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Pesquisadores mostram como PronaSolos pode auxiliar no desenvolvimento sustentável da Amazônia

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A importância do Programa Nacional de Levantamento e Interpretação de Solos no Brasil (PronaSolos) para o desenvolvimento sustentável da Amazônia foi tema, no último dia 30, de um dos eventos do 1º Workshop de Cadeias de Produção Agroflorestal Prioritárias da Amazônia, promovido pelo Núcleo Regional Noroeste da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS). Os encontros virtuais fazem parte das atividades da Zona de Desenvolvimento Sustentável entre os Estados do Amazonas, Acre e Rondônia (Amacro), uma iniciativa dos respectivos governos estaduais, com a coordenação estratégica da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

       >> Assista aqui ao workshop

O workshop Solos e Conhecimento Territorial teve início com o lançamento do livro “Solos da Amazônia Ocidental: base da sustentabilidade agrícola e ambiental” – baixe aqui. Editada pela Embrapa, SBCS, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e Universidade Federal de Lavras (UFLA), a publicação consolida parte dos conhecimentos acumulados pela Ciência do Solo, abordando aspectos relevantes sobre a microbiologia dos solos, o estado da arte sobre o plantio direto, manejo e legislação para o uso da água, manejo e ciclagem da matéria orgânica e características pedológicas e uso dos solos da região. “Este livro mostra porque a Amazônia representa um dos maiores desafios geopolíticos da atualidade, com suas imensas riquezas de recursos biológicos, minerais, hídricos e edáficos, além do seu papel determinante no futuro da humanidade, no combate às mudanças do clima e como provedora de bens, serviços e alimentos”, salientou Petula Ponciano, chefe-geral da Embrapa Solos (RJ).

Os palestrantes convidados para o workshop são das equipes da Embrapa, da SBCS e do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), três das sete instituições que compõem o comitê executivo do PronaSolos. O Ministério da Agricultura lidera o programa, que também é composto por mais cinco ministérios e pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

José Carlos Polidoro, pesquisador da Embrapa Solos (RJ) e coordenador do comitê executivo do PronaSolos, explicou que o programa tem o objetivo resolver um problema muito importante para todos os brasileiros e, obviamente, para toda a região amazônica, que é o Brasil conhecer adequadamente apenas 5% dos solos do seu território.

“Essa questão nos levou a uma mobilização nacional, que congrega atualmente mais de 40 instituições públicas e privadas, por meio de parcerias. E toda essa força institucional e essa competência técnica estarão à disposição das instituições que organizam a iniciativa da Amacro, para que produzamos as informações de solos que, integradas às informações de recurso naturais, de infraestrutura e de socioeconomia, permitam a construção de um grande plano para o desenvolvimento sustentável dessa região”, explicou.

PronaSolos como ferramenta para o desenvolvimento territorial sustentável da Amazônia

Eufran do Amaral, chefe-geral da Embrapa Acre, enfatizou a diversidade e a complexidade que compõem a Amazônia Legal, que tem dimensões continentais e ocupa 60% do território brasileiro. São 5,2 milhões de quilômetros quadrados com muita variabilidade de paisagens, sendo que 74% está situado em áreas de relevos irregulares, com montanhas, depressão e colinas; a maior bacia hidrográfica do mundo, com 6,1 milhões de quilômetros quadrados; uma megadiversidade florestal, com 2500 espécies de árvores e cerca de 40 mil espécies de plantas; uma grande diversidade de animais, com 4221 espécies conhecidas, que representa 25% das espécies do mundo; uma enorme sociobiodiversidade, com 4,8 milhões de pessoas vivendo na floresta ou em harmonia com ela e cerca de mil comunidade quilombolas e 460 mil indígenas, de mais de 220 povos diferentes; além das questões das cidades amazônicas, que abrigam 19 milhões de pessoas, ou seja, 80% da população, e dos muitos dilemas a serem resolvidos, como os conflitos fundiários, a inexistência de rede coletora de esgoto em 81% dos municípios, a falta de água encanada para um terço da população, entre outros.

Em relação aos seus solos, a região carece de um conhecimento mais aprofundado, como todo o restante do Brasil. Hoje, 84% do território amazônico estão mapeados em escalas com baixo detalhamento. “O último grande esforço para conhecer a base de recursos naturais, em especial os solos da Amazônia, foi o projeto Radan Brasil, no final da década de 1970 e início da década de 1980. É essa a informação que temos, que nos permite ter uma visão ainda míope do que temos na Amazônia”, disse o pesquisador.

É aí que entra o PronaSolos, o maior programa para a governança – uso, manejo, conservação, legislação e gestão – dos solos e das águas do Brasil, que tem a missão de mapear todo o território nacional, até 2048, em escalas iguais ou mais detalhadas que 1:100.000, adequadas para as tomadas de decisão para o planejamento e uso das terras a nível municipal e de microbacias.

Amaral explicou que já foi realizada uma priorização dos municípios amazônicos que receberão os mapeamentos de solos em curto, médio e longo prazos. “À medida que a gente avançar com o esforço de campo, laboratório de geoprocessamento e escritório, para elaborar e disponibilizar os mapas na plataforma digital, conseguiremos ter informações de solos muito mais detalhadas para o uso eficiente do território.”

Entre as oportunidades geradas a partir de um conhecimento maior da base de recursos naturais, em especial os solos, o pesquisador aponta o aumento da produtividade das áreas já convertidas, a ampliação do enfoque territorial de conhecimento do bioma, estratégias eficientes de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, fortalecimento de estratégias de incentivo dos serviços ambientais, transformação do conhecimento em resultados práticos para os que mais necessitam, promoção do encontro de saberes tradicionais e científicos, fortalecimento da agricultura familiar, contribuição para a conservação do bioma com a gestão de unidades de conservação e áreas protegidas, redução de emissões associada à produtividade e avanços para uma cultura de manejo de paisagem, com a concepção integrada de propriedades rurais, sejam pequenas, médias ou grandes.

“A Amazônia, além de um bioma, é uma formação social singular. A construção de estratégias territoriais na Amazônia exige, além do conhecimento do ambiente natural e econômico, a apreensão do universo cultural local. Por isso é importante trabalhos de etno-pedologia, que incorporem o conhecimento local tradicional”, concluiu.

Ordenamento territorial e o estudo da dinâmica da paisagem na Amazônia

Adriano Venturieri, chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental, explicou que o ordenamento é um conjunto de ações e propostas que visam à reorganização da estrutura fundiária, produtiva, ecológica e econômica de uma área urbana ou rural. É utilizado como instrumento para realizar as diretrizes oficiais do planejamento, a partir de trabalhos técnicos que subsidiem a formulação de políticas públicas que busquem o desenvolvimento sustentável dos territórios.

De acordo com o pesquisador, as propostas de ordenamento precisam, além da parte técnica, do envolvimento direto da sociedade civil, ou seja, das pessoas que vivem no território. “Por isso as propostas de zoneamento, por exemplo, precisam estar baseadas no potencial natural e também no potencial social de uma região”, apontou.

Segundo o pesquisador, é preciso viver em harmonia, pensar ao mesmo tempo na valorização e conservação da floresta, nas atividades econômicas e também no bem-estar das famílias. “Não temos como pensar em sustentabilidade se não houver o equilíbrio da sociedade em relação às atividades econômicas.”

Venturieri também enfatizou a necessidade de, ao pensar no desenvolvimento do agronegócio, levar em consideração o protocolo ambiental, associando-o à produção. E, para isso, o conhecimento mais aprofundado dos solos que o PronaSolos irá proporcionar será fundamental. 

O pesquisador mostrou os resultados de diversos trabalhos de estudos e mapeamentos de solos já desenvolvidos na Amazônia Legal e como eles já têm impactado alguns municípios e territórios por meio de auxílio a políticas públicas. Um deles é o Projeto TerraClass, desenvolvido pelo Centro Regional da Amazônia, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em parceria com a Embrapa. Com uma proposta inédita no mundo, o TerraClass é responsável por qualificar o desflorestamento na Amazônia Legal, indicando quais atividades econômicas são desenvolvidas nessas áreas ou mesmo o nível de regeneração de algumas áreas.  Tratam-se de importantes subsídios para o melhor entendimento das formas de uso e cobertura da terra na Amazônia.

Todos os dados gerados nos projetos de ordenamento e zoneamento da Embrapa estão disponíveis na plataforma SIAGEO Amazônia – acesse aqui.

Plataforma Digital PronaSolos: um legado inestimável para o Brasil

Edgar Shinzato, chefe do Departamento de Informações Institucionais do CPRM, demonstrou em tempo real a utilização da plataforma tecnológica do PronaSolos, cuja versão 1.0 foi lançada em dezembro de 2020. Por meio de um sistema de informações geográficas (SigWeb), mapas e dados de solos produzidos ao longo dos últimos 60 anos por CPRM, Embrapa, IBGE, órgãos estaduais e regionais e universidades estão disponíveis para a sociedade de forma organizada e sistematizada. 

Adicionalmente, a ferramenta do SigWeb possibilita a combinação de forma fácil e ágil desses dados e informações, por meio de mapas. A atual versão engloba o portal de dados – que disponibiliza os diferentes mapeamentos de solos e outros temas básicos, como atlas hidrogeológicos, geodiversidade etc.; e o portal do conhecimento, integrado ao SigWeb, que oferece diversas interpretações realizadas com base nos mapas de solos, como os zoneamentos dos mais diferentes fins – agroecológico, pedoclimático, potencial pedológico, aptidão agrícola, disponibilidade hídrica, mapa de teor de carbono, mapa de pH do solo, mapa de condutividade elétrica, suscetibilidade à erosão hídrica etc.

Já estão sendo desenvolvidos alguns aplicativos, de coleta de dados a campo, por exemplo, para que um usuário que tenha um dado relevante em teses, dissertações, trabalhos de iniciação científica etc possa inseri-los na plataforma. Um comitê específico irá analisar esses dados antes de publicá-los, num processo de governança já estabelecido.

“Com tudo isso, esperamos conseguir alavancar essa questão tão importante sobre o conhecimento dos solos e a organização desses dados para promover o desenvolvimento [do País]. Além de promover a integração entre instituições e pessoas que atuam na área da Ciência do Solo. A plataforma também é uma forma de conversarmos melhor”, finalizou Shinzato.   

Universidade PronaSolos para a formação de profissionais e difusão do conhecimento territorial

A SBCS, em parceria com Embrapa, CPRM e IBGE, está elaborando proposta para criação da Universidade PronaSolos, que será o módulo de treinamento e capacitação do programa. As formações e capacitações serão conduzidas principalmente pela SBCS e por universidades brasileiras que possuem programas de pós-graduação em solos e áreas correlatas em ciências agrárias, com apoio das equipes técnicas dos parceiros.

Lúcia Anjos, presidente da SBCS e professora da UFRRJ, explicou que as universidades definidas inicialmente como polo ou signatárias irão formar um consórcio para oferta de cursos de capacitação em diversas modalidades, entre elas pós-graduação lato sensu. A proposta está sendo adaptada a partir do Programa Ciência na Escola, lançado em 2019 pelo Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Treinamento e capacitação compõem um dos módulos do PronaSolos. O objetivo é ampliar o nível de conhecimento entre profissionais da assistência técnica e extensão rural e o corpo técnico capacitado para execução e interpretação de levantamentos de solos que atendam às necessidades do programa para as próximas décadas.

De acordo com a presidente da SBCS, as capacitações terão uma abordagem de ensino-aprendizagem protagonista, criativa e transversal com base em três eixos temáticos: solo e biodiversidade na paisagem para educação e sustentabilidade dos recursos naturais; agricultura e bioeconomia inseridas no nexus alimento, água, energia e meio ambiente; e tecnologia para um futuro de inclusão social, diversidade, equidade e modernidade.

Fonte: Embrapa

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Povos, solo e água se misturam no rico balaio da caatinga

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Em comemoração ao Dia Nacional da Caatinga, celebrado em 28 de abril, a Embrapa realizou, em seu canal no YouTube, uma série de quatro lives sobre o uso e o manejo sustentável do solo e da água desse bioma. Batizado de “Balaio dos Saberes da Caatinga – povos, solos e água”, o ciclo de rodas de conversa virtuais, voltado a agricultores, técnicos de desenvolvimento rural e demais interessados, teve sua terceira edição no dia 04 de maio com o tema Reúso da água e saneamento rural. Já no último dia o tema foi “Uso e manejo sustentável do solo”.

A primeira contribuição para o balaio veio do IFPB, com o pesquisador Salomão de Sousa Medeiros, com o tema saneamento ambiental e reúso de  água. Atualmente, no semiárido, há 1.100.000 cisternas para consumo humano (16 mil litros) e 202 mil cisternas para produção (52 mil litros). “Temos que avançar bastante no aproveitamento da água de chuva para produção agrícola”

Já Roseli Freire de Melo, da Embrapa Semiárido (Petrolina-PE), falou sobre o reúso da água cinza para fins agrícolas. Os principais motivos para reutilizar a água são a baixa precipitação, alta evaporação, precipitação pluviométrica irregular, água acumulada insuficiente. 

Mas afinal, o que é essa tal de água cinza? É o nome dado às águas residuais que são geradas nas atividades cotidianas em nossas casas, tais como as águas das lavagens de roupas, louças, pias de banheiro e banhos. “Os problemas gerados pelas águas cinzas sem tratamento são poluição das fontes de água, contaminação e alteração dos solos, proliferação de mosquitos e cheiro desagradável”, conta Roseli.

E porque usar essas águas cinzas? Saneamento básico na zona rural, aumento da disponibilidade hídrica, fortalecimento de sistemas de produção familiar e manter homem no campo. “Transforma-se um problema em oportunidade”, frisa Roseli.

A água cinza passa por um tratamento ates de ser utilizada no qual é usado raspas de madeira, areia lavada, brita e seixo.

Existem onze sistemas instalados um Uauá (BA).

Gherman Leal, também da Embrapa Semiárido, foi o palestrante seguinte, falando sobre as águas salobras e a biossalinidade como uma alternativa para a agricultura camponesa. “Existem cerca de 594 milhões de hectares de solos salinos na superfície da terra, em todos os continentes”, informou o cientista. “A salinidade é uma condição intrínseca ao nosso semiárido”.

Já o convidado seguinte veio de São Carlos (SP), mais especificamente da Embrapa Instrumentação, Wilson Tadeu Lopes da Silva. “Mais de 40% da população rural brasileira adota o sistema de cavar um buraco/fossa onde os dejetos sanitários são depositados, com grande risco de contaminação dos lençóis freáticos. Isso não pode acontecer, mas infelizmente é muito fácil de ser feito.” A Embrapa Instrumentação adota duas principais tecnologias de saneamento de esgoto: a fossa séptica biodigestora e o jardim filtrante.

A jovem camponesa, aniversariante, Sara Constâncio, agricultora experimentadora do Assentamento São Domingos, no Seridó Oriental Paraibano foi a última convidada do dia. “Ver essas tecnologias maravilhosas alegrou ainda mais meu aniversário”, até porque sou beneficiária de algumas dessas práticas”

Neste terceiro dia a moderação ficou a cargo de Daniel Weber, da Embrapa Solos UEP Recife.

Assista o terceiroBalaio na íntegra aqui

No último dia

No quarto e último dia do “Balaio dos Saberes da Caatinga – povos, solos e água” o tema foi o uso e o manejo sustentável do solo.

Quem deu o pontapé inicial foi a chefe geral da Embrapa Solos Petula Ponciano. “Acredito que o objetivo de promover essa ampla troca de conhecimento e experiências sobre o manejo sustentável da caatinga foi atingido”.

Os Zoneamentos da pequena propriedade foi o assunto abordado por José Coelho de Araújo Filho, da Embrapa Solos UEP Recife. “Os zoneamentos individualizam os ambientes distintos que ocorrem numa região voltados para o uso racional das terras”. Os solos vermelhos, profundos e bem drenados geralmente, são os melhores, e não poderia ser diferente no semiárido.

A saúde da terra foi destrinchada por Simão Lindoso de Souza, da UFPB. “Precisamos fazer uma reavaliação da nossa ideia de fertilidade do solo. Procuro uma abordagem mais biológica para entender a fertilidade do solo. Tento não usar o termo “fertilidade”, mas sim “saúde” da terra”. Para isso é imprescindível o aprendizado com os agricultores porque trabalhando com a terra eles sabem avaliar quais os melhores locais para se plantar, por exemplo, milho, macaxeira ou o coco.  

Já construção coletiva do conhecimento foi assunto para João Roberto Correia, da Embrapa Alimentos e Territórios (Maceió-AL). “Essa construção é o conhecimento compartilhado entre pessoas em um processo colaborativo, baseado na experiência pessoal de cada um. O aprendizado é uma atividade social e coletiva, e não solitária. É um processo no qual as pessoas criam novos conhecimentos e conteúdos de forma colaborativa.”

O saber local foi representado pela agricultora/exprimentadora Gerusa da Silva Marques, do Sítio Pedra d’Água, município de Massaranduba (PB). “Fui criada fazendo a agricultura convencional, agora estou em transição para uma agricultura agroecológica. Graças a isso tenho o prazer de alimentar não só minha família como também vender um pouco e fazer uma pequena renda extra”

A moderação deste quarto dia ficou sob a batuta de Luís de França, da Embrapa Solos UEP Recife.

Assista ao quarto dia da troca de saberes aqui

Instituições envolvidas

  • Embrapa Solos – UEP Recife
  • Embrapa Caprinos e Ovinos (CE)
  • Embrapa Semiárido (PE)
  • Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE)
  • Embrapa Instrumentação (SP)
  • Embrapa Agrobiologia (RJ)
  • Embrapa Alimentos e Território (AL)
  • Articulação Semiárido Brasileiro (ASA)
  • Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa)
  • Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
  • Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)
  • Instituto Federal da Paraíba (IFPB)
  • Secretaria de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar do RN (SEDRAF)
Fonte: Embrapa

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