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Você conhece o novo sistema de produção de milho desenvolvido pela Embrapa? Antecipe – cultivo intercalar antecipado

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O Antecipe é um sistema inédito de produção de grãos, em que é possível semear mecanicamente a cultura do milho nas entrelinhas da soja antes da colheita desta leguminosa. Para que isso se tornasse possível, foram dedicados 13 anos de pesquisa. Foi gerado conhecimento que permite ao produtor saber utilizar a tecnologia, e o momento certo para utilizá-la. Nesse contexto, foi desenvolvida uma semeadora-adubadora para trabalhar um novo modelo de cultivo sem provocar danos às plantas de soja. Isso garante que as produtividades das duas culturas não sejam comprometidas por competição, pelo corte durante a colheita e nem pelo amassamento das plantas de milho provocado por pneus de colhedora durante a colheita da soja, o que também não prejudicaria a produtividade da cultura do milho.

O que ocorre no sistema Antecipe com a cultura da soja? A tecnologia foi desenvolvida para não dificultar as operações na fazenda. Se o produtor resolver adotar o Antecipe em parte de sua área, até porque não é necessário antecipar toda a lavoura, não serão necessários ajustes no espaçamento entrelinhas. Isso só foi possível porque a semeadora-adubadora do Antecipe foi desenvolvida para trabalhar nos mesmos espaçamentos que qualquer semeadora existente no mercado. Assim, se a soja é semeada no espaçamento de 50 cm entrelinhas, por exemplo, no momento da entrada da máquina do Antecipe, o espaçamento do milho também continua com 50 cm. Porém, para isso, alguns cuidados devem ser considerados:

  1. O produtor deve planejar, antes de plantar a soja, qual(is) será(ão) o(s) talhão(ões) onde será trabalhado o Antecipe. Nesta(s) área(s), a condução da cultura da soja deve levar em consideração a possibilidade de antecipar a semeadura do milho em até 20 dias, se for necessário.
  2. O espaçamento da soja pode permanecer igual ao usado normalmente pelo produtor, porque a semeadora-adubadora desenvolvida para o Antecipe apresenta a largura dos carrinhos de 38 cm. Portanto, a soja de 50 cm de espaçamento entrelinhas se enquadra perfeitamente no sistema.
  3.  A semeadora-adubadora do Antecipe apresenta uma barra porta-ferramentas superior à barra das plantadeiras tradicionais disponíveis no mercado. Por esse motivo, o produtor pode continuar usando a cultivar com que está acostumado, mas cultivares de porte mais ereto tendem a facilitar a operação de semeadura. Assim, a cultura da soja não sofre danos quando o milho for semeado nas entrelinhas.
  4. A utilização de cultivares com a altura de inserção de vagens mais alta tende a reduzir a perda de folhas das plantas de milho no momento da colheita da soja
  5. Para melhor aproveitar o Antecipe e evitar perdas de produtividade da cultura da soja, as linhas de semeadura não devem ter o acabamento (linhas cruzadas) ao final do talhão. Assim, as linhas semeadas devem ser finalizadas de forma que a semeadora-adubadora do Antecipe possa trabalhar nas entrelinhas sem acamar, destruir ou pisotear a soja.

Visto isso, é importante que os produtores possam entender que o sistema Antecipe não visa a substituição tradicional do cultivo do milho safrinha. O Antecipe é uma tecnologia que tem o objetivo de reduzir o risco naquelas áreas da propriedade em que a semeadura tem sido realizada ao final da janela preconizada para cada região, definida pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) publicado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Por isso, o planejamento da cultura da soja para o uso do Antecipe passa a ser fundamental para o sucesso da tecnologia.

Com a soja implantada e planejada para a semeadura do milho nas entrelinhas, o agricultor, usando a semeadora-adubadora desenvolvida para esta finalidade, realiza a operação da mesma forma, como a semeadura “tradicional”, com a diferença que esta é feita nas entrelinhas da soja. Na semeadura do milho, o produtor deve levar em consideração o espaçamento das entrelinhas da soja, pois ajustes no trator devem ser levados em conta, como as medidas dos pneus dianteiros e traseiros, que devem realizar deslocamento sem danos à soja.

É importante ressaltar que o fato de a semeadura do milho ocorrer antecipadamente na entrelinha da soja não altera o manejo dado às culturas em relação aos tratos culturais, como a adubação. Todos os cuidados e as recomendações são iguais aos do milho semeado após a colheita da soja.

Com o milho implantado e as plantas se desenvolvendo, chega o momento da colheita da oleaginosa, e esta é realizada normalmente. Essa operação corta as plantas de milho, mas como o ponto de crescimento dessa planta ainda está abaixo do solo, o crescimento e o desenvolvimento não são comprometidos, levando o milho a produzir melhor do que aquele semeado tardiamente, ou seja, fora do período recomendado pelo Zarc.  A adubação nitrogenada de cobertura no milho deve ser realizada o quanto antes, considerando as recomendações já consolidadas pela pesquisa, porém, podendo ser feita em época de maior aproveitamento pelas plantas.

Seguindo as recomendações já consolidadas para o cultivo da soja e do milho safrinha, o Antecipe pode:

  1. Favorecer o estabelecimento precoce da cultura do milho, com redução de riscos de frustração por perda de produtividade de safrinha, em função das condições climáticas adversas no final do período de verão e início de outono. Essa antecipação em até 20 dias proporciona maiores produtividades de milho comparadas às da semeadura realizada após o período definido pelo Zarc da região.
  2. Permitir o cultivo do milho em regiões onde o Zarc limita o plantio dessa cultura na época de outono.  Essa oportunidade possibilita a semeadura de cultivares de soja de ciclo médio (reconhecidamente mais produtivas que as precoces), e ainda assim possibilita a semeadura do milho na janela ideal, ocasionando maiores chances de boas produtividades do milho safrinha.
  3. Possibilitar a redução no custo com a operação de dessecação da cultura da soja, utilizando um herbicida de contato, uma vez que a semeadura do milho safrinha é feita na entrelinha da soja quando esta se encontra a partir do estádio fenológico R5.
  4. Permitir a redução no custo com a operação de dessecação das plantas daninhas pós-colheita da cultura da soja. Para a implantação da cultura de safrinha, a maioria dos produtores faz uso da dessecação das plantas daninhas pós-colheita da soja. Neste sistema, em áreas onde a infestação de plantas daninhas esteja em estádios não perenizados, o produtor pode ter a opção da não aplicar os dessecantes e fazer uso apenas dos herbicidas pós-emergentes no milho, não excedendo o período de 10 a 15 dias após a colheita da soja e o corte das plantas de milho.

Como o Antecipe é um sistema que depende de conhecimento técnico para sua implementação, a Embrapa desenvolveu um aplicativo para equipamentos móveis que auxilia o agricultor na tomada de decisão, orientando o momento mais adequado para se iniciar o planejamento para a semeadura do milho nas entrelinhas da soja. Desta maneira, o produtor pode acompanhar, na área definida para a utilização do sistema Antecipe, como está o desenvolvimento da soja, e ao receber notificações no dispositivo pode iniciar o planejamento da semeadura intercalar. Além disso, com os recursos do aplicativo, o produtor também pode armazenar informações sobre os tratos culturais das culturas da soja e do milho, mantendo o histórico das áreas de produção, o que facilitará o planejamento das safras posteriores, melhorando a gestão da propriedade e diminuindo os riscos que levam a reduções de produtividades.

Fonte: Embrapa

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Ministério faz alerta para conter entrada de praga quarentenária da bananeira no Brasil

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Produtores de banana e demais envolvidos na cadeia produtiva da fruta, foram alertados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para reforçarem a atenção na ocorrência de sintomas de Fusarium oxysporum f. sp. cubense Raça 4 Tropical (Foc R4T), considerada a maior ameaça para a bananicultura mundial.  A doença já chegou à Colômbia e esta semana o Serviço Nacional de Sanidade Agrícola do Peru (Senasa) confirmou a ocorrência de foco da doença no país.

Diante da ameaça, o Mapa  emitiu alerta de emergência fitossanitária em todo o Brasil, reforçando a importância da realização das articulações necessárias junto aos órgãos estaduais de sanidade vegetal, associações de produtores, órgãos de assistência técnica, pesquisa e outros, visando evitar prejuízos aos bananicultores nacionais, no caso de sua eventual introdução no país. 

O governo recomenda a ampla divulgação do Comunicado Técnico nº 149 elaborado pela Embrapa Amazônia Ocidental, com a participação de técnicos do Ministério, onde constam orientações atualizadas sobre a praga, identificação dos sintomas, cuidados a serem observados durante o levantamento e as providências nas eventuais suspeitas de ocorrências no país.

Em caso de identificação de sintomas característicos da praga, os produtores, responsáveis técnicos, extensionistas ou pesquisadores devem comunicar imediatamente os Serviços de Sanidade Vegetal nas Superintendências Federais de Agricultura do Ministério da Agricultura ou nas Agências Estaduais de Defesa Agropecuária nos seus respectivos estados.

De acordo com o Mapa, apesar de identificada na província de Sullana, próximo à fronteira do Peru com o Equador e longe da fronteira com o Brasil, “é necessário reforço nas ações de vigilância e prevenção para impedir seu ingresso no país”.  Reconhecida como quarentenária, a praga consta na lista de prioridades do governo para a prevenção e vigilância fitossanitária.

O  Ministério a Agricultura informa, ainda, que já está realizando tratativas com os demais países integrantes do Comitê de Sanidade Vegetal (Cosave), para tornar viáveis ações coordenadas em nível regional, e reforça a proibição do transporte de material vegetal (frutos, folhas, mudas de banana), solo e até mesmo material artesanal (bolsas, chapéus, entre outros) produzidos com folhas ou fibras de bananeira.

Cuidados redobrados – O Departamento de Sanidade Vegetal (DSV) alerta aos bananicultores sobre a importância de que não sejam adquiridos materiais de propagação de banana de origem desconhecida, uma vez que essa tem sido uma importante via de disseminação da praga nos países em que ocorre atualmente.

O procedimento correto é contactar, o mais breve possível, a Superintendência Federal de Agricultura no estado que tomará providências como a coleta de amostras e envio ao laboratório oficialmente credenciado pelo Ministério da Agricultura para a identificação do agente e adotar medidas de mitigação para evitar a disseminação do patógeno para outros plantios.

Tendo em vista que não existem cultivares resistentes à raça tropical 4, os produtores devem atentar para a proibição de importação de mudas de bananeira e helicônia de países onde a praga ocorre, principalmente da Colômbia.

Uma vez que os agentes causais da murcha-de-Fusarium podem permanecer no solo por mais 30 anos, os produtores de banana só devem utilizar mudas de origem segura e comprovada, preferencialmente produzidas in vitro, visando minimizar os riscos de introdução de pragas na área de produção.

Caso durante os tratos culturais do plantio, o produtor observe sintomas que indiquem a presenta das pragas descritas no trabalho, ele não deve utilizar as ferramentas de manejo (facão, Lurdinha, ferro de cova etc.) em outras plantas antes de realizar a desinfestação dos apetrechos com hipoclorito de sódio.  

Fonte: Embrapa

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