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O que se sabe sobre varíola dos macacos, agora detectada no Brasil

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O que se sabe sobre varíola dos macacos, agora detectada no Brasil
Foto: Centro de Controle de Doenças/Divulgação – 20/05/2022

O que se sabe sobre varíola dos macacos, agora detectada no Brasil

O primeiro caso de varíola dos macacos no Brasil foi confirmado ontem, em um paciente na cidade de São Paulo. Trata-se de um homem de 41 anos que veio da Espanha e está em isolamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na capital paulista.

Em nota, a secretaria de Saúde de São Paulo não confirma o diagnóstico e diz que as amostras ainda estão em análise pelo Instituto Adolfo Lutz, referência em sequenciamento genômico. O estado confirma passagens suas recentes por Portugal e Espanha e informa se está rastreando seus contatos, em colaboração com o município.

O documento diz que o paciente teve dor no corpo e febre, em 28 de maio, mas não traz mais informações sobre seu estado de saúde, viagens prévias nem rastreio de contatos. Fontes ligadas ao Palácio dos Bandeirantes, contudo, informam que o caso está confirmado.

Para o infectologista Julio Croda, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), a confirmação do caso no país não é uma surpresa. Em algum momento, esse vírus seria confirmado no Brasil. Era apenas questão de tempo — diz Croda.

O médico e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ressalta que o mais importante nesse momento é garantir que todos os contatos do paciente infectado sejam rastreados.

“A investigação de contatos deve ser feita na suspeita do caso, não após a confirmação. Caso isso não tenha acontecido, é preciso fazer uma busca ativa dessas pessoas, investigar a presença de sintomas suspeitos da doença e, se necessário isolá-las e coletar material para confirmação”, explica o infectologista.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) elaborou uma série de recomendações a serem adotadas nas unidades da saúde do país para lidar com casos suspeitos da varíola dos macacos, a monkeypox. As orientações têm por objetivo prevenir e evitar a propagação da enfermidade no território nacional. O órgão pede o isolamento de pacientes suspeitos de infecção pela doença e uso de máscaras por quem teve contato com ele.

Os sinais de alerta são dor de cabeça, febre, calafrios, dor de garganta e mal-estar, além de fadiga, lesões maculopapulares na pele, um tipo de erupção cutânea, e linfadenopatia, que é o aumento de tamanho de linfonodos no pescoço. A temperatura de pessoas que tiveram contato com pacientes infectados deve ser aferida duas vezes por dia.

No caso de profissionais de saúde, recomenda a adoção de Equipamento de Proteção Individual (EPI) completo para evitar exposição a sangue, fluidos e secreções corporais. Além disso, a precaução também envolve a necessidade de higienização das mãos, de desinfecção de instrumentos médicos e limpeza de superfícies em ambiente hospitalar.

Caso haja um diagnóstico positivo, a orientação é rastrear e identificar as pessoas, incluindo trabalhadores, que estiveram com o paciente. Uma vez identificadas, elas devem ser monitoradas a cada 24 horas durante 21 dias com o objetivo de se verificar a presença de sintomas da varíola dos macacos. O fechamento do diagnóstico passa por excluir outras doenças, como catapora, sarampo, infecções bacterianas da pele, escabiose, sífilis e reações alérgicas.

Outros cinco casos suspeitos estão em investigação no Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rondônia. Um caso suspeito, que havia sido notificado no Ceará, foi descartado.

Segundo Croda, a varíola dos macacos tem baixa taxa de contágio e baixa letalidade. Segundo pesquisador, para que a transmissão ocorra, é preciso ter uma exposição prolongada, com contato íntimo ou muito próximo

“É totalmente diferente da Covid-19. As medidas de isolamento são muito mais efetivas, a chance de controlar a doença é maior e seu impacto potencial é muito menor”, diz o presidente da SBMT.

Principais características da doença

A varíola dos macacos é uma zoonose silvestre, ou seja, uma doença infecciosa que passa de animais para humanos. Ela é causada pelo vírus que leva o mesmo nome (varíola dos macacos) e pertence à família dos orthopoxvírus.

Embora o nome remeta aos macacos, os primatas não são os hospedeiros principais do vírus monkeypox. A suspeita é que os reservatórios primários sejam roedores silvestres africanos.

A infecção é semelhante à varíola humana (smallpox) — única doença erradicada no mundo —, mas muito mais leve. Para fator de comparação, a taxa de mortalidade da varíola era de 30% enquanto para a varíola dos macacos varia de 1% a 10%. Existem duas variantes da doença, conhecidas como África Ocidental e África Central. A primeira, associada ao surto atual, é mais leve, com taxa de mortalidade de cerca de 1%. Para a segunda, o índice é de 10%.

A varíola dos macacos foi descoberta pela primeira vez em 1958, em macacos de um laboratório em Copenhagen, na Dinamarca. O primeiro caso em humanos foi registrado em 1970, na República Democrática do Congo, durante um período de intensificação dos esforços para eliminar a varíola. Desde então, a doença foi relatada em pessoas em outros países da África Central e Ocidental, onde é considerada endêmica.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), Monkeypox a transmissão da doença entre seres humanos não é muito frequente. Ao menos, não era, até o surto atual. Ela ocorre por contato próximo com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e materiais contaminados, como roupas de cama.

Ainda não está claro o que está por trás desse surto mundial da doença. Até o ano passado, era incomum o relato de casos fora da África e quando isso acontecia, em geral estava associado a viagens a países onde a doença é endêmica. Até a última segunda-feira, 780 casos de varíola dos macacos foram confirmados em 27 países onde o vírus não é endêmico. Segundo o órgão, esse número é subestimado devido à limitação de informações epidemiológicas e de laboratório. O nível de risco global é moderado.

“Embora o risco para a saúde humana e para o público em geral continue sendo baixo, o risco para a saúde pública pode ser elevado se o vírus conseguir se estabelecer em países não endêmicos como patógeno humano generalizado”, disse a organização, em comunicado.

O período de incubação do vírus – intervalo desde a infecção até o início dos sintomas – geralmente é de 6 a 13 dias, mas pode chegar a até 21 dias. Os sintomas iniciais da varíola dos macacos são febre, dores musculares, cansaço e linfonodos inchados. As lesões cutâneas, principal característica da doença, aparecem em um momento secundário. Na maioria dos casos, a doença é leve e os sintomas desaparecem sozinhos dentro de duas a três semanas. Casos graves são raros, mas podem acontecer em especial em bebês de até seis meses de idade, gestantes, idosos e pessoas com imunossupressão.

As complicações podem ocorrer principalmente devido a infecções bacterianas secundárias, que podem evoluir para sepse e morte ou disseminação do vírus para o sistema nervoso central, gerando encefalite, que pode ter sequelas sérias ou levar ao óbito.

Os medicamentos existentes para o tratamento da varíola não estão disponíveis para comercialização no Brasil. Remédios como brincidofovir, tecovirimat e cidofovir não têm aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que impede o seu uso e venda no país. Por isso, o tratamento é principalmente sintomático.

Há duas linhas de prevenção da doença: manter os cuidados pessoais, como lavar as mãos, evitar contato com pessoas infectadas e isolar os casos suspeitos; e a vacina. Dados mostram que os imunizantes utilizados para erradicar a varíola tradicional, em 1980, são até 85% eficazes contra essa versão. No Brasil, a imunização de rotina para a varíola cessou em 1973, segundo informações do Ministério da Saúde. Embora ninguém saiba quanto tempo a proteção gerada pela vacina permanece, especialistas acreditam que pessoas vacinadas estejam ao menos parcialmente protegidas.

Alguns países da Europa e Estados Unidos já começaram a vacinar profissionais de saúde e pessoas que tiveram contato com casos confirmados. Se aplicada até quatro dias após o contato, a vacinação pós-exposição pode reduzir o risco de desenvolvimento da doença. Após esse período, ela ainda pode evitar a evolução para casos graves. O principal imunizante utilizado atualmente é uma vacina fabricada pela empresa dinamarquesa Bavarian Nordic. Nos EUA, ela foi aprovada em 2019 para prevenir tanto a varíola quanto a varíola dos macacos.

Na Europa, o mesmo imunizante ganhou aval apenas contra a varíola. Mas o uso off label contra o vírus monkeypox está liberado para conter o surto atual.

O ideal, seria o Brasil também iniciar a vacinação de profissionais de saúde que tiveram contato com pacientes infectados. Entretanto, o país não tem doses armazenadas nem produção da vacina.

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Fonte: IG SAÚDE

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Cachorro é diagnosticado com varíola dos macacos na França

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Micrografia eletrônica de transmissão colorida de partículas do vírus da varíola dos macacos (amarelo) encontradas dentro de uma célula infectada (verde), cultivadas em laboratório
Reprodução/NIAD 13.08.2022

Micrografia eletrônica de transmissão colorida de partículas do vírus da varíola dos macacos (amarelo) encontradas dentro de uma célula infectada (verde), cultivadas em laboratório

Um cachorro foi infectado pela varíola dos macacos na França. Um estudo publicado na revista científica “The Lancet” apresentou o caso e informou que o animal provavelmente contraiu a doença de seus donos, que também testaram positivo para o vírus.

Os tutores do cachorro são um casal homossexual que não tem uma relação monogâmica, ou seja, tem um relacionamento aberto. O animal dormia com os donos e começou a ter as lesões cutâneas 12 dias após o casal. Os sintomas foram feridas no abdômen e uma ulceração anal fina.

Segundo os cientistas, o animal macho de quatro anos de idade foi realmente infectado pelo vírus dos donos. A análise deu 100% de compatibilidade com o vírus dos humanos.

Além do cachorro, apenas animais selvagens (roedores e primatas) foram vetores de transmissão do vírus monkeypox e, até então, o vírus não havia sido identificado em um animal doméstico.

Segundo a Lancet, os donos não deixaram que o cão tivesse contato com outros animais ou pessoas desde quando eles testaram positivo para a varíola.

O estudo concluiu que “a cinética do início dos sintomas em ambos os pacientes e, subsequentemente, em seu cão sugere a transmissão do vírus da varíola do macaco de humano para cão”.

“Nossas descobertas devem estimular o debate sobre a necessidade de isolar animais de estimação de indivíduos positivos para o vírus da varíola do macaco”, finalizam os cientistas.




Fonte: IG SAÚDE

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