turismo

Turismo criativo: roteiro focado no aprendizado sobre os destinos e mão na massa

Publicados

em


source
A Ilha de Deus, no Recife, é uma comunidade que abre as portas para o turismo criativo, onde é possível aprender com os moradores
Divulgação

A Ilha de Deus, no Recife, é uma comunidade que abre as portas para o turismo criativo, onde é possível aprender com os moradores

Quando um turista vai a alguma cidade que ainda não conhece é comum que procure museus, monumentos históricos, restaurantes com comidas regionais, paisagens de cartões postais. Após passar por tudo isso, alguns podem dizer que conheceram a cidade, entretanto, para outros, não é o suficiente. O turismo criativo nasceu justamente para possibilitar que o viajante conheça mais a fundo os destinos, participando da criação de suas próprias experiências e aprendendo sobre o lugar visitado. Muitos turistas se questionam sobre a importância e o valor de conhecer atrações turísticas tradicionais em suas viagens. O turismo de massa, baseado em roteiros prontos e fechados, e geralmente negociado com agências de viagens, não é mais suficiente para oferecer opções para cada tipo de turista, cada pessoa e suas particularidades, gostos e desejos. Por isso, surgiram outros formatos, como o turismo de experiência , o rural, o gastronômico e, não menos importante, o turismo criativo.

O conceito de Turismo Criativo surgiu nos anos 2000 na Europa e foi definido por Crispin Raymond e Greg Richards como “um tipo de turismo que oferece a oportunidade de o viajante desenvolver seu potencial criativo ao participar ativamente das experiências para aprender sobre o destino”. De acordo com a mestra em turismo e hotelaria Raquel Avelino, o turismo criativo tem relação com o turismo de experiência, focado em experiências únicas e memoráveis do viajante, mas a diferença é que, no turismo criativo, o turista deve participar ativamente das experiências para aprender sobre a cultura local. “A cocriação é a base do turismo criativo. O turista participa de atividades, uma aula de culinária para fazer um almoço típico do lugar ou um curso de artesanato com mestres da região visitada”, explica a turismóloga.

Divulgação

“A cocriação é a base do turismo criativo”, diz Raquel Avelino

Há muito tempo, turistas de todo o mundo se envolvem em experiências desse tipo para aprender sobre o destino, principalmente em viagens longas, de férias, por exemplo, mas o que os criadores dessa vertente de turismo e os pesquisadores afirmam é que, hoje, essa busca pela experiência criativa e ativamente participativa cresceu tanto que já representa uma grande tendência da indústria do turismo. Para Richards, criador da expressão “turismo criativo”, vem acontecendo, cada vez mais, uma troca dos turistas da “alta cultura” dos museus, galerias de arte e monumentos pela cultura do cotidiano, que é considerada mais “autêntica”, menos superficial e na qual é possível mergulhar com mais facilidade. No turismo criativo são valorizados elementos como os estilos de vida dos habitantes e suas identidades, as histórias que eles têm para contar, as conexões e laços formados entre pessoas. Para muitos, o turismo criativo não é uma forma diferente de roteiro de viagem, mas um novo jeito de viajar, com outros objetivos, focado nas relações interpessoais, no conhecimento das realidades e no aprendizado sobre as culturas. Cozinhar massas artesanais na Itália, fazer aulas sobre cervejaria artesanal degustando rótulos locais em São Francisco (EUA), tocar alfaia em um grupo de percussão ou maracatu no Recife, pisar em uvas em vinícolas argentinas, entre outras possibilidades são alguns tipos de experiências do turismo criativo. No lugar de assistir a um show de tango impecável, o turista deverá fazer aulas e dançar em um local comum para os habitantes. “Como todas as formas de turismo, o criativo é importante para o mercado, pela diversificação de oferta. Os turistas deste século têm gostos muito diferentes e a variedade pode corresponder aos desejos e às necessidades de cada um. Comparando com uma aula, o turismo de massa seria uma aula expositiva. Já o turismo criativo seria uma aula baseada em que é necessária muita interação do estudante [no caso, do turista] para a construção do conhecimento”, afirma Raquel Avelino. Atualmente, existe uma Rede Internacional de Turismo Criativo, com sede em Barcelona, na Espanha, que os destinos criativos podem se candidatar a participar e que funciona como uma espécie de selo de qualidade do turismo criativo. No Brasil, existe também a Rede Nacional de Experiência e Turismo Criativo, com sede no Recife, em Pernambuco. Para o turismólogo e professor universitário João Paulo da Silva, membro da rede nacional, o turismo criativo evidencia o potencial das cidades, fazendo com que os turistas botem “a mão na massa” como os moradores da cidade fariam. “Ele acaba tendo uma importância muito grande em revelar a melhor versão da cidade para quem mora nela também”, afirma Da Silva. “O Recife é a única cidade do Brasil a fazer parte da Rede Internacional de Turismo Criativo e é uma das pioneiras no país. As opções criativas apresentam um outro lado da cidade para os moradores e pessoas que vêm de fora. Passeios de bicicleta, de barco, roteiros afetivos, muitas vezes em comunidades, em periferias da cidade que sofrem com muito preconceito, mas que, na verdade, possuem experiências incríveis para o turista”, completa o professor.

O turismólogo João Paulo da Silva afirma que o turismo criativo evidencia o potencial das cidades, fazendo com que os turistas botem “a mão na massa”
Reprodução

O turismólogo João Paulo da Silva afirma que o turismo criativo evidencia o potencial das cidades, fazendo com que os turistas botem “a mão na massa”

O turismo criativo também possibilita a geração de renda para áreas que, normalmente, não eram destinos turísticos, favorecendo o desenvolvimento de novos ambientes nas cidades, como por exemplo de favelas e comunidades que se propõem a fazer esse tipo de turismo. É importante o turista ficar atento apenas se a iniciativa é feita pelos próprios moradores e o lucro está ficando para a comunidade ou se ela está sendo explorada, descaracterizando a intenção do turismo criativo.

Fonte: IG Turismo

Comentários Facebook
Propaganda

turismo

Guia do acampamento: o que é preciso saber para viver esta experiência

Publicados

em


source
Acampar fora das áreas reservadas para isso é proibido no Brasil
Pexels

Acampar fora das áreas reservadas para isso é proibido no Brasil


Acampar se tornou uma das formas mais procuradas de turismo nesta pandemia pela Covid-19. Os viajantes mais aventureiros têm investido em  barracas e itens de acampamento para sair um pouco de casa e curtir uma experiência barata, naturalmente ao ar livre, geralmente com pouca concentração de pessoas e/ou em lugares isolados. 

Entretanto, não é todo mundo que escolhe um camping para passar a noite ou alguns dias, mas sim um local aberto sem a infraestrutura de banheiro, cozinha, pontos de iluminação e wi-fi. Apesar de ilegal, a modalidade de acampamento selvagem também vem ganhando adeptos .


Para além da ilegalidade em diversos estados do Brasil, o  acampamento selvagem requer alguns cuidados especiais por parte de quem o pratica, já que não é somente a estrutura de camping que é deixada de lado, mas também o conhecimento de um guia local.

Por isso, a primeira recomendação é que a pessoa estude bem o lugar. É importante conseguir o máximo possível de informações sobre como é a vegetação, o clima, quais animais habitam o lugar e como é a trilha de acesso. Assim é possível decidir quais itens são essenciais para sua estadia.

Você viu?

Acampamento ao ar livre
Pexels

Acampamento ao ar livre


Cuidado!

Um dos cuidados que muitos guias e mochileiros experientes ressaltam é o de evitar montar acampamento em leitos de rio seco ou em cachoeiras que aparentemente estão com fluxo reduzido. Isso porque o viajante pode ser surpreendido por uma tromba d’água, que é quando chove muito na nascente do rio e o fluxo demora para atingir a parte que está aparentemente seca. Quando a água chega é tudo muito rápido e o acamper corre sérios riscos de morte.

“Muitas vezes o acampamento selvagem acontece de um jeito desordenado, em locais que não são adequados, como reservas ambientais, gerando diversas infrações (fogueiras em local inadequado, resíduos de alimentos e lixos, pesca indevida, entre outros)”, aponta Adriana Gradim Perdiza, presidente do Sindicato Estadual dos Guias de Turismo de São Paulo (SINDEGTUR SP).

Ela ressalta que existe um trabalho conjunto dos guias de turismo com a polícia ambiental, pois como o acampamento selvagem cresceu bastante e as áreas escolhidas geralmente são grandes, é difícil cobrir tudo. “Um dos nossos objetivos é ajudar na preservação, seja urbana ou ambiental. Nós ajudamos na fiscalização denunciando casos de acampamento selvagens e/ou irregularidades”, conclui.

A fogueira de acampamentos ilegais podem causar incêndios em áreas protegidas
Pexels

A fogueira de acampamentos ilegais podem causar incêndios em áreas protegidas
Fonte: IG Turismo

Comentários Facebook
Continue lendo

Polícia

ENTRETENIMENTO

MATO GROSSO

Política Nacional

CIDADES

Mais Lidas da Semana