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Necessidade de redução das emissões de carbono alavanca sistemas ILPF no mundo

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A demanda global pela descarbonização da economia, como forma de frear o aquecimento global, está levando muitos países a estimularem a adoção de sistemas sustentáveis, como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Os cenários e tendências da ILPF no mundo foram discutidos durante o II Congresso Mundial sobre sistemas ILPF, que iniciou nesta terça-feira de forma virtual.

Assim como no Brasil políticas como o Plano ABC e Plano ABC+ buscam ampliar a área com tecnologias de baixa emissão de carbono, países como Nova Zelândia e Austrália possuem políticas visando acabar com as emissões líquidas de carbono na agricultura e pecuária até 2030 e 2050, respectivamente.

De acordo com o palestrante Richard Eckard, da Universidade de Melbourne (AUS), há um incentivo para produtores plantarem árvores em pastagens e áreas de lavoura como forma de sequestrar carbono. O governo australiano, por exemplo, já vem realizando leilões de compra de créditos de carbono gerados por produtores.

Eckard mostrou ainda que o uso de árvores em sistemas silvipastoris com ovinocultura tem trazido benefícios relevantes, como a redução em 10% da morte de cordeiros devido ao conforto térmico gerado pela proteção tanto do calor quanto do vento em períodos frios.

“Créditos de carbono sozinhos não são capazes de fazer com que produtores plantem árvores. Mas combinando os benefícios múltiplos, isso pode incentivá-los. Estamos trabalhando para mudar isso”, afirma Eckard.

Demanda do mercado

Além de ser uma política dos governos, neutralização das emissões de carbono visa atender um mercado crescente por produtos com baixa emissão ou com emissão líquida zero de carbono.  Grandes empresas já estão demandando esse tipo de produto, principalmente na Europa.

De acordo com Paul Burgess, da Cranfield University, no Reino Unido, algumas redes de supermercados inglesas já estão comprando apenas carnes vindas de fazendas que utilizam técnicas sustentáveis na pecuária. Esse movimento vem incentivando o aumento da adoção de sistemas silvipastoris. Já são adotados há anos em países europeus, esses sistemas agora estão sendo conduzidos com maior diversificação das espécies arbóreas.

A maior complexidade dos sistemas integrados, no entanto, é um desafio para os produtores europeus, que têm dificuldade de mão-de-obra no campo, disse o palestrante.

Os países da América Latina, por sua vez, têm nos sistemas ILPF a oportunidade de garantir o suprimento desse mercado cada vez mais exigente em produção sustentável de alimentos. Luis Valderrama, da Universidad de Colombia, diz que para esse potencial ser alcançado é preciso investimento dos governos, sobretudo apoiando pequenos agricultores. Para ele, a descarbonização da produção agropecuária pode trazer bom retorno aos produtores, com aumento da rentabilidade com a venda de madeira, de créditos de carbono e com recebimento de prêmio pago pela produção sustentável.

Dificuldades

Na África e na Ásia os sistemas ILPF como são usados no Brasil ainda são raridade. Nesses continentes, as formas mais comuns de sistemas integrados são as agroflorestas e algumas poucas áreas com sistemas silvipastoris. O indiano e professor na University of Florida, P. K. Ramachandran Nair, explica que há dificuldade em obter estatísticas sobre a área de adoção de ILPF nesses países e que a estrutura fundiária, baseada em pequenas propriedades e com baixo nível tecnológico, dificulta a adoção.

“Se a ILPF for vista como uma tecnologia para adoção em larga escala e com intensificação da produção, o potencial de adoção é limitado na região. Muito mais por aspectos sociais e econômicos do que por questões de condições de terra e a clima”, afirma P. K. Ramachandran Nair.

Já nos Estados Unidos, Alan J. Franzluebbers, do USDA- North Carolina State University, mostrou que o setor agropecuário ainda vive um momento de alta especialização e concentração das terras, que resulta no mínimo uso de sistemas ILPF. Porém, ele afirma que o interesse pelos sistemas mais diversos começa a surgir na medida em que se observam os resultados econômicos. Questões ambientais, afirma, serão importantes para mudar as tendências.  

O painel Sistemas de ILPF no Mundo foi moderado pelo pesquisador da Embrapa Solos e presidente do conselho gestor da Rede ILPF, Renato Rodrigues.

Congresso 

II Congresso Mundial sobre Sistemas ILPF (World Congress on Integrated Crop-Livestock-Forestry Systems) ocorre nos dias 4 e 5 de maio de forma virtual. Reúne cerca de 1.300 participantes e conta com 30 palestras e apresentação de 156 trabalhos científicos. O evento é promovido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Embrapa, Rede ILPF, Federação de Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul e Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar de Mato Grosso do Sul. 

Fonte: Embrapa

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Cientistas veem na integração um caminho para a sustentabilidade da agropecuária

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Dados técnicos obtidos em estudos de longo prazo em áreas de ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) foram apresentados na manhã desta quarta-feira (5) no II Congresso Mundial sobre Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. O painel reuniu pesquisadores da Universidade de Hohenheim (UHOH), da Alemanha, da Embrapa Cerrados (Planaltina-DF) e da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos-SP).

Marcus Giese, da universidade alemã, atuou em parceria com pesquisadores brasileiros em um experimento conduzido durante dois anos em Campo Grande (MS). A equipe comparou ciclos da água em diferentes sistemas de produção. A absorção da água pelo solo foi medida até 1 metro de profundidade e Giese disse que uma análise em maior profundidade poderá ser feita para a obtenção de valores comparativos.

O pesquisador concluiu que as árvores compensam a reciclagem da água que foi perdida com o desmatamento na região do Cerrado. Mas para avaliar a sustentabilidade geral do sistema, é preciso ainda analisar outras compensações prováveis. Ele afirmou que a introdução de árvores nativas nos sistemas integrados é importante para se conhecer a produtividade e defendeu a alta diversidade no sistema. “A ILPF tem uma contribuição maravilhosa para o sistema de uso sustentável da terra e tenho certeza absoluta que estamos no caminho certo para explorar e chegar a dados que ajudem nesse processo geral”, concluiu.

Isabel Cristina Ferreira, pesquisadora da Embrapa Cerrados, apresentou estudos relacionados à pecuária de leite. Ela abordou o estresse de calor que afeta os animais, podendo impactar o consumo de matéria seca, a produção e a qualidade do leite, os índices reprodutivos e a ruminação. As pesquisas foram desenvolvidas em Brasília (DF).

A equipe avaliou a temperatura corporal e o comportamento de vacas leiteiras da raças Gir e Girolando. O tempo de ruminação foi 32% maior em vacas sob a sombra. Nas vacas Gir, a produção de leite foi 24% maior nos animais que tiveram acesso às áreas sombreadas. Na fase inicial de lactação (primeiros 75 dias), o aumento na produção de leite individual chegou a 18%, se comparadas as vacas que tiveram acesso a sombra e aquelas criadas a pleno sol. Nos três anos do experimento, o número de embriões das vacas em sistemas sombreados foi quatro vezes maior.

O terceiro palestrante foi Alexandre Berndt, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pecuária Sudeste. Ele falou da importância que os créditos de carbono vem adquirindo na atualidade, como forma de compensação ambiental. Disse que é possível praticar a pecuária que remova mais gases de efeito estufa da atmosfera do que emita. “Os sistemas integrados são únicos. É difícil compreender a dinâmica e a complexidade dessa integração”, afirmou.

Berndt apresentou resultados de pesquisas da equipe, que teve o plantio de árvores iniciado há dez anos em São Carlos, na fazenda Canchim. Lembrou que as operações de desbaste – quando algumas árvore são retiradas e a luz passa a atingir maiores áreas do solo – apresentaram resultados positivos para as pastagens e a produção animal. 

Em relação ao balanço de carbono, o pesquisador afirmou que o pior resultado foi obtido em um sistema de pecuária extensiva. Os estudos contemplaram a absorção de gases pelas árvores e ele disse que é preciso aprofundar os estudos sobre a remoção realizada pelas raízes das plantas. Segundo Berndt, o financiamento verde e as políticas de pagamento por serviços ambientais potencializam a adoção da tecnologia de integração entre produtores. “Incentivos financeiros são importantes”, finalizou.

Congresso 

II Congresso Mundial sobre Sistemas ILPF (World Congress on Integrated Crop-Livestock-Forestry Systems) ocorre nos dias 4 e 5 de maio de forma virtual. Reúne cerca de 1.300 participantes e conta com 30 palestras e apresentação de 156 trabalhos científicos. O evento é promovido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Embrapa, Rede ILPF, Federação de Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul e Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar de Mato Grosso do Sul.

Fonte: Embrapa

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