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Alvorada Bioenergia leva produtos a 17 estados brasileiros
Em julho, a Alvorada Bioenergia, primeira biorefinaria de etanol de milho do Araguaia mato-grossense, completou seis meses de operação. Além dos impactos econômicos, a indústria tem contribuído para tornar a cidade de Canarana, a 646 quilômetros da capital, Cuiabá, em novo polo de investimentos privados e públicos.
Construída para processar 222 milhões de litros de etanol (entre anidro e hidratado) por ano, a unidade tem outros dois coprodutos comerciais. Um deles é o óleo bruto de milho (8 mil toneladas/ano) e o outro, o farelo de milho – ou DDGS, da sigla em inglês Dried Distillers Grains with Solubles (157 mil toneladas/ano). O grão usado na operação vem de produtores de milho mato-grossenses.
Aproveitando o dinamismo do segmento de biocombustíveis e a demanda por etanol de milho, a Alvorada Bioenergia chegou ao seu primeiro semestre de atividades atendendo clientes em 17 estados brasileiros.
“Com a estabilidade operacional, estamos levando nossos produtos a todo o Brasil, favorecendo tanto o produtor mato-grossense, como o pecuarista do Araguaia, que passa a ter o DDGS disponível para engordar o rebanho. Além disso, há impactos positivos para toda a comunidade que nos recebeu em Canarana”, analisou Jarbas Weis, CEO da indústria.
Durante a obra, a empresa chegou a ter 5 mil pessoas trabalhando em diferentes linhas de atuação. Hoje, a equipe fixa de colaboradores soma 132 profissionais, todos qualificados e treinados pela Alvorada. Mas, pela estimativa do prefeito de Canarana, Vilson Biguelini, a população residente da cidade cresceu mais de 35%.
“Pelos dados oficiais do IBGE, a estimativa é de que temos uma população de cerca de 28 mil habitantes. Mas qualquer levantamento nosso indica um contingente de 38 a 40 mil pessoas morando aqui hoje”, afirmou. Animado com o dinamismo da cidade que administra, Vilson revela que, em dez anos, a expectativa é de que Canarana alcance 80 mil habitantes.
A implantação da usina de etanol da Alvorada intensifica o bom momento vivido pelos canaranenses. “A gente precisou se adaptar à chegada da indústria. Quem mora, quer casa. Famílias precisam de creches, de escolas e de saúde. Enquanto o empresário investe no negócio, gerando emprego, é papel do poder público dar a estrutura para que o crescimento seja bacana para todos”, disse.
Atualmente, o prefeito contabiliza 26 obras públicas em andamento que alcançam a cifra de R$ 800 milhões. O destaque vai para a construção de casas populares: serão 1300 unidades somando empreendimentos do Governo Federal e do Governo do Estado. Pavimentação e ampliação de novas rodovias estão em curso também, caso da MT-110 e da MT-020. Hospital, dois colégios e duas creches são outros projetos em desenvolvimento na cidade.
A sede da Agrícola Alvorada, empresa fundadora da Alvorada Bioenergia, fica em Primavera do Leste. De lá, são coordenadas as filiais distribuídas por 18 municípios mato-grossenses. O foco na região do Araguaia, com a biorefinaria, é uma amostra da visão estratégica da companhia.
“Industrialização atrai o progresso e prepara para o futuro. Hoje, temos uma usina em Canarana e é natural que nossos planos se voltem para todo o Vale do Araguaia. Temos esse compromisso com a região”, observou o CEO.
canarana
Família aguarda há quase 10 anos conclusão de inquérito sobre morte de jovem
Wagner Honório da Silva, de 25 anos, morreu em 2017 após internação no serviço municipal de saúde; Conselho de Medicina reconheceu negligência e Município já foi condenado na esfera cível, mas investigação criminal não avançou.
A morte do jovem Wagner Honório da Silva, 25 anos, ocorrida em 16 de setembro de 2017, ainda aguarda conclusão na esfera criminal. Ele havia sido internado no dia 14 de setembro de 2017 no serviço municipal de saúde de Canarana com quadro de fortes dores nos membros superiores, abdominais, lesões dermatológicas e diagnóstico de Herpes Zoster. O óbito ocorreu dois dias após a internação.
De acordo com o relato da família, já no segundo dia de internação, com piora visível do quadro, foi solicitado ao médico o encaminhamento para o Hospital Regional de Água Boa. O pedido, segundo a família, não foi atendido.
Um mês após o óbito, em 24 de outubro de 2017, a família registrou Boletim de Ocorrência sob o nº 2017.353749. A notícia, por se tratar de jovem conhecido na cidade, gerou mobilização, com abaixo-assinado que reuniu mais de 700 assinaturas pedindo investigação.
Paralelamente, a família levou o caso ao Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRMMT), com abertura de Processo Ético Profissional (PEP). Segundo o relato, o Conselho reconheceu a negligência médica e sua relação direta com o dano causado ao paciente. A penalidade aplicada, por ser a primeira representação contra o médico, foi considerada branda pela família. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União.
Na esfera da justiça comum, houve condenação do município pela negligência médica reconhecida.
Inquérito
Apesar dos desdobramentos nas esferas ética e cível, a família afirma não ter obtido retorno da Polícia Civil sobre a investigação criminal.
No dia 8 de março de 2022, quase cinco anos após o registro do BO, familiares procuraram a delegacia de polícia para saber do andamento. Segundo o pai, Sr. Valdeci:
“cheguei lá, mais o advogado, estava um ‘converseiro’ lá dentro, depois que falaram nome do meu filho ficou tudo quieto. O advogado pediu cópia do inquérito. Mas, entregaram só a folha do Boletim. Falaram que iam dar andamento. Cinco anos e nada. Não moveram uma palha pelo meu filho.”
Conforme o advogado da família, Dr. Paulo Sérgio, após a visita foi juntado pedido de abertura de inquérito, com resumo dos fatos, relatório do Conselho de Medicina, cópia de documentos e requerimento de diligências.
O inquérito tramita sob o nº 1001650-29.2022.8.11.0029 na Justiça Estadual. Consta nos autos portaria de abertura datada de 08 de março de 2020, mesmo dia da visita à delegacia.
Em julho de 2022, a família representou os fatos junto à Promotoria da cidade. A Promotoria realizou diligências, obteve cópia dos processos junto ao CRMMT e à Prefeitura Municipal e, por já existir investigação aberta, encaminhou o material ao delegado para continuidade.
Em março de 2023, um ano após o pedido de abertura da investigação, a família requisitou ao Juízo providências. O Juiz determinou remessa à Promotoria para manifestação, por se tratar de crime cuja ação é pública incondicionada, onde o dever de investigar é da Polícia Civil e de processar, do Ministério Público.
No mesmo mês, a Promotoria se manifestou e determinou diversas diligências à Autoridade Policial.
De acordo com a família, até o momento, apesar das diligências determinadas, o médico não foi intimado a prestar esclarecimentos na esfera criminal.
Em 3 de abril de 2023, a família procurou a Câmara Municipal de Canarana e expôs o caso na tribuna. Segundo o relato, não houve retorno por parte dos vereadores.
O pai do jovem desabafou:
“parece que o pobre não tem vez mesmo. Nada vai trazer meu filho de volta. Mas, saber que o culpado vive normalmente, atende na cidade e eu o vejo viver como se nada tivesse acontecido. Como se meu filho morresse todo ano. Como se nós fossemos lixo. Com certeza se meu filho tivesse atropelado um filho de um médico estaria até hoje preso. Como é o contrário. Nada acontece.”
Diante da situação, a família ingressou com representação criminal junto ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) para que seja investigada a desídia na condução da investigação do óbito. Também representou junto à Corregedoria da Polícia Civil de Mato Grosso para apuração de eventual desvio de função e faltas dos agentes.
Em nota, o advogado da família declarou:
“É estarrecedor ver que, enquanto o responsável pela tragédia continua exercendo a medicina normalmente, as providências requisitadas pela Promotoria são ignoradas e a investigação não é feita por aqueles que são pagos para tal. Com o suor e sangue dos contribuintes. A impunidade é certa a cada dia que passa. Já acionamos a Corregedoria da Polícia Civil e o Ministério Público contra essa desídia protocolar. A família não busca vingança, busca apenas o cumprimento da lei, mas o silêncio e a inércia das autoridades estaduais passam a dolorosa mensagem de que a vida de um jovem humilde não tem valor para as instituições.”, Dr. Paulo Sérgio.
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