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Pelé representou “o talento absoluto do futebol brasileiro”

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Como descrever Pelé? “O nível do futebol de Pelé é absoluto. Melhor do que todos os outros. Ele tinha uma habilidade extraordinária, fisicamente era abençoado”, esta é a opinião do jornalista esportivo Márcio Guedes. Em 51 anos de carreira, o comentarista do programa No Mundo da Bola, transmitido aos domingos pela TV Brasil, acompanhou in loco momentos marcantes da vida do craque, como o gol mil e a conquista da Copa do Mundo de 1970, no México.

Com passagens por importantes veículos de comunicação como Estado de São Paulo, Jornal do Brasil, O Dia, Rede Globo, TV Record, TV Bandeirantes, Correio da Manhã, Jornal da Tarde e ESPN, o jornalista também fala nesta entrevista à Agência Brasil sobre como Pelé ajudou o futebol brasileiro a começar a ser admirado em todo o mundo.

Pelé,Seleção brasileira no aeroporto, durante excursão a Madri, junho 1966. Arquivo Nacional. Fundo Correio da ManhãPelé,Seleção brasileira no aeroporto, durante excursão a Madri, junho 1966. Arquivo Nacional. Fundo Correio da Manhã

Pelé (esquerda) e outros jogadores da seleção em Madri (Espanha) em 1966 – Arquivo Nacional/Correio da Manhã.

Agência Brasil – Qual o momento mais marcante da trajetória de Pelé?

Márcio Guedes – Destacaria dois momentos fora de série. O primeiro deles foi o milésimo gol. Este gol custou a sair. Em vários jogos ele acabou não conseguindo marcar. Chegou então o jogo com o Vasco no Maracanã, e o país inteiro estava mobilizado em torno do gol do Pelé, que acabou saindo em cobrança de pênalti. Todos queriam o gol em uma jogada de campo, mas acabou saindo de pênalti e foi uma alegria, uma festa. Foi notícia no mundo todo. Agora, quando se fala de conquista esportiva, diria que foi a Copa de 1970. Isto porque 1958 foi o início dele, quando apareceu para o mundo. Já em 1962 ele teve uma contusão no segundo jogo e ficou fora de praticamente toda a competição. Então, faltava uma participação intensa e total em um Mundial. Em 1970 ele fez uma Copa muito boa, teve também uma cabeçada no jogo contra a Inglaterra, que o goleiro Gordon Banks defendeu e que é falada até hoje. Então diria que a conquista do Tri, a importante participação dele nessa campanha, e o que ele fez na final contra a Itália, com um gol de cabeça espetacular, foi um momento marcante da carreira de Pelé.

Com três títulos, Pelé é o maior ganhador de Copa do MundoCom três títulos, Pelé é o maior ganhador de Copa do Mundo

Pelé é o único jogador de futebol a conquistar três edições de Copa do Mundo – Direitos reservados/Divulgação CBF.

Agência Brasil – Como profissional, o que representou acompanhar de perto a carreira do maior jogador de todos os tempos?

Guedes – É curioso. Naquela época havia tantos craques, uma variedade tão grande de jogadores espetaculares, que não chegou a ser uma coisa diferente como hoje em dia quando alguém acompanha Lionel Messi ou Cristiano Ronaldo. Hoje, o argentino e o português estão muito acima dos outros. Pelé estava acima dos outros jogadores de sua época, mas não era tanto assim. Tinha o Garrincha também, que tinha outro estilo, mas era um fenômeno que todos acompanhavam com grande interesse. Outro fator que pode ter servido para dispersar este fascínio é que o país ainda não era tão unido pelos meios de comunicação. Todos sabiam que Pelé era maravilhoso, mas isto só começou a aparecer de forma mais intensa no final dos anos 1960, começo dos anos 1970. Assim, penso que ele começa a ser mais falado após o final de sua carreira.

Agência Brasil – Pelé já afirmou que nunca se sentiu o rei do futebol. A alcunha é justa?

Guedes – Sim, a alcunha é justa. Isto porque o nível do futebol de Pelé é absoluto, melhor do que de todos os outros. Ele tinha uma habilidade extraordinária, fisicamente era abençoado, conseguia ganhar vários lances apenas usando o físico. Era um jogador veloz e oportunista, e até mesmo voltava para marcar os adversários, pelo menos até o meio do campo. Ele era completo, e era um atleta também. Além disso, tinha a cabeça muito boa, não criava caso com ninguém. Você vai a qualquer lugar do mundo, vai à China, ao Japão, à Coreia, à Tanzânia, você fala de Pelé e todos sabem quem é, o maior jogador de futebol de todos os tempos.

Agência Brasil – Qual a maior contribuição de Pelé para o futebol brasileiro?

Guedes – Foi a propaganda que ele fez de nosso futebol. Nos anos de 1950 nosso futebol era considerado muito sem estrutura, taticamente muito ruim. Além disso, o entendimento é que na hora da decisão perdíamos os jogos. Assim, Pelé representou a força do futebol brasileiro, o talento absoluto de nosso futebol. Ele era o maior do mundo e era brasileiro. Então, essa imagem do nosso futebol, que se espalhou por todo o mundo, foi sua maior contribuição.

Edição: Verônica Dalcanal

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Felipe Santana agradece Chapecoense pela oportunidade de poder jogar

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Após mais de dois anos sem entrar em uma partida oficial, na última terça-feira (24), Felipe Santana completou o segundo jogo com a camisa da Associação Chapecoense de Futebol. Junto com a oportunidade de voltar a jogar, chegou a reponsabilidade de substituir a altura os companheiros da posição. Dona da defesa menos vazada da competição, a equipe demonstra empenho de todos dentro das quatro linhas e a qualificação no setor defensivo. Aos 34 anos de idade, com experiência e rodagem no futebol, desde sua chegada o zagueiro buscou contribuir e repassar seus conhecimentos no dia a dia do clube.

Nesta quarta-feira (25) Felipe participou da entrevista coletiva do dia. Comentou sobre a opção de ficar fora das quatro linhas para recuperação física e demonstrou gratidão a Chape, clube que proporcionou o retorno aos gramados. “Foi uma opção que eu escolhi tomar para minha carreira, sabia que ia ser difícil, mas sou extremamente agradecido a Chapecoense pela oportunidade que me deu e fiquei imensamente feliz por fazer parte de um time que vem se reconstruindo não só como nome, mas também como equipe. Me lembro quando cheguei em junho, a equipe estava sendo desacreditada, não estava indo bem no Campeonato Catarinense, precisou de muito trabalho para que revertesse a situação e tornasse essa situação de título. Isso se transpôs para o Campeonato Brasileiro, quando o atleta tem confiança pra jogar as coisas tendem a fluir, nossa equipe readquiriu confiança, começou a prospectar coisas grandes pro campeonato, minha parcela de contribuição entra no momento em que tem uma mentalidade de campeão, mentalidade vencedora, que sempre tive e por sorte quase todos os clubes onde passei fui campeão”.

Foto: Guilherme Griebeler /ACF
Foto: Guilherme Griebeler /ACF

A felicidade em contribuir com o grupo foi destacada pelo zagueiro. “Fico muito feliz em voltar ajudar, voltar a jogar, claro que tive que respeitar um processo, até porque a zaga da Chapecoense vem fazendo um grande campeonato com a defesa menos vazada”.

Após a derrota para o Cruzeiro, na última rodada da Série B, o Verdão iniciou a preparação para enfrentar o Guarani. Por fim, o zagueiro relata aprendizado para o restante do Campeonato Brasileiro. “Futebol tem essas situações, ocorrem de uma hora pra outra, uma vitória ou uma derrota. O Cruzeiro durou por apenas 12 horas, pra nós é claro que a derrota nos machuca assim como vitória nos deixam feliz, mas faz parte do jogo em nenhum momento queríamos perder essa invencibilidade de 19 jogos. Aprendemos com essa partida, assim como a gente aprendeu também na partida contra o Sampaio Corrêa, onde iniciamos perdendo a partida e corremos atrás. Infelizmente contra o Cruzeiro isso não conseguiu se realizar, mas faz parte do futebol, bola pra frente”.

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