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Trabalhadoras sexuais se unem em movimento por direitos para a categoria

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Dia 17 de dezembro é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra a Violência Contra as Profissionais do Sexo

O dia 17 de dezembro marca o Dia Mundial de Luta Contra a Violência Contra as Profissionais do Sexo, luta que mobiliza diversas associações e sindicatos que representam essas mulheres, em uma busca por direitos e conscientização da população acerca das questões enfrentadas por essa classe de trabalhadoras.

A Articulação Nacional de Profissionais do Sexo  (ANPROSEX) foi criada para dar mais forças a essa luta. “Queremos que nós e nossas companheiras tenhamos acesso à saúde integral, direitos trabalhistas ou ao menos possamos discutir o que queremos de direitos entre nós, sem a invasão de terceiros que acham que podem falar sobre a nossa realidade”, diz Duda Ferrarini, coordenadora adjunta da ANPROSEX.

Para a data de hoje, a ANPROSEX quer reiterar a necessidade de uma legislação que garanta direitos para as trabalhadoras sexuais. “A ação desse ano vem em uma proposta diferente: para que diminua mais e mais a violência contra nós trabalhadoras sexuais, é indispensável direitos reconhecidos para a nossa classe. O #LoucasPorDireitos nos traz a possibilidade de falar abertamente quais direitos queremos, quais as nossas demandas”, diz.

Ferrarini completa: “A partir dessas reivindicações, ficará mais fácil saber quais direitos queremos, sem que seja necessária a interferência de pessoas que pouco ou nada sabem sobre o trabalho sexual no Brasil”.

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Articulação Nacional de Profissionais do Sexo

Com o objetivo de oferecer algum suporte no dia a dia das mulheres que trabalham com sexo, a ANPROSEX coordena ações como distribuição de cestas básicas, materiais que garantem a segurança do trabalho (como camisinhas).

Atualmente, na pandemia, também estão sendo feitas distribuições de máscaras de proteção, álcool em gel e as ações passaram a ser majoritariamente virtuais — com lives, seminários online etc. A articulação é composta inteiramente por trabalhadoras sexuais que passam a serem vinculadas por meio de indicações e convites.

Fonte: IG Mulher

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Dia do Indígena: as lutas das mulheres indígenas no Brasil

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Eunice Baía, Eliane Boroponepá e Jéssica Pankararé
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Eunice Baía, Eliane Boroponepá e Jéssica Pankararé

Desde que os portugueses chegaram ao Brasil, os povos indígenas foram obrigados a abandonar sua cultura. As  mulheres indígenas foram tomadas a força, arrancadas de suas famílias e estupradas. 521 anos depois, os povos indígenas representam 0,47% da população total brasileira, segundo dados do IBGE. As perdas culturais e a busca da ancestralidade, especialmente nos tempos atuais, afetam e estão presentes na vida dessas mulheres.

As  mulheres indígenas estão na base da pirâmide social. O Censo Escolar de 2015, do Ministério da Educação, mostrou que 53,5% das escolas indígenas tinham material didático específico para o grupo étnico. A educação para os povos indígenas é ainda mais escassa devido às suas necessidades, por isso lutar por esse direito e cobrar as autoridades responsáveis é importante para que as mulheres como Eliane Boroponepá, da etnia Umutina, primeira mulher indígena doutoranda pela UNB, conquistem sua formação acadêmica.

“É importante que exista uma educação indígena sobre saberes, cultura e linguagem dos distintos povos dentro e fora das escolas indígenas, pois é uma forma de desmistificar toda a história da sociedade dos povos indígenas”, explica Eliane.  

A doutora comenta que, após entrar na universidade, percebeu um aumento na presença das mulheres indígenas nestes espaços. “Antes, esses conhecimentos eram objeto de estudo pelo outro. Hoje somos protagonistas, podemos falar e escrever sobre nosso próprio povo e é uma forma também de fortalecer os saberes tradicionais no meio acadêmico”, diz. 

Elas são afetadas em todas as áreas, ocupam o contexto urbano e lidam com o preconceito e o racismo diariamente. Ser uma mulher indígena na cidade é ter sua identidade e ancestralidade constantemente desvalidada. Por mais que seja ultrapassado, o pensamento de que indígenas não podem ter uma profissão, celular ou sair da aldeia ainda permanece em muitas pessoas.  

Para Eunice Baía, coordenadora de figurino e a primeira atriz de “Tainá – Uma Aventura na Amazônia”, esse preconceito ainda resiste pelos não-indígenas que não quererem abrir a mente. “Muita gente já fez esse tipo de link: se eu moro na cidade, não sou indígena. Isso já está tão ultrapassado… as pessoas vivem no seu mundinho quadradinho, que só acredita que indígena é aquele do passado”. A artista também conta que, quando foi morar em São Paulo ainda criança, teve de lidar com os preconceitos dos alunos da escola que frequentava. “Elas não sabiam lidar com aquilo, então, tinha muita criança que vinha falar do meu cabelo, do meu tom de pele”, lembra.

Conservar a identidade e ancestralidade da mulher indígena dentro da cidade não é tarefa fácil, como diz Amanda Pankararu, especialista em Direitos Humanos. “A cidade não tem espaço para os indígenas e quem dirá para as mulheres indígenas. Por conta de todo o processo de invasão colonial, os nossos corpos foram marcados de uma forma muito sexualizada”, ressalta. 

Amanda conta que, para ela, o maior desafio é fazer com que as vozes das mulheres indígenas sejam escutadas, que suas realidades sejam respeitadas e compreendidas. “Seriam necessárias políticas públicas que acolhessem as nossas identidades e diversidade cultural com respeito. Entendendo e valorizando os saberes que nossos povos detém”. 

Condições sociais das indígenas

Para a especialista, as condições sociais atuais agravam a saúde e qualidade de vida da mulher indígena. Amanda conta que na cidade, elas são empurradas para lugares mais vulneráveis e precários. “Temos saberes ancestrais e possibilidades de dinâmicas de mundos sendo perdidas a cada mulher que tem a sua identidade destruída dentro desse contexto e dessa lógica de violência”, explica. 

Assim como Amanda, Jéssica Pankararé, assistente social, também ressalta que toda a população indígena sofre pelas condições sociais, mas que as mulheres são as primeiras a serem atingidas. “É uma mãe, uma filha, uma mãe que perde o filho, uma filha que perde um pai e, assim, a gente vai formando a nossa luta, nosso momento por meio desses sofrimentos”.

Além de todo o problema social, uma indígena consegue ter um atendimento de saúde de qualidade em espaços não-indígenas, como conta Jéssica. Ela afirma que alguns profissionais não estão preparados para lidar com paciente indígena. “É algo que marca bastante, que afeta muito”, conclui.

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A violência contra a mulher indígena

Um  relatório  publicado em 2010 pela Organização das Nações Unidas mostra que as mulheres indígenas do mundo têm mais chance de serem estupradas do que as outras. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, mostraram que entre 2007 e 2017, 8.221 casos de violências contra as mulheres indígenas foram registrados. 

As agressões contra as mulheres indígenas não são fáceis de serem identificadas. Para contribuir no combate contra as agressões, falar sobre a violência contra a mulher indígena é de suma importância, como lembra Boroponepá. “Antes não falávamos de temas como a violência doméstica, mas hoje as mulheres têm falado, abrindo seus sentimentos em busca de políticas públicas que atendam essas especificidades”.

A política e a mulher indígena combinam e muito!

A cada dia, mulheres indígenas têm assumido lideranças e conquistado novos espaços de luta e de representatividade fora e dentro de suas aldeias. Elas estão em diferentes espaços sociais, sendo caciques, enfermeiras, professoras e até deputadas.

Ana Patté, representante da juventude indígena, integrante Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e assessora parlamentar, explica a importância das mulheres indígenas nas lutas de demarcação de terras. “Neste  governo racista existe um avanço cada vez maior na política anti-indigenista e o papel da mulher indígena na demarcação de terras é fundamental. Temos mulheres que estão em espaços de política fazendo a diferença. Aquelas que estão na base, cuidando da terra, plantando seu alimento ou cuidando de suas famílias também fazem uma grande diferença na luta. A terra tem todo um contexto histórico, político e de sobrevivência dos povos indígenas”, salienta. 

Desde a década de 1980, o movimento indígena tem se fortalecido. Atualmente elas colhem os frutos de anos e anos de luta. Um exemplo disso foi a eleição de Joenia Wapichana, a primeira deputada federal indígena, em 2018, representando Roraima. Nas eleições desse mesmo ano, Sônia Guajajara foi a primeira mulher indígena a concorrer à vice-presidência da República, sendo um marco histórico de luta para as mulheres indígenas.

“A Sônia nos representou. Ter mulheres indígenas em todos os lugares é muito importante para nós, principalmente em um cargo tão alto. Nos dá mais força de acreditar que tudo pode mudar, que o indígena vai ser inserido na sociedade, que não vamos mais ser considerados fracos, como coitados. É por isso que a gente está lutando! Indígena pode fazer o que quiser”, diz Eunice Baía. 

O futuro da mulher indígena

Eunice ressalta que o futuro da mulher indígena é estar cada vez mais visível diante da sociedade branca. “Cada vez mais nossa visibilidade tem crescido na luta e mostrado para o mundo todo que somos só mais um ser humano, igual a todos”, diz.

“Hoje nós não guerreamos mais com arco e flecha, mas com canetas e ocupando os espaços. Acredito que é dessa forma que devemos agir e permanecer recontando e resistindo e acredito muito que os movimentos de indígenas mulheres têm se ampliado e fortalecido”, acredita Amanda. Ela completa dizendo que os movimentos de mulheres só conseguirão ser efetivos e construir uma libertação quando contemplarem a realidade das indígenas também e que só assim terão a libertação de todas as mulheres.

Fonte: IG Mulher

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