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Protocolos para volta às aulas no Rio preocupam comunidade escolar

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O ano letivo começa de forma presencial nas escolas públicas estaduais e municipais do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (7). As aulas serão retomadas em meio ao avanço dos casos de covid-19 em todo o país. A Agência Brasil entrevistou professores, funcionários, estudantes e responsáveis sobre essa retomada e sobre as principais preocupações. 

Cristiane Rodrigues é merendeira na rede municipal. Ela é também mãe da Sofia, 6 anos, que este ano vai cursar a 1ª série do ensino fundamental. “A gente está com medo de novo. Ainda não resolvi o que vou fazer”, diz Cristiane, que recentemente passou por uma cirurgia. Seguindo o calendário divulgado pela prefeitura do Rio, Sofia iria se vacinar neste final de semana.

No ano passado, a escola da filha chegou a retomar as aulas presenciais. Cristiane conta que ficou “com o coração na mão”. “Fizemos um treinamentozinho de ficar de máscara dentro de casa para ela ir se acostumando. Ela levava várias máscaras dentro da mochila. Eu ia com ela no ônibus e ia conversando que não podia tirar a máscara. Uma das coisas que me preocupava era a condução. A gente tentava ir mais cedo para pegar o ônibus mais vazio”. 

Para Cristiane, a solução seria adiar o retorno presencial e exigir comprovante de vacinação. “Eu acho que primeiro teria que adiar, colocar todas as crianças vacinadas”, defende. 

Creche 

Na creche e na pré-escola, o retorno presencial também é preocupação da agente de educação infantil Sabrina Damasceno. “Educação infantil é trabalho com contato. Não tem como trabalhar com bebês e crianças de até 5 anos sem tocar essas crianças”, diz. “Se chora, a gente tem que dar afeto, não tem como. Não tem essa dimensão de que o aluno vai fazer as coisas por ele mesmo, porque não vai fazer”. 

Outra preocupação é que as crianças não são vacinadas, pois a vacinação contra a covid-19 é voltada para quem tem 5 anos ou mais. “A gente está protegido, mas a criança não está. O nosso medo é a criança, além de transmitir para a família, transmitir para nós, os funcionários, e para outras crianças do ambiente escolar o vírus, porque não estão imunizadas. Sem ter certos princípios de não contato, não tem como não ter aglomeração”, diz Sabrina. 

Sabrina trabalha na Creche Municipal Renascer e, de acordo com ela, a unidade está sem equipe de limpeza por conta do fim do contrato com esse serviço. A limpeza do ambiente é uma das recomendações para evitar a propagação da covid-19. 

Sabrina é também mãe de Júlio, 16 anos, que está no ensino médio, e de Bianca, 13 anos, que está no ensino fundamental. “Com eles é menos complicado, você consegue instruir para não dar abraço, para não ficar aglomerando. Fico mais tranquila de que vão cumprir melhor o protocolo. Fico preocupada com a educação infantil”, diz. 

Ensino Médio 

O Colégio Estadual Hebe Camargo, que oferece ensino médio integrado à educação profissional, está, segundo o diretor-geral da escola, William Menezes, preparado para receber presencialmente os estudantes. A escola se planeja também para, se necessário, manter um grupo em ensino online. “Os protocolos contra a covid estão sendo adotados completamente”, afirma. Entre as ações estão o distanciamento dos estudantes, uso obrigatório de máscaras, aulas em espaços mais amplos, como no auditório e a medição de temperatura. 

“Respeitando as medidas e entendendo que hoje tenho realidade diferenciada e que tenho que ter respeito maior ao outro, é possível [o retorno presencial]”, diz Menezes. Com a implantação do novo ensino médio e aulas práticas de educação profissional, o diretor acredita que o ensino presencial é mais adequado ao aprendizado dos alunos. 

No ano passado, a escola fez ações para incentivar a vacinação e, mesmo não sendo obrigatório, os estudantes apresentaram os comprovantes da imunização. “Os alunos voluntariamente entregaram os comprovantes. No ano passado, no final de outubro e novembro, foram enviando o comprovante, mais por pedido do que por obrigação. Isso serve mais para monitoramento do que para exclusão”, diz. De acordo com o diretor, todos haviam se vacinado. 

Davi Guedes, 17 anos, é um dos estudantes do Colégio Estadual Hebe Camargo. Este é o último ano escolar dele, que ingressa agora no 3º ano do ensino médio. Segundo ele, as aulas presenciais farão diferença no aprendizado. “Com certeza, porque você tem ali um professor para ajudar você”, diz. 

Davi faz parte do grêmio estudantil da escola e conta que os próprios estudantes estão se organizando para o ano letivo. “A escola oferece medição de temperatura, todos os dias. As cadeiras são bem divididas, com distanciamento inclusive no refeitório e, como grêmio, a gente tenta manter o distanciamento entre os alunos, o máximo que a gente consegue. Sempre tem álcool em gel na escola, então tudo que tem que pegar, a gente passa álcool em gel para se prevenir. O protocolo funciona muito bem entre os estudantes na escola”, conta. 

Falta de proteção  

De acordo com a coordenadora geral do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe) e professora da rede municipal, Izabel Costa, o retorno presencial e o aumento dos casos de covid-19 é assunto constante entre os profissionais da educação nas reuniões e nos grupos de WhatsApp. 

“Ficamos preocupados porque não queremos que a sociedade fique contra os profissionais de educação. Queremos o retorno presencial o mais rápido possível, mas para nós, o poder público, os governantes, eles sim precisam responder se vamos ter um retorno presencial com proteção, garantindo saúde e vida ou um retorno presencial que vai gerar mais aglomeração, contaminação e maior número de estudantes e profissionais de educação afastados do trabalho e dos estudos porque contraíram covid no interior da unidade escolar”, diz 

Segundo Izabel, medidas como um retorno gradual, com grupos menores de estudantes, fornecimento de máscaras adequadas, aceleração da vacinação de crianças ou mesmo esperar que esse processo seja concluído, exigência de passaporte vacinal dos alunos e dos adultos que entrarem nas escolas podem contribuir para uma retomada mais segura. 

Izabel conta que, no ano passado, nas escolas onde trabalha, viu alguns estudantes que iam com máscaras que eram “simbólicas só para dizer que estava coberto porque eram fininhas. Chegava no ponto da escola não ter dinheiro para comprar máscara”. Outra ação necessária é adequar os ambientes físicos das escolas, muitas delas sem a ventilação e o espaço adequado nas salas de aulas. 

A professora ressalta também a situação exposta por Sabrina, de que há escolas que estão sem serviço de limpeza e que isso não se restringe à unidade da agente de educação infantil. 

Protocolos 

Sobre a limpeza nas escolas, procurada, a Secretaria Municipal de Educação do Rio informou que alterou a contratação do serviço de limpeza entre 2021 e 2022. “Até o ano passado, estava em vigor um contrato emergencial. Desde o início de 2021, foi iniciado um processo licitatório para contratação do serviço de limpeza das escolas, oferecendo assim um processo com maiores vantagens para o setor público. Nesta transição, estão sendo realizados alguns ajustes na prestação do serviço em algumas unidades, agora com novos prestadores, mas o atendimento nas escolas não será comprometido”, diz a pasta. 

As secretarias Municipal e Estadual de Educação, em conjunto com as secretarias de Saúde informam que prepararam protocolos sanitários para o retorno 100% presencial. 

De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Sociedade Brasileira de Pediatria, a segurança na volta às aulas presenciais em meio à onda de transmissão de covid-19 provocada pela variante Ômicron depende do engajamento de toda a comunidade escolar, incluindo os responsáveis.

Edição: Fábio Massalli

Fonte: EBC Saúde

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Covid: Vacinas salvaram 20 milhões de vidas em um ano, aponta estudo

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Covid: Vacinas salvaram 20 milhões de vidas em um ano, aponta estudo
LuAnn Hunt/Pixabay

Covid: Vacinas salvaram 20 milhões de vidas em um ano, aponta estudo

As vacinas contra a Covi-19 salvaram quase 20 milhões de vidas durante o primeiro ano de sua existência, segundo estimativas feitas por pesquisadores do Imperial College London. O estudo foi publicado na revista The Lancet Infectious Diseases. Os cientistas consideraram os imunizantes da Pfizer, AstraZeneca e Moderna.

O trabalho calculou os benefícios das vacinas e chegou à conclusão de que os imunizantes salvaram 19,8 milhões de vidas em 185 países nos primeiros 12 meses de uso. Os cientistas estimaram que 12,2 milhões de vidas foram salvas em países ricos e mais 7,5 milhões de vidas foram salvas em países cobertos pela iniciativa Covid-19 Vaccine Access (Covax), projetada para fornecer vacinas a nações mais pobres.

No entanto, os pesquisadores também descobriram que mais 600 mil mortes poderiam ter sido evitadas se a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de vacinar 40% da população em todos os países até o final de 2021 fosse cumprida.A maioria das mortes evitáveis ocorreu no continente africano. Atualmente, apenas 60% da população mundial recebeu as duas doses primárias de uma vacina contra a Covid.

Das vidas salvas, os especialistas estimam que 15,5 milhões delas foram resultado dos imunizantes que protegem contra sintomas graves de Covid. Estima-se que outras 4,3 milhões de mortes foram evitadas indiretamente pelas vacinas de Covid, ajudando a reduzir a transmissão e impedindo a sobrecarga dos sistemas de saúde.

No estudo, os pesquisadores afirmam que a aplicação das vacinas representou uma redução global de 63% no total de mortes (19,8 milhões de 31,4 milhões) durante o primeiro ano de vacinação contra a Covid-19.

O estudo analisou dados sobre taxas de vacinação, mortes por Covid e excesso de registros de óbitos. Especialistas da Universidade Johns Hopkins estimam que 6,3 milhões de pessoas morreram de Covid em todo o mundo. Enquanto isso, cerca de 11,6 bilhões de imunizantes foram entregues.

“A alta proteção em nível individual contra doenças graves e mortalidade devido à Covid-19, bem como o benefício em nível populacional proporcionado pela proteção leve contra a infecção pelo coronavírus (antes do surgimento da variante Ômicron), conferida pela vacinação, alterou fundamentalmente o curso da pandemia de Covid-19”, escreveram os pesquisadores no estudo.

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Fonte: IG SAÚDE

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