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MT é referência em trabalhos de busca, resgate e salvamento com cães do Corpo de Bombeiros Militar

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Foto: SAMANTHA DOS ANJOS / Assessoria de Gabinete

Os integrantes do 2° Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), localizado em Várzea Grande, recepcionaram o deputado estadual Delegado Claudinei (PSL), nesta última terça-feira (27). Na oportunidade, o parlamentar conheceu a metodologia aplicada pelos militares na busca, resgate e salvamento de vítimas com uso de cães e os importantes avanços obtidos com essa atividade que garantiu que o Estado se tornasse referência no país.

Inicialmente, o diretor operacional que coordena as operações com cachorros, coronel Agnaldo Pereira, explica que essa é uma atividade recente da corporação, em que já foram realizados uma série de trabalhos que incluíram treinamentos, cursos e qualificações. “É um processo que o major Marcondes começou em Colíder, no ano de 2012. Ele foi nosso pioneiro e precursor e tivemos várias turmas formadas na busca e resgate com cães em Mato Grosso. É um trabalho que exige uma dedicação a mais do militar”, explica.

Ele conta que hoje, Mato Grosso é referência no país devido um esforço da equipe. “A visita do deputado é uma oportunidade para conhecer o nosso trabalho. Muitos conhecem só através da mídia. Quem vê de fora, vê o resultado. Uma busca bem sucedida, a dinâmica é saber conduzir em um cenário de operações. É um trabalho, em particular, que almejo que consiga alavancar e fortalecer”, ressalva Pereira.

Avanços – O major Rafael Marcondes realizou uma apresentação para que o deputado tivesse um panorama dos trabalhos com cães realizados pela instituição, em Mato Grosso. Ele explica que em 2012, foi quando iniciou os trabalhos nesta área, em que houveram muitas dificuldades. Logo, no ano de 2015, com apenas um cão, receberam a primeira Certificação Nacional pelo bom desempenho do animal. No ano seguinte foi inaugurado o canil no 2° Batalhão e, assim, a atividade começou a ser trabalhada de forma mais séria com a promoção de capacitações e treinamentos.

Ele acrescenta que em 2018, Mato Grosso foi pioneiro na realização da Certificação Regionalizada e garantiu, neste mesmo ano, a primeira Certificação Nacional na Modalidade Rastreio. “Essa foi uma modalidade específica, no Paraná, o cão teve um bom desempenho. Era uma modalidade nova, a nível de bombeiro militar. Conseguimos destaque e a melhor nota”, ressalva Marcondes.

Emenda – O coronel Pereira explicou ao deputado que cada militar cuida do seu cão, em que realiza todo o custeio dos animais com vacinas, ração, consultas, cirurgias, suplementos vitamínicos, coleiras, comedouros, remédios, entre outras despesas. Perante essa informação, o parlamentar se dispôs a analisar a destinação de emendas para o próximo ano, ao reconhecer a importância da execução da atividade para atender a sociedade.

“Conheci o trabalho dos cães que é muito importante junto com os nossos guerreiros do Corpo de Bombeiros Militar. Eles tiveram em Brumadinho e realizam importantes ações com estes animais. Já assumimos o compromisso com emendas para o custeio dos cães, sendo que fui informado que já está em tramitação a doação dos cães para o governo estadual e, assim, ficará mais fácil formalizar a destinação de recursos para podermos contribuir. Já aproveito para pedir aos meus colegas parlamentares para ajudarmos a instituição com estes cães”, anuncia Claudinei.

Brumadinho – Com o rompimento da barragem de rejeitos de minério de ferro do Córrego do Feijão, no município de Brumadinho (MG), em janeiro de 2019, ocasionou a morte de mais de 250 pessoas. Alguns corpos ficaram desaparecidos por causa da quantidade de lama que necessitou da atuação diária de bombeiros militares para o resgate das vítimas. “Foram 127 dias de operação. Mantivemos equipes com dois cães, com revezamento a cada 10 dias. Fomos o Estado que mais tempo permaneceu no apoio e que mais enviou binômios (cão e bombeiro militar), sendo no total 10. Eles tinham a especialidade de identificar cadáveres. Não bastava ser cães só para resgate”, salienta o major.

Além da Operação Brumadinho, outros tipos de ações realizadas com cães são de busca de pessoa viva, apoio à Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC), cursos, estágios e certificações, entre outros. De acordo com Marcondes, neste ano de 2021, está previsto para acontecer em Mato Grosso, a primeira Certificação de Equipes do Brasil promovido pelo Comitê Nacional de Busca, Resgate e Salvamento com Cães (CONABRESC), em Cuiabá. “A gente vai receber binômios de outros estados brasileiros. Certificar equipes. É um evento de três dias com simulação que vai ocorrer na capital”, adianta.

Referência – Em Mato Grosso, já são 17 cachorros certificados que garante o Estado ser considerado referência no país, seguido do Paraná, Goiás e Santa Catarina. Também, ainda há oito raças em fase de treinamento. O CBMMT possui cinco tipos de raça que são o Labrador, Pastor Belga de Malinois, Bloodhound, Blue Heeler e Border Collie.

Além de Cuiabá, outros municípios mato-grossenses que têm cães para trabalhar na busca, resgate e salvamento são Cáceres, Barra do Garças, Jaciara, Sinop, Confresa, Nova Mutum, Sorriso, Pontes e Lacerda.

Fonte: ALMT

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“Com seca mais intensa, prevenção é essencial para evitar que tragédia no Pantanal se repita”, alerta Lúdio Cabral

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Foto: Helder Faria

O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) destacou a importância do planejamento para prevenção e combate aos incêndios para evitar novas tragédias provocadas pelo fogo no Pantanal. Em audiência pública remota na quinta-feira (17), Lúdio reuniu moradores da região, pesquisadores, sociedade civil organizada e os órgãos responsáveis, para apresentar as ações que já estão em execução e o que ainda precisa ser feito. Muitos debatedores alertaram que a seca deve ser pior neste ano e o risco de grandes incêndios é alto. Uma comissão especial ou câmara setorial temática deverá ser criada para acompanhar o andamento das ações.

“Em 2020, um terço do Pantanal foi devastado pelo fogo. A escassez de chuvas e a previsão de uma seca mais intensa mostravam o perigo. Se os órgãos responsáveis utilizassem os mecanismos que medem e preveem essas situações, isso poderia ter sido evitado. Mesmo quando o fogo começou, se houvesse uma intervenção mais eficiente de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e dos órgãos federais, não teríamos vivido a tragédia que vivemos. Temos que evitar que isso se repita em 2021. Ou conseguimos concretizar as medidas para evitar que os incêndios aconteçam, ou teremos uma nova tragédia de proporções muito maiores”, afirmou Lúdio.

O climatologista Rodrigo Marques, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), mostrou índices que apontam que a seca em 2021 pode ser pior que a de 2020. “O volume de chuvas do Pantanal é semelhante ao semiárido nordestino, o que mostra a fragilidade do sistema. Entre janeiro e maio deste ano, choveu 50,6% do volume previsto. E não adianta falar de seca no Pantanal sem saber de onde vem a chuva”, alertou o pesquisador, que exibiu ainda uma animação que mostra como a Floresta Amazônica alimenta as nuvens que trazem chuva ao Cerrado e ao Pantanal, por meio dos chamados “rios voadores” (veja o vídeo nesse link https://www.youtube.com/watch?v=teeXse6pk7k).

Marcondes Coelho, do Instituto Centro de Vida (ICV), apresentou o mapeamento das brigadas em Mato Grosso e alertou que o estado já lidera os focos de incêndio em 2021. “São 3,3 mil focos de calor detectados entre janeiro e maio deste ano, o que é muito preocupante, somado à questão pluviométrica e climatológica”, disse. O coronel Paulo Barroso, da reserva do Corpo de Bombeiros e do grupo SOS Pantanal, alertou para a necessidade de preparação para enfrentar a tragédia anunciada. “O professor Rodrigo demonstrou bem como Mato Grosso depende da Amazônia para ter chuva. Com menos chuva, tem mais fogo”, observou.

Representantes do Corpo de Bombeiros, coronel Agnaldo Pereira, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Marco Aurelio Aires, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Cibele Xavier, e do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), Ademar do Nascimento, apresentaram a estrutura disponível nos órgãos e o planejamento das ações. A deputada federal Rosa Neide (PT) citou as ações da comissão externa do congresso que acompanha a situação no Pantanal e alertou que o corte de verbas promovido pelo governo federal dificulta a ação dos órgãos ambientais.

Alterações no bioma

A bióloga Solange Ikeda, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), acompanha a recuperação do bioma e alertou para o desequilíbrio gerado pelos incêndios do ano passado. “O Pantanal está rebrotando, mas precisamos de pesquisas para saber quais espécies estão rebrotando e entender se a configuração natural do Pantanal foi alterada pelos incêndios. A restauração das nascentes precisa ser feita de forma cuidadosa. É importante pensar também na recuperação social, econômica e cultural das comunidades pantaneiras”, afirmou.

A coordenadora da Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneira, Cláudia Sala de Pinho, citou que as políticas públicas demoram a chegar às comunidades tradicionais e que há insegurança alimentar. O ambientalista Isidoro Salomão, da Sociedade Fé e Vida, lembrou que, além do fogo, há outras ameaças ao Pantanal. “Só temos água porque vem de fora. A água que nasce no Pantanal é muito pouca. Vamos cuidar da água, dos bichos e da gente que vive no Pantanal. Vamos lutar contra a ameaça da hidrovia, das PCHs (pequenas centrais hidrelétricas) e dos agrotóxicos que envenenam nossa água e matam os peixes”, disse.

Lúdio Cabral destacou ainda que o debate sobre o fogo no Pantanal não pode se limitar a ações pontuais de combate aos incêndios. “Há um debate muito mais profundo que precisamos fazer, sobre as causas estruturais que levam o Pantanal a essa situação. O problema está muito claro: escassez de água e mudanças climáticas causadas por intervenções humanas locais. Temos que discutir o modelo de desenvolvimento atual baseado na monocultura para exportação, no uso intensivo de agrotóxicos, na destruição do Cerrado e no desmatamento da Floresta Amazônica, além de rever a instalação das mais de 100 PCHs previstas nos rios da bacia do Alto Paraguai que alimentam o Pantanal”, listou.

Fonte: ALMT

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