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Unemat homenageia Dom Pedro Casadáliga com nome de câmpus no Médio Araguaia

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Dom Pedro Casaldáliga recebeu uma homenagem da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat): o câmpus do Médio Araguaia passa a receber o nome do bispo que tanto colaborou com a Instituição, tornando-se Câmpus Universitário do Médio Araguaia Dom Pedro Casaldáliga.

A decisão foi tomada na quarta-feira (02.08), na 1ª sessão ordinária do Conselho Universitário (Consuni) da Unemat em 2020. Esta foi a primeira sessão realizada de forma on-line em decorrência da pandemia da Covid-19. Participaram da reunião 45 conselheiros, representando os três segmentos da comunidade acadêmica de todos os câmpus da Unemat. A abertura da sessão foi presidida pelo reitor Rodrigo Zanin.

Dom Pedro Casaldáliga

Dom Pedro Casaldáliga veio a óbito, na manhã do último dia 8 de agosto, no interior do Estado de São Paulo, aos 92 anos de idade, após ser internado com problemas respiratórios e agravamento da Doença de Parkinson.

O legado do religioso está entrelaçado com a história da Unemat, uma Universidade criada para atender à população do interior do Estado. O primeiro título de Doutor Honoris Causa concedido pela Unemat foi entregue ao Bispo Emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, em janeiro de 2018.

O título honorífico foi reconhecimento à luta pela permanência do câmpus da Unemat no município de Luciara, no Araguaia, uma entre tantas batalhas que o Bispo Emérito travou para que as populações mais pobres e indígenas da região tivessem consciência de seus direitos e lutassem por eles.

Em entrevista concedida, ainda em 2011, à jornalista da Assessoria de Comunicação da Unemat, Lygia Lima, Dom Pedro falou sobre o pedido que ouviu com maior insistência do povo do Araguaia, assim que lá chegou. “Que não esquecesse a educação. Percebemos desde então que a fixação do povo no campo dependia da escola”, recordou.

Segundo Dom Pedro, em 1991, a decisão da Unemat de se fixar em Luciara, distante a 100 quilômetros de São Félix, foi de grande ajuda para mudar o perfil da região, que era conhecida como Vale dos Esquecidos. “O programa Parceladas foi luminoso. Educação na base, no chão. Várias pessoas deste País que passaram por aqui elogiaram muito a experiência”, memorou o bispo emérito.

Alinhado com a Teologia da Libertação, sua trajetória foi marcada pela luta por uma educação laica, mista e libertadora, Reforma Agrária, erradicação do trabalho escravo e reconhecimento dos direitos dos povos indígenas.

Pere Casaldáliga i Pla nasceu em Balsareny, província de Barcelona, em 16 de fevereiro de 1928. Em 1968, quando se mudou para o Brasil, tinha a incumbência de fundar uma missão pela congregação religiosa a que pertenceu – Congregação dos Missionários Claretianos.

Fundador da Comissão Pastoral da Terra e do Conselho Indigenista Missionário, Dom Pedro ganhou notoriedade internacional ao denunciar atos de madeireiros, policiais e grandes proprietários rurais no regime militar contra posseiros, peões e povos indígenas.

Autor de inúmeros livros, Dom Pedro teve ao longo dos anos sua trajetória retratada por vários autores em obras como “Nós, do Araguaia: Dom Pedro Casaldáliga, bispo da teimosia e liberdade”, “São Félix/Brasil: Uma Iglesia que lucha contra la injusticia” e “Descalço sobre a terra vermelha”, de Francisco Escribano, que dá origem ao filme de mesmo nome ganhador do Prêmio Gaudi em 2015.

Com a saúde bastante debilitada, em função da doença de Parkinson, responsável pela sua renúncia à Prelazia em 2005, Dom Pedro Casaldáliga viveu seus últimos anos em São Félix do Araguaia, em companhia de freis agostinianos.

Câmpus Universitário do Médio Araguaia

O câmpus da Unemat no Médio Araguaia tem sede no município de Luciara e conta com núcleos pedagógicos em Confresa e Vila Rica. Desde sua implantação, em 1991, a Unemat oferta na região cursos em modalidade de turmas únicas, pelo Programa Parceladas, conforme a demanda regional. O câmpus atende 15 municípios de Mato Grosso: Alto Boa Vista, Bom Jesus do Araguaia, Canabrava do Norte, Confresa, Luciara, Novo Santo Antônio, Porto Alegre do Norte, Querência, Ribeirão Cascalheira, Santa Cruz do Xingu, Santa Terezinha, São Félix do Araguaia, São Jose do Xingu, Serra Nova Dourada, Vila Rica. A presença da Unemat na região contribui de forma significativa para a transformação da realidade social.

Fonte: GOV MT

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Merendeiros relatam saudade dos alunos e desafios de uma alimentação com qualidade

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A qualidade da educação pública passa pela cozinha. Muitas vezes, a alimentação escolar é uma das maiores motivações para que o aluno frequente a escola. É no refeitório ou mesmo na janela da cozinha que uma merenda feita com carinho e capricho faz a diferença. A comida servida é mais que um motivo para o aluno estudar com afinco.

Para comemorar o dia do merendeiro, no dia 30 de setembro, três profissionais da área relatam o desafio de trabalhar em tempo de pandemia e as perspectivas para o futuro.

A merendeira Vilma Ribeiro, que trabalha há mais de 20 anos na Escola Estadual Agenor Ferreira Leão, no bairro Tijucal, mudou a sua rotina com a pandemia. Nesse período, o trabalho se limita a organizar os kits de alimentação escolar e na distribuição aos pais que vem buscar conforme agendamento.  

Assim que retornar as aulas presenciais, Vilma acredita que a rotina será um pouco diferente do que ocorria no ano passado. A merendeira lembra que a cozinha de uma escola sempre foi um território restrito. “Trabalhamos num ambiente fechado, uniformizadas, sempre usamos luvas. Agora, com a pandemia, máscaras. Estamos ansiosas, eu particularmente porque a preparação não será tão diferente, mas a distribuição aos alunos será outra – eles chegavam na janela, pegavam o prato e iam para o refeitório. Vamos ter que manter um distanciamento deles. O que é triste porque querem conversar e até abraçar. E isso não pode”, assinala.

No entendimento de Vilma, o refeitório é uma das partes que os alunos mais gostam da escola porque é o local que serve a comida que eles tanto adoram. A escola tem um cardápio variado, que é orientado pelas nutricionistas. São servidas saladas, frutas – tudo o que é nutritivo e que os alunos gostam.

Vilma ressalta que na escola criou-se um hábito entre os alunos – a maioria faz as refeições e elogiam o trabalho das merendeiras. Com a postagem da entrega dos kits de alimentação escolar nas redes sociais da escola, a resposta dos alunos é imediata – mandam recados para as merendeiras. “Tia, quando a gente vai voltar a escola? Estou com saudade de sua comida”. Vilma admite que ela e as colegas estão ansiosas e preparadas para o novo quadro com as aulas presenciais. “A gente ama o que faz”.

Novo na profissão

Estreante na profissão, e lotado na Escola Militar Tiradentes, em Cuiabá, Rodrigo Martins está animado em trabalhar com a educação, pois sabe que jovens e crianças tem a merenda escolar como principal refeição do dia. Ao assumir a função de merendeiro, Rodrigo tinha consciência que estava entrando num espaço que a mulher domina, mas foi recebido muito bem pelas novas colegas. 

O novo merendeiro tem orgulho de trabalhar com alimentação escolar e poder contribuir no desenvolvimento das crianças e dos jovens dentro da escola, mesmo que de forma indireta. Em seu entendimento, a educação nas escolas envolve mais do que ler e escrever, pois é espaço de socialização, aprendizagem e de desenvolvimento.

“E a comida faz parte do bem-estar e saúde dos alunos. Sabemos que o rendimento escolar de um aluno bem alimentado é melhor. Para mim é uma honra poder fazer parte desta função pública”, ressalta.

Na pandemia, Rodrigo teve o trabalho reduzido, pois sem aulas presenciais, trabalha em escala. Mesmo nesse período em que não há alunos, o serviço de organização do ambiente de trabalho tem que ser mantida a limpeza, manutenção a higiene dos utensílios e da cozinha que são tão importantes quanto preparar os alimento.

Rodrigo acha importante a valorização do servidor para poder evoluir como profissionais e, com isso, retribuir aos alunos um trabalho mais profissional e de qualidade. “O nosso espaço e um espaço coletivo onde teremos os cuidados redobrados para que a comunidade escolar sinta se tranquilizada”, destaca.

Rodrigo frisa que que a cozinha tem um pouco de cada matéria e o merendeiro tem que dominar todas, como saber fracionar, dividir, multiplicar, de qual região vem determinado produto. Além de conhecer a história desse produto. Com isso, a cozinha se transforma numa verdadeira sala de aula com direito a interatividade, visualização em tempo real e saborear.

Mesmo após a pandemia, meu trabalho continuará sendo execução com a maior dedicação, boa vontade e carinho que tenho por todos os alunos, pois minhas filhas também são estudantes em outra escola e desejo que elas recebam o melhor tratamento possível quanto os que eu procuro ofertar para os alunos da minha unidade escolar, lembrando que a pandemia ainda não passou a covid-19 está no nosso meio social ainda, mas estaremos seguindo os orientativos e orientando nossos alunos aos cuidados e a proteção.

Desafio

A merendeira Yasmin Alves Scarella, da EE Estevão Alves Corrêa, em Cuiabá, acredita que trabalhar em tempos de pandemia será um grande desafio já que os profissionais manuseiam alimentos, e por isso, será preciso redobrar os cuidados e higiene, pois o vírus ainda está presente.

“Acredito que 2021 será um ano completamente diferente, um ano em que vamos precisar de muitas adaptações, ainda não sabemos como ocorrera o retorno às aulas presenciais, mas sabemos que vamos precisar de muito cuidado e atenção uns para com os outros”, observa.

Yasmin acredita que a hora do lanche vai sofrer alterações, pois é o momento em que os alunos vão precisar tirar suas máscaras para se alimentar, então vão precisar estar longe uns dos outros.

“Nosso controle de qualidade começa desde quando o fornecedor dos alimentos vem realizar as entregas. Nós conferimos se está tudo certo com a mercadoria, se está adequada para o consumo naquela semana. As verduras, frutas e legumes são entregues semanalmente então estão sempre frescas e de boa qualidade” exemplifica.

Yasmin lembra que os alunos elogiam – e muito – o trabalho das merendeiras, principalmente quando está um tempo fresco e são servidos os pratos preferidos deles, como carne com mandioca. “Eles gostam bastante de frutas também, principalmente porque aqui faz muito calor, eles amam uma melancia ou abacaxi geladinho.

Para Yasmin, a pandemia gerou a falta do contato, da conversa, da amizade que as merendeiras desenvolveram com eles. “Tudo está passando – o pior já passou – e em breve retornaremos às atividades e mesmo que com alguma diferença na rotina, poderemos nos ver e aos poucos voltando ao nosso normal”.

Fonte: GOV MT

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