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Reunião marca retomada de atividades presenciais em agroecologia da Embrapa Pantanal e parceiros

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A última quinta-feira, dia 24/03, marcou a retomada de reuniões e atividades envolvendo os parceiros da Embrapa Pantanal, do Núcleo de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica do Pantanal (NEAP), liderado pela UFMS-Campus Pantanal e os Agricultores do Grupo Bem-estar, do Assentamento 72, localizado em Ladário MS. Na ocasião foi realizada uma avaliação das consequências da pandemia de Covid-19 no assentamento, em especial o sistema de venda por meio de Sacolões Agroecológicos, realizados durante os últimos 2 anos além de  iniciado o planejamento da retomada das ações presenciais para este ano.

O pesquisador da Embrapa Pantanal Alberto Feiden, responsável por conduzir as pesquisas, liderou a reunião e apresentou os dois novos projetos de pesquisa que estão sendo propostos para trabalho em conjunto com o grupo:   “Apoio à expansão da produção agroecológica e da certificação orgânica de agricultores familiares na fronteira Brasil-Bolívia” da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul – Campus Pantanal, liderado pelo prof. Edgar aparecido da Costa; e  “Desenvolvimento de sistema web para subsidiar a certificação orgânica participativa e a avaliação de sustentabilidade do sistema de produção agroecológico”, da Embrapa Pantanal, em parceria com a UFMS/CPAN e APOMS .

“Nos últimos 2 anos além da organização dos sacolões agroecológicos, nossa equipe seguiu orientando os agricultores, dentro do permitido devido ao distanciamento imposto pela pandemia, seja virtualmente ou em alguns casos presencialmente, seguindo as recomendações sanitárias. Nesta reunião procuramos realinhar os trabalhos que vinham sendo feitos pré-pandemia, e discutir a continuidade de distribuição de sacolões bem como retomada das feiras e do projeto de transição da Agroecologia para certificação orgânica”, explicou Alberto.

Manejo dos animais

Entre as novidades para estes projetos está a participação da pesquisadora da Embrapa Adriana Araújo, que apresentou aos agricultores a proposta de realização de um trabalho junto as aves das propriedades. A zootecnista explica que os animais são uma importante fonte de renda dentro de uma área produtiva, e se manejados da forma correta podem aumentar os lucros significantemente, com pequenos ajustes que não necessitam de grandes investimentos. “Observamos que a galinha é a espécie predominante nos sistemas de produção familiares, e para que essa criação realizada em quintal agroecológico seja bem-sucedida é preciso que seja entendido seu funcionamento, desenhado essa sistemática, sempre respeitando o protagonismo do produtor e buscando melhorias na produtividade, com redução de impactos na poluição de solo e água.”, detalhou a pesquisadora.

Sacolão Agroecológico

Em março de 2020, por conta da pandemia da Covid-19 e o consequente fechamento das feiras institucionais, das feiras livres e a suspensão do PNAE, a equipe do NEAP junto com os agricultores instituíram um programa denominado “Sacolões Agroecológicos Solidários”, com a entrega de um kit de produtos (sacolão) a domicílio, a partir de pedidos feitos por meio de aplicativo de comunicação por celular.

O pico do número de entregas ocorreu em julho/2020, com a entrega de 60 sacolões por semana. As entregas foram diminuindo em seguida, em função das dificuldades de produção relacionadas à seca extrema sofrida em 2020 e pela reabertura das feiras livres em novembro. A equipe do projeto cadastrou 138 consumidores, dos quais 71 para entregas semanais, 60 para quinzenais e 7 para entregas mensais. A equipe coordenou os cadastros de consumidores, divulgou as ofertas e coordenou as entregas. O programa foi suspenso em dezembro de 2020, depois de chuvas torrenciais que prejudicaram a produção. Mas ele foi retomado em março de 2021, e seguiu sob a coordenação feita pelos agricultores de maneira  independente até maio, quando se conseguiu uma bolsista por um projeto de extensão da UFMS, que auxiliou na coordenação. Novamente os trabalhos foram suspensos em início de dezembro, e agora serão retomados sob coordenação do próprio grupo.

Alberto explica que esses produtores tiveram uma forte queda nos seus rendimentos com a pandemia. A venda virtual dos sacolões amenizou a situação atual, mas não foi suficiente para manter a renda que obtinham anteriormente com as feiras e com as políticas públicas. Porém, essa experiência pode vir a ser um novo canal de comercialização no período pós-pandemia.

Grupo Bem Estar

Grupo informal de produtores em transição agroecológica Bem-Estar é constituído por sete famílias que residem no assentamento 72, localizado no município de Ladário. O Grupo foi criado informalmente em 2015,  como resultado de um trabalho em conjunto com a Embrapa Pantanal e UFMS de introdução de tecnologias agroecológicas, planejamento, organização da produção e organização social desses agricultores iniciado em 2011. A partir de 2013 que passaram comercializar seus produtos nas feiras livres e a partir da constituição do grupo estão iniciaram a preparação para o para venda dos produtos como produtos orgânicos de venda direta sob controle social. Em 2016 iniciaram a venda em feiras agroecológicas realizadas semanalmente nas três instituições parceiras do NEAP (UFMS, IFMS e Embrapa).

Com a pandemia, os trabalhos do processo de produção agroecológica para o de certificação orgânica foram interrompidos e terão que ser recomeçados agora. “Os próximos desafios do grupo será vencer os obstáculos que uma certificação orgânica exige, principalmente por se tratar de um sistema idealizado para uma produção de monocultura, o que não se aplica aos agricultores do grupo. Não é um processo rápido e simples, mas estamos buscando novas parcerias que venham a somar no processo, a fim de capacitar e orientar o grupo de forma que esta transição ocorra de acordo com as demandas e necessidades de cada família atendida”, concluiu Feiden.

Fonte: Embrapa

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ARTIGO – Como a rentabilidade dos plantios florestais é impactada pelo financiamento do Programa ABC

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Autores:
– José Mauro Magalhães Ávila Paz Moreira – Engenheiro Florestal, doutor em Ciências na área de Concentração em Economia Aplicada, pesquisador da Embrapa Florestas, Colombo, PR
– Gabriela Grizang Zancanaro –  Engenheira Florestal, consultora independente
– Elisabete Vuaden – Engenheira Florestal, doutora em Engenharia Florestal, professora Associada da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Dois Vizinhos, PR
– Flávio José Simioni – Engenheiro-agrônomo, doutor em Engenharia Florestal, professor Associado da Universidade do Estado de Santa Catarina, Lages, SC

O estabelecimento de plantações florestais é um dos seis programas do Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC), sendo uma das tecnologias sustentáveis de produção do setor agropecuário brasileiro para responder aos compromissos de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) do agronegócio nacional assumidos pelo país. Segundo dados da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), a expansão da área com florestas plantadas entre 2013 e 2018 foi de 1,75 milhão de hectares, mas o Plano ABC participou com menos de 634 mil hectares. 

A disponibilização de linhas de financiamento que se adequassem às especificidades do setor era uma solicitação antiga, atendida inicialmente pelo Programa de Plantio Comercial e Recuperação de Florestas (Propflora) em 2002, e incorporada ao Programa ABC em 2012. Mas qual o impacto que esta linha de financiamento pode efetivamente trazer nos indicadores de rentabilidade da atividade de florestas plantadas?

Para responder a esta pergunta, analisamos de forma separada o fluxo de caixa de um empreendimento de florestas plantadas para energia no estado de Goiás, e o fluxo de caixa do investidor florestal, após sua alteração com a entrada e saída dos recursos disponibilizados pelo Programa ABC. Clique aqui para acessar o estudo completo.

Foram analisados 15 cenários e a inserção dos recursos do Programa ABC melhorou a rentabilidade do Valor Presente Líquido (VPL) em oito, e a Taxa Interna de Retorno (TIR) em doze. Os cenários nos quais a inserção do Programa ABC piorou o resultado econômico foram cenários extremos, com valores acima de 10% ano da taxa de juros do financiamento, ou com taxas de juros reais acima de 5% ao ano (taxa de juros do ABC acima da inflação), valores nunca observados desde o início da política pública até o momento. Além disso, reduziu a sensibilidade do indicador VPL em relação a variações na Taxa Mínima de Atratividade (TMA) do investidor. 

A melhora do VPL resulta de dois movimentos conjuntos, ligados à ação dos juros e da inflação sobre o capital: 1) a redução dos valores reais (descontada a inflação futura esperada) dos pagamentos das parcelas do financiamento no fluxo de caixa, resultante da inflação; 2) a taxa de juros real (já descontada a inflação) paga pelo produtor para o financiamento ser menor do que a taxa de juros real (a TMA) paga para o capital do próprio produtor, o que reduz o custo total com juros do fluxo de caixa, aumentando o valor do VPL. O que explicaria então a baixa adesão à esta linha de financiamento tão importante para o setor de florestas plantadas entre os anos de 2015 e 2018?

Neste período ocorreram dois movimentos em várias regiões do país que podem auxiliar na busca por esta resposta. Um foi o aumento das taxas de juros do Programa ABC, que saltaram de 5,0% ao ano em 2013 e 2014 para cerca de 8,0% ao ano em 2018, impactando de forma significativa a atratividade a linha de financiamento para os produtores de florestas; outro foi a elevada oscilação de preços que ocorreu em várias regiões onde o plantio de florestas se expandiu com reduzido planejamento e conhecimento do mercado florestal por parte dos agricultores. 

Mas, mesmo com estes movimentos, nossos estudos mostram que o ABC ainda é atrativo, o que evidencia, por outro lado, que existe falta de conhecimento e informação para a tomada de decisão que apoiem os produtores para que se sintam mais atraídos e confortáveis em plantar florestas. 
Uma delas, de extrema importância, seria uma maior disponibilidade de informações sobre o mercado florestal, como preços pagos nas regiões, inventário do ativo florestal disponível e um mapeamento dos consumidores de produtos florestais, que podem auxiliar no planejamento da produção tanto por produtores como por consumidores de produtos florestais, contribuindo para um melhor ajuste no mercado e redução das oscilações de preço dos produtos. O MAPA já incluiu estes direcionamentos como ações indicativas do Plano Nacional de Desenvolvimento de Florestas Plantadas.

A taxa de juros do Plano Safra 2021/22 para o Plano ABC é de 7,5% ao ano nominal. Com as atuais taxas de inflação, esta taxa real é negativa, e ainda será em torno de 3% ao ano acima da inflação se o Brasil voltar à meta de inflação de 4,5% ao ano, estando este cenário dentro daqueles onde a linha apresentou resultados positivos ao produtor. O principal cuidado que o produtor deve ter é com um melhor conhecimento do mercado florestal na sua região, com o planejamento florestal e tratos silviculturais do seu plantio, de forma a minimizar o impacto que possíveis alterações de preço possam ter na rentabilidade do seu negócio. Quando os preços dos produtos (receitas) e insumos e serviços (custos) variam a diferentes taxas, o pressuposto de preços constantes da análise deixa de ser válido, alterando o resultado da análise, sendo necessário refazer os cálculos para a tomada de decisão.

Visando minimizar este risco e dar maior segurança ao produtor, grandes consumidores de madeira, como empresas de papel e celulose, já estão estabelecendo estratégias de contratos com seus produtores parceiros e fomentados com garantia de preço mínimo para madeira, como uma forma de reduzir estas oscilações. A conclusão que chegamos é que a linha de financiamento do Programa ABC é importante para o desenvolvimento da cadeia produtiva de florestas plantadas, trazendo impactos positivos para o produtor florestal, mas que a sua baixa adesão se deve a outros fatores, que o mercado, em parceria com as instituições governamentais, já está buscando solucionar.

Fonte: Embrapa

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