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Nova chefe-geral da Embrapa Caprinos e Ovinos toma posse no próximo dia 27 de maio

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No próximo dia 27 de maio, será realizada a cerimônia oficial de posse da pesquisadora Ana Clara Rodrigues Cavalcante como chefe-geral da Embrapa Caprinos e Ovinos. O evento, que será transmitido ao vivo pelo canal da Embrapa no YouTube, acontecerá às 10 horas, no auditório da empresa, e contará com a presença da diretora-executiva de Inovação e Tecnologia, Adriana Martin.

Ana Clara visualiza dois grandes desafios que trabalhará para superar ao longo de sua gestão. O primeiro é a ausência de recursos públicos para pesquisa, desenvolvimento e inovação, que pretende vencer com duas estratégias: a busca ativa por agentes financiadores governamentais e não governamentais,  e a participação em editais competitivos de fontes externas nacionais e internacionais. “A equipe tem empenhado esforços no sentido de concretizar parcerias público-privadas e captações em fontes nacionais e internacionais, além da busca de recursos em fontes governamentais, que ainda dispõem de oportunidades para aplicações em projetos”, afirma.

Outra adversidade diz respeito ao mandato nacional Embrapa Caprinos e Ovinos, que gera um elevado número de demandas para uma equipe de tamanho reduzido. “Temos reduzido esse problema implementado e fortalecendo núcleos avançados e firmando parcerias nesses locais para atendimento das demandas. Além disso, pretendemos reforçar a cooperação com outras unidades descentralizadas da Embrapa no sentido de ter apoio especialmente em regiões onde não temos como manter equipes fixas”, explica a chefe-geral.

Como um legado de sua gestão, a pesquisadora espera que a Embrapa Caprinos e Ovinos seja reconhecida como uma instituição que dê orgulho para a sociedade por utilizar todos os recursos nela investidos, pautada na ciência, na ética, no respeito e no comprometimento com o público. Ela ressalta que a Unidade “cumprirá seu papel de desenvolver soluções simples para os complexos problemas enfrentados pela caprinocultura e ovinocultura brasileiras, estando lado a lado com os produtores. Além de apoiar a formulação de políticas públicas, contribuir de forma decisiva, por meio de seus ativos tecnológicos, para o desenvolvimento sustentável da pecuária de pequenos ruminantes”.

Perfil

Ana Clara Cavalcante é pesquisadora na Embrapa Caprinos e Ovinos desde 2002. Zootecnista formada pela Universidade Estadual Vale do Acaraú,  mestre em Zootecnia pela Universidade Federal de Viçosa e doutora em Ciências pela ESALQ/USP. Realiza pesquisas na área de manejo de pastagem nativa e cultivada e já liderou projetos na América Latina e na África em parceria com ICARDA-Síria, KARI-Quênia, VSF-Suisse-Quênia, INIA-Venezuela, INIFAP-México. De 2019 a 2021 foi chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Caprinos e Ovinos. 

Ela ressalta que sua trajetória como gestora não foi algo planejado, mas aconteceu de forma natural. “Exerci várias funções gerenciais enquanto pesquisadora, inclusive chefiar a equipe de P&D algo do qual me orgulho pelos méritos da equipe em qualidade, competência e comprometimento”. 

Em 2021, em plena pandemia, quando a Embrapa abriu o processo seletivo para chefe geral, apesar de todos os desafios que essa função exige, Ana Clara afirma que não poderia se omitir de propor um plano em gratidão e compromisso com as pessoas e com o local onde seu propósito de vida encontrou um trabalho para viabilizá-lo. “Posso dizer que tem muito significado esse momento. Que nada é por acaso e que espero fazer junto com a equipe um trabalho diferenciado que traga mais do que esperança, oportunidades reais para uma caprinocultura e uma ovinocultura movidas a ciência”.

Colegiado gestor

A pesquisadora Ana Clara Cavalcante conta com três chefes-adjuntos que a auxiliam na gestão da Embrapa Caprinos e Ovinos.

A chefia-adjunta de Pesquisa & Desenvolvimento está a cargo da pesquisadora Lisiane Dorneles, zootecnista graduada pela Universidade Federal de Santa Maria, mestre em Zootecnia pela mesma instituição e doutora em Zootecnia (Produção Animal) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.

O chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia é o engenheiro agrônomo Cícero Cartaxo de Lucena, graduado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; mestre e doutor em Fitotecnia (Produção Vegetal) pela Universidade Federal de Viçosa.

A chefia-adjunta de Administração é ocupada por Caetano Silva Filho, graduado em Direito e em Ciências Contábeis, pela Universidade Estadual Vale do Acaraú e em História pela Faculdade de Filosofia Dom José de Sobral.

Serviço – Cerimônia de Posse da Chefe-Geral da Embrapa Caprinos e Ovinos

Data: 27 de maio de 2022

Local: Auditório da Embrapa Caprinos e Ovinos

Horário: 10 horas

Transmissão ao vivo pelo canal da Embrapa no YouTube

Fonte: Embrapa

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ARTIGO – Como a rentabilidade dos plantios florestais é impactada pelo financiamento do Programa ABC

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Autores:
– José Mauro Magalhães Ávila Paz Moreira – Engenheiro Florestal, doutor em Ciências na área de Concentração em Economia Aplicada, pesquisador da Embrapa Florestas, Colombo, PR
– Gabriela Grizang Zancanaro –  Engenheira Florestal, consultora independente
– Elisabete Vuaden – Engenheira Florestal, doutora em Engenharia Florestal, professora Associada da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Dois Vizinhos, PR
– Flávio José Simioni – Engenheiro-agrônomo, doutor em Engenharia Florestal, professor Associado da Universidade do Estado de Santa Catarina, Lages, SC

O estabelecimento de plantações florestais é um dos seis programas do Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC), sendo uma das tecnologias sustentáveis de produção do setor agropecuário brasileiro para responder aos compromissos de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) do agronegócio nacional assumidos pelo país. Segundo dados da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), a expansão da área com florestas plantadas entre 2013 e 2018 foi de 1,75 milhão de hectares, mas o Plano ABC participou com menos de 634 mil hectares. 

A disponibilização de linhas de financiamento que se adequassem às especificidades do setor era uma solicitação antiga, atendida inicialmente pelo Programa de Plantio Comercial e Recuperação de Florestas (Propflora) em 2002, e incorporada ao Programa ABC em 2012. Mas qual o impacto que esta linha de financiamento pode efetivamente trazer nos indicadores de rentabilidade da atividade de florestas plantadas?

Para responder a esta pergunta, analisamos de forma separada o fluxo de caixa de um empreendimento de florestas plantadas para energia no estado de Goiás, e o fluxo de caixa do investidor florestal, após sua alteração com a entrada e saída dos recursos disponibilizados pelo Programa ABC. Clique aqui para acessar o estudo completo.

Foram analisados 15 cenários e a inserção dos recursos do Programa ABC melhorou a rentabilidade do Valor Presente Líquido (VPL) em oito, e a Taxa Interna de Retorno (TIR) em doze. Os cenários nos quais a inserção do Programa ABC piorou o resultado econômico foram cenários extremos, com valores acima de 10% ano da taxa de juros do financiamento, ou com taxas de juros reais acima de 5% ao ano (taxa de juros do ABC acima da inflação), valores nunca observados desde o início da política pública até o momento. Além disso, reduziu a sensibilidade do indicador VPL em relação a variações na Taxa Mínima de Atratividade (TMA) do investidor. 

A melhora do VPL resulta de dois movimentos conjuntos, ligados à ação dos juros e da inflação sobre o capital: 1) a redução dos valores reais (descontada a inflação futura esperada) dos pagamentos das parcelas do financiamento no fluxo de caixa, resultante da inflação; 2) a taxa de juros real (já descontada a inflação) paga pelo produtor para o financiamento ser menor do que a taxa de juros real (a TMA) paga para o capital do próprio produtor, o que reduz o custo total com juros do fluxo de caixa, aumentando o valor do VPL. O que explicaria então a baixa adesão à esta linha de financiamento tão importante para o setor de florestas plantadas entre os anos de 2015 e 2018?

Neste período ocorreram dois movimentos em várias regiões do país que podem auxiliar na busca por esta resposta. Um foi o aumento das taxas de juros do Programa ABC, que saltaram de 5,0% ao ano em 2013 e 2014 para cerca de 8,0% ao ano em 2018, impactando de forma significativa a atratividade a linha de financiamento para os produtores de florestas; outro foi a elevada oscilação de preços que ocorreu em várias regiões onde o plantio de florestas se expandiu com reduzido planejamento e conhecimento do mercado florestal por parte dos agricultores. 

Mas, mesmo com estes movimentos, nossos estudos mostram que o ABC ainda é atrativo, o que evidencia, por outro lado, que existe falta de conhecimento e informação para a tomada de decisão que apoiem os produtores para que se sintam mais atraídos e confortáveis em plantar florestas. 
Uma delas, de extrema importância, seria uma maior disponibilidade de informações sobre o mercado florestal, como preços pagos nas regiões, inventário do ativo florestal disponível e um mapeamento dos consumidores de produtos florestais, que podem auxiliar no planejamento da produção tanto por produtores como por consumidores de produtos florestais, contribuindo para um melhor ajuste no mercado e redução das oscilações de preço dos produtos. O MAPA já incluiu estes direcionamentos como ações indicativas do Plano Nacional de Desenvolvimento de Florestas Plantadas.

A taxa de juros do Plano Safra 2021/22 para o Plano ABC é de 7,5% ao ano nominal. Com as atuais taxas de inflação, esta taxa real é negativa, e ainda será em torno de 3% ao ano acima da inflação se o Brasil voltar à meta de inflação de 4,5% ao ano, estando este cenário dentro daqueles onde a linha apresentou resultados positivos ao produtor. O principal cuidado que o produtor deve ter é com um melhor conhecimento do mercado florestal na sua região, com o planejamento florestal e tratos silviculturais do seu plantio, de forma a minimizar o impacto que possíveis alterações de preço possam ter na rentabilidade do seu negócio. Quando os preços dos produtos (receitas) e insumos e serviços (custos) variam a diferentes taxas, o pressuposto de preços constantes da análise deixa de ser válido, alterando o resultado da análise, sendo necessário refazer os cálculos para a tomada de decisão.

Visando minimizar este risco e dar maior segurança ao produtor, grandes consumidores de madeira, como empresas de papel e celulose, já estão estabelecendo estratégias de contratos com seus produtores parceiros e fomentados com garantia de preço mínimo para madeira, como uma forma de reduzir estas oscilações. A conclusão que chegamos é que a linha de financiamento do Programa ABC é importante para o desenvolvimento da cadeia produtiva de florestas plantadas, trazendo impactos positivos para o produtor florestal, mas que a sua baixa adesão se deve a outros fatores, que o mercado, em parceria com as instituições governamentais, já está buscando solucionar.

Fonte: Embrapa

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