AGRO & NEGÓCIO

Produção de leite orgânico no Brasil tem projeto de pesquisa aprovado na Embrapa

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A Embrapa aprovou neste mês o projeto que viabiliza o “Observatório do Leite Orgânico”. O objetivo do Observatório é realizar o mapeamento e a caracterização dos sistemas de produção de leite orgânico no país, catalisando informações sobre esse modelo de produção, que ganha cada vez mais adeptos no setor produtivo (veja tabela ao final desta reportagem). “A ausência de dados a respeito da produção orgânica, nos diversos elos da cadeia, é o principal gargalo para o crescimento do setor no país”, diz o analista da Embrapa Gado de Leite, Fábio Homero Diniz. Segundo ele, o Observatório irá reunir em uma única plataforma dados e informações sistematizadas sobre a cadeia agroalimentar do leite orgânico.

A expectativa é realizar uma ampla caracterização e monitoramento territorial das fazendas orgânicas de leite, com dados sobre o tamanho do rebanho, produtividade, ambiente e avaliação da eficiência dos sistemas. A plataforma também conterá dados sobre fornecedores de insumos como grãos e sementes orgânica e medicamentos. A pesquisadora da Embrapa Gado de Leite, Fernanda Samarini Machado, diz que essencial para o crescimento do setor ter poder contar com uma plataforma digital, aglutinando informações: “A produção de leite orgânica é diferenciada, principalmente por não adotar insumos químicos e da dificuldade em adquirir bioinsumos”. O Observatório fará uma intermediação entre os elos da cadeia produtiva, com informações sobre canais de distribuição e circuitos de comercialização.

Raio X – A ideia de se criar o Observatório surgiu em 2019, a partir de diálogos com representantes dos diversos elos da cadeia. Em 2020, foi realizado um estudo prospectivo sobre a pecuária leiteira orgânica nacional. O próprio estudo é uma prévia do potencial do Observatório e da lacuna que ele irá cobrir. “Na época, identificamos 96 unidades de produção orgânica; enviamos um questionário aos produtores para subsidiar o projeto e obtivemos 39 respostas”.  A partir daí, foi possível obter um pequeno Raio X do setor. A pesquisa revelou que os rebanhos são compostos predominantemente de animais Holandês-Gir, Holandês-Jersey e Jersey. A área média das propriedades é de 270 hectares (mínimo de três ha e máximo de 2.980 ha), com área média dedicada à pecuária orgânica de 81,5 ha. Veja outros dados identificados na prospecção:

– Produção/dia:  média de 930 litros (variando de 60 L/dia a 5.000 L/dia);

– Produção média/vaca: 14 L/dia;

– Tamanho médio dos rebanhos: 78 vacas (variando de cinco a 310 vacas), sendo 57 vacas em lactação.

– Sistema de produção: Pasto = 46%; Semiconfinamento = 53%.

– O pastejo rotacionado: 89% das fazendas.

Para 72% dos produtores entrevistados, a atividade leiteira orgânica representa a principal fonte de renda, enquanto 34% dos produtores realiza outra atividade orgânica além da produção de leite (olericultura, produção de café e milho). Os problemas sanitários apontados foram: mastite e endo e ectoparasitoses. Foram destacados também o pouco conhecimento em manejo orgânico e a falta de consultoria técnica especializada, além da necessidade de se reduzir a burocracia do processo de certificação, com maior clareza das normas e menor custo. Entre os principais desafios identificados na pesquisa, destacam-se a dificuldade de comercialização da produção, além da escassez e alto preço dos insumos orgânicos, como milho e soja.

Segundo Fernanda Machado, embora a produção de leite em sistemas orgânicos represente um percentual muito pequeno em relação a produção total de leite, o Brasil apresenta condições técnicas e ambientais para o aumento da oferta de leite e derivados orgânicos. Mas ela alerta que aspectos mercadológicos, relacionados a disponibilização de insumos, comercialização da produção, demanda por assistência técnica especializada, além questões burocráticas relacionadas à certificação podem limitar esta oferta. “Os desafios dos atores da cadeia produtiva são grandes e o Observatório surge como uma ferramenta para vencê-los”, conclui Diniz.

Unidades de Produção de leite orgânico entre 2018 e 2020

Estado

Unidades de produção em 2018

Unidades de produção em 2020

São Paulo

11

45

Santa Catarina

27

7

Paraná

20

14

Rio Grande do Sul

4

4

Minas Gerais

6

11

Rio de Janeiro

1

8

Acre

1

1

Pará

1

1

Paraíba

1

1

Alagoas

1

1

Bahia

1

1

Distrito Federal

1

1

Espírito Santo

1

1

TOTAL

76

96

 

Fonte: Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos – MAPA. Elaboração: Embrapa Gado de Leite

Fonte: Embrapa

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Embrapa e Sindag estendem cooperação para novos estudos sobre controle aéreo de pragas

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           A Embrapa e o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) estenderam, até março de 2025, a cooperação técnica para novos estudos sobre pulverização aérea com produtos químicos e biológicos para o controle aéreo de pragas, em culturas voltadas à segurança alimentar e energética. Essa etapa inclui novos parceiros e tecnologias para a produção agrícola, como o uso de drones, além de aviões tripulados.

          O foco será em quatro culturas – arroz, algodão, milho e soja – com três eixos de atuação: o controle da deriva (desvio que ocorre na pulverização em aplicação agrícola); a metrologia (qualidade e efetividade das medidas); e o controle de pragas (fundamental num país de clima tropical como o Brasil).

          Para contribuir com a produção de alimentos e bioenergia nas plantações que utilizam a pulverização aérea, a nova etapa envolve oito centros de pesquisa da Embrapa, onde serão realizados desenvolvimentos e experimentos: Instrumentação (SP), Meio Ambiente (SP), Milho e Sorgo (MG), Cerrados (DF), Mandioca e Fruticultura (BA), Algodão (PB), Soja (PR) e Clima Temperado (RS),

          A parceria também inclui as universidades federais de Lavras e de Uberlândia, a USP e o Instituto Federal de Primavera do Leste, além da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – para a construção de uma rede de inteligência que possa discutir a própria política pública do setor (sanidade vegetal).

Maior controle e menor impacto

          “Estamos falando de um ambiente altamente complexo (não linear), que necessita uma ação de pesquisa para poder orientar um processo baseado em boas práticas, que tragam melhor resultado de controle e menor impacto ambiental e social ao próprio processo produtivo”, explica o pesquisador da Embrapa Instrumentação, Paulo Cruvinel.

          O coordenador técnico da Embrapa lembra que “não tem solução única para tudo”, por isso, serão testados sistemas adaptativos incluindo, junto às aeronaves agrícolas tripuladas, o uso de drones (não tripulados) com sistemas de pulverização, e controle terrestre. Serão utilizadas tecnologias avançadas de aprendizado de máquina, inteligência artificial e sensores inteligentes aplicados às realidades biológicas das pragas nas culturas.

         Segundo o presidente do Sindag, Thiago Magalhães Silva, nos próximos meses deve ocorrer a definição de projetos e a busca de recursos para as pesquisas e, a partir daí, a execução do cronograma em campo. No Brasil existem cerca de 2,3 mil aeronaves, a segunda maior frota aeroagrícola do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos (3,6 mil).

Dos gafanhotos à agricultura de precisão

          O controle aeroagrícola de pragas no Brasil começou em 1947, por causa de uma praga de gafanhotos na região de Pelotas (RS). Já a parceria entre a Embrapa e o Sindag iniciou em 2008; entre 2013 e 2017 foi executado o projeto “Desenvolvimento da Aplicação Aérea de Agrotóxicos como Estratégia de Controle de Pragas Agrícolas de Interesse Nacional”, que entregou 92% dos resultados previstos dos estudos em lavouras de soja, arroz e cana-de-açúcar no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

            Na avaliação de Cruvinel, para o novo projeto a evolução tecnológica da indústria e da agricultura 4.0 aponta para o controle realizado por máquinas que operam coletivamente, e a aplicação localizada para o controle de pragas ou plantas invasoras, baseado nos conceitos de Agricultura de Precisão.

           “Buscamos a otimização do melhor equipamento para a praga específica, empregando conhecimentos científicos e técnicos que precisam levar em conta o fator agronômico, o clima, o solo da região pesquisada, para garantir a que as culturas pesquisadas sejam cada vez mais competitivas”, finaliza o pesquisador.

Fonte: Embrapa

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