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Verdade e consequência

Publicado

Por Gonçalo Antunes de Barros Neto

A verdade é necessária ou contingente. O que isso significa?

É comum se aceitar a ideia de que a verdade é uma só, individualizada, autônoma e pode afastar a aplicação do princípio de não contradição e o da identidade. Essa verdade é necessária, obrigatória, como a proposição de que Deus (Deus da ciência filosófica e não O das religiões) existe necessariamente, ou seja, Nele existência é o mesmo que essência.

Diferentemente, as coisas criadas são contingentes, vale dizer, não inferimos suas essências pela só existência, portanto, a apropriação de uma dada verdade sobre elas pode ser infirmada pelo princípio de não contradição e de identidade.

Então, com isso se pode concluir pela relatividade das verdades contingentes? Em absoluto, significa que elas, por carecerem sempre de conhecimento quanto a sua própria conformação e extensão, e serem dinâmicas em face das consequências quando confrontadas pelos citados princípios, não são apreendidas no todo, como resultado final incontestável, mas como possível.

Relatividade é outra coisa, própria da noção unificada de espaço/tempo de Einstein em oposição à herança de Newton e seu conceito de espaço e tempo de forma independente, significando dizer que os movimentos do universo seriam absolutos. Nem seria preciso lembrar que a relatividade desses movimentos ganhou a conformação científica.

Somente para uma melhor compreensão, e de forma resumida, o princípio de não contradição significa que duas afirmações contraditórias não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. Assim, há contradição na proposição: ‘A é B’ e ‘A não é B’. Impossível ser e não ser ao mesmo tempo.

Já o princípio da identidade foi formulado por Parmênides, ‘todo objeto é idêntico a si mesmo’. Portanto, a = a e b = b é válido mesmo se se afirmar que a = b, pois, ainda assim se pode confirmar que a = a e b = b.

E por que isso tudo soa importante para este artigo?

É simples a resposta. O artigo começa com o conceito de verdade necessária e verdade contingente, sendo que as ações humanas têm a curiosa característica de ser contingentes, isto é, não são determinadas, sendo as pessoas livres (Aristóteles, Retórica) até para errar. Deus atua com a verdade necessária; absoluta, pode-se afirmar.

As ações (criação, ideias e proposições) das criaturas (coisas criadas) podem não resistir em se confrontando com os citados princípios, tendo como resultado a falsidade e não a verdade. Se do confronto, ainda que ‘temporariamente’, vencer, subsistir, ser possível, são verdades contingentes.

Essas verdades contingentes permitem a pergunta do por que das ações e sobre as preferências que a antecederam pelo processo de escolha. Visto isso, partindo do resultado para a origem, num movimento dialético de teses e antíteses, objetivando descortinar a preferência (por que preferiu tal ação e não aquela outra?) do agente no processo de escolha de caminhos, se chega à verde (contingente) sobre suas reais intenções.

Resumidamente, todos sabem com quem estão lidando na política, na vizinhança, os amigos, os membros da família etc. Aqui não há lugar para inocentes, e muito menos para mentirosos: eu não sabia!

É por aí…

Gonçalo Antunes de Barros Neto é graduado em Filosofia e Direito pela UFMT

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Concessão de rodovias abre caminho ao desenvolvimento

Publicado

Por Mauro Mendes

Governador de Mato Grosso, Mauro Mendes

Líder na produção do agronegócio nacional, Mato Grosso se tornou um gigante do setor. Mesmo com todas as adversidades existentes pela sua localização geográfica, o estado tem o maior PIB Agrícola do país. É o primeiro no Brasil na produção de soja (29,9% da safra nacional), além de milho, algodão, carne bovina e etanol de milho. Nos próximos cinco anos, Mato Grosso quer superar a marca de 100 milhões de toneladas produzidas no estado. Em dez anos, a meta é dobrar a produção. Tudo isso de maneira sustentável.

Contudo ainda há entraves que precisam ser solucionados. O estado tem oito mil quilômetros de estradas estaduais pavimentadas e outros 22,3 mil quilômetros de estradas não pavimentadas. É inviável econômica e estrategicamente que o poder público, sozinho, pavimente e fique responsável pela manutenção de dezenas de milhares de quilômetros de asfalto num estado com as dimensões do Mato Grosso.

É preciso focar em eficiência, economia e resultado, com a adoção de modelos que têm dado certo em outros cantos do Brasil e do mundo. A concessão de estradas à iniciativa privada é um deles e acreditamos nisso. As rodovias bem conservadas em estados como São Paulo e nos países da Europa, por exemplo, são majoritariamente frutos de concessão.

Esse é o caminho que os estados brasileiros precisam seguir. Investimentos em infraestrutura para melhorar e tornar mais eficiente o escoamento da produção estão em linha com a análise feita pelo Banco Mundial, que apontou serem necessários investimentos anuais de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB) nesta área para aprimorar a qualidade de vida dos brasileiros — atualmente esse investimento está na casa dos 2% do PIB.

No caso de Mato Grosso, a política de concessões já é uma realidade e tem sido uma das prioridades de investimentos desde o ano passado, com um ambiente jurídico seguro para as empresas, respeitando os editais e os processos legais. Isso é fundamental para a atração de investimentos em qualquer lugar.

Hoje, 26 de novembro, serão levadas a leilão 512,2 quilômetros de rodovias do estado. São três pontos distintos e que concentram boa parte do agronegócio da região. Áreas que não são apenas expectativas, mas realidade e celeiro da produção agrícola e da pecuária.

São concessões rentáveis e que deverão movimentar, nos próximos anos, R$ 5,9 bilhões, com retorno de 9,2% para os investidores, segundo o Grupo Houer, autor dos estudos dos projetos a serem leiloados.

Mato Grosso também desponta no processo de concessões de rodovias por meio das PPP Sociais, uma inovação criada no estado e que tem possibilitado a manutenção de centenas de quilômetros de estradas, com menor potencial de investimento para o setor privado. Também é um bom modelo a ser replicado em outros estados. Ao todo, são 310 quilômetros que estão sob a concessão de associações de produtores que investiram recursos e hoje cobram pedágios para manter as estradas em bom estado de conservação. Nessa modalidade, também foram lançados editais para a concessão de mais 419 quilômetros.

Além disso, o estado tem colocado em prática uma agenda robusta de investimentos, que soma R$ 9,5 bilhões, sendo mais da metade (R$ 4,73 bilhões) para o setor de infraestrutura, com verba própria e de financiamento.

Isso tem sido possível porque o estado mantém as contas e o equilíbrio financeiro em dia, por meio da adoção de medidas como reforma administrativa, corte de gastos, renegociação de dívidas, combate à sonegação e revisão de incentivos fiscais. O esforço gerou um superávit financeiro em 2019, além da previsão de mais de R$ 2 bilhões para este ano, uma situação que não ocorria desde 2008.

Investimentos e iniciativas como estas vão ajudar a manter Mato Grosso no topo da produção do agronegócio, não só no país, mas também entre os principais players mundiais, gerando emprego e oportunidades para todos os setores.

*Mauro Mendes é governador de Mato Grosso

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