AGRO & NEGÓCIO

Pesquisadores identificam fungos que estimulam o crescimento de tomate

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  • Cientistas estudaram três espécies de fungo do gênero Metarhizium que apresentaram efeitos benéficos multifuncionais em tomateiros.

  • Os microrganismos foram capazes de estimular a produção de hormônios e gerar compostos importantes para o desenvolvimento da planta além de fortalecer sua imunidade.

  • O fungo não provoca impactos ambientais, o que contribui para a sustentabilidade da agricultura.

  • Resultados abrem potencial para novos bioprodutos que reduzam o uso de fertilizantes e pesticidas químicos ou, até mesmo, o substituam.

  • Perspectiva é futuro uso combinado dos isolados M. robertsii e M. humberi, e sua aplicação deve beneficiar também outras culturas.

Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Embrapa Meio Ambiente (SP) verificaram que três espécies de fungos podem atuar como promotores do crescimento de tomateiros-anões e ainda contribuir para melhorar a imunidade dessas plantas. A equipe da USP atua no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP).

Os ensaios foram feitos com isolados de Metarhizium robertsii, M. humberi e M. anisopliae, todos nativos do Brasil. Atualmente, os fungos do gênero Metarhizium têm sido empregados no País em mais de dois milhões de hectares de cana para controle de cigarrinhas das raízes e das folhas (veja artigo sobre).

Os pesquisadores observaram que os três isolados produziram compostos importantes para a planta ao atuar na aquisição de fósforo e ferro, além de contribuírem na defesa contra doenças, esses efeitos são promovidos pelos chamados microrganismos promotores de crescimento de plantas (MPCP), grupo do qual esses fungos também fazem parte.

A partir dos resultados encontrados, os cientistas planejam o uso integrado ou combinado do M. robertsii com o M. humberi. O primeiro é mais eficiente para colonizar o tomateiro e o segundo obteve desempenho superior na produção de importantes metabólitos nos ensaios in vitro. “Por isso, juntos, eles teriam bom potencial como promotores do crescimento do tomateiro e poderão ser explorados para outras espécies vegetais de importância econômica”, avalia a recém-doutora Ana Carolina Siqueira, principal autora do trabalho que foi desenvolvido durante seu doutorado pela Esalq-USP.

O microaliado da agricultura

Metarhizium é um fungo que pode ser usado no controle biológico de pragas agrícolas, bem como promover o crescimento de plantas. É um fungo filamentoso da ordem Hypocreales e família Clavicipitaceae e usado em aplicações agrícolas como inseticida biológico. Um exemplo é o controle da cigarrinha das folhas e raízes da cana-de-açúcar.

Os estudos revelaram que as mudas inoculadas tiveram incrementos substanciais em características vegetativas e reprodutivas. A inoculação com M. robertsii produziu plantas mais altas, raízes mais longas e acumulou mais massa seca de parte aérea e raiz. Já o número de flores e a quantidade de massa fresca dos frutos aumentaram significativamente com a inoculação M. robertsii e M. humberi, em relação às plantas não inoculadas.

“Plantas inoculadas com M. robertsii ou M. humberi aumentaram a expressão de GUS, que é um promotor sintético auxina-responsivo, confirmando que o Metarhizium induz e aumenta a expressão do gene que regula a síntese de auxina na planta,” relata Siqueira. A auxina é um hormônio vegetal responsável pelo movimento que faz a planta acompanhar os raios solares e aproveitá-los melhor. A substância é fundamental para o desenvolvimento do caule, raízes e frutos.

“As três espécies de Metarhizium foram capazes de produzir o hormônio vegetal auxina em diferentes concentrações in vitro”, relata. “Também estudamos a produção de compostos-chave, incluindo enzimas, hormônios e metabólitos envolvidos na promoção do crescimento das plantas,” relata a estudante. Parte dos resultados foram publicados na revista Frontiers in Sustainable Food Systems.

Os pesquisadores atestaram que todos os isolados de Metarhizium produziram compostos que atuam na aquisição de fósforo e ferro pelas plantas e contribuem para o sistema de defesa contra doenças.

Comparação do desenvolvimento das plantas sem tratamento (grupo controle) com as inoculadas com os fungos.

Resultados podem valer para outras culturas

“Os resultados dessa pesquisa ampliam as funções benéficas desse agente de biocontrole que pode atuar também como inoculante biológico, promovendo o crescimento e vigor de plantas, não só do tomateiro, mas também de culturas agrícolas de grande importância econômica, tais como soja, algodão, milho, cana-de-açúcar, feijão, apenas para citar algumas,” relata o pesquisador da Embrapa Gabriel Mascarin, um dos coautores da pesquisa.

O cientista acredita que, diante de todos os benefícios promovidos pelo Metarhizium, é esperada a expansão de seu uso no mercado de bioinsumos. “Essa adoção deve ser acelerada e ampliada para diferentes culturas agrícolas, com a vantagem de ser um produto polivalente e que contribui para a sustentabilidade da agricultura,” analisa Mascarin.

Uma cultura de grande importância para o País

Um dos principais produtos agrícolas brasileiros, o tomate é produzido em todas as regiões, com destaque para os estados de Goiás, São Paulo e Minas Gerais, que concentram mais da metade da área e produção nacional e onde se encontram as principais indústrias processadoras de tomate.

Boas condições de solo e clima são os fatores principais da concentração do cultivo nesses estados. Estima-se, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que grande parte dos tomaticultores plantem entre um e dois hectares. Com rendimento médio de 60 toneladas por hectare, podendo chegar a mais de 80 t, dependendo da tecnologia aplicada, os custos de produção são altos, podendo chegar a mais de R$ 80 mil por hectare.

Produzido em mais de uma centena de países, o tomate está presente na mesa da população sob diversas formas, desde a mais simples salada até produtos industrializados, como molhos e extratos.

Fonte: Embrapa

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AGRO & NEGÓCIO

Embrapa e Senai lançam edital de PD&I para agroindústrias

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Nesta tarde (15/04), a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) lançaram a categoria de cooperação bilateral denominada Aliança Agroindustrial – plataforma que vai abrigar projetos de pesquisa e inovação voltados para o agronegócio em sinergia com a indústria. O objetivo da ação é promover a inovação a partir da união das capacidades e recursos das instituições em parceria com entes do setor industrial. A cerimônia virtual de lançamento da plataforma contou com as presenças da diretora executiva de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Adriana Regina Martin, e do diretor de Operações do Senai, Gustavo Leal.

A agregação de valor a commodities alimentares brasileiras pré-exportação, o aumento de produtividade e eficiência da agroindústria são alguns dos resultados esperados a partir da aproximação entre as instituições. Desde 2019, sob coordenação da Diretoria Executiva de Inovação e Tecnologia e a Secretaria de Inovação e Negócios da Embrapa, equipes dos 42 centros de pesquisa da Empresa e dos 27 Institutos Senai de Inovação (ISIs) mantêm diálogo para mapear as áreas de interesse convergente para atuação conjunta.

A Aliança Agroindustrial é uma das oito categorias existentes na Plataforma Inovação para a Indústria. O processo de submissão à nova categoria, com início previsto para o dia 20 de abril, é uma experiência piloto com função mobilizadora das redes envolvidas. SenaiI e Embrapa vão disponibilizar, ao todo, R$ 3,2 milhões para distribuição entre os projetos, conforme regras pré-estabelecidas em acordo. 

Os projetos devem ser construídos conjuntamente por Embrapa, ISI e indústria. Quem apresenta a proposta ao edital é a indústria, que tem contrapartida igual ou superior ao recurso aplicado conjuntamente por Embrapa e Senai, sendo exigido que pelo menos 50% sejam recursos financeiros. O limite de valor por projeto é de R$ 800 mil e a duração máxima será de 24 meses. 

Apesar de ainda modestos, os recursos inicialmente aportados criam expectativas positivas com relação ao futuro da plataforma. “A forma como a Aliança Agroindustrial se organiza faz com que os recursos se multipliquem. Não temos dúvida sobre o potencial inovador dessa parceria que une a pesquisa aplicada pública e a indústria, com resultados de captura de valor para reinvestimento em ciência e ampliação dos impactos já positivos do agronegócio na economia brasileira”, avalia Adriana, que ainda ressalta: “Os projetos fruto dessa parceria nos aproximam da meta de ter 40% dos portfólio da Embrapa de projetos de inovação aberta”.

Ela lembra que a parceria em PD&I entre Embrapa, Senai e Indústria começou a ser estruturada a partir do 1º Workshop Virtual de Matchmaking Senai Embrapa, realizado em agosto passado, com vistas ao desenvolvimento de acordos de implementação específicos.

Segundo aponta, entre as áreas de convergência identificadas pelas equipes das instituições a serem alavancadas por meio da parceria, o presidente cita sistemas de água e irrigação, gerenciamento de resíduos, agricultura sustentável e melhoramento de solo. Materiais e revestimentos inteligentes, robótica, agricultura orgânica, logística e transporte também têm espaço na lista das áreas a serem tratadas pela pesquisa, desenvolvimento e inovação em interação com a indústria a partir da nova Plataforma. 

Para o SENAI, a união de competências complementares de pesquisa da Embrapa e do Senai agrega valor e diminui os riscos técnicos em projetos, o que deve atrair a atenção do setor produtivo. Além disso, a Aliança Agroindustrial pode resultar na construção de uma vitrine “Agro made in Brazil” a partir da introdução de novidades no processamento de commodities alimentares, ou seja, a agregação de valor aos produtos brasileiros antes da exportação. 

“Esse é o início de uma parceria entre duas instituições para o fortalecimento da agenda do agronegócio no país. Chegou a vez da indústria e agricultura caminharem juntas com desenvolvimento tecnológico e inovação para crescimento do setor”, aponta Rafael Lucchesi. “Mais do que exportador de commodities, o Brasil deve passar a ser conhecido como país de origem e procedência de produtos agroalimentares com valor agregado, por isso o investimento numa rede de pesquisa e inovação para, em parceria com a indústria, viabilizar o investimento na criação de selos e certificações, associado a iniciativas de geomapeamento da biodiversidade brasileira”, completou.  

Como participar

A Plataforma está aberta à participação de empresas do setor industrial de todos os tamanhos, inclusive startups de base tecnológica. Para participar, é necessário enviar a ideia pela Plataforma de Inscrição, seguindo normas e cronogramas específicos de cada categoria.

Na Aliança Agroindustrial, o processo de submissão, aprovação e contratação é composto pelas etapas de Declaração de Interesse, quando a empresa proponente articula com pelo menos um ISI e uma UD para iniciar a composição de aliança e projeto; pela fase de Submissão e avaliação da Proposta de Aliança e Projeto, momento em que as partes elaboram a proposta conjunta de Aliança Agroindustrial, seguindo os requisitos indicados, para chegar à etapa de Contratação, atendendo ao que determina o regulamento geral da Plataforma Inovação para a Indústria. 

Acesse aqui para saber mais sobre o regulamento.

Mais recursos para categorias de inovação

Além da categoria Aliança Agroindustrial, a Plataforma de Inovação conta com mais R$ 14,6 milhões para investir em outras categorias de seleção, que vão ajudar o Brasil a ser mais inovador. 

A Plataforma Inovação para a Indústria é uma iniciativa do Sistema Indústria para financiar o desenvolvimento de produtos, processos ou serviços inovadores, com o objetivo de aumentar a produtividade e a competitividade da indústria brasileira, além de promover a otimização da segurança e saúde na indústria. Criada em 2004 como Edital SENAI SESI de Inovação, a iniciativa já selecionou mais de mil projetos inovadores, nos quais foram investidos mais de R$ 7817 milhões. As propostas escolhidas recebem recursos e apoio para desenvolvimento de uma prova de conceito, passando por processos de validação, de protótipo e de teste na rede de inovação e tecnologia do SENAI.

Conheça as categorias da Plataforma de Inovação para indústria

I. Aliança Industrial

A categoria busca estimular a apresentação de projetos com alto impacto inovativo por grupos de dois ou mais integrantes, que dividem o compromisso em torno de um projeto de P&DI, unindo capacidades e recursos. A Aliança deve ser composta por, no mínimo, duas empresas, um Instituto SENAI de Inovação ou um Instituto SENAI de Tecnologia, que será coordenador do projeto. A duração máxima dos projetos será de até 24 meses.

Prazo de inscrição: contínuo, a partir de 20 de abril

II. Empreendedorismo Industrial

Com parceria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), por meio da categoria, instituições-âncora apresentam chamadas para seleção de empreendedores. Cada projeto recebe investimento mínimo de 250 mil da Plataforma, podendo a grande empresa, a seu critério, empregar quantias superiores. Objetivo é estimular a conexão entre grandes indústrias e startups, micro e pequenas empresas por meio de desafios específicos lançados por empresas consolidadas no mercado.

Prazo de inscrição: contínuo, a partir de 20 de abril

III. Chamada Internacional – VINNOVA (Suécia)

Parceria com empresas suecas para o desenvolvimento de projetos P&DI nas áreas de bioeconomia, saúde, mineração e smart cities. A proposta deverá ser composta por, no mínimo, uma empresa industrial brasileira e um Instituto SENAI de Inovação operacional. Para esta categoria, o SENAI irá disponibilizar até R$ 2 milhões para distribuição nos projetos.

Prazo de inscrição: contínuo, a partir de 20 de abril

IV. Chamada Internacional – TACR (República Theca)

A parceria com a TACR, na República Theca, visa necessidades de pesquisa e inovação das empresas industriais dos respectivos países para projetos P&DI no âmbito das temáticas: energia a partir de hidrogênio; mobilidade e logística; reciclagem e gestão de resíduos; inteligência artificial. 

Prazo de inscrição: contínuo, a partir de 13 de maio

Assista no Youtube à apresentação realizada no dia 15/04 sobre as categorias da Plataforma de Inovação.

Fonte: Embrapa

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