MINISTÉRIO PÚBLICO MT

Tornar público o tema saúde mental é o caminho indicado em live 

Publicado


.
As psicólogas Morgana Moura e Daniela Bezerra, convidadas para falar sobre “Saúde Mental e a prevenção do suicídio” na live desta terça-feira (15) do projeto “MP e Você”, defenderam que tornar o assunto público é o caminho para desconstruir estereótipos e desmitificar o assunto. As expositoras também foram categóricas em destacar a importância do trabalho desenvolvido pelo poder público na prevenção do suicídio. O debate foi acompanhado por 138 pessoas ao vivo pela rede social Instagram, com mediação da jornalista Tania Rauber, do Departamento de Imprensa e Comunicação Social do Ministério Público do Estado de Mato Grosso.  

A live é uma das ações da campanha de valorização da saúde mental do trabalhador “Que o amarelo faça florir”, idealizada pelo programa de qualidade de vida no trabalho do MPMT, o Vida Plena. Além dos debates virtuais, diversas atividades serão executadas no decorrer do mês que é dedicado à prevenção do suicídio em todo o país, conhecido como Setembro Amarelo.  

Na live desta terça, a psicóloga Daniela Bezerra, da Coordenadoria de Promoção e Humanização da Saúde da Secretaria de Estado de Saúde (SES), relatou o trabalho executado pelo Estado. Segundo ela, a SES aderiu à “Agenda de Ações Estratégicas para a Vigilância e Prevenção do Suicídio e Promoção da Saúde no Brasil” do Ministério da Saúde, com objetivo de ampliar e fortalecer as ações de promoção da saúde, vigilância, prevenção e atenção integral relacionadas ao suicídio, de modo a reduzir os índices de tentativas e mortes. A atuação é dividida em três eixos: vigilância e qualificação da informação, prevenção do suicídio e promoção da saúde, e gestão e cuidado.  

Doutora em Psicanálise pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Daniela Bezerra enfatizou que a saúde mental e o suicídio estão relacionados a multifatores e não somente a doenças como a depressão. “É preciso desmistificar a temática como uma questão individual, com conselhos e estímulos de autoestima para a pessoa. O trabalho que o Setembro Amarelo tem que provocar em relação às políticas públicas é pensar por que o suicídio é a terceira maior causa externa de mortalidade da população brasileira. Existem inúmeros fatores que influenciam nisso”, afirmou.  

Segundo a psicóloga, municípios com Centros de Atenção Psicossocial (Caps) possuem índices menores de suicídio. “Isso significa que ter um atendimento especializado e aberto é um fator de proteção. Alguém bem diagnosticado e bem acolhido no seu sofrimento psíquico contribui para redução das taxas. Porém, não posso afirmar categoricamente que os altos índices têm a ver necessariamente com uma doença mental. Por exemplo, os homens são os que mais conseguem se matar, com uso de arma de fogo. Então, provavelmente o acesso à arma de fogo por essa população vulnerável é um fator de risco”, relatou.

A respeito da influência da pandemia nos números, Daniela Bezerra informou que as taxas de óbito por suicídio caíram drasticamente. “Ainda estamos vivendo a pandemia e não é possível fechar um panorama. Mas temos duas hipóteses. Ou as notificações estão bagunçadas pelo desespero em razão da mortalidade pela Covid-19, ou de fato algum fenômeno diante da possibilidade de morte por outra maneira afetou aqueles que estão em dúvida. Entretanto, é preciso destacar que as tentativas de suicídio e as lesões autoprovocadas continuaram aumentando na mesma proporção dos últimos anos”, acrescentou.  

Para a representante da SES, se não houver uma rede capilarizada de acolhimento e um estímulo ao acesso de qualidade de vida os índices tendem a piorar. “Esse não é um assunto privado, é um assunto público. Por isso é preciso viabilizar políticas públicas para que se torne um tema da coletividade. É isso que o Setembro Amarelo precisa trazer para nós, uma preocupação com o todo do ser humano, a qualidade de vida, o acesso à educação, cultura, lazer e esporte”, finalizou.  

Doutora em Cultura Contemporânea pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a psicóloga Morgana Moura abordou a multifatoriedade do suicídio e o trabalho executado pelo programa de qualidade de vida no trabalho do MPMT. “Diferente de outros países, no Brasil não temos recorrência de casos de suicídio no ambiente de trabalho, mas temos alto índice de sofrimento emocional e de afastamento por saúde mental. No Ministério Público do Estado, por exemplo, temos a saúde mental como o segundo fator de afastamento dos integrantes da instituição. E foi justamente pensando nesse aspecto que nos dedicamos a promover a campanha ‘Que o amarelo faça florir’”.  

Conforme a psicóloga do MPMT, é importante se atentar que compreender a complexidade do que é saúde mental é justamente tirar a responsabilidade total da pessoa cuidar da própria saúde, uma vez que são diversos os fatores que podem levar ao sofrimento emocional. “Se a gente entende que as condições sociais, econômicas, ambientais, trazem afetações negativas, precisamos nos atentar a esses outros fatores. E o ambiente de trabalho também nos afeta tanto no aspecto positivo quanto no negativo, mediante como nos relacionamos com a instituição, as outras pessoas e nossa atividade cotidiana”, ponderou.  

Morgana Moura contou ainda que o Ministério Público, por meio do Vida Plena, dispõe de uma equipe psicossocial responsável por fazer o acolhimento dos integrantes da instituição. “Temos atendimento individuais, que inclusive passamos a ofertar de maneira online em razão da pandemia. Mas também oferecemos oficinas de saúde mental, trabalhamos nas atividades de integração práticas de cuidado voltadas à saúde mental e buscamos identificar os demais fatores que possam contribuir com a qualidade de vida por meio de pesquisas de clima organizacional”, descreveu.  

Ela salientou que muitas vezes a pessoa não consegue identificar que está em um ambiente seguro para falar da sua fragilidade emocional. “Imagina se expor em um ambiente de trabalho em que você é constantemente cobrado a estar firme. Por isso é importante ter uma equipe que possa acolher essa demanda de maneira sigilosa, como ocorre com o Vida Plena. A demanda é trabalhada de forma com que a pessoa se sinta segura em compartilhar, para que possamos identificar junto a esse integrante as causas que estão contribuindo para o sofrimento no ambiente de trabalho”, revelou.  

Morgana Moura ainda relacionou outras práticas oferecidas como ginástica laboral, treino funcional e meditação coletiva, resultado de parcerias firmadas com outras entidades. Segundo a psicóloga, elas auxiliam na prevenção do processo de adoecimento. Para encerrar, explanou sobre a campanha “Que o amarelo faça florir”, que prevê a realização de lives sobre a temática, divulgação de posts nas redes sociais e iluminação das fachadas das sedes das Promotorias da Capital e da Procuradoria-Geral de Justiça na cor amarela. 

A próxima live do projeto “MP e Você” será no dia 29 de setembro, também às 15h, sobre “Saúde mental e rede de atenção”, com a analista Assistente Social do MPMT Renata de Paula Teixeira e um convidado do Centro de Valorização da Vida (CVV). A transmissão ao vivo desta terça está disponível no canal no canal do YouTube do MPMT (aqui) e no feed do Instagram @mpemt. 

Fonte:

Comentários Facebook
publicidade

MINISTÉRIO PÚBLICO MT

Live destaca opções de atendimento a pessoas em sofrimento emocional

Publicado


A importância de se buscar ajuda ou auxiliar pessoas em casos de pensamentos suicidas ou situação de sofrimento emocional foi abordada na live promovida pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) na tarde desta terça-feira (29), sobre “Saúde mental e rede de atenção”. O voluntário Carlos Latterza, do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou sobre o trabalho desenvolvido pela associação sem fins lucrativos, que presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio. Já a analista Assistente Social Renata de Paula Teixeira, do MPMT, abordou o funcionamento e os serviços oferecidos pela Rede de Atenção Psicossocial (Raps) no Sistema Único de Saúde (SUS). 

Carlos Latterza fez um retrospecto até a criação do CVV no Brasil, no ano de 1962, e falou a respeito dos canais de atendimento e de como é possível se tornar um voluntário. Segundo o integrante do CVV Cuiabá, são mais de 4 mil voluntários e de 120 postos de atendimento no país. “O CVV desenvolve suas atividades em duas frentes de trabalho, informação para a sociedade e apoio emocional, visando auxiliar na prevenção do suicídio e oferecer apoio emocional para que as pessoas não se sintam sozinhas em momentos de dificuldade, em que precisam falar e desabafar”, disse. 

O voluntário contou que o CVV atende voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar e que os canais de atendimento são por telefone (ligação para 188), e-mail, chat e postos físicos (que estão temporariamente inoperantes em razão da pandemia). “O atendimento por telefone é em rede, a ligação é gratuita, sigilosa e anônima, 24 horas por dia. As pessoas podem falar o que estão sentindo e encontram ali  um espaço seguro para desabafar”, afirmou, lembrando que qualquer pessoa pode ligar. 

Carlos Latterza abordou ainda os três passos para quem não sabe o que fazer diante de uma pessoa com sinais de comportamento suicida, segundo a teoria do psiquiatra Neury Botega, professor do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Unicamp. A técnica elaborada pelo médico é chamada de ROC, sigla para “repare no risco”, “ouça com atenção” e “conduza ao tratamento”. Por último, explicou os procedimentos para se tornar um voluntário, que inclui ser maior de 18 anos, fazer inscrição pelo site, participar e ser aprovado no treinamento e dispor de quatro horas e meia por semana para ajudar pessoas.

A assistente social Renata Teixeira destacou que a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) é imprescindível para evitar o suicídio. Ela esclareceu que a rede é formada por sete componentes – Atenção Básica em Saúde, Atenção Psicossocial Especializada, Atenção de Urgência e Emergência, Atenção Residencial de Caráter Transitório, Atenção Hospitalar, Estratégias de Desinstitucionalização e Reabilitação Psicossocial – e destacou dois deles como estratégicos no combate ao suicídio. 

Para a servidora do MPMT, a Atenção Básica em Saúde, que são os postos e unidades básicas de saúde, são fundamentais por serem a porta de entrada para atendimento das pessoas em sofrimento emocional. E os Centros de Atenção Psicossocial Especializada (Caps) são importantes porque oferecem um atendimento especializado a pessoas com transtornos mentais mais severos. Segundo a expositora, a presença do Caps reduz em 14% o risco de suicídio na localidade. Renata Teixeira informou ainda que, em Mato Grosso, existem unidades básicas de saúde nos 141 municípios e Caps em somente 34 deles. 

A assistente social ainda elencou os desafios para o fortalecimento e estruturação da rede de atenção, que são a articulação e interação dos serviços, garantia de profissionais capacitados e condições materiais e estruturais necessárias ao trabalho, ampliação da rede para outros municípios e manutenção do financiamento público. “O mais importante é termos a compreensão de que as pessoas que se veem numa condição de sofrimento mental podem recorrer aos serviços públicos. É fundamental elas conhecerem quais são esses serviços para poderem buscar um atendimento qualificado, acolhimento e escuta”, assinalou. 

OBJETIVOS ESTRATÉGICOS: Para encerrar, Renata Teixeira ressaltou o papel do MPMT na indução e no controle das políticas públicas. Ela citou dois objetivos estratégicos da instituição como exemplos da preocupação com o tema saúde mental. São eles “garantir a eficiência no atendimento da atenção básica à saúde”, na área da cidadania, e “exigir o cumprimento do direito à saúde mental da criança e do adolescente com cobertura de rede de cuidado e tratamento ambulatorial para uso abusivo de substância psicoativa por meio do fomento à implantação de Caps em municípios ainda não abrangidos”, referente à infância e juventude. “Esses objetivos estratégicos vão dar todo um direcionamento às ações do MPMT junto à indução e fiscalização das políticas públicas, visando a garantia dos interesses da sociedade e dos serviços de qualidade”, afirmou, colocando o Ministério Público à disposição dos cidadãos. 

Essa foi a segunda transmissão ao vivo pelo Instagram do MPMT da campanha de valorização da saúde mental do trabalhador “Que o amarelo faça florir”, idealizada pelo Programa Vida Plena e realizada no mês dedicado à prevenção do suicídio, conhecido como Setembro Amarelo. O outro debate ocorreu no dia 15 de setembro, com o tema “Saúde Mental e a prevenção do suicídio”. 

DADOS: No Brasil, a cada 45 minutos uma pessoa morre por suicídio, revela a Organização Mundial da Saúde (OMS). Já um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aponta que 17% das pessoas já pensaram seriamente em pôr fim à própria vida, 4,8% chegaram a elaborar algum tipo de plano para cometer suicídio e 2,8% tentaram executá-lo. 

Fonte:

Comentários Facebook
Continue lendo

Polícia

ENTRETENIMENTO

MATO GROSSO

Agronegocio

Política Nacional

CIDADES

Mais Lidas da Semana