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Morte de Jô Soares deixa um vazio no humor e na “intelligentsia” brasileira

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A morte de Jô Soares deixa uma vazio no humor e deixa um espaço irrecuperável na Intelligentsia brasileira (categoria de pessoas envolvidas em trabalho intelectual complexo e criativo direcionado ao desenvolvimento e disseminação da cultura), já tão decaída nesses dias de escuridão que vivemos.

José Eugênio Soares, o Jô, nasceu no Rio de Janeiro, em 16 de janeiro de 1938 e morreu nesta madrugada (05.08), às 2h30, no Hospital Sírio-Libanês, na região central de São Paulo, onde estava internado desde 28 do mês passado, a princípio tratando de uma pneumonia. A causa da morte ainda não foi divulgada.

Disse certa vez: “O medo da morte é um sentimento inútil: você vai morrer mesmo, não adianta ficar com medo. Eu tenho medo de não ser produtivo. Citando meu amigo Chico Anysio, [uma vez] perguntaram para ele: ‘Você tem medo de morrer?’. Ele falou: ‘Não. Eu tenho pena’. Impecável.”

HISTORIA – Jô, o “gordo” era o único filho do empresário Orlando Heitor Soares e da dona de casa Mercedes Leal Soares. Estudou em colégio interno (“Chorava muito. Era uma coisa excessiva, uma coisa de sensibilidade quase gay”, disse em entrevista ao Fantástico). Na escola, ganhou o apelido era “poeta”. Aos 12 anos foi estudar na Suíça, onde ficou até os 17 e lá passou a se interessar por teatro e shows.

“Eu pensei em seguir a carreira diplomática, mas sempre ia ao teatro, sempre ia assistir a shows, ia para a coxia ver como era. E já inventava números de sátira do cinema americano; fazia a dança com os sapatinhos que eu calçava nos dedos”.

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Como os negócios do pai iam mal, a família teve de retornar ao Rio de Janeiro e o Brasil perdia ali um diplomata para ganhar um artista genial. Jô começou a frequentar teatros, a mostrar seus números e não parou mais.

Começou pelo cinema, em filmes musicais “Rei do movimento” (1954), “De pernas pro ar” (1956) e “Pé na tábua” (1957), “O homem do Sputnik” (1959), e estreou na TV em 1958 onde faria uma carreira brilhante. Participou do programa “Noite de gala” que era o mais famoso da época, passou a escrever para o “TV Mistério” (que tinha no elencoartistas do naipe de Tônia Carreiro e Paulo Autran) e ainda no “Noites cariocas”. Em seguida, escreveu e atuou em humorísticos da TV Continental.

Já na TV Tupi, fez participações no “Grande Teatro Tupi”, do qual faziam parte nomes como Fernanda Montenegro, Ítalo Rossi, Sérgio Brito e Aldo de Maia. “Eu consegui trabalhar ao mesmo tempo nas três emissoras que existiam no Rio”, declarou ao Memória Globo.

Em 1960, Jô mudou-se para São Paulo para trabalhar na TV Record. “Vim descobrir São Paulo, era casado com a Teresa, tinha 22 anos. Vim para passar 12 dias e fiquei 12 anos”, lembrou ao Fantástico ao mencionar o casamento com a atriz Therezinha Millet Austregésilo (1934-2021), com quem teve seu único filho, Rafael, que era autista e morreu aos 50 anos.

A partir daí, atuou e escreveu para diversas atrações, como “La reuve chic”, “Jô show”, “Praça da alegria”, “Quadra de azes, “Show do dia 7” e “Você é o detetive”.

O grande destaque da época foi “A família trapo”, exibido entre 1967 e 1971 todos os domingos. No princípio, Jô apenas escrevia o roteiro – seu parceiro era Carlos Alberto Nóbrega. Depois, ganhou um papel: o mordomo Gordon. O elenco tinha ainda nomes como Otelo Zeloni, Renata Fronzi, Ricardo Corte Real, Cidinha Campos e Ronald Golias.

Jô costumava celebrar o pioneirismo da atração. “Acho que foi a primeira sitcom que se fez”, afirmou ao Memória Globo. Ao Fantástico, comentou que “foi o primeiro grande sucesso nacional da TV”. “Saí um ano antes [do fim do programa], em 1970. Assinei contrato com a Globo, onde estavam o Boni, que já me conhecia e de quem já era amigo, e o Walter Clark.”

Na Globo – A partir de 1970, Jô Soares fez carreira na Rede Globo. Estreou com o programa “Faça humor, não faça a guerra”. “Criávamos uma média de 20 e tantos personagens por ano. Quando terminou o último programa, havia mais de 260 personagens criados”, enumerou Jô ao Memória Globo.

Em 1973, surgiu um novo humorístico, “Satiricom”. “Era um programa no estilo do extinto “Casseta & Planeta”, de sátira à comunicação. A gente brincava com as novelas, com o noticiário. Então, não tinha quadros fixos”, comparou.

Em 1977, lançou “O planeta dos homens”, em que novamente se dividiu entre as funções de ator e redator, com a colaboração de dois de seus parceiros habituais: Max Nunes e Haroldo Barbosa. O elenco, uma vez mais, chamava atenção: Agildo Ribeiro, Paulo Silvino, Luís Delfino, Sonia Mamede, Berta Loran, Costinha, Eliezer Motta e Carlos Leite.

Embora “O planeta dos homens” tenha ido ao ar até 1982, Jô se desligou um ano antes, para se dedicar ao seu próximo projeto: o “Viva o gordo”. “O meu humor tem sempre um fundo político, sempre tem uma observação do cotidiano do Brasil”, dizia.

“Os meus personagens são muito mais baseados no lado psicológico e no social do que na caricatura pura e simples. Eu nunca fiz um personagem necessariamente gordo. Eles são gordos porque eu sou gordo.”

Desta galeria de figuras, destacaram-se o Reizinho (monarca de um reino que satirizava o Brasil da época), o Capitão Gay (um super-herói homossexual) e o Zé da Galera (do bordão “Bota ponta, Telê!”).

ENTREVISTADOR BRILHANTE – Quando seu contrato com a Globo venceu, em 1987, Jô Soares foi para o SBT apresentar um programa de entrevistas. Durante os seus 11 anos de exibição, o talk-show “Jô Soares onze e meia” rendeu mais de 6 mil entrevistas.

“E durante o processo do impeachment do presidente Fernando Collor, o ‘Jô Soares Onze e Meia’ funcionou como uma espécie de tribuna popular, com o apresentador entrevistando alguns dos principais implicados e testemunhas do caso”, aponta o Memória Globo.

“Acho que descobri, também sem querer, a grande vocação da minha vida, a coisa que me dá mais prazer, mais alegria de fazer. Eu me sinto muito vivo ali. A maior atração do mundo é o bate-papo, a conversa”, afirmava o próprio Jô.

Ele retornou à Globo em 2000, quando estreou o “Programa do Jô”. “Não foi por uma questão salarial, porque a contraproposta do SBT era muito alta. Voltei pela possibilidade de fazer mais entrevistas internacionais, pelas facilidades de gravação, pelo apoio do jornalismo.”

Literatura e teatro – Jô Soares também foi autor best-sellers e escreveu para jornais e revistas. Nos anos 1980, escreveu com regularidade nos jornais “O Globo” e “Folha de S.Paulo” e para a revista “Manchete”. Entre 1989 e 1996, assinou uma coluna na “Veja”.

Também escreveu cinco livros, sendo quatro romances. A estreia foi “O astronauta sem regime” (1983), coletânea de crônicas publicadas originalmente em “O Globo”. O romance “O Xangô de Baker Street” (1995) liderou as listas dos mais vendidos e foi adaptado para o cinema em 2001. As obras seguintes foram “O homem que matou Getúlio Vargas” (1998), “Assassinatos na Academia Brasileira de Letras” (2005) e “As esganadas” (2011).

No teatro, Jô ficou célebre por seus monólogos, todos marcados pelo tom cômico e crítico, com sátiras da vida cotidiana e política do Brasil. Os mais conhecidos foram “Ame um gordo antes que acabe” (1976), “Viva o gordo e abaixo o regime!” (1978), “Um gordoidão no país da inflação” (1983), “O gordo ao vivo” (1988), “Um gordo em concerto” (1994) – que ficou em cartaz por dois anos – e “Na mira do gordo” (2007).

Dentre os espetáculos em que trabalhou como ator nos palcos, estão ainda uma montagem de “Auto da compadecida” e “Oscar” (1961), com Cacilda Becker e Walmor Chagas. Como diretor, esteve à frente de “Soraia, Posto 2” (1960), “Os sete gatinhos” (1961), “Romeu e Julieta” (1969), “Frankenstein” (2002), “Ricardo III” (2006).

De seus mais de 20 trabalhos no cinema, Jô apareceu em alguns clássicos do cinema nacional, caso de “Hitler IIIº Mundo” (1968), de José Agripino de Paula”, e de “A mulher de todos” (1969), de Rogério Sganzerla. Além disso, dirigiu um filme, “O pai do povo” (1976).

 

com informações do g1

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Cônsul alemão estava casado há 23 anos; casal ia se mudar para o Haiti

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O cônsul da Alemanha Uwe Herbert Hahn foi preso em flagrante
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O cônsul da Alemanha Uwe Herbert Hahn foi preso em flagrante

Casados há 23 anos, o cônsul da Alemanha no Brasil Uwe Herbert Hahn, preso pelo homicídio do marido, o belga Walter Henri Maximillen Biot , morava no Rio de Janeiro há quatro anos. Em todo esse período, o casal viveu na cobertura na Rua Nascimento Silva, onde Biot foi encontrado morto. Hahn e o marido, no entanto, estavam prestes a se mudar para o Haiti, pois já havia se esgotado o prazo de quatro anos de permanência no país estipulado pela embaixada alemã para seus funcionários que vivem no exterior. Em depoimento , o cônsul disse que “seu marido estava ciente e feliz com a mudança”. O cônsul teria ficado sabendo em maio que deveria mudar de país.

Um porteiro do prédio onde o casal residia também prestou depoimento na 14ª Dp, onde o caso foi registrado, por volta das 18h35 deste sábado. Ele trabalha no edifício há 40 anos e afirmou que a vítima passava a maior do dia em casa. Edileno Bernardo da Silva contou que os dois estrangeiros aparentavam ser um casal tranquilo e que nunca viu os dois brigando:

“Ele (Walter) gostava de beber, mas mesmo assim chegava (no prédio) tranquilo. Não maltratava ninguém.”

O porteiro contou que não ouviu música alta ou discussão na noite de sexta. Ele ainda conta que, por volta das 18h de ontem, Uwe desceu e pediu ajuda para ligar para a ambulância, já que Walter tinha caído em casa e estava sangrando .

Hahn foi preso em flagrante na noite deste sábado, dia 6, após seu marido, Biot, de 52 anos, ter sido encontrado morto na noite da última sexta-feira, dia 5 , na cobertura do apartamento onde moravam, em Ipanema. Segundo Camila Lourenço, delegada assistente da 14ª DP (Leblon), a versão do alemão, de que o marido havia tropeçado e caído , não era compatível com as marcas encontradas no corpo do belga durante a necrópsia.

De acordo com policiais militares do 23º BPM (Leblon), o diplomata acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e informou ao médico que o marido havia passado mal e caído no chão. O corpo do estrangeiro apresentava lesões, como equimoses, nas pernas, no tronco e também na cabeça, bem como lesões características de pisaduras.

Segundo o Corpo de Bombeiros, profissionais do quartel da Gávea foram acionados às 19h07. Quando chegaram ao imóvel, o belga já estava em parada cardiorrespiratória. Na tarde deste sábado, profissionais do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) realizam uma perícia no imóvel onde o casal vivia, acompanhados por policiais da 14ª DP.

Aos PMs, o cônsul disse que a vítima tomava pastilhas para dormir e costumava beber muito, quase todos os dias. O médico responsável pelo atendimento acreditou que o homem pode ter tido um mal súbito, mas não quis atestar o óbito e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), no Centro da cidade, para passar por um exame de necropsia.

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Fonte: IG Nacional

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