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Painel sobre bioinsumos e degustação de sucos de maracujás marcam segundo dia da Embrapa na AgroBrasília 2022

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Na sequência da participação na AgroBrasília 2022, a Embrapa integrou na tarde de quarta-feira (18) o painel “Bioinsumos, as alternativas de correção e adubação no atual cenário”, com palestra do pesquisador Eder Martins, da Embrapa Cerrados (DF). Pela manhã, foi promovida uma degustação e teste de sucos de maracujás para os visitantes da vitrine de tecnologias. 

Principal feira agropecuária do Planalto Central, a AgroBrasília é promovida pela Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (COOPA-DF) no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, na região do PAD-DF, no Distrito Federal. Iniciado na última terça-feira (17), o evento vai até o próximo sábado (21). Confira a programação da Embrapa aqui.

O painel sobre bioinsumos debateu a nova regulamentação, em discussão na Câmara dos Deputados, proposta pelo Projeto de Lei 658/2021, que traz regras detalhadas sobre Ceci a classificação, o tratamento e a produção de bioinsumos no Brasil por meio do manejo biológico on farm, e ratifica o Programa Nacional de Bioinsumos. Autor do projeto, o deputado Zé Vitor (PL/MG), apresentou, via webconferência, as principais mudanças propostas com a regulamentação.

O pesquisador Éder Martins apresentou o tema “Remineralizadores como solução regional do manejo da fertilidade do solo”, explicando como esses produtos podem ser utilizados em conjunto com os bioinsumos. Ele falou sobre o papel dos agrominerais silicáticos na melhoria da qualidade do solo; os efeitos no aumento da capacidade de troca de cátions (CTC) e da capacidade de retenção de água (CRA) do solo, no aumento da eficiência de uso de nutrientes e no aumento da atividade biológica no solo, em convergência com os bioinsumos; o potencial de contribuição para a mitigação de gases de efeito estufa e o aumento da estabilidade do carbono no solo; além da situação atual da adoção dos remineralizadores de solo no País.

Ele explicou que rochas moídas de agrominerais silicáticos podem servir tanto como fertilizantes naturais ou industrializados quanto como remineralizadores de solos, com capacidade para corrigir o alumínio do solo e de fornecerem diversos macronutrientes como nitrogênio, potássio, fósforo e cálcio, além de micronutrientes como cobre, níquel, boro e zinco. Os fertilizantes naturais e remineralizadores são produzidos apenas por moagem desses agrominerais.

Tanto os remineralizadores como os condicionadores de solo promovem o aumento da CTC e do pH do solo, diminuem a perda de nutrientes e estimulam a atividade biológica do solo e das raízes. “A única diferença é que o remineralizador forma novas fases minerais, que ficam no solo no longo prazo. Isso é uma novidade importante desse tipo de insumo”, disse.

Os remineralizadores são regulamentados pela Lei 12.890/2013 e pela Instrução Normativa 5/2016 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). “A remineralização dos solos já existe na natureza. Uma cinza vulcânica é uma rocha moída a partir de processos naturais de moagem, transporte e deposição”, exemplificou. “No Brasil, não temos vulcões ativos. Mas a mineração faz a moagem, depois nós transportamos e aplicamos no solo, imitando a natureza”, completou.

O pesquisador lembrou que os solos tropicais são muito antigos e intemperizados, tendo perdido grande parte dos minerais primários, ricos em silício, cálcio, magnésio e potássio, bem como da CTC, pela lixiviação ao longo do tempo. Por outro lado, as plantas mais cultivadas são oriundas de regiões de solos jovens e ricos em minerais primários. “Para aproximarmos os solos agrícolas tropicais dos centros de origem dessas plantas, aplicamos esses insumos minerais e fazemos a remineralização desses solos, aumentando o potencial do reservatório de cátions na camada mais superficial”, afirmou.

A partir do biointemperismo, processo em que as raízes das plantas e organismos vivos do solo interagem com o remineralizador, são liberados nutrientes. Ao mesmo tempo, ocorre a rápida formação de minerais secundários, que permanecem no solo em longo prazo e formam novas propriedades na camada onde o remineralizador foi aplicado. Martins citou o exemplo da biotita, que ao ser atacada por um fungo do solo, se transforma em vermiculita, liberando silício, magnésio, ferro e, principalmente, potássio, além de aumentar a CTC do solo.
Existem cinco grupos de agrominerais silicáticos, que podem ser ricos em magnésio (ultramáficos), em cálcio (calcissilicáticos), em cálcio e magnésio (básicos), em potássio (rochas alcalinas) ou em cálcio, magnésio e potássio (rochas ultramáficas alcalinas).

O pesquisador mostrou estudo de eficiência agronômica de diferentes fontes de agrominerais potássicos indicando variações de 40% a 80% de eficiência, além do aumento da disponibilidade de outros nutrientes como o potássio e aumento da produtividade em culturas como a do café arábica. Em outra pesquisa, a adubação com o agromineral biotita sienito promoveu aumento da disponibilidade de nitrogênio e potássio no tecido vegetal do milho. O fator genético também pode influenciar o efeito dos remineralizadores, como exemplificado numa comparação entre duas variedades de mandioca, mostrando variações na resposta ao uso de agrominerais silicáticos e de fontes solúveis.

Segundo Martins, o aumento da proporção e da atividade das raízes em diversas culturas com o uso de remineralizadores de solo é comumente observável. Ele também citou artigos científicos que demonstram o potencial de sequestro de carbono e de estabilização da matéria orgânica no solo com o uso desses produtos. Em outro estudo realizado em uma lavoura comercial, foi observado o aumento da densidade dos grãos em virtude da maior quantidade de nutrientes encontrada nas plantas onde houve uso dos remineralizadores. E numa pesquisa com maracujá, foi demonstrada melhor qualidade dos frutos devido à maior durabilidade da polpa pós-colheita.

No Brasil, atualmente 30 produtos estão registrados como remineralizadores de solo, e 1,5 milhão de toneladas de agrominerais silicáticos foram produzidas em 2020 – para 2021, estima-se que tenham sido produzidas cerca de 3 milhões de toneladas. Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná são os principais estados produtores. Os agrominerais silicáticos são geralmente produzidos nas pedreiras que produzem brita para a construção civil – no País, há cerca de 600 empresas ativas, sendo que 500 têm potencial para gerar produtos para a agricultura. Entre os produtos registrados, cinco foram desenvolvidos exclusivamente para a produção de remineralizadores. Se todos os solos agrícolas brasileiros fossem remineralizados, a demanda total seria de 75 milhões de toneladas por ano.

“Ainda estamos longe, produzindo apenas 3 milhões de toneladas/ano. Mas a indústria de produção de agregados para a construção civil produz 250 milhões de toneladas de brita/ano. Se ela adequar o processo de produção e gerar um produto mais fino, tem capacidade de atender a essa demanda, desde que observe todos os critérios definidos na Instrução Normativa 5/2016 do MAPA”, comentou Martins.

Ele citou a interação do tema bioinsumos com outras iniciativas governamentais, como o Programa Mineração e Desenvolvimento, do Ministério de Minas e Energia, que envolve, entre outras ações, o zoneamento agrogeológico e a pesquisa sobre remineralizadores; e o Plano Nacional de Fertilizantes, da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, que inclui os remineralizadores de solo e os bioinsumos nas cadeias emergentes de produção, que devem ser estudadas e desenvolvidas com investimentos para a geração de soluções regionais de manejo com essas fontes.

Um diagnóstico sobre a adoção dos remineralizadores e dos bioinsumos mostrou que a redução do custo de produção é o principal motivador apontado pelos agricultores. “Quando eles testaram esses produtos, observaram que em 70% dos testes a produtividade ficou igual ou superior. E ao longo do tempo, eles perceberam uma tendência de aumento da produtividade onde foi usado remineralizador”, disse Martins.

Ele explicou que a recomendação de uso dos agrominerais silicáticos como remineralizadores de solo é feita por meio das características físicas, químicas e mineralógicas dessas fontes, observando-se a biodisponibilidade de determinado nutriente. “Cada rocha tem um potencial diferente de liberação de nutrientes no curto, médio e longo prazo”, afirmou, citando, também, algumas rochas silicáticas, como os basaltos e as ultramáficas, que contribuem para o processo de correção dos solos.

O pesquisador concluiu a apresentação mostrando as correlações entre os agrominerais regionais, que constituem a base mineral para o manejo da fertilidade do solo; os bioinsumos, utilizados não apenas para o controle de pragas e doenças como também para o equilíbrio biótico do sistema; e o manejo do solo, que em condições tropicais deve ser mantido vivo e com cobertura vegetal todo o tempo. “Quando pensamos nesses três grandes conjuntos de ferramentas, criamos uma agricultura menos dependente de fontes importadas e de agroquímicos. Uma agricultura mais sustentável”, finalizou.

Também foi palestrante o engenheiro agrônomo Bruno Araújo, consultor da empresa Rehagro e membro do Comitê Estratégico Soja Brasil. Ele falou sobre a contribuição dos bioinsumos para o sucesso produtivo em lavouras de grãos.

Assista à reprise do painel aqui (a partir de 5:57:43)

Degustação

Promovida pela Embrapa Cerrados, uma degustação de sucos dos maracujás BRS Gigante Amarelo, BRS Rubi do Cerrado, BRS Pérola do Cerrado, BRS Sertão Forte, desenvolvidos pela Embrapa, além de uma cultivar de maracujá-maçã em fase de validação, foi oferecida aos visitantes do estande e da vitrine de tecnologias da Empresa na AgroBrasília. Os participantes foram convidados a responder um questionário sobre as percepções pessoais a respeito da cor, do aroma e do sabor de cada suco degustado.

“A ideia é promover cultivares já disponibilizadas pela Embrapa e de outras que ainda serão lançadas, além de verificar a aceitação do público quanto ao sabor e ao aroma”, explicou o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da unidade, Fabio Faleiro.

Na oportunidade, também foi apresentado o livro “Pitaya, uma alternativa frutífera”, disponível para download gratuito aqui.

Fonte: Embrapa

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Projeto Cadeias Sustentáveis vai fortalecer cadeias de valor da soja e babaçu no Maranhão

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Este ano a Embrapa Cocais iniciou projeto, em parceria com a Rede ILPF e financiado pela agência de cooperação técnica alemã – GIZ, para fortalecer as cadeias sustentáveis de valor da soja e do babaçu no Maranhão. Primeiramente, as ações abarcaram a cadeia da soja (leste do estado) e agora entrou em cena as atividades nas comunidades de quebradeiras de coco para agregação de valor aos subprodutos do babaçu no estado. O projeto está sendo realizado em parceria com agentes de ciência e tecnologia, como Instituto Federal do Maranhão – IFMA, Universidade Federal do Maranhão – UFMA, Universidade Estadual do Maranhão- UEMA, iniciativa privada, organizações não governamentais e outros agentes das cadeias de valor.

“A iniciativa reflete atuação da Embrapa no Maranhão conectada com as demandas do setor produtivo e articulada com as instituições de pesquisa presentes no estado, para inclusão produtiva e geração de riqueza com baixo impacto ambiental, e representa o fortalecimento da Rede de Pesquisa e Inovação Maranhense”, destaca o chefe-geral da Embrapa Cocais, Marco Bomfim.

Estão previstas capacitações e intercâmbio de conhecimentos entre pesquisa e conhecimento tradicional. O projeto inicia com abordagem da cadeia de valor, do papel dos atores da cadeia produtiva na identificação de problemas e oportunidades. Esta semana, pesquisadores, professores e bolsistas das instituições de ciência e tecnologia parceiras no projeto estão em viagem a Itapecuru-Mirim para testar novos coprodutos do babaçu, como o biscoito, gelado e hambúrguer a partir da amêndoa e do mesocarpo de babaçu.

Segundo a chefe de transferência de tecnologia, Guilhermina Cayres, “o objetivo é ampliar e consolidar a Rede Babaçu como estratégia de conexão de ‘stakeholders’ e geração de produtos sociais sustentáveis, de valor agregado e com potencial para negócios com identidade sociocultural, a partir de uma espécie da sociobiodiversidade, que é o babaçu”.

O representante da Agência GIZ no Brasil, Westphalen Nunes, destaca que a agenda para o babaçu vai percorrer a abordagem da cadeia de valor, gargalos, boas práticas, saúde e segurança para as quebradeiras de coco, novas parcerias e novos produtos, comercialização, entre outros temas. “Queremos colaborar para que o babaçu possa explorar suas potencialidades, gerando mais renda e qualidade de vida às quebradeiras, mais opções de produtos de qualidade para o mercado consumidor e mais riqueza com desenvolvimento sustentável para o Maranhão”.

Fonte: Embrapa

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