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Plant based: alimentação baseada em plantas é tendência no Brasil

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Em qualquer visita ao supermercado, não é difícil encontrar alimentos feitos de plantas nas prateleiras. Carnes de casca de banana, almôndegas feitas de soja e até ovos feitos de linhaça são a alternativa para quem deseja ter alimentos vegetais integrais na dieta. 

Conhecida internacionalmente por ‘Whole Food Plant-Based Diet’ (WFPB), a dieta à base de plantas representa um padrão que realça a ingestão de alimentos integrais e minimamente processados em todas as refeições.

A dieta inclui frutas, verduras, legumes, castanhas, sementes, óleos vegetais, leguminosas, ervas, condimentos e tubérculos, e também evita carnes vermelhas, aves, peixes, ovos e laticínios.

Plant Based é uma das dietas mais populares dos últimos anos
Foto: Pixabay

Plant Based é uma das dietas mais populares dos últimos anos


Nos últimos anos, esse método de alimentação vêm se tornando cada vez mais popular. Dados da pesquisa realizada pela ONG Mercy For Animals (MFA) revelam que 8 em cada 10 brasileiros experimentaram produtos plant-based no primeiro semestre de 2021.

Benefícios

Segundo a nutricionista Carolina Pimentel, a dieta à base de vegetais é rica em benefícios para o corpo humano. ‘’As evidências científicas estão apontando com cada vez mais robustez que as dietas plant based oferecem maiores benefícios à saúde de uma maneira geral, mas principalmente no controle das doenças crônicas não transmissíveis (DNCT’s)’’.

Entre essas doenças, estão a hipertensão, a diabetes, a obesidade e o câncer. De acordo com dados do Ministério da Saúde, as DNCT’s foram responsáveis por  54,7% dos óbitos registrados no Brasil em 2019.

carolina
Foto: Ale Catan

Além de nutricionista e autora, Carolina é estudante de pós-graduação em nutrição clínica materno-infantil na USP

Portanto, a alimentação plant based pode ser favorável para quem sofre com algum problema de saúde. De acordo com Pimentel, a dieta regula o nível de colesterol e açúcar no sangue, além de estabilizar a pressão arterial e melhorar o controle de peso.

‘’Uma vez que as pessoas têm esse padrão de dieta, elas também têm melhores controles metabólicos. Isso aumenta a longevidade e a prevenção de doenças como a hipertensão e alguns tipos de câncer’’, declara. 

Em sua obra ’Nutrição e Alimentação Vegetariana – Tendência e Estilo de Vida’, coorganizada ao lado da Professora Sonia Tucunduva Philippi e da Doutora em Ciência de Alimentos Marcia Cristina Teixeira Martins, Carolina detalha, com base em pesquisas científicas, como a nutrição vegetariana impacta o contexto das doenças crônico-degenerativas e da longevidade.

Além dos benefícios para a saúde, a alimentação com base em plantas também tem grande impacto ambiental no planeta. A indústria pecuária, responsável pela produção de carnes, leites e ovos, é responsável por 15% das emissões de carbono em todo o mundo. 

Com a redução do consumo desses produtos, a pegada de carbono, que é a quantidade de gases de efeito estufa produzidos por cada indivíduo, também diminui.

Barreiras

Carolina acredita que a desinformação a respeito da alimentação plant based faz muitas pessoas deixarem de consumir esses produtos com maior frequência. ‘’A maior barreira é que as pessoas geralmente acreditam que uma alimentação sem carne ou com pouca carne é insuficiente’’.

Facilidade no consumo de carne e ultraprocessados afasta população de dieta baseada em plantas
Foto: Pixabay

Facilidade no consumo de carne e ultraprocessados afasta população de dieta baseada em plantas

A falta de habilidades culinárias também atrapalha o consumo, já que, segundo a nutricionista, a carne ainda é a protagonista do prato brasileiro. ‘’As pessoas não conseguem se imaginar cozinhando, por exemplo, leguminosas, como grão de bico, lentilha, ervilha ou até mesmo feijão. Elas também acham que essa alimentação pode não ser saborosa, né?’’.

Como a transformação de uma dieta onívora para a dieta com base em plantas é massiva, a nutricionista recomenda sempre a busca por um profissional para mais informações.

”Todo indivíduo que decide [entrar na dieta e deixar de comer alimentos de origem animal] deve ser orientado a buscar alternativas de vitamina B12. Isso acontece com qualquer dieta. O indivíduo que é mais carnívoro, por exemplo, tem deficiência de fibras de vitamina C’’, afirma.

Dieta

Pimentel detalha que todas as refeições com base em vegetais devem conter, obrigatoriamente, porções fixas de frutas, verduras e legumes. ‘’Podemos considerar um prato saudável como meio prato de hortaliças, um quarto de cereais e o outro quarto de proteína de origem vegetal’’.

''A dieta Plant Based também ganhou muita importância entre os profissionais de saúde'' declara a nutricionista Carolina Pimentel
Foto: Pixabay

”A dieta Plant Based também ganhou muita importância entre os profissionais de saúde” declara a nutricionista Carolina Pimentel

Na hora de decidir o que comer, optar por uma fonte de proteína pouco processada ou integral não é mais um desafio. A estudante de jornalismo, Mariana Fabiano, acredita que as opções no supermercado estão cada vez mais diversas: ‘’O mercado de alimentos plant based vem crescendo bastante e hoje temos várias opções de pratos que são tradicionalmente feitos com carne, sem nenhum produto animal, o que é interessante’’.

No mercado, as opções são múltiplas: a cada ano, diversas marcas adentram o mercado de alimentos com base em plantas. Em 2020, por exemplo, a empresa Seara estreou a ‘Incrível Seara’, linha específica para carnes feitas com proteína vegetal. 

‘’Parar de consumir carne é muito complicado quando crescemos em uma população que está acostumada a ingerir produtos de origem animal diariamente, em todas as refeições. As opções podem parecer, a princípio, que são poucas, mas hoje enxergo que não são’’, finaliza a estudante.


Fonte: IG Mulher

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Agosto lilás: Violência patrimonial restringe independência feminina

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No Brasil, milhões de mulheres sofrem com a violência patrimonial todos os dias
Foto: Unsplash

No Brasil, milhões de mulheres sofrem com a violência patrimonial todos os dias

Em celebração aos 16 anos da Lei Maria da Penha, o mês de agosto é conhecido como o mês da luta contra a violência doméstica. A lei, que foi criada em 7 de agosto de 2006, estabelece 46 artigos que buscam proteger a integridade física e psicológica da mulher. 

Entre as formas de violência doméstica descritas na legislação federal, uma das menos conhecidas e debatidas pelos brasileiros é a violência patrimonial.

O artigo 7 da Lei Maria da Penha define a violência patrimonial como “qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades”.

Na maioria dos casos, as vítimas são mulheres que não têm fonte fixa de renda e dependem de parceiros para sobreviver. “Diversos motivos podem prender uma mulher nessa armadilha, como a dependência financeira e o medo de prejudicar os filhos. Porém, a questão emocional tende a pesar mais’’, afirma Lana Castelões, advogada de família da Albuquerque Advogados.

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De acordo com a especialista, esse tipo de violência ainda é pouco denunciada no país. “A violência patrimonial é comum, porém subnotificada, tendo em vista que, na maioria dos casos, as vítimas desconhecem a possibilidade de registrar a ocorrência’’.

Brasil não tem dados formados sobre violência patrimonial
Foto: Freepik

Brasil não tem dados formados sobre violência patrimonial

Para a advogada, as vítimas não têm conhecimento das medidas legais que podem guiar a situação. Desde 2015, a falta de pagamento de pensão também se enquadra na lei. “Muitas pessoas não sabem que esse crime se encaixa quando um responsável legal, que tem recursos financeiros, deixar de pagar pensão alimentícia para a mulher’’.

Desigualdade

A desigualdade de gênero é um fator predominante nesse crime. As demandas de casa e o cuidado com os filhos geralmente restringem as mulheres na posição de ‘dona de casa’. Sem a chance de trabalharem ou conquistarem a independência financeira, essas vítimas passam a depender financeiramente e emocionalmente dos parceiros.

A pesquisadora Clara Fagundes reflete que, nos últimos anos, as mulheres ganharam mais espaço no mercado, mas ainda não existe liberdade para o gênero. ‘’Mulheres ainda são impedidas de buscar a independência financeira, seja por regras religiosas ou políticas que prejudicam a ascensão materna no mercado, seja por relações familiares abusivas ou crenças machistas’’.

A profissional afirma que a falta de representatividade, a dissociação do feminino à ideia de liderança, a priorização do amor romântico, a sobrecarga feminina com os trabalhos domésticos e a ideia sexista de que existem trabalhos de homem e de mulher são os principais fatores que afastam as mulheres dessa liberdade.

Mulheres não conseguem se libertar da violência patriarcal por diversos fatores
Foto: Fundação CEPERJ

Mulheres não conseguem se libertar da violência patriarcal por diversos fatores

“A cultura patriarcal também impacta as mulheres de forma individual. A falta de confiança é um obstáculo para muitas na busca pela sua independência. Esse fenômeno pode ser chamado de “síndrome da impostora” e leva mulheres a questionarem sua capacidade todos os dias, em casa ou no trabalho’’.

Para Fagundes, a falta de oportunidades no mercado pressiona mulheres a continuarem em relações abusivas e degradantes. “Mulheres com poder de decisão sobre a própria vida costumam ser também independentes financeiramente’’, declara.


Por mais que não existam dados nacionais sobre a violência patrimonial, o Dossiê da Mulher, produzido no Rio de Janeiro, conseguiu datificar as problemáticas em torno desse crime. De acordo com a análise, que é realizada anualmente no estado carioca, 79,3% dos casos dessa violência foram praticados dentro de casa.

Furto de documentos é uma forma de violência patrimonial que tenta apagar a liberdade e identidade de mulheres
Foto: André Leonardo

Furto de documentos é uma forma de violência patrimonial que tenta apagar a liberdade e identidade de mulheres

Entre os tipos de crime, 50,4% foram de dano, 41,8% foram violação de domicílio e 8,8% foram de roubo de documentos.

Uma das mulheres que tiveram de lidar com a violência patrimonial foi a vendedora C.I*. O crime aconteceu sem que ela percebesse: ‘’Eu tinha um relacionamento há 6 anos e era casada há 3 anos. Um dia, eu saí para trabalhar e, quando retornei, ele tinha vendido todas as minhas coisas’’, diz. “Ele sumiu com tudo, só estavam minhas roupas por lá’’.

O parceiro, na época, chegou a deixar os filhos de C.I* passarem fome. Depois dessa situação, ela percebeu que precisava terminar a relação. ‘’Foi aí que eu dei um basta em tudo’’.

Para a matriarca, é necessário muita força e coragem para conseguir ser independente. ‘’Seja forte e corajosa para dar um basta. Pode parecer o fim, pode parecer que nada mais tem faz sentido e que a dor nunca vai passar. Com o tempo, eu juro que a dor vai embora’’, finaliza.

Fonte: IG Mulher

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