa articulação contará com o apoio de Ulisses Rabaneda, que é membro do CNJ e presidente do Fórum Nacional de Precatórios (Fonaprec) e foi representado na abertura da mesa técnica pelo desembargador Agamenon Alcântara Moreno Júnior. A expectativa é que a atuação da mesa técnica e as soluções encontradas sirvam de referência para todo o país.
“O Tribunal de Contas vai entrar de forma maiúscula como sempre tem entrado, nós vamos às últimas instâncias para resolver a questão dos precatórios do Brasil e, talvez, mais uma vez o Tribunal de Contas de Mato Grosso vai dar o pontapé para ser referência a todos os tribunais e seguido por toda administração pública”, pontuou.
Várzea Grande
Sérgio Ricardo alerta para risco de interrupção no atendimento a crianças autistas
O risco de interrupção do atendimento no Centro de Acolhimento Social (Campi), em Várzea Grande, expõe um problema que ultrapassa a realidade da unidade: 90,3% das famílias de crianças autistas ouvidas em auditoria do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) relataram já ter enfrentado interrupção no tratamento, sendo que mais da metade percebeu regressão no desenvolvimento dos filhos nesses períodos. Nesta segunda-feira (14), o presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, esteve no Campi, que atende 348 crianças, e alertou para a insuficiência da rede de atendimento especializado no estado.
Em Várzea Grande, as atividades chegaram a ser interrompidas na sexta-feira (11), por falta de repasses aos profissionais, mas foram retomadas após um acordo com a Secretaria Municipal de Educação, que prevê o repasse de R$ 461,9 mil até esta quarta-feira (16). Como o valor cobre apenas parte da dívida, a situação continuará sendo monitorada pelo TCE-MT.
“Vamos estar atentos porque essa é uma obrigação nossa diante de toda situação que envolve os gastos do Poder Público e, principalmente, a qualidade e a dignidade do atendimento oferecido à população. O TCE-MT tem atuado fortemente nessa questão, porque garantir um atendimento digno às crianças com deficiência e aos neurodivergentes é uma pauta prioritária do Tribunal. O centro de acolhimento corre o risco de fechar por falta de pagamento, e isso não pode ser ignorado. Estamos aqui porque a sociedade exige do Tribunal de Contas uma atuação que ajude a assegurar políticas públicas efetivas e serviços de qualidade. Isso é política pública e é responsabilidade do Estado”, destacou o presidente.
De acordo com o diretor do Campi, Anacleto Giraldelli Bezerra, das nove notas fiscais emitidas neste ano, apenas três foram pagas, o que motivou o pedido ao Tribunal. “É impossível continuar com essa unidade aberta sem receber. Os profissionais não me dão mais prazo para pagar e eles têm razão, porque precisam receber pelo trabalho prestado. A dedicação deles é plena”, disse.
Na unidade, que atende 348 crianças com deficiência, o atendimento é prestado por equipe multiprofissional que inclui neurologista, psiquiatra, terapeuta e fisioterapeuta. “Se você perguntar em todo o estado, todos vão dizer que os filhos melhoraram, tudo que é feito aqui é feito com amor. Isso é comprovado porque existe uma fiscalização mensal do município que mostra esse trabalho”, ressaltou o diretor.
Auditoria da criança com deficiência
A auditoria operacional do TCE-MT sobre a atenção à criança com deficiência em Mato Grosso, com ênfase no Transtorno do Espectro Autista (TEA), ouviu 145 famílias e fez visitas presenciais em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop, Sorriso e Cáceres.
O relatório preliminar mostra ainda que o autismo já é a principal demanda da reabilitação infantil no estado. A auditoria identificou 1.462 crianças matriculadas sem diagnóstico concluído em 70 municípios e registrou diagnósticos emitidos em consultas privadas de 10 a 15 minutos nos seis municípios visitados.
Entre as famílias com filhos autistas, 58,1% esperaram mais de um ano pelo tratamento ou ainda não haviam iniciado o atendimento. Quase metade, 49,5%, precisou recorrer à Justiça. Em 2024 e 2025, as demandas judiciais por reabilitação infantil somaram R$ 32,96 milhões no Estado; só em Rondonópolis, a judicialização consome entre R$ 16 milhões e R$ 18 milhões por ano.
“Estamos nessa causa há muito tempo, desde a dificuldade que uma criança autista tem para ser matriculada. Há muito o que discutir e implementar na saúde de Mato Grosso”, afirmou Sérgio Ricardo, ao lembrar a atuação do Tribunal sobre o tema.
Acesso ao tratamento
Apenas 15,9% das famílias ouvidas utilizam a rede pública especializada de reabilitação. Outras 40% recorrem a entidades filantrópicas e quase 30% dependem de planos privados. Várzea Grande concentrou 27 das 145 famílias ouvidas, atrás apenas de Cuiabá, com 57. No município, uma família relatou anos de fila e apenas uma consulta com neurologista e uma com psiquiatra antes de voltar a esperar.
A auditoria constatou ainda que 97,2% das famílias não sabem onde o filho será atendido depois dos 14 anos, e Mato Grosso não tem protocolo estadual que garanta a transição do adolescente autista para o atendimento na vida adulta. Em Várzea Grande, foi apontada também a inexistência de leitos psiquiátricos infantojuvenis no estado para casos de maior complexidade.
Para Sérgio Ricardo, o trabalho contribuirá com as ações de Estado e municípios voltadas às crianças com deficiência. “Vamos fazer o levantamento e cuidar da qualidade do serviço prestado às crianças com deficiência e neurodivergentes. Quase sempre os governos querem acertar. Às vezes o assunto não chega claro ao gestor. O governador e os prefeitos não conseguem saber tudo o que está acontecendo”, afirmou.
Mato Grosso 2050
Os números da auditoria também deverão subsidiar o Plano de Metas Mato Grosso 2050, planejamento de longo prazo elaborado pelo Tribunal, a partir de diagnóstico de todas as regiões, para orientar as próximas gestões do Estado. Segundo o presidente, o trabalho reforça a atuação orientativa do TCE-MT.
“O Tribunal está aqui para ajudar. É um tribunal de contribuição e orientação. O Tribunal não quer punir, quer que o gestor acerte antes de ser questionado. Nenhum prefeito ou governador entra para errar. Às vezes falta dinheiro, às vezes falta informação para o próprio gestor”, concluiu.
Durante a visita in loco no Campi, em Várzea Grande, nesta segunda-feira (14), o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo, foi acompanhado pelos auditores públicos externos Denisvaldo Mendes Ramos e Sérgio Sales.
-
esportes7 dias atrásCuiabá abre o placar mas cede empate e segue firme na briga pelo G6
-
esportes7 dias atrásFlamengo vence o Corinthians no Maracanã e reassume a liderança do Brasileirão
-
esportes5 dias atrásVasco vence o Santa Fe em São Januário e avança às semifinais da Sul-Americana
-
esportes5 dias atrásFluminense perde para o Platense, mas avança às semifinais da Libertadores
-
esportes5 dias atrásSão Paulo empata com o Boca Juniors, mas é eliminado nas quartas da Sul-Americana
-
esportes4 dias atrásPalmeiras supera a LDU nos pênaltis e avança à semifinal da Libertadores
-
AGRO & NEGÓCIO6 dias atrásRecorde das exportações abre mercado para safra de 33,4 milhões de sacas
-
AGRO & NEGÓCIO5 dias atrásProdutor tem até o dia 30 para entregar declaração do ITR e evitar multa



