Mato Grosso
Exportações de carnes de Mato Grosso cresceram 43% mesmo com tarifaço
Em um feito notável para o agronegócio, as exportações de carnes de Mato Grosso registraram um crescimento robusto de 43,12% entre janeiro e novembro de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. O desempenho, que engloba carne bovina, suína e de aves, surpreende por ter ocorrido em um cenário internacional adverso, que incluiu uma sobretaxação de 50% imposta pelos Estados Unidos, e um paradoxal recuo no número de animais abatidos.
De acordo com dados compilados pelo Data Hub da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), o valor total das vendas externas de carnes saltou de aproximadamente US$ 2,7 bilhões em 2024 para cerca de US$ 3,85 bilhões no acumulado de 2025. A carne bovina foi o principal motor desse crescimento, com suas exportações passando de US$ 2,45 bilhões para US$ 3,62 bilhões. O setor suíno também contribuiu positivamente, avançando de US$ 59,97 milhões para US$ 68,55 milhões.
Eficiência e valor agregado impulsionam o setor
Apesar do aumento na receita, o ano de 2025 registrou uma diminuição no número de abates em todas as categorias. Os abates de bovinos caíram de 7,14 milhões para 5,39 milhões de cabeças; os de suínos, de 2,79 milhões para 2,07 milhões; e os de aves, de 211,87 milhões para 158,13 milhões de frangos.
Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, essa aparente contradição reflete uma transformação estrutural na pecuária mato-grossense. “Hoje, uma parcela significativa dos animais abatidos em Mato Grosso tem menos de 24 meses. Isso é resultado do avanço do confinamento e da terminação intensiva a pasto, que permitem produzir mais carne em menos tempo. Essa eficiência compensa oscilações no volume de abates”, explicou Miranda, destacando o maior valor agregado da carne exportada.
Outro fator importante foi o ciclo pecuário, que viu em 2024 um maior abate de fêmeas e, em 2025, uma retenção de animais para engorda, impulsionada pela expectativa de preços mais firmes para o boi gordo.
Resiliência no mercado global e foco asiático
A demanda externa aquecida, especialmente da China, principal destino da carne bovina de Mato Grosso, foi crucial para o bom desempenho. A imposição da sobretaxa dos Estados Unidos à carne bovina brasileira, que durou 99 dias, não freou o ímpeto exportador do estado. Mato Grosso demonstrou notável capacidade de adaptação, redirecionando seus embarques e ampliando as vendas para mercados asiáticos, minimizando o impacto do tarifaço.
“A produção de carne em Mato Grosso é muito superior ao consumo interno. Temos uma indústria preparada, logística eficiente e plantas habilitadas para exportação. Isso permite ao Estado responder rapidamente às oportunidades do mercado internacional e manter crescimento mesmo em cenários adversos. Nossos maiores compradores são países da Ásia e do Oriente Médio”, ressaltou César Miranda.
A China continua sendo o principal mercado, absorvendo a maior parte das exportações de carne bovina, seguida por destinos como Hong Kong, Egito, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Filipinas. Para carne suína e de aves, o ritmo de compras de mercados asiáticos como China, Japão, Coreia do Sul e países do Oriente Médio também se manteve forte, consolidando a importância estratégica desses parceiros comerciais para o agronegócio mato-grossense.
Mato Grosso
Logo do Manso terá praias públicas e marinas com acesso gratuito
O Lago do Manso, um dos principais cartões-postais de Mato Grosso, passará por uma transformação significativa nos próximos meses. Seis novas praias públicas e marinas com acesso gratuito à população serão construídas no entorno do reservatório, após a sanção de uma lei pelo Governo do Estado. A medida foi publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (20) e faz parte de um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento do turismo na região de Chapada dos Guimarães.
Pelo texto da lei, a Eletrobras Furnas fica responsável pela construção das estruturas, que serão posteriormente administradas pelas próprias comunidades do entorno. As praias serão instaladas no Assentamento Campestre, no Distrito Turístico de João Carro, no Distrito Turístico Paraíso do Manso — onde haverá duas unidades — e nos assentamentos Quilombo e Água Branca.
A legislação também cria as chamadas Áreas de Urbanização Especial (AUE), que permitem a implantação de hotéis, resorts, pousadas, restaurantes, marinas, centros de convenções e demais estruturas de lazer consideradas de baixo impacto ambiental. A medida abre caminho para a iniciativa privada investir na região com regras claras e previsibilidade.
Outro ponto considerado estratégico é a redução da faixa de Área de Preservação Permanente (APP) em regiões já ocupadas do entorno do lago. Em áreas consolidadas onde já há atividade turística, agropecuária ou piscicultura, a faixa de proteção poderá variar entre 15 e 30 metros. Já nas regiões sem ocupação consolidada, a proteção ambiental segue em 150 metros, mantendo o rigor da legislação vigente.
A lei define como áreas consolidadas o Distrito Turístico Paraíso do Manso, os assentamentos rurais e as comunidades já estabelecidas às margens do reservatório. A proposta foi aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo governador Otaviano Pivetta. O texto entrou em vigor na terça-feira (19), data da publicação oficial.
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