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Novo ministro da Defesa diz que golpe de 1964 serviu para “pacificar o país”

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General Braga Netto, nono ministro da Defesa
Anderson Riedel/PR

General Braga Netto, nono ministro da Defesa

O novo ministro da Defesa , general Walter Braga NetTo , afirmou, em nota, que o período da ditadura militar serviu para “pacificar o país” e deve ser celebrado pela população. Braga Netto disse que, na época, as Forças Armadas enfrentaram “desgastes” para reorganizar o Brasil e “garantir as liberdades democráticas que hoje desfrutamos”. A nota oficial foi divulgada em alusão aos 57 anos do golpe de 31 de março de 1964 .

“As Forças Armadas acabaram assumindo a responsabilidade de pacificar o País, enfrentando os desgastes para reorganizá-lo e garantir as liberdades democráticas que hoje desfrutamos”, diz Braga Netto no texto.

“O movimento de 1964 é parte da trajetória histórica do Brasil. Assim devem ser compreendidos e celebrados os acontecimentos daquele 31 de março”, afirmou em outro trecho.

O ministro relembrou a Lei da Anistia, aprovada pelo Congresso Nacional, dizendo que ela “consolidou um amplo pacto de pacificação a partir das convergências próprias da democracia”.

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“Foi uma transição sólida, enriquecida com a maturidade do aprendizado coletivo. O País multiplicou suas capacidades e mudou de estatura”, escreveu.

Braga Netto afirmou, ainda, que “o cenário geopolítico atual apresenta novos desafios, como questões ambientais, ameaças cibernéticas, segurança alimentar e pandemias”.

“As Forças Armadas estão presentes, na linha de frente, protegendo a população. A Marinha, o Exército e a Força Aérea acompanham as mudanças, conscientes de sua missão constitucional de defender a Pátria, garantir os Poderes constitucionais, e seguros de que a harmonia e o equilíbrio entre esses Poderes preservarão a paz e a estabilidade em nosso País.”

Noto do general Braga Netto, novo ministro da Defesa
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Ernesto Araújo nega que sua atuação prejudicou compra de vacinas

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Questionado por senadores durante audiência na CPI da Pandemia, nesta terça-feira (18), o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo negou que a condução da diplomacia brasileira durante sua gestão tenha prejudicado o processo de aquisição de vacinas e insumos para o Brasil — principalmente os provenientes da China. Entre os parlamentares que criticaram a atuação de Ernesto Araújo está o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), e a presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado (CRE), Kátia Abreu (PP-TO).

Omar Aziz citou artigo de Ernesto Araújo publicado em abril de 2020, que, segundo o parlamentar, fazia referência ofensiva à China ao mencionar o coronavírus como um “vírus ideológico”.

— O senhor não acha que chamar [o vírus] de “comunavírus” não é uma coisa que indispõe a relação amigável que nós sempre tivemos, comercial, com a China? Se o senhor não acha isso, eu não sei o que mais achar. Inclusive, é até de se estranhar um chanceler, um ministro das Relações Exteriores, escrever um artigo contra um país com o qual nós temos uma relação comercial superavitária, que ajuda muito no superavit primário do Brasil, coisa que nós não temos com os Estados Unidos — afirmou o presidente da CPI.

Ernesto Araújo deixou o Ministério das Relações Exteriores em 29 de março, após receber fortes críticas, inclusive de senadores, sobre sua atuação à frente da pasta.

Ao ser questionado pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), se sua atuação prejudicou a relação com a China, Ernesto disse não concordar com essa avaliação, e argumentou que o crescimento do comércio brasileiro com esse país fornece indícios de que havia uma “boa diplomacia”.  

— E acho que isso se reflete em dois dados muito concretos: o nosso comércio com a China aumentou significativamente ao longo deste governo. Entre 2019 e 2020, os números de 2020, mesmo com a pandemia, mostraram um aumento de 9% das nossas exportações destinadas à China, que, se não me engano, já atinge o posto de 33% do mercado total das nossas exportações. E, pelos dados que eu consultei dos quatro primeiros meses de 2021, dos quais três transcorreram na minha gestão no Itamaraty, houve um aumento ainda mais significativo das vendas brasileiras para a China — afirmou o ex-ministro.

Ernesto Araújo disse que não fez “nenhuma declaração” que fosse entendida como “antichinesa”. Ele observou que, em determinados momentos, queixou-se por meio de comunicados oficiais de comportamentos da Embaixada da China ou do embaixador da China no Brasil, Yang Wanming. Mas, na sua visão, isso não teria prejudicado relação diplomática entre os dois países.

— E o outro indício [de que havia uma boa relação diplomática] é o fato de que, e isso é reconhecido por autoridades chinesas, o Brasil é o país que mais recebeu insumos e vacinas de insumos produzidas pela China. Num momento de escassez mundial, não fomos aparentemente, de nenhuma forma, discriminados. É um problema que se caracteriza, e temos avaliado isso desde dezembro, janeiro, como uma falta de oferta, como um excesso de demanda mundial — acrescentou.

“Memória seletiva”

Já a senadora Kátia Abreu (PP-TO) declarou que o ex-chanceler possui uma “memória seletiva”, porque, segundo ela, o ex-ministro deixou de fazer referência, durante o depoimento, às citações que ele mesmo fazia, em blogs e redes sociais, contra a China e o governo chinês. Para ela, o crescimento dos negócios brasileiros com a China e as mais de 85% das doses de imunizantes aplicadas no Brasil, resultantes do trabalho conjunto entre o laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan, se deram a “despeito” da diplomacia conduzida por Ernesto Araújo. Para a senadora, hoje o Brasil depende daqueles que foram diretamente atacados pelo ex-ministro.

Kátia Abreu apresentou um requerimento no qual solicita todos os ofícios do Ministério das Relações Exteriores (MRE) às embaixadas brasileiras que tratem de vacinas, cloroquina e todas as medicações relacionadas à covid-19.

— Nós vamos poder identificar qual foi o ministro que mais influenciou mal o presidente, qual foi o ministro que melhor orientou o presidente. E nós queremos toda a comunicação do MRE para as embaixadas no mundo, especialmente dos embaixadores de países onde há laboratórios de vacinas. Nós queremos todos os ofícios, todas as mensagens relacionados à pandemia, à vacina, à cloroquina, à hidroxicloroquina, ao que tiver — informou a senadora.

Ao responder aos senadores, Ernesto Araújo também disse que o presidente Jair Bolsonaro nunca deu ordem ou orientação para rejeitar parcerias internacionais destinadas ao fornecimento de insumos e vacinas, especialmente da China.

Covax Facility

Renan Calheiros, relator da CPI, questionou o ex-ministro sobre o porquê de o Brasil ter aderido ao consórcio Covax Facility assinando contrato com a opção de 10%, em vez de 50% a que o Brasil teria direito em vacinas. Segundo Ernesto Araújo, a decisão foi tomada pelo Ministério da Saúde no âmbito da estratégia do Plano Nacional de Imunização (PNI).

Randolfe Rodrigues, vice-presidente da CPI, perguntou se o fato de o Brasil ter assinado o contrato para aquisição dessas vacinas somente em setembro de 2020, quando mais de 170 países já tinham aderido ao consórcio, teria gerado atrasos no envio desses imunizantes ao Brasil. Ernesto Araújo respondeu que a data da assinatura não alteraria o cronograma de envio dessas vacinas e o cronograma do plano de vacinação do país.

Pfizer

O ex-ministro confirmou que o MRE recebeu telegrama que informava sobre a proposta da Pfizer de setembro do ano passado com a oferta de 100 milhões de doses de vacinas ao Brasil. Ele afirmou que o Itamaraty deixou sob a responsabilidade do Ministério da Saúde a decisão sobre a proposta e, por isso, não interveio.

Questionado por Randolfe Rodrigues sobre a razão de não ter comunicado imediatamente ao presidente da República, Ernesto Araújo disse que “presumia” que Jair Bolsonaro já sabia disso. Segundo o ex-ministro, o telegrama informava que a carta da Pfizer tinha sido encaminhada à Presidência da República e aos ministérios da Saúde e da Economia.

Vários senadores também criticaram o alinhamento ideológico que houve entre a política internacional do Brasil e o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Eles questionaram por que essa relação de proximidade não foi usada para garantir o envio de imunizantes excedentes naquele país ao Brasil.

Mas o senador Marcos Rogério (DEM-RO), da base aliada ao governo, defendeu o alinhamento que havia com os Estados Unidos nessa época como “estratégico” — o senador também declarou que esse alinhamento se distanciava de correntes “ideológicas” de governos anteriores. Ernesto complementou essa declaração afirmando que, até o momento, não tem conhecimento de qualquer parceria dos Estados Unidos para fornecer vacinas a outros países.

Marcos Rogério disse ainda que a CPI está se tornando a comissão da cortina de fumaça, pois, segundo ele, preocupa-se com questões menos importantes, em vez de investigar desvios de recursos púbicos. “Vamos seguir o dinheiro!”, afirmou ele.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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