Saúde

Mapeamento propõe estratégias locais para enfrentar covid-19

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A disseminação da pandemia de covid-19 na cidade de São Paulo acontece de forma distinta nas dezenas de bairros, mostra o mapeamento feito pelo Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade (LabCidade) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP).

O estudo que observa as hospitalizações e mortes pela doença rua a rua indica que o vírus atinge de formas diferentes cada região, mesmo na comparação entre bairros com características semelhantes, e propõe que as políticas e medidas de contenção ao novo coronavírus sejam tomadas em escala menor, de forma localizada, dentro dos distritos da capital paulistana.

“Tem favela que tem [muitos casos]? Tem. Tem favela que não tem? Tem”, diz o pesquisador do LabCidade Aluízio Marino a respeito do que o cruzamento de dados feito pelo grupo tem mostrado.

Os pesquisadores usaram uma base de dados disponibilizada pelo Ministério da Saúde que mostra as internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por CEP residencial. Assim, os mapas mostram não só o número de casos da doença por região, mas por rua de ocorrência, assim como as mortes relacionadas.

Múltiplos fatores

A análise indica a existência de múltiplos fatores que levam à disseminação da doença em determinados locais. “Não é só densidade habitacional. Não é só precaridade habitacional”, enfatiza Marino ao falar sobre a necessidade de evitar discursos e conclusões pré-estabelecidas. “Inclusive, porque esses discursos foram muito usados desde a década de 1960 até hoje para remover favelas e cortiços”, lembra.

O pesquisador destaca a importância de olhar para além das simplificações (centro e periferia) e para dentro das divisões regionais administrativas, como as prefeituras regionais da capital paulista.

“Brasilândia tem a população de uma cidade de médio porte. Se você pegar os dados só por Brasilândia, dizem pouca coisa. Aonde em Brasilândia?”, questiona o pesquisador fazendo referência ao distrito paulistano com maior proporção de casos e onde vivem 260 mil pessoas com diversas realidades econômicas e sociais.

“Não é só uma relação centro e periferia. No centro a gente tem lugares muito distintos, como a região da Luz onde está a Cracolândia, com várias pensões e moradores em situação de rua”, acrescenta.

Mobilidade e centros comerciais

A partir desses primeiros resultados, o grupo investiga agora outras variáveis que podem explicar a distribuição local da doença. “A gente vai cruzar isso com dados de mobilidade. Cruzar com os dados dos centros comerciais de bairro, ver se tem alguma relação entre a presença dos centros comerciais”, diz o pesquisador sobre as possibilidades que serão analisadas com mais dados a partir dos indícios fornecidos pelo entrelaçamento das informações.

“Já dá para perceber uma relação muito forte entre o centro comercial do bairro e a presença da covid”, destaca Marino sobre uma das principais hipóteses. “Onde mais circula gente é onde mais está tendo a disseminação da doença. Isso por causa da mobilidade”, aponta outro possível fator de contaminação.

Ações com articulação local

Isso, poderia indicar, de acordo com o pesquisador, a necessidade de políticas que aumentem a segurança do transporte público. “Repensar a política de mobilidade, tendo um percurso todo protegido. Espaços para as pessoas não ficarem aglomeradas, mais ônibus nas linhas. Isso tem que ser pensado nas linhas onde está mais congestionado o sistema”, propõe.

Para conseguir respostas locais eficientes, Marino acredita na importância do fortalecimento de algumas políticas já existentes no Sistema Único de Saúde (SUS). “Agente de saúde é uma preciosidade do SUS e eles estão super sucateados. Tinha que ter pelo menos o dobro de agentes de saúde na rua, fazendo trabalho de conscientização”, diz.

Outro ponto fundamental, na opinião do pesquisador, é uma articulação das políticas públicas com as organizações civis e comunitárias nos territórios. “Sentar com as lideranças comunitárias para identificar quem não consegue se isolar”, exemplifica sobre medidas que poderiam melhorar a eficiência do isolamento social, norma difícil de ser adotada por pessoas com renda instável e moradia precária.

Edição: Lílian Beraldo

Fonte: EBC Saúde

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Saúde

Covid-19: Brasil tem 24.818 novos casos em 24 horas

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O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado na noite desta quarta-feira (21), mostra que em 24 horas, 24.818 novos diagnósticos de covid-19 foram confirmados. Também foram registrados mais 566 óbitos. 

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, o país contabilizou 5.298.772 casos confirmados de covid-19. Até o momento,155.403 óbitos causados por essa doença foram registrados.

Dados do ministério mostram que 4.756.489 brasileiros se recuperaram da doença. Atualmente, 386.880 pacientes estão em tratamento. 

SP ultrapassa 1,073 milhão de casos de coronavírus

Balanço divulgado na tarde de hoje (21) pela Secretaria estadual da Saúde informou que o estado de São Paulo tem, até este momento, 1.073.261 casos confirmados do novo coronavírus, com 38.371 mortes. Do total de casos diagnosticados, 965.058 pessoas já estão recuperadas da doença.

Atualmente, há 7.287 pessoas internadas em todo o estado em casos suspeitos ou confirmados do novo coronavírus. Desse total, 3.184 pessoas estão internadas em unidades de terapia intensiva (UTI). A taxa de ocupação de leitos de UTI é de 40,5% no estado, mesma taxa observada na Grande São Paulo.

Boletim epidemiológico covid-19Boletim epidemiológico covid-19

Boletim epidemiológico covid-19 – Ministério da Saúde

Edição: Liliane Farias

Fonte: EBC Saúde

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