INTERNACIONAL
Acordo entre Irã e Estados Unidos termina antes de se consolidar
O acordo internacional que visava o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã ruiu de vez neste domingo (28.06). O colapso do tratado deu início a uma troca de ataques que elevou a tensão no Oriente Médio e ameaça o abastecimento global de petróleo.
A crise escalou após um incidente no Estreito de Ormuz na última quinta-feira, quando o Irã apreendeu um petroleiro. A represália americana veio na forma de bombardeios contra instalações militares iranianas. Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã lançou mísseis e drones contra bases militares dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein na manhã deste domingo.
O presidente Donald Trump, que havia anunciado o acordo com expectativa de estabilidade, mudou o tom na noite de sábado. Em publicação na rede social Truth Social, o americano afirmou que a diplomacia atingiu seu limite e ameaçou a liderança iraniana com uma ação militar definitiva caso o país não respeitasse os termos do pacto.
Apesar da ofensiva, não houve registro de vítimas americanas ou danos significativos nas bases atingidas, segundo um emissário do governo dos EUA informou à agência Reuters. No Kuwait, o Exército afirmou ter interceptado dois mísseis balísticos, enquanto o Bahrein também foi alvo de disparos.
O principal reflexo econômico da ruptura é o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo e do gás consumidos no mundo. O bloqueio, mantido pelo Irã durante o conflito, gera apreensão nos mercados internacionais. Sem um cessar-fogo vigente, a região permanece em alerta máximo, com a diplomacia cedendo lugar a uma escalada direta de hostilidades militares.
SAIBA MAIS
- Cessar-fogo: Previsão de paralisação imediata das operações militares, com negociações para um acordo definitivo estipuladas para um prazo de 60 dias.
- Sanções e Ativos: Estabelece o alívio de sanções, liberação de ativos iranianos congelados no exterior e um pacote de ajuda de ao menos US$ 300 bilhões para reconstrução.
- Segurança Marítima: Compromisso de manter o Estreito de Ormuz aberto e seguro para a navegação comercial.
- Programa Nuclear: O Irã reitera que não desenvolverá armas nucleares, aceitando negociar os termos de seu programa.
- Escalada de Confrontos: O acordo mal havia sido formalizado quando o Irã exigiu autorizações para trânsito no Estreito de Ormuz e atingiu um navio comercial.
- Retaliações: Os Estados Unidos responderam atacando radares costeiros e depósitos de mísseis iranianos. Como reação, o Irã afirmou ter bombardeado bases americanas na região.
- Situação no Líbano: O Irã vinculou o sucesso do cessar-fogo ao fim das ações de Israel no Líbano, mas o governo de Tel Aviv rejeitou a retirada de suas tropas, o que mantém o acordo em xeque.
INTERNACIONAL
Recordes de temperatura provocam mais de 1.300 mortes na Europa
O verão de 2026 no Hemisfério Norte já é um dos mais letais da história recente. Sob a influência de um bloqueio atmosférico persistente, chamado de “Omega block”, uma massa de ar quente estacionária castiga o continente europeu, levando os termômetros a marcas superiores aos 40°C em países onde o clima moderado era a norma.
O resultado é uma crise de saúde pública que, apenas na última semana de junho, já contabiliza mais de 1.350 mortes confirmadas relacionadas ao calor extremo em diversas nações.
A França, epicentro da tragédia, registra um excedente alarmante de óbitos. Segundo o Ministério da Saúde francês, apenas entre os dias 24 e 26 de junho, mais de 4 mil mortes foram computadas no país — uma média diária significativamente superior aos 900 a 1.000 óbitos habituais para o período. O colapso na rede de urgência é evidente: em Paris, relatos indicam que o número de paradas cardíacas atendidas em 24 horas quadruplicou, forçando serviços de emergência a operar no limite da capacidade.
O cenário no continente
Embora a França concentre o maior volume de dados oficiais até o momento, o drama se espalha por outras nações europeias que também enfrentam recordes históricos:
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Espanha: O país enfrenta seca severa e temperaturas que ultrapassaram os 45°C em algumas regiões, como Andújar. O número de mortes estimadas pelo calor chega a 327 apenas nesta onda de junho.
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Reino Unido: Em um alerta vermelho inédito para calor extremo, o país rompeu seus recordes históricos de temperatura para o mês de junho, registrando 36,1°C. Pelo menos 25 mortes já foram atribuídas diretamente às condições climáticas nas últimas semanas.
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Alemanha, Suíça e Itália: Também enfrentam picos de temperatura acima de 40°C, com danos severos à infraestrutura ferroviária e cortes de energia.
A crise invisível: o custo cumulativo
O impacto do calor em 2026 é parte de um padrão preocupante. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, no início de junho, que o calor extremo tornou-se o risco climático mais letal da região europeia, tendo ceifado mais de 200 mil vidas nos últimos quatro anos.
O cenário atual demonstra que as ondas de calor não são mais episódios isolados, mas crises recorrentes que fraturam sistemas de saúde e expõem a vulnerabilidade da infraestrutura urbana europeia.
Para as autoridades sanitárias, a preocupação agora é com a saturação dos hospitais. Além das causas diretas — como insolação e paradas cardíacas —, o calor tem gerado uma onda de afogamentos, com mais de 50 mortes registradas na França desde meados de junho, à medida que a população busca refúgio em áreas não supervisionadas ou impróprias para banho.
Enquanto o bloqueio atmosférico não se dissipa, o continente permanece em alerta máximo, com governos tentando equilibrar a manutenção de serviços essenciais e o suporte a uma população que enfrenta, repetidamente, temperaturas “fora da curva”.
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