POLÍTICA NACIONAL

Sojicultores que ajudariam Sérgio Reis a “quebrar o STF” retiram apoio; cantor e mais 8 estão proibidos de se aproximarem da Praça dos 3 Poderes

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Por Edmundo Pacheco | Portal Mato Grosso

Na mesma decisão em que determinou a busca e apreensão contra o deputado bolsonarista Otoni de Paula (PSC-RJ) e o ex-deputado e cantor Sérgio Bavini (vulgo Sergio Reis) o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), também determinou instauração de inquérito contra Marco Antônio Pereira Gomes (vulgo Zé Trovão), Eduardo Oliveira Araújo, Wellington Macedo de Souza, Antônio Galvan, Alexandre Urbano Raitz Petersen, Turíbio Torres, Juliano da Silva Martins e Bruno Henrique Semczeszm. Todos, incluindo o cantor, estão proibidos de se aproximarem da Praça dos 3 Poderes, em Brasília, onde está o STF e devem manter pelo menos um quilômetro de distância de ministros do STF e senadores.

Num documento de 22 páginas, Alexandre de Moraes afirma que os investigados “pretendem utilizar-se abusivamente dos direitos de reunião, greve e liberdade de expressão, para atentar contra a Democracia, o Estado de Direito e suas Instituições”, “inclusive atuando com ameaça de agressões físicas”. O ministro cita uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR ) que sustenta que os investigados “têm convocado a população, através de redes sociais, a praticar atos criminosos e violentos”.

Na manhã desta sexta-feira (20.08) a Polícia Federal deu batida em endereços de Sergio Bavini, do deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) e dos demais investigados. Ao todo, 13 mandados foram autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes e atendem a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Agentes da Polícia Federal (PF) foram a 29 endereços no Rio, Brasília e aqui em Mato Grosso, todos ligados ao cantor e ao deputado.

O ministro justificou os mandados afirmando que o grupo estava programando manifestações “criminosas e antidemocráticas”. Segundo Moraes ” os investigados estão se valendo de publicações em redes sociais para instigar os seus seguidores, e tentar coagir a população brasileira em geral, a atentar contra o Estado Democrático de Direito brasileiro e suas Instituições republicanas, inclusive com incentivo a atos expressos de ameaça e violência física”.

Moraes ordenou ainda que os investigados sejam ouvidos pela Polícia Federal e a expedição de ofício às empresas responsáveis por redes sociais para que bloqueiem os perfis de titularidade dos envolvidos, e a proibição de se comunicarem entre si e de participarem de eventos em ruas e monumentos no Distrito Federal.

PRODUTORES DE SOJA

A abertura do inquérito e a ação da Polícia Federal na porta dos acusados, logo cedo, refreou os ânimos dos produtores de soja que, segundo o cantor Sérgio Reis, estavam financiando os atos a favor de Jair Bolsonaro e contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Senado. Os sojicultores, que segundo o cantor seriam “os 40 maiores produtores de soja do Brasil”, iriam bancar “a ida de 400 índios para Brasília”

Em áudio e vídeo o dublê de líder político afirmou que se fosse preciso ele mesmo bancaria as manifestações, mas que já havia até apresentado “os 400 índios para o Bolsonaro”. Quem pagaria a farra toda, segundo Sergio Bavini seriam os produtores de soja, entre eles o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Antônio Galvan. Se em 30 dias não tirarem aqueles caras nós vamos invadir, quebrar tudo e tirar os caras na marra. Pronto. É assim que vai ser. E a coisa tá séria”. Sergio Bavini foi ainda mais longe e deu prazo para o Senado votar e aprovar o voto impresso, rejeitado na Câmara Federal semana passada. “Vocês [senadores] têm 72 horas para aprovar o voto impresso e tirar todos os ministros do Supremo Tribunal Federal. Não é um pedido, é uma ordem. É assim que eu vou falar com o presidente do Senado. Isso é uma ordem”, fanfarroneou o cantor.

A presença do presidente da Aprosoja, falando em nome da entidade, incomodou o ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi, que é um dos maiores produtores de soja do mundo e uma das principais lideranças do agronegócio no país. Blairo ainda disse que, caso Galvan queira insistir em colocar a Aprosoja Brasil como organizadora destas manifestações, deveria convocar uma Assembleia Geral para que todos os associados participem e decida. “Repito, o Galvan é livre para defender politicamente o que ele quiser. Mas que ele faça isso enquanto cidadão e não como entidade. A entidade é maior e representa milhares de produtores”, pontuou.

Diante de tanta repercussão negativa (Sergio Reis disse que teve shows e comerciais cancelados e entrou em depressão) fez os produtores de soja refrearem os ânimos. A Aprosoja, que até então não tinha se manifestado como entidade, divulgou uma nota, onde afirma que “”sempre defendeu de forma peremptória o Estado Democrático de Direito e o equilíbrio entre os Poderes da República e continuará a ter a mesma postura republicana”. E que “não financia e tampouco incentiva a invasão do Supremo Tribunal Federal ou quaisquer atos de violência contra autoridades, pessoas, órgãos públicos ou privados em qualquer cidade do país”.

 

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Lula diz que Brasil retrocedeu e critica Bolsonaro: “País virou pária”

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Lula discursou na USP
Letícia Martins

Lula discursou na USP

Nesta segunda-feira (15), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o descaso do governo Bolsonaro sobre a economia brasileira. O petista afirmou que as gestões do PT levaram o Brasil a alcançar a sexta maior economia do mundo, mas hoje a posição do país é completamente diferente.

“Quando eu visitava as universidades com o Haddad, eu falava que queria ultrapassar a Alemanha e ficar entre as cinco maiores economias do mundo”, iniciou o ex-governante do executivo federal.

“Vinte anos depois, esse país retrocedeu. Esse país que já foi a sexta maior economia do mundo, agora é a 13ª. Esse país virou pária, porque ninguém quer receber o presidente da República e nem quer vir aqui. As pessoas sabem o tipo de gente que tá governando esse país”, acrescentou.

A declaração de Lula levou o público ao delírio, que começou a gritar “Fora Bolsonaro”. A plateia também chamou o ex-presidente de “lindo, tesão, bonito  e gostosão”.

“Tá na nossa responsabilidade de ver a educação que a gente quer, que trabalho nós queremos, que política de desenvolvimento nós queremos. Temos a responsabilidade de mapear o Brasil que queremos mais para frente. Se a gente se omitir, o Brasil que vai ressurgir do processo pode ser pior do que o Brasil de hoje”, completou.

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Fonte: IG Política

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