AGRO & NEGÓCIO

Relatório anual do centro de pesquisa traz modelo inovador usado por grandes empresas

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A Embrapa Solos (Rio de Janeiro-RJ) lançou seu relatório anual referente ao ano de 2019. O documento reúne as principais práticas de gestão e os destaques nas áreas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação alcançados pelo centro de pesquisa.

“O colegiado de gestores da Embrapa Solos ficou muito feliz com a mobilização de vários colegas em contribuir para o documento, ainda mais no período que atravessávamos, logo no início da quarentena. Acredito que atingimos o objetivo, que era motivar as equipes, ilustrar como o Macroprocesso de Inovação está na nossa unidade e mostrar como geramos valor para a sociedade. E a ideia foi esta. Reunirmos tudo que fizemos em 2019, no Relatório Institucional. Vamos tentar manter e inovar no relatório do ano que vem, o dos 45 anos, contando com os colaboradores”, diz a chefe geral Petula Ponciano.

A proposta do relatório seguiu o modelo de capitais proposto pelo britânico Conselho Internacional de Relatórios Integrados (IIRC, da sigla em inglês), onde são apresentados os capitais que impactam e são impactados no decorrer do processo de geração de valor para a sociedade. Assim, a própria equipe da Embrapa Solos pode observar, de forma sistêmica como interagimos com o ambiente externo e quais os nossos capitais para gerar valor no curto, médio e longo prazo. Além de demonstrar como os capitais estão alinhados à missão, visão e valores do centro de pesquisa, atuando em núcleos temáticos, que resultam em inovações, soluções tecnológicas e políticas públicas que geram impactos para a sociedade.

“Atendendo demanda da chefia geral que me pediu para elaborar um Relatório Institucional inovador fui em busca do que as empresas fazem no Brasil e no Mundo. Aí que entra o IIRC, o qual estabelece padrões de relatórios integrados para empresas públicas e privadas em âmbito mundial. Então, percebi que algumas empresas no Brasil como Petrobras, Bradesco e Itaú já utilizam o modelo de capitais sugerido pelo IIRC. Reparei que este modelo se adequava muito à realidade da Embrapa, pois ele foca no processo de geração de valor, ou seja, como a Empresa gera valor para a Sociedade, utilizando seus capitais: humano, intelectual, social e de relacionamento”, esclarece a analista Eliana Quincozes. Ela conta ainda que elaborou a estrutura do relatório adaptado para a realidade da Embrapa, apresentando-a para a pesquisadora Maria José Zaroni, do Núcleo de Desenvolvimento Institucional (NDI), e para a chefe geral. Elas aprovaram e Quincozes e Zaroni começaram a elaborar os textos. Após essa etapa, vários setores da Embrapa Solos foram contactados para fornecerem informações, com a Eliana e a Maria adequando os textos.

Quase todo centro de pesquisa colaborou, com um resultado positivo, envolvendo as equipes, inclusive com importante participação da UEP Recife.

Pretende-se que, de agora em diante, o relatório seja feito anualmente.

O Relatório Anual da Embrapa Solos está disponível aqui, ele tem nove capítulos (Mensagem da chefia, Sobre o relatório, Visão geral da organização, Como geramos valor para a sociedade, Planejamento estratégico e governança, Ações da gestão ambiental, Riscos e oportunidades, Pesquisa, desenvolvimento e inovação e Políticas públicas), em 85 páginas.

Fonte: Embrapa

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AGRO & NEGÓCIO

Sorgo biomassa BRS 716 da Embrapa garante altas produtividades em condições de seca

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Além do elevado potencial para a produção de biomassa, com forte apelo para a geração de energia em usinas, a cultivar de sorgo BRS 716, desenvolvida pela Embrapa, tem mostrado grande versatilidade de cultivo em condições de pouca chuva na segunda safra, após a colheita da soja. Nessa época de semeio é possível produzir forragem para o gado e cobertura do solo para o sistema plantio direto. Essas constatações foram obtidas por meio de experimento realizado em parceria entre a Embrapa Milho e Sorgo e a Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp (Universidade Estadual Paulista) Campus de Botucatu-SP. O estudo revelou que, mesmo sob condições limitantes de água em razão do período de cultivo, a cultivar chegou a produzir quase 14 toneladas por hectare de matéria verde. Os dados foram apresentados em novembro durante a 9ª Jornada Científica e Tecnológica da Faculdade de Tecnologia de Botucatu, sendo que o trabalho foi premiado como a melhor apresentação oral na área de Agronegócio.

O sorgo biomassa da Embrapa foi usado em um experimento conduzido há 16 anos pela Unesp no município paulista de Botucatu, onde são semeadas em teste, na primavera, diferentes opções de plantas de cobertura. “O objetivo do trabalho foi avaliar o comportamento da cultivar de sorgo BRS 716 como opção de cultivo de inverno para a produção de silagem, sendo que o interesse em testar essa espécie se deve à necessidade de encontrar culturas com tolerância à seca, principalmente para sistemas agrícolas de sequeiro e para regiões que apresentam inverno seco”, explica o professor do Departamento de Produção e Melhoramento Vegetal da Unesp Juliano Carlos Calonego, um dos autores do trabalho.

A região de Botucatu, em São Paulo, tem grande aptidão para a pecuária leiteira e é também polo na produção de gado de corte, aves e suínos. “É muito importante termos opções de cultivos de inverno para a produção de alimento para o gado, principalmente para cultivos tardios, saindo da época recomendada para o milho safrinha”, destaca Calonego. Segundo o professor, outra necessidade para a região é a avaliação de culturas que possam ser usadas como plantas de cobertura no sistema plantio direto, pois, de acordo com ele, “esta espécie (sorgo), pela capacidade de crescimento que apresenta na rebrota, passa a ser potencial cultura produtora de palha para proteção do solo e ciclagem de nutrientes”. “A cultivar BRS 716 demonstrou ter crescimento rápido, com alta produtividade de matéria seca e tolerância ao déficit hídrico, que são critérios importantes para escolha da planta que será usada na cobertura do solo”, endossa o professor. 

 

Rotação de culturas e sistema plantio direto são as melhores escolhas

O objetivo da equipe da Unesp e da Embrapa Milho e Sorgo foi avaliar a produção de silagem a partir de três culturas em dois sistemas de manejo do solo: no sistema plantio direto e também com o uso do método conhecido como escarificação, que promove a descompactação, operação feita a cada três anos no estudo em questão. A área do experimento avaliada no sistema plantio direto é sempre cultivada com soja na safra de verão, semeada sob a palhada das culturas anteriores, sendo que, desde o início da implantação do experimento, foram cultivados milheto, sorgo e crotalária. No início do período seco do ano passado (ano agrícola 2018/2019), a cultivar de sorgo BRS 716 foi semeada com espaçamento de 45 centímetros entrelinhas e densidade de 145 mil plantas por hectare. O sorgo foi cultivado até o ponto de silagem, sendo que a colheita foi realizada em agosto de 2019.

De acordo com o professor da Unesp Juliano Calonego, a produção de matéria verde e seca do sorgo para silagem atingiu, respectivamente, 13.933 quilos por hectare e 6.672 quilos por hectare. “Cabe ressaltar que essas quantidades de biomassa no ponto de ensilagem foram obtidas com 126 dias de cultivo e apenas 170 mm de chuva acumulada entre a semeadura e o momento da avaliação”, afirma. Para se obter boa taxa de cobertura do solo, segundo o pesquisador Ramon Costa Alvarenga, da Embrapa Milho e Sorgo, é necessário produzir acima de seis mil quilos por hectare de matéria seca de palhada. “Portanto, com os resultados obtidos, apenas o milheto na rotação de culturas atendeu, muito embora o sistema de cultivo imposto no experimento há 16 anos mostre que os aportes de cobertura vegetal propostos pelos tratamentos estão próximos deste potencial, com exceção do cultivo do solo com escarificação a cada três anos”, conclui o professor Calonego.

 

Publicação recém-lançada pela Embrapa traz resultados

A Embrapa Milho e Sorgo acabou de publicar o Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento intitulado “Sorgo biomassa BRS 716 para produção de forragem e palha em sistema plantio direto e preparo convencional com soja“. O documento apresenta detalhes da condução do experimento, com as avaliações da produção de biomassa dessa cultivar de sorgo em sistema de preparo convencional do solo e em sistema de plantio direto com diferentes doses de nitrogênio em cobertura na cultura de cobertura, assim como o efeito na produtividade da soja em sucessão, cultivada sobre a palhada de sorgo. 

“As produtividades obtidas nos dois sistemas demonstraram o grande potencial desta espécie na produção de biomassa, mesmo em épocas de restrições hídricas, características do período entre o outono e a primavera”, elenca o pesquisador Emerson Borghi, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo. Para acessar a publicação, clique aqui. O sorgo biomassa BRS 716, segundo o pesquisador Rafael Augusto da Costa Parrella, da mesma Unidade da Embrapa, quando semeado no período de verão, sem restrição hídrica, tem capacidade de atingir até seis metros em apenas 180 dias, apresenta alto teor de fibra (de 20% a 25%) e baixo teor de umidade (em torno de 50%). Possui boa sanidade, resistência ao acamamento e adaptação ampla a diferentes regiões do Brasil. Veja onde encontrá-lo em www.embrapa.br/busca-de-solucoes-tecnologicas/-/produto-servico/4654/sorgo-biomassa-brs-716 .

Abaixo, veja as produtividades alcançadas (tanto de matéria verde quanto de matéria seca) pela cultivar de sorgo BRS 716 em ponto de silagem no sistema plantio direto com rotação de culturas com milheto, sorgo e crotalária, comparado ao manejo do solo com escarificação, feita a cada três anos.

 

 

 

 

 

 

Conheça os autores do trabalho:

Emerson Borghi – Pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo

Gustavo Ferreira da Silva – Doutorando em Agronomia (Agricultura) – Unesp | FCA-Botucatu-SP

Juliano Carlos Calonego – Professor Doutor em Agronomia (Agricultura) – Unesp | FCA-Botucatu-SP

Rafael Augusto da Costa Parrella – Pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo

Matheus Simões Antônio – Graduando em Engenharia Agronômica – Unesp | FCA-Botucatu-SP

Larissa Chamma – Doutoranda em Agronomia (Agricultura) – Unesp | FCA-Botucatu-SP

Bruno Cesar Ottoboni Luperini – Doutor em Patologia (Cebrac – Centro Brasileiro de Cursos de Botucatu-SP)

 

 

Fonte: Embrapa

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