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Do papel ao algoritmo: o Jubileu de um conselheiro que modernizou o controle externo em Mato Grosso

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Conselheiro José Carlos Novelli | Foto: Thiago Bergamasco

Por Edmundo Pacheco | Editor do Portal Mato Grosso

No cenário brasileiro, o senso comum sobre os Tribunais de Contas (TCs) ainda está atrelado à imagem do “tribunal do carimbo”: órgãos voltados quase exclusivamente à punição tardia e à verificação de contas após o dano ao erário.

Mas em Mato Grosso, o TCE-MT operou, nas últimas duas décadas, uma transformação estrutural que o converteu em um laboratório de inovação para as demais Cortes de Contas do país. O Jubileu de Prata do Conselheiro José Carlos Novelli, no Tribunal, celebrado nesta quarta-feira (1º.07), serve como lente de aumento para essa metamorfose.

Quando ingressou no TCE-MT, em 29 de junho de 2001, José Carlos Novelli deparou-se com uma instituição que operava na inércia burocrática do século XX: o fluxo processual era dependente de processos físicos, a tramitação era morosa e a fiscalização limitava-se a uma postura reativa, focada exclusivamente na penalização post-mortem do erro administrativo.

Diferente de outros tribunais que aguardaram diretrizes nacionais para modernizar suas rotinas, Novelli imprimiu uma gestão de engenharia na corte: ele não apenas digitalizou o acervo, ele redesenhou a arquitetura do controle.

Ao longo de seus mandatos na Presidência, ele rompeu com o tradicionalismo ao implementar um sistema de gestão por resultados certificado por normas internacionais (ISO 9001) e ao forçar a criação de um Código de Processo de Controle Externo próprio — um instrumento normativo que deu aos magistrados e técnicos segurança para priorizar a eficiência em vez da mera punição.

Mais do que substituir o papel pelo algoritmo, Novelli transformou a função do conselheiro: de um fiscal distante, passou a exigir um mediador capaz de destravar políticas públicas.

Perfil: O Engenheiro que Reformou o Controle

A trajetória de José Carlos Novelli no TCE-MT não é a de um jurista de gabinete, mas a de um gestor público de formação técnica. Natural de Pirajuí (SP) e graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Novelli construiu sua carreira em áreas onde a execução prática é a única métrica possível: a infraestrutura.

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Antes de ascender ao cargo de conselheiro, Novelli ocupou posições-chave no estado, dirigindo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MT) e o Departamento de Viação e Obras Públicas (DVOP/MT). Sua passagem pela administração estadual também incluiu o gerenciamento do emblemático Programa Polonoroeste e a liderança dos Detrans em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Essa vivência no “chão de fábrica” da gestão pública moldou sua visão no Tribunal: a de que as leis e normas de controle não devem existir para engessar, mas para permitir que a obra aconteça com segurança jurídica.

A carreira política de Novelli é marcada por um trânsito pragmático pelos poderes legislativo e executivo. Foi vereador por Cuiabá, eleito em 1992, e deputado estadual, eleito em 1998 — mandatos que lhe conferiram a sensibilidade política necessária para entender o outro lado da mesa: a pressão e as dificuldades enfrentadas pelos gestores municipais.

No Tribunal de Contas, Novelli tornou-se o conselheiro com maior número de mandatos na Presidência da história da casa (2006/2007, 2012/2013 e 2022/2023). Sua atuação interna foi marcada pela criação de uma estrutura de comissões permanentes — como a de Infraestrutura, Tecnologia e Desestatização (CPID), que hoje coordena — e pelo fortalecimento da governança digital.

Especialista em Planejamento de Transportes Urbanos, ele utilizou sua formação para modernizar o controle de grandes obras, sendo a tese que fundamenta seu novo livro a coroação acadêmica de uma vida inteira dedicada a entender como o Estado pode entregar resultados.

Do Papel ao Algoritmo

A marca das gestões de Novelli à frente do TCE-MT foi a digitalização sistemática. O que começou em 2006, com a transmissão das sessões plenárias e a criação do Portal Transparência, evoluiu para um ecossistema digital robusto. Com o advento dos autos digitais, o Diário Oficial Eletrônico e o Plenário Virtual, o Tribunal não apenas acelerou o julgamento, mas garantiu que o cidadão acompanhasse o destino dos recursos em tempo real.

Essa modernização foi chancelada por padrões de qualidade ISO 9001 e, em 2023, pela criação do primeiro Código de Processo de Controle Externo do Brasil. Enquanto outros tribunais ainda lutam para transpor fluxos arcaicos, o TCE-MT redesenhou processos com dados abertos que exigem que municípios de todos os portes estejam na vitrine digital.

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 A Justiça Multiportas

A grande ruptura do TCE-MT reside na transição da cultura punitiva para o fiscalismo consensual. Enquanto estados vizinhos ainda veem a judicialização como desfecho natural de falhas contratuais, Mato Grosso institucionalizou as Mesas Técnicas. A ferramenta é o tema central da nova obra de Novelli, “A Mesa Técnica nos Tribunais de Contas – Uma Nova Alternativa para a Resolução de Conflitos pelo Controle Externo na Administração Pública”.

Em casos como a duplicação da BR-163 e a construção do Hospital Júlio Müller, a mesa técnica permitiu que o Tribunal atuasse como mediador antes que impasses se tornassem disputas judiciais de décadas. Ao evitar que a burocracia parasse máquinas, o TCE-MT mudou sua natureza: deixou de ser um obstáculo para se tornar um agente de viabilização.

O Tribunal como Escola

Por meio do Programa de Apoio ao Gerenciamento do Planejamento Estratégico (GPE) e da Escola Superior de Contas, o Tribunal saiu de seu edifício-sede para atuar nas prefeituras, oferecendo know-how para que o orçamento seja estrategicamente planejado.

“Não queremos apenas ser um Tribunal de Contas referência nacional. Queremos transformar a gestão pública mato-grossense em referência nacional”, resume o conselheiro Novelli.

Lançamento e Homenagens

O lançamento da obra “A Mesa Técnica nos Tribunais de Contas”, de autoria do Conselheiro José Carlos Novelli, será nesta quarta-feira (1º07), às 10h, no auditório da Escola Superior de Contas.Na mesma solenidade, o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo, homenageará o conselheiro pelo seu Jubileu de Prata. O deputado Wilson Santos outorgará a Comenda Dante de Oliveira, distinção conferida a personalidades de destaque na defesa da democracia e dos direitos humanos.

  • Evento: Lançamento do livro e Homenagens

  • Data: 1º de julho (quarta-feira)

  • Horário: 10h

  • Local: Auditório da Escola Superior de Contas, Cuiabá.

Para entender melhor como o Tribunal mato-grossense se transformou ao longo dessas décadas, assista a seguir este vídeo produzido pela Comunicação Social do Tribunal sobre o jubileu do Conselheiro José Carlos Novelli.

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Sérgio Ricardo alerta gestores sobre ampliação da arrecadação em encontro sobre Reforma Tributária

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Presidente Sérgio Ricardo durante abertura do 2° Encontro Sobre Reforma Tributária para Municípios | Foto: Tony Ribeiro

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, alertou gestores de todo o estado sobre a importância de ampliar a arrecadação própria até 31 de dezembro de 2026, durante a abertura do 2º Encontro Técnico sobre a Reforma Tributária para Municípios, nesta quarta-feira (14).

Promovido pela Comissão Permanente de Sustentabilidade Fiscal e Desenvolvimento (COPSFID), o evento reúne gestores de 135 municípios na Escola Superior de Contas para discutir os impactos da reforma e orientar as prefeituras sobre medidas que podem influenciar a distribuição de recursos durante a transição para o novo sistema tributário.

“Vamos conversar com os prefeitos para que eles atentem para a arrecadação que vão fazer até o dia 31 de dezembro. O que os municípios irão receber a partir do ano que vem vai depender muito do que arrecadaram de 2019 até 31 de dezembro deste ano”, afirmou o presidente.

2° Encontro Sobre Reforma Tributária para Municípios
Presidente da COPSFID, Valter Albano, coordenador do encontro técnico | Foto: Tony Ribeiro

O presidente relacionou a preparação para a reforma ao Plano de Metas Mato Grosso 2050, elaborado pelo Tribunal para orientar o desenvolvimento do estado nas próximas décadas, e destacou a situação dos municípios de pequeno porte, que mantêm câmara, prefeitura e secretarias com população reduzida e baixa arrecadação própria. “Temos municípios com 3 mil, 2 mil, 1 mil habitantes que definitivamente não se sustentam. Eles só sobrevivem por causa dos repasses federais e estaduais”, disse.

Na ocasião, o presidente da COPSFID, Valter Albano, reforçou que o encerramento do ano representa um marco para a arrecadação municipal e cobrou maior rigor na cobrança de tributos. “Não haverá mais espaço para facilidades tributárias, para a autoridade gestora fazer de conta que não é o caso de cobrar o imposto. Agora é a hora da verdade, da transparência. Quem administrar bem, for atrás dos devedores e realizar a receita na forma da lei sai bem. Quem não fizer isso terá perdas adicionais. E o limite é 31 de dezembro deste ano”, reforçou.

Conselheiro José Carlos Novelli
O conselheiro José Carlos Novelli prestigiou o evento | Foto: Marcus Paulo

Já o conselheiro José Carlos Novelli questionou se haverá tempo para os municípios ampliarem a receita própria até o fim do prazo e avaliou que a regra pode precisar de alteração. Além disso, questionou se as emendas parlamentares, responsáveis por grande parte dos investimentos das prefeituras, serão consideradas no cálculo. “Municípios como Jangada, Rosário Oeste, Barão de Melgaço e Nortelândia tiveram receita de mais de R$ 60 milhões em 2025, mas a receita própria de todos eles está abaixo de 10%. Dos 60 milhões, arrecadaram 6. Estamos em outubro e o prazo é 2026. O que os municípios têm de fazer para aumentar essa receita?.”

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Nesse cenário, o secretário de Estado de Fazenda, Fábio Pimenta, apontou os possíveis efeitos sobre a autonomia financeira de Mato Grosso. Segundo ele, cerca de 80% da receita estadual é própria, mas as regras da reforma podem aumentar a dependência de transferências federais. “Com a Reforma Tributária, se tudo continuar como está, corremos o risco de perder essa autonomia e depender de repasses federais”, disse. “Hoje, o Estado e os municípios são parceiros na melhor forma de implementação da Reforma Tributária e na garantia da continuidade dos serviços à população”, acrescentou.

Atuação conjunta

Evento reúne gestores de 135 municípios na Escola Superior de Contas. 
Evento reúne gestores de 135 municípios na Escola Superior de Contas | Foto: Tony Ribeiro

Na cerimônia de abertura, a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), promotora de Justiça Anne Karine Louzich, defendeu a cooperação entre as instituições durante a transição e destacou a atuação do MPMT no combate à sonegação fiscal. “O Ministério Público tem uma atuação firme e consolidada, sobretudo em Mato Grosso, no enfrentamento às fraudes fiscais e no combate à sonegação. Temos desafios que estão por vir e precisamos cada vez mais dessa integração. Coloco o Ministério Público como parceiro deste Tribunal e dos fiscos estadual e municipais”, afirmou.

O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Hemerson Máximo, destacou a participação dos municípios no encontro. “A presença de prefeitos, vereadores e secretários demonstra o compromisso dos municípios mato-grossenses para que a reforma seja implantada da melhor forma possível”, disse.

Para o presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel, o debate também deve buscar alternativas para compensar os efeitos da reforma sobre estados com elevada produção e grande volume de mercadorias destinadas a outros mercados. “É importante discutir cada vez mais esse tema para trazer um alento às prefeituras e buscar alguma compensação dentro da reforma para Mato Grosso, que tem uma grande produção, mas precisa levar seus produtos para fora do Estado”, avaliou.

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O deputado estadual eleito e ex-presidente da AMM Leonardo Bortolin destacou a importância da cobrança do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), tributo municipal que integra a transição para o novo modelo. “Até o final de 2026 se fecha o ciclo que vai dar base para o seguro-receita dos municípios, e isso vai impactar diretamente no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Por isso é importante que o ISS, que é competência do município, seja muito bem cobrado.”

No mesmo sentido, o membro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) Yendis Costa destacou que o IBS será cobrado no destino e repassado às prefeituras por um comitê gestor nacional, e que os municípios terão de planejar a aplicação desses recursos. “O objetivo deste evento é demonstrar aos prefeitos e gestores municipais como será essa arrecadação a partir do ano que vem e qualificar o ente municipal para que tenha maior planejamento da sua arrecadação tributária.”

Também participaram da mesa de abertura o conselheiro Campos Neto, a controladora-geral da Defensoria Pública de Mato Grosso, Bárbara Natália Nogueira Garnica, e o primeiro vice-presidente da AMM, prefeito de Rondolândia, José Guedes.

Programação

O encontro reúne especialistas para orientar prefeitos, vereadores e equipes técnicas sobre os efeitos da reforma e as medidas necessárias para preparar as administrações municipais. A programação segue até quinta-feira (15), com transmissão pela TV Contas (canal 30.2) e pelo canal do TCE-MT no YouTube.

A programação inclui palestras do procurador do Estado Rogério Gallo e do secretário Fábio Pimenta, do economista Alberto Mendes, responsável pelo anuário Multi Cidades, e de gestores fazendários do município de Serra (ES).

Na quinta-feira, estão previstas palestras de integrantes do Grupo de Trabalho sobre a Reforma Tributária da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), entre eles o auditor público externo do TCE-MT Joel Bino Júnior.

 

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