AGRO & NEGÓCIO

Software gratuito oferece recomendações de calagem e adubação para diversas culturas agrícolas

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  • Embrapa e Universidade Federal do Recôncavo da Bahia desenvolveram um software simples e amigável para oferecer informações sobre calagem e adubação ao setor produtivo.

  • Usuário pode adicionar ao sistema uma nova cultura agrícola, sem auxílio de um profissional de informática

  • AdubaTec foi desenvolvido para propiciar mais independência aos usuários, aumentando a rentabilidade e a produtividade, com menos custos, mais agilidade e segurança no campo.

  • Tecnologia atende aos ODS e à Agenda 2030, pois alia a produção de alimentos à geração de inovação sustentável no campo.

Um sistema desenvolvido pela Embrapa em conjunto com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) oferece, por meio de uma interface simples, prática e de fácil manuseio, recomendações de calagem e adubação para o cultivo de mandioca e de diversas fruteiras (abacaxi, acerola, banana, laranja, tangerina, limão, mamão, manga e maracujá), podendo ser adaptado a qualquer cultura.

Com o software AdubaTec, produtores e técnicos podem obter por conta própria e de forma gratuita a quantidade adequada de nutrientes que deve ser aplicada no solo com base nas características do seu plantio. Basta preencher os campos no aplicativo web com dados da análise química do solo e informações como sistema de cultivo, estágio de produção, clima e produtividade esperada para obter as quantidades de calcário e as recomendações, principalmente de nitrogênio, fósforo e potássio, necessárias para a cultura selecionada. 

Além da grande abrangência de cultivos, o principal diferencial da ferramenta em relação às similares é a possibilidade de incorporação de recomendações de novas culturas. Isso é possível apenas com o cadastro das regras sob o conjunto de variáveis de plantio predefinidas pelo próprio administrador, sem modificar o código do sistema, ou seja, dispensa a necessidade de um especialista de tecnologia da informação para modelar os dados.

A ferramenta possibilita, assim, que um maior número de produtores tenha acesso a recomendações de calagem e adubação especializadas para os seus plantios e reduz o trabalho manual de pesquisadores, agrônomos e técnicos referentes aos cálculos de recomendação. Soluções tecnológicas como essa, que integram o escopo de ações da Embrapa no âmbito da agricultura digital, buscam mais rentabilidade e produtividade, menos custos e maior agilidade e segurança no campo.

Mais independência ao usuário

O analista do Núcleo de Tecnologia da Informação da Embrapa Mandioca e Fruticultura Luciano Pontes, que desenvolveu o sistema em conjunto com dois estudantes de Engenharia da Computação da UFRB, Lucas Henrique Araújo e Maxwell Lincoln da Silva, conta que o AdubaTec segue a lógica de oferecer mais independência ao usuário, uma tendência natural, segundo ele, no mundo de desenvolvimento de softwares. 

 “Fizemos uma análise-piloto, que consistiu em uma avaliação exaustiva de sua performance. A pesquisadora fez diversas análises de forma manual e comparou com os resultados obtidos via sistema, verificando que a recomendação indicada pelo software era mais precisa. E muitos ajustes foram realizados para que o sistema alcançasse a eficiência esperada”, informa Pontes. 

O AdubaTec é um sistema web responsivo, ou seja, adapta o seu layout ao tamanho das telas em que está sendo exibido, como de celulares e tablets. Com uma página web encarregada pela interação com o cliente, é capaz de cruzar os dados de entrada do usuário com os dados cadastrados (parâmetros) no banco de dados. 

O sistema foi preparado de forma dissociada da interface a fim de que as regras de recomendação de adubação possam ser disponibilizadas em uma plataforma como serviço (AdubaAPI). “Esse potencial pode ser explorado, no futuro, para gerar diferentes produtos integrados a equipamentos ou softwares que automatizam os processos de análises de solos de laboratórios”, afirma Pontes. “Há um potencial de parceria com startups de agtech [termo utilizado para se referir a empresas de tecnologia aplicada ao agronegócio], visando a novos mercados na análise de solos,” declara.

“Nos inspiramos no FertOnline, criado pela Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE), com recomendações para a cultura do coco, milho e laranja. O diferencial do nosso sistema é ser parametrizável, ou seja, pode ser adaptado para qualquer cultura e até mesmo variedades específicas”, conta a pesquisadora Ana Lúcia Borges, responsável pelo conteúdo do software e editora técnica da publicação “Recomendações de calagem e adubação para abacaxi, acerola, banana, laranja, tangerina, lima ácida, mamão, mandioca, manga e maracujá”, da qual foram extraídos os dados para montagem do AdubaTec. A publicação foi feita em coautoria com o pesquisador Luciano Souza, já aposentado.

Inicialmente, foram incluídas as culturas do portfólio da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) listadas acima, mas, de acordo com pesquisadora, a ferramenta pode ser utilizada por qualquer outra Unidade da Embrapa e aplicada para várias culturas sem a necessidade de modificação no código do sistema. “Requer apenas que os especialistas modelem as regras de adubação seguindo a metodologia do sistema e as cadastre na interface administrativa”, conta a pesquisadora.

Borges explica que o software já está mais enriquecido do que a publicação, pois as recomendações de adubação são atualizadas constantemente, uma vez que novos resultados foram gerados desde a publicação do livro, em 2009. Além disso, foram incluídas informações sobre variedades específicas. “Temos recomendações próprias hoje, por exemplo, para as variedades de banana BRS Platina e BRS Princesa, para os plátanos, que são as bananas tipo Terra, e para a nossa variedade de abacaxi BRS Imperial”, acrescenta.

Após o preenchimento dos dados, o sistema fornece um relatório em PDF que descreve de forma simplificada os resultados obtidos e disponibiliza observações necessárias para a aplicação correta, tanto do calcário quanto dos fertilizantes, podendo-se inclusive selecionar a fonte do nutriente. “As recomendações são baseadas no princípio dos ‘4Cs’: dose correta, fonte correta, época correta e local correto. Seriam os conhecidos ‘4Rs’ [right], em inglês.”

Com a utilização da ferramenta, ela aposta no crescimento do número de usuários. Apenas 6% das análises de solo anuais realizadas no Laboratório de Solos e Nutrição de Plantas da Embrapa Mandioca e Fruticultura seguiam para os clientes acompanhadas de recomendação de adubação, já que esse trabalho era realizado manualmente pela pesquisadora. “A ideia, com o AdubaTec, é agilizar isso. Que o cliente possa obter sua própria recomendação, de forma rápida, direta e precisa. Poderemos assim beneficiar um público bem maior”, pontua.

Banco de dados

A pesquisadora ressalta que o software também formará um banco de dados com informações sobre os solos de diversas regiões. “O AdubaTec está preparado para armazenar informações de consulta dos usuários, constituindo um banco de dados com a finalidade de, futuramente, realizar um mapeamento do solo nas regiões em que haverá análises cadastradas, o que pode ser muito útil para nossas pesquisas”, afirma Borges.

Alinhado aos ODS

A pesquisadora salienta ainda que o AdubaTec está alinhado ao compromisso da Embrapa com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), agenda mundial adotada durante a Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável em 2015 com a missão de construir e implementar políticas públicas que visam guiar a humanidade até 2030 (Agenda 2030). No caso, o software atende ao objetivo número 15, “Vida terrestre”, que consiste em “proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação dos solos e deter a perda da biodiversidade.” 

Em 2017, foi criada a Rede ODS Embrapa, que visa gerenciar a inteligência distribuída nas Unidades de pesquisa e responder a demandas sobre a Agenda 2030. Uma análise dos Objetivos Estratégicos da Embrapa realizada pelos integrantes da Rede mostrou a vinculação, direta ou indireta, da atuação da Empresa a todos os 17 ODS. Uma página temática foi criada para mostrar como o trabalho da Empresa se vincula a cada um dos ODS. É possível compreender, a partir dessas informações, como a produção de alimentos alinhada à geração de inovação sustentável no campo contribui para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, para a redução do preço da cesta básica e para a exportação de produtos brasileiros, o que movimenta a economia e traz recursos para o País.

Fonte: Embrapa

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AGRO & NEGÓCIO

Embrapa e Senai lançam edital de PD&I para agroindústrias

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Nesta tarde (15/04), a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) lançaram a categoria de cooperação bilateral denominada Aliança Agroindustrial – plataforma que vai abrigar projetos de pesquisa e inovação voltados para o agronegócio em sinergia com a indústria. O objetivo da ação é promover a inovação a partir da união das capacidades e recursos das instituições em parceria com entes do setor industrial. A cerimônia virtual de lançamento da plataforma contou com as presenças da diretora executiva de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Adriana Regina Martin, e do diretor de Operações do Senai, Gustavo Leal.

A agregação de valor a commodities alimentares brasileiras pré-exportação, o aumento de produtividade e eficiência da agroindústria são alguns dos resultados esperados a partir da aproximação entre as instituições. Desde 2019, sob coordenação da Diretoria Executiva de Inovação e Tecnologia e a Secretaria de Inovação e Negócios da Embrapa, equipes dos 42 centros de pesquisa da Empresa e dos 27 Institutos Senai de Inovação (ISIs) mantêm diálogo para mapear as áreas de interesse convergente para atuação conjunta.

A Aliança Agroindustrial é uma das oito categorias existentes na Plataforma Inovação para a Indústria. O processo de submissão à nova categoria, com início previsto para o dia 20 de abril, é uma experiência piloto com função mobilizadora das redes envolvidas. SenaiI e Embrapa vão disponibilizar, ao todo, R$ 3,2 milhões para distribuição entre os projetos, conforme regras pré-estabelecidas em acordo. 

Os projetos devem ser construídos conjuntamente por Embrapa, ISI e indústria. Quem apresenta a proposta ao edital é a indústria, que tem contrapartida igual ou superior ao recurso aplicado conjuntamente por Embrapa e Senai, sendo exigido que pelo menos 50% sejam recursos financeiros. O limite de valor por projeto é de R$ 800 mil e a duração máxima será de 24 meses. 

Apesar de ainda modestos, os recursos inicialmente aportados criam expectativas positivas com relação ao futuro da plataforma. “A forma como a Aliança Agroindustrial se organiza faz com que os recursos se multipliquem. Não temos dúvida sobre o potencial inovador dessa parceria que une a pesquisa aplicada pública e a indústria, com resultados de captura de valor para reinvestimento em ciência e ampliação dos impactos já positivos do agronegócio na economia brasileira”, avalia Adriana, que ainda ressalta: “Os projetos fruto dessa parceria nos aproximam da meta de ter 40% dos portfólio da Embrapa de projetos de inovação aberta”.

Ela lembra que a parceria em PD&I entre Embrapa, Senai e Indústria começou a ser estruturada a partir do 1º Workshop Virtual de Matchmaking Senai Embrapa, realizado em agosto passado, com vistas ao desenvolvimento de acordos de implementação específicos.

Segundo aponta, entre as áreas de convergência identificadas pelas equipes das instituições a serem alavancadas por meio da parceria, o presidente cita sistemas de água e irrigação, gerenciamento de resíduos, agricultura sustentável e melhoramento de solo. Materiais e revestimentos inteligentes, robótica, agricultura orgânica, logística e transporte também têm espaço na lista das áreas a serem tratadas pela pesquisa, desenvolvimento e inovação em interação com a indústria a partir da nova Plataforma. 

Para o SENAI, a união de competências complementares de pesquisa da Embrapa e do Senai agrega valor e diminui os riscos técnicos em projetos, o que deve atrair a atenção do setor produtivo. Além disso, a Aliança Agroindustrial pode resultar na construção de uma vitrine “Agro made in Brazil” a partir da introdução de novidades no processamento de commodities alimentares, ou seja, a agregação de valor aos produtos brasileiros antes da exportação. 

“Esse é o início de uma parceria entre duas instituições para o fortalecimento da agenda do agronegócio no país. Chegou a vez da indústria e agricultura caminharem juntas com desenvolvimento tecnológico e inovação para crescimento do setor”, aponta Rafael Lucchesi. “Mais do que exportador de commodities, o Brasil deve passar a ser conhecido como país de origem e procedência de produtos agroalimentares com valor agregado, por isso o investimento numa rede de pesquisa e inovação para, em parceria com a indústria, viabilizar o investimento na criação de selos e certificações, associado a iniciativas de geomapeamento da biodiversidade brasileira”, completou.  

Como participar

A Plataforma está aberta à participação de empresas do setor industrial de todos os tamanhos, inclusive startups de base tecnológica. Para participar, é necessário enviar a ideia pela Plataforma de Inscrição, seguindo normas e cronogramas específicos de cada categoria.

Na Aliança Agroindustrial, o processo de submissão, aprovação e contratação é composto pelas etapas de Declaração de Interesse, quando a empresa proponente articula com pelo menos um ISI e uma UD para iniciar a composição de aliança e projeto; pela fase de Submissão e avaliação da Proposta de Aliança e Projeto, momento em que as partes elaboram a proposta conjunta de Aliança Agroindustrial, seguindo os requisitos indicados, para chegar à etapa de Contratação, atendendo ao que determina o regulamento geral da Plataforma Inovação para a Indústria. 

Acesse aqui para saber mais sobre o regulamento.

Mais recursos para categorias de inovação

Além da categoria Aliança Agroindustrial, a Plataforma de Inovação conta com mais R$ 14,6 milhões para investir em outras categorias de seleção, que vão ajudar o Brasil a ser mais inovador. 

A Plataforma Inovação para a Indústria é uma iniciativa do Sistema Indústria para financiar o desenvolvimento de produtos, processos ou serviços inovadores, com o objetivo de aumentar a produtividade e a competitividade da indústria brasileira, além de promover a otimização da segurança e saúde na indústria. Criada em 2004 como Edital SENAI SESI de Inovação, a iniciativa já selecionou mais de mil projetos inovadores, nos quais foram investidos mais de R$ 7817 milhões. As propostas escolhidas recebem recursos e apoio para desenvolvimento de uma prova de conceito, passando por processos de validação, de protótipo e de teste na rede de inovação e tecnologia do SENAI.

Conheça as categorias da Plataforma de Inovação para indústria

I. Aliança Industrial

A categoria busca estimular a apresentação de projetos com alto impacto inovativo por grupos de dois ou mais integrantes, que dividem o compromisso em torno de um projeto de P&DI, unindo capacidades e recursos. A Aliança deve ser composta por, no mínimo, duas empresas, um Instituto SENAI de Inovação ou um Instituto SENAI de Tecnologia, que será coordenador do projeto. A duração máxima dos projetos será de até 24 meses.

Prazo de inscrição: contínuo, a partir de 20 de abril

II. Empreendedorismo Industrial

Com parceria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), por meio da categoria, instituições-âncora apresentam chamadas para seleção de empreendedores. Cada projeto recebe investimento mínimo de 250 mil da Plataforma, podendo a grande empresa, a seu critério, empregar quantias superiores. Objetivo é estimular a conexão entre grandes indústrias e startups, micro e pequenas empresas por meio de desafios específicos lançados por empresas consolidadas no mercado.

Prazo de inscrição: contínuo, a partir de 20 de abril

III. Chamada Internacional – VINNOVA (Suécia)

Parceria com empresas suecas para o desenvolvimento de projetos P&DI nas áreas de bioeconomia, saúde, mineração e smart cities. A proposta deverá ser composta por, no mínimo, uma empresa industrial brasileira e um Instituto SENAI de Inovação operacional. Para esta categoria, o SENAI irá disponibilizar até R$ 2 milhões para distribuição nos projetos.

Prazo de inscrição: contínuo, a partir de 20 de abril

IV. Chamada Internacional – TACR (República Theca)

A parceria com a TACR, na República Theca, visa necessidades de pesquisa e inovação das empresas industriais dos respectivos países para projetos P&DI no âmbito das temáticas: energia a partir de hidrogênio; mobilidade e logística; reciclagem e gestão de resíduos; inteligência artificial. 

Prazo de inscrição: contínuo, a partir de 13 de maio

Assista no Youtube à apresentação realizada no dia 15/04 sobre as categorias da Plataforma de Inovação.

Fonte: Embrapa

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