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O que está por vir

Publicado

Por Onofre Ribeiro

Na última sexta-feira assisti a uma live no youtube envolvendo o maestro Fabrício Carvalho e o presidente da Federação das Indústrias, Gustavo Oliveira. Foi uma conversa muito produtiva e lúcida. Mas gostaria de me ater a dois pontos que mais me chamaram a atenção. A industrialização de Mato Grosso e o uso de tecnologias.

A primeira questão foi a expectativa de industrialização do estado. A tese em geral aceita é a de que a produção agropecuária deveria ser totalmente industrializada aqui antes de ser exportada interna e externamente.

Gustavo lembrou que a produção agro em Mato Grosso se dá em um ambiente de grande uso de tecnologias, que demandam grande incorporações tecnológicas. A industrialização vem se dando gradualmente. Mas é um processo.

Desde 1990 quando o agro se tornou a vocação do estado, o uso de tecnologias cresceu verticalmente. Assim com a produtividade, as máquinas e os métodos, processos da produção e experiência dos produtores individuais e empresariais. Mas a plena industrialização de toda a produção exportada e de consumo interno já sai da esfera estadual.

Depende muito da macroeconomia brasileira. E esta depende do humor dos mercados mundiais. E estes olham pra insegurança jurídica do Brasil nos campos tributário, trabalhista, ambiental e governamental.

Os investimentos futuros na direção de uma plena industrialização dependem desses fatores. Do ponto de vista interno e estadual não. Temos empreendedores preparados. Vocação comercial. Mercados abertos ou se abrindo. E o melhor: know-how muito evoluído.

Mas se considerarmos os avanços da industrialização da produção agropecuária não podemos deixar de olhar pros estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, onde a agricultura se desenvolveu primeiro. A industrialização veio gradualmente. Demorou cerca de 50 anos. Mato Grosso tem 26 anos de produção destacada. A primeira grande safra de soja foi em 1994, com 3 milhões e meio de toneladas. A indústria de máquinas no Sul veio depois da produção. No Sudeste também. Em Mato Grosso não será diferente.

Sinais claros já são vistos. A produção do etanol de milho é uma vertente fantástica e recente. O milho de safrinha, colhido neste mês, era apenas uma ação de proteção do solo. Hoje é tão comercial quanto a primeira safra. Uma indústria arrasta atrás de si uma enorme cadeia de outras menores e abre campo pros serviços e pro comércio.

Fiquei muito animado com a live de Fabrício e Gustavo. Afinal, discussões maduras começam a navegar no cenário estadual. Tudo ao seu tempo.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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Concessão de rodovias abre caminho ao desenvolvimento

Publicado

Por Mauro Mendes

Governador de Mato Grosso, Mauro Mendes

Líder na produção do agronegócio nacional, Mato Grosso se tornou um gigante do setor. Mesmo com todas as adversidades existentes pela sua localização geográfica, o estado tem o maior PIB Agrícola do país. É o primeiro no Brasil na produção de soja (29,9% da safra nacional), além de milho, algodão, carne bovina e etanol de milho. Nos próximos cinco anos, Mato Grosso quer superar a marca de 100 milhões de toneladas produzidas no estado. Em dez anos, a meta é dobrar a produção. Tudo isso de maneira sustentável.

Contudo ainda há entraves que precisam ser solucionados. O estado tem oito mil quilômetros de estradas estaduais pavimentadas e outros 22,3 mil quilômetros de estradas não pavimentadas. É inviável econômica e estrategicamente que o poder público, sozinho, pavimente e fique responsável pela manutenção de dezenas de milhares de quilômetros de asfalto num estado com as dimensões do Mato Grosso.

É preciso focar em eficiência, economia e resultado, com a adoção de modelos que têm dado certo em outros cantos do Brasil e do mundo. A concessão de estradas à iniciativa privada é um deles e acreditamos nisso. As rodovias bem conservadas em estados como São Paulo e nos países da Europa, por exemplo, são majoritariamente frutos de concessão.

Esse é o caminho que os estados brasileiros precisam seguir. Investimentos em infraestrutura para melhorar e tornar mais eficiente o escoamento da produção estão em linha com a análise feita pelo Banco Mundial, que apontou serem necessários investimentos anuais de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB) nesta área para aprimorar a qualidade de vida dos brasileiros — atualmente esse investimento está na casa dos 2% do PIB.

No caso de Mato Grosso, a política de concessões já é uma realidade e tem sido uma das prioridades de investimentos desde o ano passado, com um ambiente jurídico seguro para as empresas, respeitando os editais e os processos legais. Isso é fundamental para a atração de investimentos em qualquer lugar.

Hoje, 26 de novembro, serão levadas a leilão 512,2 quilômetros de rodovias do estado. São três pontos distintos e que concentram boa parte do agronegócio da região. Áreas que não são apenas expectativas, mas realidade e celeiro da produção agrícola e da pecuária.

São concessões rentáveis e que deverão movimentar, nos próximos anos, R$ 5,9 bilhões, com retorno de 9,2% para os investidores, segundo o Grupo Houer, autor dos estudos dos projetos a serem leiloados.

Mato Grosso também desponta no processo de concessões de rodovias por meio das PPP Sociais, uma inovação criada no estado e que tem possibilitado a manutenção de centenas de quilômetros de estradas, com menor potencial de investimento para o setor privado. Também é um bom modelo a ser replicado em outros estados. Ao todo, são 310 quilômetros que estão sob a concessão de associações de produtores que investiram recursos e hoje cobram pedágios para manter as estradas em bom estado de conservação. Nessa modalidade, também foram lançados editais para a concessão de mais 419 quilômetros.

Além disso, o estado tem colocado em prática uma agenda robusta de investimentos, que soma R$ 9,5 bilhões, sendo mais da metade (R$ 4,73 bilhões) para o setor de infraestrutura, com verba própria e de financiamento.

Isso tem sido possível porque o estado mantém as contas e o equilíbrio financeiro em dia, por meio da adoção de medidas como reforma administrativa, corte de gastos, renegociação de dívidas, combate à sonegação e revisão de incentivos fiscais. O esforço gerou um superávit financeiro em 2019, além da previsão de mais de R$ 2 bilhões para este ano, uma situação que não ocorria desde 2008.

Investimentos e iniciativas como estas vão ajudar a manter Mato Grosso no topo da produção do agronegócio, não só no país, mas também entre os principais players mundiais, gerando emprego e oportunidades para todos os setores.

*Mauro Mendes é governador de Mato Grosso

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