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Perdas de água e de sedimentos em sub-bacia de Extrema, MG, mostram importância dos serviços ambientais

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A sub-bacia do Ribeirão das Posses, exemplo de grande importância ambiental não só por estar inserida nos altiplanos da Serra da Mantiqueira, mas também por fazer parte do conjunto de nascentes que compõe os principais cursos d’água que abastecem o Sistema Cantareira, foi estudada por pesquisadores da Embrapa.

Nesse estudo, foram avaliadas perdas de água e de solos, por escoamento superficial, com inferências sobre escassez hídrica e enchentes, bem como a importância dos  serviços ambientais como instrumentos fundamentais para mitigar essas perdas e/ou reduzir impactos negativos às propriedades e ao meio ambiente. 

Conforme Gomes e Pereira, pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente, esses serviços devem contemplar, inicialmente, práticas de manejo e conservação do solo, com destaque para curvas de nível e terraços, além de cordões em nível nas áreas entre os interflúvios, onde ocorrem as atividades agropecuárias. De forma complementar, o isolamento de áreas frágeis, como as nascentes, e a recomposição da vegetação nativa em diversos locais, são fundamentais para tornar esses ambientes sustentáveis no tempo.

O trabalho, realizado entre maio e dezembro de 2016, contemplou a margem esquerda do Ribeirão das Posses, próximo à nascente principal, e envolveu dois tipos de cobertura vegetal – mata nativa (10%) e pastagem (90%), em diferentes tipos de solos. 
O estudo evidenciou que as perdas de água e de sedimentos implicam em problemas para a propriedade, como a diminuição da fertilidade do solo, a diminuição na oferta de água e, consequentemente, a queda no rendimento das atividades agrícolas, o que destaca então a importância dos serviços ambientais nesse cenário. 

A retirada da vegetação nativa para o uso agrícola, sem considerar a capacidade de suporte do solo, resulta na sua imediata exposição e tem como consequência a degradação pela erosão hídrica, ocasionando perdas de partículas, agregados, nutrientes e carbono orgânico, além de reduzir a recarga de água do lençol freático. 

Com 1.196ha, essa sub-bacia está incluída como área piloto no Programa Produtor de Água da Agência Nacional das Águas (ANA), sendo a primeira a ter o Projeto Conservador das Águas implantado no município de Extrema, conforme Lei Municipal nº 2.100/05.

Gomes e Pereira enfatizam a importância do proprietário rural conhecer algumas características dos solos da sua propriedade para melhor gerenciá-la, estabelecendo os diferentes tipos de usos, de acordo com a capacidade de suporte dos solos. Com isto, estará contribuindo para a sustentabilidade da propriedade, tornando-a mais produtiva e ambientalmente mais equilibrada.

A recomposição da vegetação natural em áreas de nascentes e margens dos cursos d’água, bem como o impedimento do acesso de animais constituem serviços ambientais que contribuirão para o aumento do volume de água dos mananciais, desde a nascente. 

Nesse sentido, esclarece os pesquisadores, pode-se questionar: quanto custa as perdas de 1.143.633 m3 de água/ano e 28.670 kg de sedimentos/ano? No caso da água, considerando o custo médio do metro cúbico de R$ 3,00 ao consumidor, tem-se a quantia correspondente a R$ 3.430.899,00/ano, o que representa um valor considerável, frente às 53 propriedades rurais existentes nessa sub-bacia. No caso das perdas de sedimentos, ainda que subestimadas, o valor pode ser calculado em relação à fertilidade que corresponde a US$ 18,15 (R$ 70,78 – de acordo com o preço médio do dólar no segundo semestre de 2019) por hectare durante um ano. Nesse caso, não se considera a perda em relação ao peso do solo, mas o que ela representa em termos de gastos para reposição dos nutrientes perdidos por escoamento superficial. Com a área de 1.200 ha, tem-se então como valor de perdas de fertilidade, algo da ordem de US$ 21.780, o que corresponde a um valor em torno de R$ 85.000,00, de acordo com o preço médio do dólar no segundo semestre de 2019.

Em Extrema, o Projeto Conservador das Águas contempla o pagamento por serviços ambientais (PSA), com um valor estabelecido por hectare, independentemente se parte da propriedade está ou não degradada. Os proprietários recebem 100 UFEX (Unidades Fiscais de Extrema), o que equivale a R$ 235,00 por hectare, valor referente à 2015. Os serviços ambientais contemplados no Programa Produtor de Água incluem a recomposição da vegetação nativa nas áreas de declividade mais elevada, de nascentes e nas margens dos cursos d’água. 

O trabalho completo, de Marco Gomes e Lauro Pereira, Embrapa Meio Ambiente, Sérgio Tôsto, Ricardo Figueiredo, Sérgio Galdino e Carlos Fernando Quartaroli, Embrapa Territorial, foi publicado na Revista Terceira Margem, v.6, n. especial 16, janeiro 2021.

Fonte: Embrapa

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Embrapa Solos tem nova chefe geral

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A pesquisadora Maria de Lourdes Mendonça Santos Brefin será a nova chefe da Embrapa Solos (Rio de Janeiro-RJ), a partir do dia 1º de junho de 2021. Ela sucederá a também pesquisadora Petula Ponciano, que ocupou o cargo desde outubro de 2019.

Nascida no Maranhão, ingressou na Empresa em 1990 na própria Embrapa Solos. Ao longo de 31 anos, Maria de Lourdes adquiriu vasta experiência na área da pesquisa liderando diversos projetos nacionais e internacionais de pesquisa. Foi chefe-geral da Embrapa Solos, por dois mandatos, no período de 2009 a 2014. Foi supervisora de Inovação Tecnológica, coordenou o Núcleo de Apoio a Projetos (NAP) e fez parte do Comitê Técnico Interno (CTI) e do Comitê Local de Publicação (CLP). 

Maria de Lourdes Mendonça Santos Brefin é graduada em Agronomia pela Universidade Estadual do Maranhão (1986), mestre em Ciências do Solo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1990), mestre em Ciências Ambientais pela École Polytechnique Fédérale de Lausanne, na Suíça (1995), e doutora em Ciências, Pedologia e Geomática pela mesma instituição (1999). Possui pós-doutorado em Mapeamento Digital de Solos pela The Sydney University, na Austrália.

Sempre desenvolveu pesquisas na área de Solos em interface com Geomática, especialmente nas áreas de Pedologia Quantitativa e Modelagem Solo-Paisagem por meio de Mapeamento Digital de Solos. Tem atuado fortemente no âmbito internacional, participando e formando redes de pesquisa. É membro da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo e também do Intergovernamental Technical Panel on Soil (ITPS), da Aliança Mundial para o Solo (AMS) da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

“Minha trajetória de vida, formação e experiência como pesquisadora e como líder de PD&I nacionais e internacionais, assim como a ampla experiência em gestão institucional adquirida como chefe-geral do Centro Nacional de Pesquisa em Solos (Embrapa Solos), de 2009 a 2014, aliados à experiência em articulação que venho exercendo ao longo de minha carreira, representando a Embrapa, o Brasil e a América Latina e Caribe, além de minha recente gestão como chefe-geral da Embrapa Cocais, contribuindo para a consolidação dessa nova Unidade, me trouxeram até aqui, de volta à cellula mater, a Embrapa Solos, de cuja história faço parte desde meu ingresso na Embrapa em 1990. Esses desafios múltiplos de gestão e liderança, ajudaram a consolidar minha experiência nestes 31 anos de Embrapa, fazendo-me crer que eu possa mais uma vez contribuir, de forma agregadora e inovadora, para o fortalecimento da Embrapa Solos em seu papel preponderante frente aos desafios científicos globais e aos objetivos estratégicos e metas definidos no VII PDE”, disse Lourdes Mendonça.

Fonte: Embrapa

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