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RJ: Caxias vacina fora de grupo prioritário e falta CoronaVac para segunda dose

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Vacinação no Brasil
Rafael Barifouse – Da BBC News Brasil em São Paulo

Vacinação no Brasil

No Rio de Janeiro, a vacinação contra a Covid-19 em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, segue, nesta terça-feira, dia 4, a rotina de problemas. Foi mais um dia de desrespeito às ordens das autoridades para seguir o Plano Nacional de Imunização ( PNI ). Nos postos montados no município, pessoas que não faziam parte de nenhum dos grupos prioritários estavam se vacinando. O prefeito da cidade, Washington Reis, já foi multado pelo Ministério Público Federal e teve os bens parcialmente bloqueados pela Justiça, mas a campanha continua sem alterações.

Nesta terça-feira foi montado um posto de vacinação, com doses da Oxford/AstraZeneca, no Centro Municipal de Saúde de Duque de Caxias (CMSDC). Conforme comunicado da prefeitura, divulgado nas redes sociais, o público-alvo era de pessoas com comorbidades de 50 anos ou mais, que devem apresentar atestado ou receita médica que comprove a condição médica. No entanto, o pintor Carlos Andre da Cruz, de 54 anos, foi ao posto e conseguiu ser imunizado.

“Não me pediram nada. Eu só mostrei minha identidade, perguntaram se eu tinha alguma doença, eu falei que tinha alguns problemas respiratórios e foi só isso. Não mostrei nada além da identidade. Eu passei aqui porque recebi mensagens e vi na internet que estavam vacinando, e eu moro perto. Agora não sei se poderia, mas estou aliviado por conseguir”, disse.

Outra pessoa a ser imunizada sem apresentar documentos médicos atestando comorbidades foi a dona de casa Sandra Castro, de 58 anos. Ela também compareceu ao posto por indicação de conhecidos e recebeu a vacina.

“Eu vi quando começaram a vacinar pessoas de 57 anos, mas não sabia se ainda estavam. Aí me disseram que tinha vacinação por aqui hoje e vim. Me pediram identidade, aí esperei e fui vacinada. Eu estou feliz porque precisava muito. Queria poder rever minha família, sair, passear. É bom ter esse sentimento de proteção”, contou.

No mesmo centro de saúde, pela manhã, uma fila de centenas de idosos se formou com todos em busca da segunda dose da CoronaVac. Muitos chegaram ao local ainda de madrugada, e a maioria já havia ultrapassado um mês do recebimento da primeira dose, não cumprindo o prazo máximo de 28 dias de intervalo entre as aplicações, conforme recomendado pelos profissionais de saúde.

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A aposentada Maria da Penha Silva de Souza, de 65 anos, chegou no posto às quatro horas da manhã, acompanhada da filha Cintia da Penha para tentar a segunda dose, 35 dias depois da primeira. Após esperar por cinco horas, foram avisadas que não havia doses de CoronaVac .

“Ontem estavam aplicando a segunda dose aqui. Aí pela manhã disseram que teria 1.200 doses para os idosos, depois caiu para 400 e no final não teve nada. Minha mãe completou 35 dias da primeira vacina. É um desrespeito, uma falta total de compaixão com as pessoas. Acordei 3h30 da manhã para vir até aqui, e minha mãe sofrendo desse jeito”, disse Cintia.

Desrespeito à ordem do STF

Em outro posto de vacinação montado na cidade, na sede da Secretaria Municipal de Educação, a prefeitura desrespeitou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski que suspendeu a liminar da Justiça do Rio que incluía professores e agentes de segurança nos grupos prioritários de vacinação. Profissionais da educação que atuam nas redes privadas e pública continuaram sendo atendidos normalmente com a primeira dose da Oxford/AstraZeneca.

Questionada, a prefeitura respondeu, em nota, que a Secretaria Municipal de Saúde manteve a programação já agendada para esta terça-feira, com a vacinação de primeira dose para os profissionais de educação que prestam serviço em Duque de Caxias e que não há programação de imunização para profissionais da educação nos próximos dias no município.

Já com relação à vacinação de idosos, acima de 60 anos, a pasta esclarece que o município já atingiu o percentual de 81,4% de pessoas imunizadas nessa faixa etária. Atualmente equipes vêm fazendo a busca daqueles com 60 anos ou mais, que não atenderam às convocações realizadas pelo município. O objetivo é alcançar idosos que ainda não foram atendidos.

Fonte: IG SAÚDE

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Covid-19: como a crise na Índia põe em risco vacinação nos países mais pobres

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BBC News Brasil

Covid-19: como a crise na Índia põe em risco vacinação nos países mais pobres do mundo
Tulip Mazumdar – Repórter de saúde

Covid-19: como a crise na Índia põe em risco vacinação nos países mais pobres do mundo

O programa internacional para garantir acesso igualitário às vacinas contra a covid-19 está com um déficit de 140 milhões de doses por causa da crise de covid-19 na Índia.

O Instituto Serum, na Índia, maior fornecedor do Covax, não entregou nenhuma das doses planejadas desde que as exportações foram suspensas em março.

O Covax é o consórcio formado para distribuir vacinas para países de renda média e baixa que não conseguiram fazer acordos para comprar um número suficiente de imunizantes. O Unicef, fundo das Nações Unidas para a infância, é quem distribui as vacinas do consórcio.

O fundo está pedindo aos líderes das nações do G7 e dos Estados da União Europeia que compartilhem suas doses. Eles devem se encontrar no Reino Unido no mês que vem.

O Unicef afirma que juntos, esse grupo de países poderia doar cerca de 153 milhões de doses, ao mesmo tempo em que poderiam cumprir seus compromissos de vacinar suas próprias populações.

‘Uma grande preocupação’

O Instituto Serum deveria fornecer cerca de metade dos dois bilhões de vacinas encomendadas para o Covax este ano, mas não houve remessas para março, abril ou maio. O déficit deve aumentar para 190 milhões de doses até o final de junho.

“Infelizmente, simplesmente não sabemos quando o próximo conjunto de doses vai se materializar”, disse Gian Gandhi, coordenador de suprimentos do Unicef no Covax.

“Nossa esperança é que as coisas voltem aos trilhos, mas a situação na Índia é incerta… e há uma grande preocupação.”

O Unicef está convocando os países do G7 – Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos, bem como a União Europeia – a doarem seus suprimentos excedentes com urgência.

Alguns países, como o Reino Unido, os Estados Unidos e o Canadá, já compraram o suficiente para vacinar sua população várias vezes.

Em fevereiro, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, prometeu doar a maior parte do excedente do Reino Unido aos países mais pobres, mas até agora não deu um prazo específico. A situação é semelhante nos Estados Unidos. Até o momento, a França é o único país do G7 que doou doses diante da crise na Índia.

O Unicef ​​disse que os países ricos do G7 podem reduzir o déficit de vacinas para os países mais pobres, doando 20% de seus suprimentos em junho, julho e agosto. Isso liberaria cerca de 153 milhões de doses para o Covax.

A França prometeu meio milhão de doses até meados de junho. A Bélgica, por sua vez, prometeu 100 mil de seu suprimento doméstico nas próximas semanas.

Espanha, Suécia e Emirados Árabes Unidos são alguns dos poucos outros que prometeram compartilhar seus suprimentos agora.

Há sérias preocupações de que o que aconteceu na Índia possa ocorrer também em outros países – tanto próximos quanto distantes da região.

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“Os casos estão explodindo e os sistemas de saúde estão em uma situação difícil em países como Nepal, Sri Lanka e Maldivas… e também na Argentina e no Brasil”, disse a diretora do Unicef, Henrietta Fore. “O custo para crianças e famílias será incalculável.”

Distribuição de doses da Covax no Nepal

Unicef/Panday
Distribuição de doses do Covax no Nepal

Dilema da vacina

Os países da África são alguns dos mais dependentes das doses do esquema Covax.

Mas, como em muitas partes do mundo, também tem havido hesitação em relação ao recebimento da vacina entre algumas comunidades. Outro grande desafio é colocar fisicamente as doses nos braços das pessoas – tudo isso requer que os profissionais de saúde sejam especialmente treinados e os frascos sejam transportados para partes distantes de países onde a infraestrutura pode ser limitada.

Algumas nações estão agora enfrentando a perspectiva de decidir se darão uma segunda dose aos mais vulneráveis ​​que já receberam uma vacina ou se continuarão vacinando mais pessoas conforme planejado, na esperança de que os próximos carregamentos cheguem em breve.

“Estamos em uma situação em que os profissionais de saúde e profissionais de linha de frente em muitos países da África ainda não foram vacinados”, disse Gian Gandhi. “E, ainda assim, os países de renda mais alta estão vacinando populações de baixo risco, como adolescentes.”

Nações como Ruanda, Senegal e Gana já estão usando algumas de suas últimas doses restantes, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).


Covax na África

  • Sete países da África usaram quase 100% de suas doses de Covax, como Botswana, Gana, Ruanda e Senegal
  • Quênia e Malaui usaram quase 90% de suas doses de Covax
  • Cabo Verde e Gâmbia usaram 60% das doses de Covax
  • 1,3 milhão de doses foram redistribuídas da República Democrática do Congo para outras partes da África porque o país não poderá usar todas antes de sua data de validade em junho

Fonte: OMS


“Nos sensibilizamos com a situação na Índia”, diz Richard Mihigo, que chefia o programa de vacinação e desenvolvimento de vacinas da OMS na África.

“A maioria de nossas [18 milhões] doses de Covax até agora veio da Índia.”

“Acho que é muito importante [manter] a promessa global de solidariedade dos países que têm vacinas suficientes – distribuí-las e compartilhá-las porque, a menos que interrompamos a transmissão em todos os lugares, será muito difícil acabar com esta pandemia, mesmo em lugares onde as pessoas foram totalmente vacinadas.”


O que é Covax?

  • O objetivo é distribuir dois bilhões de doses da vacina contra a covid-19 até o final de 2021
  • Nenhum país receberá vacinas para mais de 20% de sua população antes que todos os países tenham vacinado pelo menos 20% da população
  • O consórcio já despachou cerca de 60 milhões de doses para 122 participantes
  • É uma associação pública-privada entre a OMS, a Aliança de Vacinas (Gavi) e a Coalizão para as Inovações no Preparo para Epidemias (Cepi)
  • O Unicef ​​é o principal parceiro de entrega

Novos acordos com diferentes fornecedores e fabricantes de vacinas estão em andamento para tentar colocar o esquema do Covax de volta no rumo, mas nenhum desses acordos ajudará a preencher o déficit da Índia nas próximas semanas.

A única maneira de preencher o vazio para os países mais pobres agora é a doação de parte dos suprimentos pelos países mais ricos.

“Temos emitido repetidas advertências sobre os riscos de baixar a guarda e deixar países de baixa e média renda sem acesso equitativo a vacinas, testes e medicamentos”, disse Fore.

“Estamos preocupados que o aumento das mortes na Índia seja um precursor do que acontecerá se esses avisos permanecerem ignorados. Quanto mais tempo o vírus continua a se espalhar sem controle, maior o risco de surgirem variantes mais letais ou contagiosas.”


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Fonte: IG SAÚDE

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