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Médica que tomou vacina contra Covid-19 conta como foi: quero muito que dê certo

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pesquisador em busca de uma vacina
Divulgação/Fiocruz Minas

Brasil tem diversas pesquisas em busca de uma vacina que previna a Covid-19

A médica residente de pneumologia no Hospital São Paulo, Amanda Maria Reis dos Santos, foi uma das voluntárias a tomar a  vacina experimental contra a Covid-19 (Sars-CoV-2). Ela contou como foi o processo e quais os próximos passos para se obter uma vacina contra essa doença.

Amanda tomou a vacina experimental na última terça-feira (30), pela manhã, após se voluntariar. A vacina em questão está sendo desenvolvida no país,  em parceria com a Universidade de Oxford. No momento, são vários institutos e universidades que voltaram seus esforços para chegar, o mais rápido possível, a uma vacina eficaz para a Covid-19 (Sars-CoV-2). Mas, para isso acontecer, testes precisam ser feitos e voluntários são necessários para se avaliar a eficácia dos medicamentos.

“Eu quero muito que dê certo essa vacina, e o quanto antes. Principalmente por trabalhar diretamente com pacientes com Covid-19 e acabar correndo risco de me contaminar ou contaminar outras pessoas”, declara a médica.

Amanda conta que, depois que se voluntariou, a equipe do estudo entrou em contato com ela e agendou a primeira visita, onde ela respondeu um questionário sobre as condições de saúde e recebeu um termo explicando cada passo do estudo.

“Como eu não preenchia nenhum dos critérios de exclusão e aceitei participar, foi colhida uma sorologia para avaliar se eu já tinha tido contato prévio com a doença. Meu exame veio negativo, então, em 7 dias, eu voltei para tomar a vacina experimental”, afirmou.

Amanda conta que no dia de tomar a vacina, ela passou por mais um exame para checar se estava sem o vírus. “No dia da vacina, fiz mais uma sorologia e um teste de gestação (gestantes não podem participar do estudo). Recebi a vacina e fiquei 30 minutos em observação. Quando fui embora, recebi uma cartela de paracetamol e fui orientada a tomar a cada 6 horas nas primeiras 24h”, conta a médica.

A metodologia do estudo é composta por formar dois grupos, com mil pessoas cada um. Um dos grupos vai tomar a vacina experimental e outro uma vacina placebo (no caso, usaram da meningite), para que os cientistas possam comparar os resultados. Os pacientes não ficam sabendo qual vacina tomaram, para garantir que os resultados não sejam afetados.

“Eles usam 2 grupos, um que recebe a vacina correta e um que funciona como grupo controle (recebe outra vacina), e avaliam as respostas nos dois grupos comparando as diferenças, pra ver se realmente foi eficaz a vacina, nesse caso a vacina de meningite funciona como um placebo”, explica a médica.

Ela disse que o estudo completa ainda vai levar cerca de um ano para ser concluído, mas que resultados parciais podem ser divulgados antes, caso os resultados sejam positivos. “No total serão 6 visitas durante um ano. Já fui em 2. Em cada visita serão colhidos novos exames. O resultado final será em um ano, mas acredito que se os resultados forem bons devem publicar resultados parciais antes”, afirmou.

Efeitos colaterais

Amanda conta que as pessoas que receberam a vacina nas fases anteriores não tiveram nenhum efeito colateral grave. “As pessoas que tiveram sintomas após a vacina apresentaram apenas um quadro leve, como febre, dor no corpo e mal-estar geral. Eu só tive dor no local da aplicação”, disse.

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Líderes mundiais fazem reunião sobre ajuda ao Líbano

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Uma videoconferência organizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela França para angariar doadores para o Líbano está agendada para domingo (9).

A realização da videoconferência foi anunciada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, na quinta-feira (6), em entrevista à imprensa na capital do Líbano, onde foi para prestar apoio e solidariedade. Este sábado (8), a Presidência da República francesa anunciou que o encontro está marcado para as 12h de domingo (9), indicou a agência AFP.

“[A intenção passa por mobilizar] financiamento internacional, dos europeus, dos americanos, de todos os países da região, para fornecer medicamentos, cuidados de saúde e alimentos”, disse na quinta-feira (6) o presidente francês.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por meio do Twitter, escreveu também sobre a videoconferência, que junta “o presidente Macron, os líderes do Líbano e líderes de outros lugares do mundo” e defendeu que “todo mundo quer ajudar!”, mencionando ainda ter falado com Macron a propósito da reunião.

Este sábado (8), o Ministério da Saúde do Líbano confirmou que há mais de 60 desaparecidos em Beirute. O número oficial de mortos é de 154. A explosão deixou também 5 mil feridos.

Apelo da ONU

O Líbano já enfrentava uma crise humanitária, mas as Nações Unidas receiam que agora, após as devastadoras explosões ocorridas na terça-feira (4) em Beirute, LINK 1 a situação se agrave.

Agências da ONU lançaram um apelo urgente à solidariedade internacional em relação ao Líbano. A crise humanitária vivida no Líbano não é recente, mas no rescaldo de um acidente devastador e em pleno contexto pandêmico, a ONU alerta para o risco de a situação piorar.

Antes da explosão que devastou parte da cidade de Beirute, 75% dos libaneses já precisavam de ajuda, 33% estavam desempregados e cerca de um milhão de pessoas vivia abaixo da linha da pobreza.

A agência humanitária Programa Alimentar Mundial disse, esta semana, que com a destruição do porto de Beirute, o fornecimento de alimentos no território podia ser atrasado ou mesmo interrompido e, em consequência, os preços podiam aumentar. A escassez de comida já se sente e a população, ainda em choque, começa a recear a falta de alimentos e a dificuldade de obter até aos mais básicos.

A organização vai enviar cinco mil pacotes de comida, suficientes para alimentar famílias de cinco pessoas durante um mês, e planeja importar farinha de trigo e grãos para ajudar a suprir a escassez no território.

Hospitais destruídos

Junto ao porto e em vastas áreas da capital libanesa, o cenário é de destruição total. Falta de tudo um pouco, em especial ao nível dos serviços de saúde, tendo sido destruídos três hospitais e outros dois ficado parcialmente danificados.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) expressou preocupação com a escassez dos medicamentos e a superlotação dos hospitais, adiantando que os fundos pedidos permitiriam dar resposta também ao combate à pandemia da covid-19.

“Três hospitais já não funcionam, dois ficaram parcialmente danificados, assim como centros de saúde”, disse Christian Lindmeier, porta-voz da OMS.

Entretanto, a OMS já enviou kits de emergência para situações de trauma e tratamentos cirúrgicos, com medicamentos essenciais e suprimentos médicos, de forma a tentar cobrir as necessidades imediatas e garantir a continuidade na resposta à pandemia da covid-19.

De fato, o Líbano também tem registrado um aumento nos casos de infeção pelo novo coronavírus (covid-19), mas 17 contêineres onde estariam máscaras, fatos de proteção e luvas, enviados para Beirute pela OMS, foram completamente destruídos na explosão.

Considerando a situação já precária do país, que enfrenta uma séria crise econômica, as várias organizações humanitárias apelaram à urgência de intervir nos setores da saúde e alimentar, uma vez que silos de cereais e hospitais foram destruídos no acidente de terça-feira.

O porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Rupert Colville, apelou esta semana à necessidade de a comunidade internacional ajudar o Líbano com uma resposta rápida e um compromisso sustentado. As doações pedidas pelas agências irão juntar-se, assim, aos US$ 9 milhões já desbloqueados de fundos humanitários da ONU.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu US$ 15 milhões e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicou que pretende obter US$ 8,25 milhões numa conferência de imprensa online, que juntou o Programa Alimentar Mundial (PAM) e os Altos Comissariados para os Direitos Humanos e para os Refugiados.

Investigação internacional

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu, entretanto, uma investigação independente às explosões, insistindo que “os pedidos de responsabilização das vítimas devem ser ouvidos”. Mas o presidente libanês, Michel Aoun, rejeitou a realização de tal investigação internacional, tendo admitido que possa ter sido causada por negligência ou por um míssil.

“A causa ainda não foi determinada”, disse Aoun. “Existe a possibilidade de ter sido interferência externa, como um míssil ou uma bomba”, acrescentou sem, no entanto, fundamentar essa hipótese.

Sabe-se que o incêndio de cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amônio, que estavam armazenadas de forma insegura no porto de Beirute, estará na origem das explosões, mas não é certo o que terá provocado o sucedido.

Segundo um porta-voz, a Organização das Nações Unidas não recebeu nenhum pedido para investigar as grandes explosões de terça-feira (4) em Beirute.

“Certamente estamos dispostos a ajudar”, disse Furhan Haq, numa conferência de imprensa, depois de o presidente francês Emmanuel Macron pedir um inquérito internacional sobre a explosão.

No entanto, o governo libanês não fez tal pedido até agora, de acordo com a ONU. “Não recebemos nenhum pedido neste momento, mas, é claro, estaríamos dispostos a considerar tal pedido se o recebermos. Mas nada semelhante foi pedido”, disse Haq.

A possibilidade de o governo ter conhecimento prévio do perigo que representava o armazenamento, sem segurança, de nitrato de amónio no porto, durante anos, aumentou ainda mais o descontentamento da população quanto à já antes criticada administração do país.

Espera-se que, neste sábado (8), milhares de libaneses se juntem numa manifestação em Beirute contra os líderes do país, a quem culpam pelo desastre.

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