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Projeto transforma solos degradados em produção e renda para agricultores no Pará

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Aumentar a produtividade da mandioca em um solo degradado, e ainda intercalar com milho e feijão caupi na mesma área, parecia impossível para agricultores da comunidade Lajedo II, assentamento a 60 quilômetros do município de Marabá, na região Sudeste Paraense. Mas a parceria da comunidade com a pesquisa e a extensão rural mostrou que nada é impossível quando se tem informação e vontade.

“Nas áreas com as boas práticas de produção, saímos de uma terra degradada, de pastagem, e no primeiro ano de cultivo saltamos de 12 toneladas por hectare para quase 30 toneladas de raízes de mandioca por hectare”, conta Arley Petrônio Martins da Silva, agricultor e técnico rural, morador do assentamento Lajedo II.

No local, os resultados do projeto Mandiotec, executado pela Embrapa Amazônia Oriental e financiado pelo BNDES, por meio do Fundo Amazônia, mostram que com tecnologias simples, boas práticas de manejo e a capacitação de comunitários e técnicos, é possível produzir mais e melhor na mesma área, garantindo mais segurança alimentar, renda e menos pressão ao meio ambiente.

O agrônomo Raimundo Brabo, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, conta que as  ações do Mandiotec na região iniciaram em 2019 com a instalação de quatro Unidades Demonstrativas (UDs) no assentamento. “Escolhemos Lajedo II por ter um histórico de referência em produção de mandioca e pecuária de leite na região”, conta o especialista. Mas o uso intensivo do solo, as queimadas sucessivas e a baixa qualidade das roças, vem trazendo prejuízos à produção. 

Das 200 famílias que residem no assentamento, 25 toparam o desafio de participar do projeto e atuar nas áreas de demonstração, que funcionam como vitrines. O agricultor Ronildo Chaves Pedrosa Timóteo, que é presidente da Associação dos Produtores Rurais de Lajedo II, diz que o fogo é um vilão que degrada a terra e prejudica a produção. Então, ele continua, “pegar uma área já degradada e tornar ela produtiva foi a primeira vitória nessa batalha”, afirma.

 

Tecnologias simples e boas práticas de produção

As Unidades Demonstrativas instaladas em Lajedo II apresentaram aos agricultores dois sistemas de produção de baixo custo e com resultados surpreendentes: o Trio da Produtividade e o Sistema Bragantino. Neles foram utilizadas variedades de mandioca desenvolvidas pela pesquisa da Embrapa, com a BRS Mari, BRS Poti e BRS Bragantina, além de variedades selecionadas pela comunidade na própria região, como o Vermelhão e o Manivão.

Boa semente, espaçamento e capinas

A maniva semente é o galho da planta que serve como muda para o plantio. Escolher manivas sementes mais produtivas é fundamental para uma boa roça. 

O Trio da Produtividade é um conjunto de boas práticas para o cultivo da mandioca, que a partir de técnicas simples, como um arranjo espacial e capinas regulares associadas a materiais genéticos (manivas sementes), de boa qualidade, possibilitam o aumento da produtividade.

“O sistema é destinado aos agricultores familiares que não dispõem de recursos para a compra de adubo, pois trata apenas da seleção da maniva semente, plantio no espaço de um metro por um metro e controle de plantas daninhas nos cinco primeiros meses da cultura”, explica o agrônomo Moisés Modesto, analista da Embrapa Amazônia Oriental.

Correção de solo, plantio direto e consórcio 

Outra tecnologia empregada em Lajedo II é o Sistema Bragantino, que dispensa o uso do fogo, utiliza a tecnica de plantio direto, preconiza a correção do solo e adubação, e integra o plantio de mandioca a culturas alimentares, como milho e feijão. Na comunidade, os agricultores também inseriram no sistema abóbora e melancia, o que diversificou ainda mais a produção e contribuiu para a segurança alimentar dos agricultores e suas famílias.

Para o técnico e agricultor Arley Petrônio da Silva, “o sistema possibilitou um plantio mais adensado com maior aproveitamento da área, melhorou e diversificou a produção, trazendo mais possibilidades aos produtores locais”.

Mais produção e renda na ponta do lápis

Quando levou os resultados das Unidades Demonstrativas de Lajedo II para a ponta do lápis, o agrônomo Moisés Modesto se surpreendeu. “O Trio da Produtividade obteve uma produção de 34 toneladas de raiz de mandioca por hectare. A relação entre o custo de produção e a receita foi positiva. Para cada real investido na roça com o uso da tecnologia retornaram R$ 3,44 ao agricultor”, destaca o analista.

A conta também fechou positiva para o Sistema Bragantino: a produtividade da mandioca saltou de 12 para 29 toneladas por hectare e ainda teve a produção do milho. “A possibilidade de ter várias culturas ao mesmo tempo, na mesma área e por tempo indeterminado é o grande diferencial desse sistema”, afirma Modesto.

Os resultados de 2020 também envolveram capacitações e visitas técnicas para agricultura e técnicos da extensão rural, dia de campo e reunião técnica. E mais três Unidades Demonstrativas já foram implantadas em 2021.

Desafios futuros

Outro resultado importante do trabalho, destacado pelo pesquisador Raimundo Brabo, é também a articulação da comunidade com a Secretaria de Agricultura de Marabá, que com as técnicas empregadas e a maior segurança na produção poderá trazer a mecanização até o assentamento Lajedo II. “Associar a mecanização ao uso de fertilizantes e boas práticas, pode elevar ainda mais a produtividade das roças, chegando a 35 toneladas por hectare”, relata o especialista. Isso significa um aumento de 42% na produtividade atual da mandiocultura no local.

Mas a comunidade ainda tem desafios, segundo o pesquisador Raimundo Brabo. Ele destaca a integração do cultivo da mandioca à pecuária leiteira, que é outra atividade importante em Lajedo II. “Conciliar a agricultura à pecuária é um desafio para garantir ainda mais a segurança alimentar e a renda das famílias”, afirma o pesquisador.

Para o agricultor Ronildo Chaves Pedrosa, o desafio é fazer com que outros agricultores do assentamento também adotem as novas técnicas de produção. “Pra mim, como presidente da associação, fazer com que todos os agricultores conheçam as áreas do projeto e levem essas práticas para dentro dos seus lotes é o maior desafio agora”, afirma. Mas ele acredita que os resultados positivos vão influenciar toda a comunidade. 

Fonte: Embrapa

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Sistema de alerta dará orientações mensais para produtores de pêssego na entressafra

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De maio a agosto, meses anteriores à safra do pêssego no Rio Grande do Sul, a equipe envolvida no Sistema de Alerta para a Mosca-das-frutas irá elaborar boletins mensais com orientações aos produtores da Região de Pelotas e da Serra Gaúcha. Os boletins extras serão disponibilizados na primeira semana de cada mês, onde serão compartilhadas informações para a melhor condução dos pomares até o período da colheita. A iniciativa é coordenada pela Embrapa Clima Temperado (Pelotas, RS) e pela Embrapa Uva e Vinho (Bento Gonçalves, RS), com apoio da Emater/RS-Ascar.
 
Na região de Pelotas, o monitoramento dos pomares e da mosca-das-frutas é realizado durante o ano inteiro, a partir do acompanhamento da infestação desses insetos-praga. Mas, o envio de orientações ocorria apenas durante a safra. Neste ano, no entanto, a equipe optou por disponibilizar edições mensais de boletins informativos para garantir a sanidade das plantas na entressafra para ambas as regiões. No primeiro boletim extra, de maio, estão orientações para controle da cochonilha e da bacteriose, além de recomendações para a implantação de novos pomares.
 
“O objetivo é passar para o produtor e divulgar as informações relativas aos tratamentos fitossanitários, principalmente, durante a época da entressafra. Então, até o mês de agosto, essas informações vão ser passadas pelo boletim, conforme vinha sendo feito durante a safra, que vai de agosto a dezembro na Região de Pelotas e de agosto a fevereiro na Região da Serra”, explica o pesquisador da Embrapa responsável pelo Projeto, Dori Edson Nava.
 
Envios dos boletins
 
Durante a safra, os boletins são publicados no site do projeto e enviados semanalmente, por e-mail e WhatsApp, para representantes da cadeia produtiva em ambas as regiões participantes, com adaptações nas orientações de acordo com cada realidade. Os boletins também são veiculados em jornal local, no caso da região de Pelotas, publicados em grupo do Projeto no Facebook e adaptados para o rádio. O envio dos boletins extras mensais seguirá o mesmo processo.
 
Sobre o Sistema de Alerta
 
O projeto teve início na safra 2010/2011 na região de Pelotas, sob coordenação da Embrapa, em parceria com o setor produtivo e instituições de ensino, pesquisa e extensão. A partir do monitoramento das moscas-das-frutas nos pomares de pêssego, uma equipe técnica se reúne para avaliar os dados coletados e fazer indicações para o manejo mais adequado na semana. As informações integram boletins enviados a representantes da cadeia produtiva regional no período da safra. Desde 2017, o trabalho também passou a ser realizado na Serra Gaúcha, com foco nos pomares de pêssego para mesa.
 
Na região de Pelotas, esse trabalho conta com o envolvimento dos municípios de Pelotas, Morrro Redondo e Canguçu e respectivas secretarias de Agricultura; Universidade Federal de Pelotas (UFPel); Sindicato da Indústria de Doces e Conservas Alimentícias de Pelotas (Sindocopel); Associação dos Produtores de Pêssego da Região de Pelotas (APPRP); e Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pelotas. Já na Serra Gaúcha, a iniciativa conta com o apoio do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) e dos municípios de Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Cotiporã, Farroupilha, Nova Pádua, Pinto Bandeira, São Marcos e Veranópolis.
 
Fonte: Embrapa

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