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Pré-candidatos à presidência, Pacheco e Tebet protagonizam embate no Senado

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Senadores Simone Tebet (MDB-MS) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), no ano passado
Marcos Oliveira/Agência Senado

Senadores Simone Tebet (MDB-MS) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), no ano passado

Apresentados pelos seus partidos como pré-candidatos à Presidência da República em 2022, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) , e a senadora Simone Tebet (MDB-MS) , protagonizaram um embate durante a sessão de promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, nesta quarta-feira.

Tebet acusou o presidente da Casa de descumprir o acordo com os senadores para garantir que a proposta promulgada iria incluir a vinculação do espaço fiscal criado à seguridade social, um dos acréscimos feitos pelo Senado ao texto original. Esse trecho, no entanto, será apreciado separadamente pela Câmara na próxima semana.

Segundo ela, ao promulgar o texto sem isso, Pacheco iria criar um precedente inédito de “desonrar um compromisso assumido com os líderes”.

“Eu não me lembro, não só nesses sete anos de Casa, mas por todos os anos que acompanhei o Senado, quando tive o prazer de andar por esses corredores com meu pai, eu nunca vi um acordo de líderes não ser cumprido. Acho que falou um entendimento no texto. Que esse texto seja construído e promulgado da forma como foi combinado junto com os líderes do Senado Federal”, afirmou Tebet.

Pacheco rebateu dizendo que autorização dos líderes do Senado para fazer um acordo com a Câmara pela promulgação apenas dos pontos comuns aprovados pelas duas Casas.

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“Nós temos que ter honestidade intelectual nisso. Eu vou pedir as notas taquigráficas e as imagens da palavra de Vossa Excelência na tribuna. Eu não fiz nenhum acordo com Vossa Excelência nesse sentido. Eu não sei qual a intenção de Vossa Excelência com essa polêmica toda”, disse Pacheco.

Ele também insinuou que Tebet estaria provocando uma discussão de cunho eleitoral para “desmoralizar” um senador:

“Não é possível que a gente fique o tempo inteiro com discussão política de cunho sabe-se lá o quê, inclusive eleitoral, para poder desmoralizar senador desta Casa.”

Este não foi o primeiro embate entre os dois. No início do ano, ambos disputaram a presidência da Casa, mas Pacheco venceu a disputa.

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POLÍTICA NACIONAL

Moro diz que divulgará na sexta-feira valores recebidos de consultoria

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 Sergio Moro
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Sergio Moro

Em reação aos questionamentos de seus oponentes e até do Tribunal de Contas da União (TCU), o ex-ministro e pré-candidato à presidência Sergio Moro anunciou que vai divulgar na próxima sexta-feira os valores recebidos por ele pelos serviços prestados à consultoria americana Alvarez & Marsal, onde atuou após deixar o Ministério da Justiça.

De acordo com aliados, o objetivo de Moro é tentar enterrar o assunto antes que ele ganhe mais força e rebater as suspeitas levantadas a respeito da sua atuação na iniciativa privada.

Segundo pessoas próximas, Moro ficou extremamente incomodado com a decisão do TCU de abrir um processo para investigar suas relações profissionais, o que considera abusiva, e sobretudo com a ameaça de parlamentares do PT de colher assinaturas para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o assunto.

Moro relatou a pessoas próximas que não quer aparentar que age a reboque da pressão. Agora, ele avaliou que o momento é mais oportuno porque a criação de uma possível CPI arrefeceu. Ainda assim, ele tem buscado reforçar que discorda da postura adotada pelo TCU.

“Não estou cedendo ao TCU, o TCU está abusando, mas eu quero ser transparente com você, com a população brasileira, como toda pessoa pública deve ser”, disse Moro, em vídeo divulgado nas suas redes sociais nesta quarta-feira.

Ontem, o procurador do Ministério Público junto ao TCU, Lucas Rocha Furtado, propôs que o órgão obtenha informações junto ao Banco Central e ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) a respeito dos honorários recebidos pelo ex-ministro. O objetivo seria verificar se houve ou não conflito de interesses no caso.

A Alvarez & Marsal administra o processo de recuperação judicial da Odebrecht, alvo da Operação Lava Jato, na qual Moro participou como magistrado. Documentos do processo mostram que o escritório no Brasil recebeu R$ 65 milhões de empresas investigadas na operação. O escritório diz que o ex-juiz não atuava em processos envolvendo essas empresas, mas o procurador argumenta que ele pode ter se beneficiado de recebimentos indiretos.

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Pessoas que aconselham Moro na área jurídica consideram que a ação do TCU não tem fundamento porque quem nomeia o administrador da recuperação judicial é o juiz responsável, a quem também cabe acompanhar e fiscalizar os serviços.

No campo político, aliados querem explorar o momento para que Moro possa se posicionar melhor sobre a o caso e ganhar visibilidade em cima disso. O deputado Bozzella (PSL-SP) diz que Moro é alvo de uma “perseguição” de parte da classe política por sua atuação como juiz federal e por apresentar uma possível ameaça aos adversários na eleição de 2022, conforme mostram pesquisas de intenção de voto, nas quais ele tem aparecido em terceiro lugar.

O parlamentar acredita que a manifestação do ex-ministro sobre a questão pode ser até positiva para ele como forma de diferenciá-lo de seus adversários.

— Como ele não tem nada para esconder, dá ainda mais força e mais condições de ele provar o que diz e mostrar quem é — afirmou Bozzella — O homem público tem que estar preparado para qualquer tipo de ataque. Então é até bom. Se continuar esse tipo de patrulhamento, dá a oportunidade de ele se expor ainda mais para a sociedade de uma forma diferente, sem prejuízo para a sua imagem.

O senador Alvaro Dias (Podemos-PR), disse que a questão dos valores recebidos por Moro e sua origem são “indiferentes”. De acordo com Dias, Moro está “seguro da lisura dos seus procedimentos”.

Outro aliado de Moro, o senador Marcos do Val (Podemos-ES) concorda que o pré-candidato deve se manifestar logo para prestar todos os esclarecimentos e evitar qualquer ruído:

— Acho positivo. Quando entramos na vida pública, tudo da nossa vida passa a ser público. E ele não precisava esperar mais à frente porque esse assunto pode render mais, então tem que matar logo na fonte. O Moro é um cara muito sério, os ataques já eram previstos. Eu faria o mesmo que ele.

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