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Morrer de fome ou morrer de covid?

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Por Allan Kardec

É lamentável que o colapso da política institucional brasileira tenha levado as pessoas à equivocada dicotomia entre morrer de fome ou morrer de covid. Como se o Estado se eximisse da responsabilidade de cuidar da vida e da saúde da sua gente, ao mesmo tempo em que deveria promover pacotes de estímulo à economia e ao setor produtivo, beneficiando trabalhadores e empresários.

Entramos no segundo ano de pandemia sem qualquer projeto, planejamento ou articulação entre poderes executivos, federal, estaduais e municipais no sentido de conter a disseminação do vírus. Vimos tudo aberto e liberado no natal, réveillon, carnaval e até hoje o comprovadamente ineficaz kit-covid é distribuído como a única política de prevenção.

O Brasil nunca teve um lockdown de fato, o que existiu foram somente algumas restrições. Em Mato Grosso, a tentativa de decreto por parte do governo enfrentou resistência de municípios e da população. O fato é que estamos abertos até hoje, mesmo em meio ao colapso sanitário e UTIs lotadas há quase um mês, com fila de espera que ultrapassa 200 pessoas.

É óbvio que todos nós temos o sentimento e o desejo de retorno à normalidade, porém isso só será possível com a aceleração e ampliação da vacinação. Mato Grosso hoje é o estado que menos vacinou no Brasil, e esta deve ser nossa grande prioridade. Só a vacina trará a saída para essa crise, tanto sanitária como econômica.

O cidadão não deveria ter que escolher entre as únicas duas opções oferecidas pelo poder público: morrer de fome ou morrer de vírus. Como poderíamos retornar as atividades escolares presenciais com milhares de estudantes frequentando escolas públicas sem condições adequadas, sem vacinação e no ápice do contágio, com o estado registrando recordes de vítimas?

É fato que a nova cepa, a variante P1 do coronavírus, é muito mais contagiosa e letal, não restringindo os efeitos graves somente aos idosos, mas impactando todo o espectro social. Pesquisas demonstram o alto índice de óbitos entre profissionais de setores essenciais, como  militares, garis e motoristas de ônibus com idades variadas.

A reabertura das escolas públicas hoje é um risco à saúde, uma vez que a transmissão do vírus não está limitada somente ao ambiente escolar, mas pode se propagar pela família e pelos ambientes comunitários (supermercados, farmácias, feiras…) que inclusive registram altos índices de carga viral, de acordo com pesquisadores da Fiocruz.

O cientista Miguel Nicolelis tem alertado para aquilo que os pesquisadores chamam de superspread, um evento sincronizado de transmissão em massa, assim como ocorreu nas festas de fim de ano e carnaval. Isso poderia levar o vírus a um patamar irreversível.

Vemos hoje o exemplo de Joe Biden nos EUA, que criou 916 mil novos empregos só no último mês, derrubando a taxa de desemprego para 6%. Investiu em vacinas e terá todos os adultos vacinados a partir de maio, além de anunciar um pacote de estímulo econômico de mais de 2 trilhões de dólares.

Mato Grosso é um estado rico e temos um setor produtivo que pouco sentiu os efeitos da pandemia, pelo contrário, se beneficiou da alta do dólar e das exportações e inclusive ajudou a elevar o preço da cesta básica no supermercado. Não existe precedente no mundo de um país que aumentou o preço da comida progressivamente com o aumento da pandemia.

Alguém viu notícias de algum avião dos barões do agronegócio ajudando no transporte de oxigênio? Ou fazendo uma doação de ítens como kit intubação e materiais hospitalares para UTI? Aproveitando a estreita conexão com a China nos negócios para importar respiradores ou mesmo comprar vacinas? Qual a contrapartida que deixam para as pessoas de toda riqueza que acumulam em nossa terra?

Esse é o momento para darmos um salto civilizatório. Sensibilizar a sociedade como somos, uma grande comunidade de seres humanos que precisam atuar juntos para a sobrevivência. Não temos tempo para um jogo de empurra entre poderes executivos, não há tempo para intrigas entre governador e prefeito.

Somos o lanterninha da vacinação e se não acelerarmos, ao invés de celeiro do mundo, poderemos nos transformar num grande laboratório de mutação do vírus e continuaremos a amargar mais crises. E é neste ponto que devemos concentrar todos os nossos esforços agora: Vacina Já!

Allan Kardec Benitez é Professor da rede estadual de Educação, possui mestrado e doutorado em Estudos de Cultura Contemporânea pela UFMT, é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, Deputado Estadual e presidente do Diretório Estadual do PDT-MT.

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A regra dos 20 segundos

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Por Francisney Liberato

Abuse dos meios que facilitam a obtenção do autocontrole.

Shawn Achor é um escritor norte-americano e palestrante conhecido por sua defesa da psicologia positiva. Autor de vários livros, tais como: “O Jeito Harvard de ser feliz”, “Grande potencial: cinco estratégias para você chegar mais longe desenvolvendo as pessoas ao seu redor”, “Por trás da felicidade”, dentre outros.

De maneira geral, o nosso cérebro quer se livrar dos grandes desafios, além de economizar energia mental. A mudança de hábito requer um grande consumo de energia a qual não estamos dispostos a gastar.

Buscar os bons hábitos é vital para desenvolvermos autocontrole. Porém, conseguir ter hábitos saudáveis requer muita atenção, dedicação e esforço.

Quantas vezes nós já prometemos iniciar bons hábitos, como fazer uma atividade física, praticar a leitura, ter uma alimentação saudável etc. que no início até conseguimos, mas passados poucos dias, ou quem sabe horas, desistimos dessas escolhas.

O psicólogo americano supracitado apresenta um estudo relevante denominado regra dos 20 segundos, constante de seu livro “O Jeito Harvard de ser feliz”. A ideia do escritor é que todo hábito, não importando se é bom ou ruim, deve ser submetido à regra que consiste em estimular que você se livre de qualquer hábito que esteja obstruindo o seu sucesso e o seu progresso. A regra facilita ao máximo a execução de novos hábitos e a criar empecilhos e dificuldades para os hábitos ruins.

Exemplos: se as redes sociais estão lhe impedindo de estudar, você deve deixar o celular a 20 segundos de distância. Se a televisão te impede de trabalhar mais, você deve colocar o controle da TV a 20 segundos de distância. Se você desejar praticar atividade física, leve a sua roupa em uma mochila para o trabalho, depois, vá direto para a academia, do contrário, se for passar em casa, é provável que a tentação em desistir será muito grande. Para eliminar o excesso de consumo de sobremesa, é melhor não comprar esses tipos de produtos, pois, caso haja a necessidade incontrolável de consumi-los, haverá dificuldades de controlá-los. Se houver um obstáculo, como sair da residência para comprar esses produtos, é provável que você desistirá de comer os doces.

Indico que você faça um levantamento de todos os bons hábitos que deseja adquirir e dos hábitos que deseja eliminar ou reduzir a sua constância; em seguida, aplique a regra dos 20 segundos. A técnica agirá como se fosse um filtro para concretização da iniciativa.

O nosso cérebro tem a tendência de trocar as recompensas rápidas pelas recompensas duradouras, por isso devemos utilizar a regra dos 20 segundos.

É necessário implementar a utilização de bons hábitos a 20 segundos de distância, assim como dificultar os maus hábitos a 20 segundos de distância.

Quando nos referimos a um hábito, quer dizer que são aquelas atitudes que fazemos automaticamente, sem nenhum esforço. Por outro lado, para adicionar um novo hábito em nossa vida é preciso muita dedicação, autocontrole e tempo.

Assim, elimine as etapas para os bons hábitos e crie as etapas e barreiras para os maus hábitos. Lembre-se de utilizar a regra dos 20 segundos.

Francisney Liberato Batista Siqueira é Auditor Público Externo do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Escritor, Palestrante, Professor, Coach e Mentor. Mestre em Educação pela University of Florida. Doutor em Filosofia Universal Ph.I. Honoris Causa. Bacharel em Administração, Bacharel em Ciências Contábeis (CRC-MT) e Bacharel em Direito (OAB-MT). Autor dos Livros: “Mude sua vida em 50 dias”, “Como falar em público com eficiência”, “A arte de ser feliz”, “Singularidade”, “Autocontrole”, “Fenomenal” ,”Reinvente sua vida”, “Como passar em concursos – vol. 1″ e Como passar em concursos – vol. 2”.

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