artigos

Mato Grosso rico e pobre

Publicados

em

Por Vicente Vuolo

Existem dois Mato Grosso dentro do nosso. Um que enfrenta a escassez com coragem e tira dela a força criativa com dignidade para vencer os mais difíceis obstáculos. O outro, com amplo acesso a conhecimento, recursos e tecnologia.

Infelizmente, o Estado governa para que os ricos fiquem cada vez mais ricos e os pobres mais pobres. Cerca de 80% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) é dispensado gerando, nos últimos 20 anos, um rombo para os cofres públicos de mais de R$ 50 bilhões com a Lei Kandir.

Do total arrecadado com o ICMS, 75% ficam com o Estado e 25% vão para os municípios. A arrecadação do ICMS não está vinculada a um gasto específico, mas a legislação determina que os Estados têm de destinar ao menos 12% da receita com impostos para a saúde e 25% para a educação.

Como vimos, a sociedade está sendo muito prejudicada com essa política de privilégios. E o Governo do Estado é conivente com a isenção de impostos do ICMS que enriquece apenas o agronegócio. São mais de R$ 50 bilhões que deixaram de ser investidos em setores essenciais de nossa economia, na criação de inúmeros programas sociais, educacionais, bem como, na área da saúde.

Um dos setores vulneráveis de nosso Estado é o saneamento básico. Diariamente, ruas, córregos e rios de Mato Grosso recebem alta carga poluidora lançada por imóveis residenciais e empresas que não estão ligadas às redes públicas coletoras de esgotos. Os esgotos não coletados (mais de 40%) têm destinos diversos: fossas rudimentares ou negras, lançamento em rede de águas pluviais ou em sarjetas, disposição direta no solo e nos córregos e rios. E nem todo esgoto coletado é conduzido a uma estação de tratamento. Apenas 40% da população urbana é atendida com coleta e tratamento de esgotos.

Cuiabá é um dos exemplos desse contraste: os ricos têm tratamento de esgoto, mas os pobres não. Os principais córregos da cidade, a principal artéria da capital avenida da Prainha (ontem aberta) é uma podridão, sem contar, é claro, que toda a periferia está sem tratamento de esgoto. Inclusive, num dos pontos turísticos, o Parque Mãe Bonifácia, é cortado por córrego totalmente poluído e com mau cheiro insuportável.

De acordo com estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil “Benefícios Econômicos e Sociais da Expansão do Saneamento Básico”, as vantagens da rede de esgoto são inúmeras, além da valorização imobiliária, econômica, educacional e diminuição da proliferação de doenças que colocam em riso a saúde de toda a população, especialmente das crianças, que estão entre as principais vítimas na faixa etária entre 0 e 5 anos, com maior probabilidade de morrerem por doenças relacionadas à falta de acesso coletado e tratado de forma adequada.

Quando chega uma pandemia, como essa que estamos vivendo, onde todas as pessoas são ameaçadas. Quando se aproximam rapidamente os efeitos do aquecimento global, que já está provocando mudanças climáticas que produzirão secas prolongadas, mas também chuvas torrenciais, desertificação e assoreamento dos rios. Quando o desmatamento desenfreado acaba com a fauna e a flora que sustentam nossa biodiversidade. Todos nós somos chamados a ver que há uma interligação entre a humanidade e a natureza, como também uma interdependência entre os seres.

A desigualdade social, que faz com que alguns se sintam bem se vendo acima de todos, não é riqueza. Vi, em minhas viagens pelo mundo, que compartilhei com meus leitores, que a grande riqueza das nações é quando os frutos do desenvolvimento são compartilhados entre ricos e pobres, com uma desigualdade imperceptível pois todos têm acesso igualmente à educação, à saúde e aos bens culturais e naturais.

Uma cidade limpa, cheia de parques, com transporte de qualidade como o VLT, boas escolas e lazer compartilhado, é de uma riqueza enorme. Atrai turistas, gera empregos, diminui a necessidade de hospitais. Essa é a riqueza que precisamos buscar.

A riqueza de uns poucos, mantida pela desigualdade, não traz a esses poucos, segurança nem qualidade de vida em um mundo que se interliga.

Ainda há tempo, precisamos mudar o rumo de nossas vidas e a forma de nosso desenvolvimento. Precisamos investir na criação de mais e mais empregos, que geram saúde, educação e qualidade de vida.

Vicente Vuolo é economista, cientista político e coordenador do movimento Pró VLT.

 

Comentários Facebook
Propaganda

artigos

Sem Carnaval, pelo menos por enquanto

Publicados

em

Por Nelson Soares Junior

Nossa maior referência das folias de Momo já sinalizou que, neste ano, as festas estão suspensas e que poderão acontecer no mês de julho. Acredito que, em virtude do aumento dos casos da pandemia, devemos seguir o exemplo do Rio de Janeiro.

Época de feriados e de atividades que provocam aglomerações, por menores que sejam, demonstraram o resultado semanas depois de terem acontecido. Mais mortes, mais infectados e mais internações.

Carnaval não é feriado, é dia útil, mas por tradição – e acredito que tradição seja a parte mais importante na construção da identidade cultural de um povo – no Brasil, onde a grande maioria das empresas não trabalha, promove-se um período de quatro dias de inatividade, impactando nos resultados dos meses de fevereiro, ano após ano. Esse impacto já é alocado em todos os planejamentos e previsões, tanto na esfera pública como na privada.

Porém, este ano a pandemia nos faz refletir com mais profundidade sobre as possíveis consequências, principalmente, daquilo que podemos evitar.

Governos municipais e o governo do Estado, juntamente com os poderes legislativo (Assembleia e Câmaras) e judiciário devem analisar seus posicionamentos em relação à interrupção das atividades no período de Carnaval deste ano.

Ao não decretarem ponto facultativo, nossas instituições públicas colaboram de forma significativa para que permaneçamos ocupados e protegidos, evitando aumentar ainda mais os casos de contaminação.

Da mesma forma, não há sentido em a FEBRABAN e os sistemas de Cooperativas de Crédito se posicionar inertes e não abrirem suas agências. 

O segmento empresarial está pronto para trabalhar normalmente, principalmente pelo período de desaquecimento no qual convive e pelo esforço em manter os postos de trabalho no duro combate ao desemprego, aumentado pela pandemia.

Vamos cuidar de nós agora, Carnaval brincamos depois.

Nelson Soares Junior é vice-presidente da CDL Cuiabá.

Comentários Facebook
Continue lendo

Polícia

ENTRETENIMENTO

MATO GROSSO

Política Nacional

CIDADES

Mais Lidas da Semana