Cuiabá

Projeto prevê priorização de professores, quilombolas e indígenas na vacinação

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Carol Siqueira | Secom Câmara Municipal de Cuiabá

A vereadora Edna Sampaio (PT) protocolou nesta terça-feira (13.04) na Câmara Municipal de Cuiabá projeto de lei que prevê a priorização de quilombolas, indígenas que vivem na área urbana da capital, a população ribeirinha, os profissionais da Assistência Social, profissionais da educação, além de outros profissionais dos serviços essenciais na vacinação contra a Covid-19. O projeto segue para a Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) para tramitação.

O projeto determina que, na primeira fase, sejam vacinados respectivamente os profissionais da saúde os idosos de 80 anos ou mais de 75 a 79 anos de 70 a 74 de 65 a 69 de 60 a 64 anos e de 60 anos ou mais que estejam institucionalizados. Desse modo, amplia o grupo etário da primeira fase, uma vez nestes grupos há maior concentração de óbitos.

Edna defendeu a vacinação dos profissionais de educação do nível básico ao superior que, pelo projeto de lei, serão imunizados já na segunda fase. “Estamos nesse momento discutindo o retorno às aulas na Assembleia Legislativa, e com um decreto municipal que abre tudo, mesmo diante do alto número de óbitos e internações e não foi feita nenhuma medida de isolamento social obrigatório no município. Os profissionais da educação precisam ser vacinados. Sem vacina, não tem como esses trabalhadores irem para as escolas”.

O documento aponta que mais de 60 professores foram vítimas da Covid e ressalta o aumento do risco de contágio em caso de reabertura das escolas sem a imunização da categoria. “Os alunos, de uma forma geral, já foram prejudicados demasiadamente com o ensino remoto, sem estrutura por parte das escolas, porém, submeter os profissionais da educação ao risco diário de contaminação, sem qualquer imunização não é maneira mais adequada para a retomada das aulas presenciais”, diz um trecho.

“Nosso projeto de lei visa resgatar alguns grupos que são vulneráveis e que não foram incluídos no plano de vacinação do município. Embora Cuiabá não tenha quilombos urbanos reconhecidos, há quilombolas vivendo em Cuiabá em busca de oportunidade e que precisam ser vacinados. Têm várias famílias indígenas vivendo na cidade, que não foram vacinadas porque não estão em aldeias”.

Também na segunda fase, seriam imunizados os povos indígenas que vivem na capital, comunidades tradicionais ribeirinhas e quilombolas da zona urbana, seguidos dos assistentes sociais que trabalham com atendimento ao público.

Na terceira fase, seria a vez dos pacientes com comorbidades, profissionais da saúde que estão afastados por serem do grupo de risco, das pessoas com deficiência, profissionais do serviço funerário, do transporte coletivo e da limpeza urbana.

O projeto prevê ainda que a Secretaria Municipal de Saúde apresente relatórios semanais com a quantidade de doses recebidas, aplicadas e disponíveis para cada grupo prioritário e as estimativas de público a ser atendido.

Para a parlamentar, a indefinição quanto aos grupos prioritários está causando confusão e favorecendo irregularidades e a falta de transparência tem prejudicado a ação dos órgãos de controle institucional e social.

Resultado

Na avaliação da vereadora, o fato e a prefeitura ter se movimentado para descentralizar a vacinação é resultado da pressão popular sobre o prefeito Emanuel Pinheiro e da visibilidade alcançadas pelas ações judiciais impetradas.

Desde o início do mandato, Edna Sampaio tem cobrado da prefeitura a transparência na gestão do programa de vacinação e a criação de uma estratégia municipal para o combate à pandemia.

No final de março, ela protocolou um mandado de segurança junto ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) contra Pinheiro e a secretária de saúde, Ozenira Félix, denunciando a superlotação no centro de eventos do Pantanal e cobrando com urgência a criação de novos postos e a adoção do sistema drive-thru.

No mesmo período, ela e o deputado estadual Lúdio Cabral (PT) acionaram o TJ-MT pedindo que a Justiça obrigasse o governo e município a pagar, imediatamente, um salário mínimo para as famílias de baixa renda e, ao mesmo tempo, criarem políticas de transferência de renda para as famílias mais pobres.

Na decisão, o juiz Alexandre Elias Filho, do TJ-MT, convocou os executivos estadual e municipal para prestarem esclarecimentos sobre as ações de transferência de renda em execução nas duas instâncias. “Ainda aguardamos a decisão da Justiça e, temos esperança de que o clamor do povo empobrecido seja ouvido pelo Judiciário, pois, é imoral que alguns se enriqueçam ainda mais com a ajuda do Estado, em plena pandemia, enquanto a maioria dos trabalhadores é empurrada para a morte por Covid ou para a fome, sem que nada seja feito por quem tem o poder de fazer”, afirmou a vereadora.

Neusa Baptista / Assessoria de Comunicação da Vereadora Edna Sampaio

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Cuiabá

Beco do Candeeiro recebe bênçãos da Lavagem do Rosário e São Benedito

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“Na beira da praia, Ogum Sete Ondas, Ogum Beira Mar” foi o que se escutou as margens da Prainha, no Beco do Beco do Candeeiro, na noite da última sexta-feira (11). O projeto Afro Sagrado, executado pela Associação Lavagem das Escadarias Rosário e São Benedito realizou a benção dos candeeiros para celebrar a presença ancestral africana. Logo depois, o grupo musical Raízes do Samba se apresentou com repertório nacional. No local, também foi comercializado comidas típicas regionais. Os eventos realizados no Beco são promovidos pela Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer por determinação do prefeito Emanuel Pinheiro, gratuitamente e seguem todas as medidas de biossegurança.

“É preciso respeitar as raízes do povo cuiabano, respeitar a fé tão diversa da nossa gente. A gestão Emanuel Pinheiro restaurou o Beco do Candeeiro para ser lugar de encontro, de exaltação da arte, da cultura, das tradições e vamos cada vez mais, promover a paz e união neste lugar tão simbólico da nossa Capital”, disse o prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro.

Do agogô, instrumento Yoruba que se assemelha a um sino, veio o primeiro som. Daí por diante a cadência foi sendo construída. Das cabaças dos afoxés o som balançava até se fundir com a vibração dos atabaques. O ritmo se encorpava para que a bandeira da Paz dançasse no salão do Museu da Imagem e do Som (MISC). Ainda era só ensaio para o que viria a ser apresentado em instantes na rua 27 de Dezembro.

Às 19h, Ogum Beira Mar inundou o Beco do Candeeiro com seu exército branco. Chegou para abençoar, ocupar espaço de direito, por uma cultura de paz e tolerância. Eram os integrantes da Associação da Lavagem das Escadarias Rosário e São Benedito adentrando a primeira rua iluminada de Cuiabá com seu axé.

“Hoje para nós é um momentos especial, é quando a Prefeitura de Cuiabá nos reconhece como movimento cultural da Capital. Quero agradecer a todos que estão aqui, todos somos Lavagem e todos buscamos um espaço dentro do contexto histórico dessa cidade. Estar dentro do Beco do Candeeiro, um local restaurado para nós povo afro brasileiro é muito importante para nós”, disse Lindsey Catarina, presidente da Associação da Lavagem das Escadarias Rosário e São Benedito.

Enquanto a Lavagem passava, o coração pulsava no ritmo dos dedos que tocavam o atabaque. O som reverberava nas pedras cangas que pareciam recordar os passos que retornavam para casa. O retorno das raízes afro brasileiras, da capoeira, do siriri e cururu, velhas conhecidas do Beco do Candeeiro.

“Quero dizer que é um prazer e uma emoção muito grande estar perto de um povo de fé. Quem conhece minha família sabe que a minha casa sempre esteve aberta para todos. Eu tenho muito orgulho de estar aqui e peço que me vejam e sintam sempre como uma irmã de vocês. Que Deus e Oxalá abençoem todos nós, muito axé para todo mundo”, disse a secretária Carlina Rabello Leite Jacob, que participou de toda a procissão pelo Beco e também esteve ao lado da presidente da Lavagem, Lindsey Catarina e do padre Hugo no momento simbólico de soltura de uma pomba branca pela paz. O secretário-adjunto de Cultura, Justino Astrevo também esteve presente no local.

Dos jarros com flores segurados pelas baianas vieram a água de cheiro que lavou a rua e os que assistiam e participavam do ritual. “Senhora do Rosário foi quem me trouxe aqui. Senhor do Rosário, foi quem me trouxe aqui. A água do mar é santa, eu vi, eu vi, eu vi”, cantava o exército branco, enquanto ramos de flores encharcados atiravam água perfumada e abençoada pelo ar.

“Eu tinha a fama de ser o padre mais macumbeiro da minha cidade, Campo Grande. Estou aqui como Igreja e digo que temos muito a que pedir perdão. Peço perdão a todo povo negro que teve que esconder seus orixás atrás de imagens de santo. Esse é o momento de pedir perdão, momento de que nossos ancestrais nos perdoem. Este momento é de abençoar este lugar que também já foi de sofrimento. Que nossos orixás nos abençoem, abram nossos caminhos e os purifiquem, axé”, disse padre Hugo, que representou a Paróquia Anglicana da Virgem Maria, no bairro Jardim El Dorado durante a benção.

A Associação da Lavagem dedicou o ritual em homenagem ao já falecido maestro Edinaldo Ferreira. No início da celebração foi feito um minuto de silêncio pelo falecimento da jornalista cultural, ex-assessora de imprensa da Prefeitura de Cuiabá, Alessandra Barbosa, falecida na sexta-feira (11).

Toda a programação no Beco do Candeeiro é realizada com entrada franca e limitada a 70 pessoas, respeitando as medidas de biossegurança em decorrência da pandemia da COVID-19.

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