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Luta na Justiça: trabalhadores dos presídios de SP denunciam descaso do estado

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O levantamento%2C realizado em julho%2C foi desenvolvido pelo MPT para verificar se a SAP está ou não tomando um conjunto de medidas de proteção determinados pela Justiça
Foto: Agência Brasil/Arquivo

O levantamento, realizado em julho, foi desenvolvido pelo MPT para verificar se a SAP está ou não tomando um conjunto de medidas de proteção determinados pela Justiça

Após seis meses de pandemia da Covid-19, trabalhadores dos presídios do estado de São Paulo denunciam que ainda faltam equipamentos de proteção individual (EPIs) para os servidores, higienização das unidades prisionais, afastamento de funcionários do grupo de risco e reclamam que testagem é mínima. 

Mauro Ferraz*, nome fictício, trabalha em um presídio do estado e, após testar positivo para o novo coronavírus (Sars-CoV-2), conseguiu se afastar do trabalho. De casa, ao lado da família, ele avalia que pouco foi feito pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) para conter o vírus no sistema carcerário.

“Perdemos companheiros de trabalho que estavam em serviço e nem isso diminuiu a movimentação dentro das prisões. São poucos materiais de proteção distribuídos e muitas objetos e pessoas vindo da rua o tempo todo, sem nenhum cuidado”, descreveu o agente penitenciário.

Desde março, com o início da pandemia, a luta por melhorias no sistema prisional do estado levou o Ministério Público do Trabalho, junto ao Fórum Penitenciário Permanente, formado pelo Sindcop (Sindicato dos Servidores Públicos do Sistema Penitenciário), o Sindasp (Sindicato dos Agentes Penitenciários) e o Sifuspesp (Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo) a ajuizarem uma ação civil pública contra o estado.

O pedido é que a gestão efetue os diagnósticos e conceda os materiais de assepsia necessários aos trabalhadores. 

Uma pesquisa feita pelo MPT, incluída no processo judicial, ouviu detentos de diversas unidades prisionais do estado. O levantamento indica que em quase 83% das unidades prisionais não há triagem das pessoas externas que entram, como forma de prevenir a disseminação do novo coronavírus. 

Quanto ao fornecimento de EPIs, quase 75% confirmaram o recebimento de máscaras de tecido, 38,4% de máscaras descartáveis e apenas 0,7% de máscara N95, modelo efetivamente adequado contra o contágio. Há casos, inclusive, em que o servidor precisa comprar as próprias máscaras.  

Batalha judicial

Inicialmente, a ação movida pela categoria foi distribuída à 11ª Vara do Trabalho de Campinas contra a Fazenda Pública do Estado de São Paulo. Em junho, a Justiça do Trabalho concedeu liminar garantindo medidas de proteção de servidores e terceirizados do sistema penitenciário do estado de São Paulo contra a Covid-19.

Na ocasião, o governo tinha 20 dias para cumprir a determinação para evitar o contágio pelo vírus nas 176 unidades do sistema penitenciário paulista, sob pena de multa de R$ 1 mil por dia e por obrigação violada.

Em julho, chegou ao fim o prazo para que a Secretaria de Administração Penitenciária informasse à Justiça do Trabalho as medidas realizadas de proteção contra o novo coronavírus no sistema prisional, conforme determinação da liminar conquistada pela ação civil pública.

Em entrevista ao iG, a A procuradora do MPT, Alessandra Rangel, explica que mesmo com a liminar, o sindicato continuou recebendo denúncias de que nada estava sendo feito pelo estado.

“Na verdade, o governo entende que faz o que é cabível, mas na visão do MPT, a gente vê que a questão não está ajustada. Por isso que surgiu a ideia de realizar essa pesquisa nas unidades prisionais”, destaca.

Sobre o resultado do levantamento feito pelo MPT, a procuradora diz que as respostas só confirmaram o que estava sendo apontado pelo sindicato, de que tinham muitas falhas na proteção da saúde desses trabalhadores.

“A preocupação maior é porque se trata de um ambiente de confinamento, são muitas pessoas em um local fechado e com pouca ventilação, com higiene mínima e muito favorável ao alastramento da doença rapidamente”, explica.

Fábio Jabá, presidente do Sifuspesp, aponta que os resultados da pesquisa são estarrecedores. “Nem obrigada pela Justiça, por conta da pandemia de uma doença mortal, a SAP cumpre com as medidas de proteção efetivamente. Já morreram 28 servidores penitenciários, os contágios de trabalhadores e da população carcerária aumentam a cada dia e o descaso da secretaria continua. Não vamos ficar de braços cruzados vendo a morte bater à porta”, denuncia.

O MPT diz que acrescentou a pesquisa realizada nas unidades prisionais nos autos do processo antes da sentença para que a juíza pudesse olhar. A procuradora Alessandra Rangel alega que a esperança era de que o resultado fosse favorável aos trabalhadores.

Mas o estado de São Paulo não aceitou realizar um acordo ou implementar as melhorias reinvidicadas. Pelo contrário, foi ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e conseguiu uma liminar para paralisar a ação e suspender os efeitos da primeira liminar.

“A ação hoje está sem efeito e a decisão se competência é da Justiça do trabalho, onde ela está correndo, ou da Justiça estadual será definida no STJ”, lamenta Rangel. 

O que diz a SAP

Por meio de nota, a SAP informou que está realizado a testagem em massa de populações vulneráveis à Covid-19, inlcuindo pessoas privadas de liberdade e a servidores do sistema penitenciário paulista.

“A realização dos testes obedece a um cronograma técnico da área da saúde. Até o momento, já foram realizados 27.580 testes”, diz trecho da nota enviada ao iG.

De acordo com a pasta, 1.543 funcionários testaram positivo para a doença, sendo que 91,47% deles (1.437) estão recuperados. 28 faleceram e outros 162 estão afastados de suas funções com suspeita sem confirmação da doença. A secretaria ainda dá mais esclarecimentos:

“Medidas de higiene e distanciamento preconizados pelos órgãos de saúde foram aplicadas, foram suspensas as atividades coletivas; a limpeza das áreas foi intensificada; a entrada de qualquer pessoa alheia ao corpo funcional foi restringida; foi determinada a quarentena para os presos que entram no sistema prisional; realizado o monitoramento dos grupos de risco; ampliação na distribuição de produtos de higiene, álcool em gel e sabonete e distribuição de Equipamentos de Proteção Individual.

Todo servidor com suspeita de diagnóstico de Covid-19 está devidamente afastado sob medidas de isolamento em sua residência. A Secretaria acompanha seu quadro clínico, fornecendo todo o suporte necessário para sua recuperação”.

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Diretora de hospital incendiado alertou governo: ‘consequências catastróficas’

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Incêndio atingiu o Hospital Federal de Bonsucesso na manhã desta terça-feira (27).
Reprodução/CNN Brasil

Incêndio atingiu o Hospital Federal de Bonsucesso na manhã desta terça-feira (27).

A diretora do Hospital de Bonsucesso , que foi atingido por um incêndio na manhã da última terça-feira (27) , já havia alertado o  Ministério da Saúde sobre possíveis “consequências catastróficas”. As informações são da CNN Brasil .

Em ofício enviado à Saúde em agosto de 2019, Cristiane Rose Jourdan relata o caso de um transformador com superaquecimento e solicita “providências com a maior urgência possível”.

O texto também diz que “o risco de qualquer trágico acontecimento levará o Estado, no caso a União, a responder omissão específica com grandes prejuízos ao patrimônio público e por danos causados por não se mobilizar e evitar o dano já conhecido”.

“A magnitude do risco tem proporções desconhecidas por suas consequências possivelmente catastróficas e implica em abreviação de máxima urgência das providências a serem tomadas”, afirma Jourdan.

Até o momento, 185 pacientes já foram transferidos para outras unidades hospitalares, 37 receberam alta, 7 aguardam transferência e 3 morreram.

O corpo de bombeiros segue no trabalho de rescaldo e agentes da Polícia Federal (PF) aguardam o término  para analisar a estrutura e avaliar o que poderia ter causado o incêndio .

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