POLÍTICA NACIONAL

Lula reúne aliados para desatar nós e resistências em estados

Publicados

em

source
Alckmin e Lula
Reprodução: twitter – 13/04/2022

Alckmin e Lula

Em meio a impasses na formação de palanques nos maiores colégios eleitorais do país , o ex-presidente Lula (PT) fará hoje a primeira reunião do comitê de coordenação-geral da campanha presidencial, grupo que reunirá representantes dos sete partidos que declaram apoio à sua candidatura. E é justamente no PSB, partido que abrigou o candidato a vice de Lula, o ex-governador Geraldo Alckmin, que estão as resistências mais importantes, com aumento da tensão na última semana em dois dos mais importantes colégios eleitorais do Brasil: Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. O comitê precisa também desatar nós que se prolongam em São Paulo, Pernambuco e Santa Catarina.

A reunião contará com Lula, Alckmin e dois representantes de cada sigla da coligação: PT, PSB, Solidariedade, PSOL, PCdoB, PV e Rede. Entre os participantes estarão lideranças de São Paulo, considerado o principal nó para o ex-presidente, como o ex-governador Márcio França (PSB). França e o pré-candidato do PT, Fernando Haddad, mantêm o discurso de que a tendência é de manutenção das duas candidaturas, embora reconheçam que o cenário ideal, para a campanha de Lula e para as chances de vitória no estado, seria uma chapa única.

Por conta do peso de São Paulo, onde vive um a cada cinco eleitores no país, o entrave nas conversas entre PT e PSB contribui para manter arestas entre as duas siglas Brasil afora. No Rio, Lula declarou apoio à pré-candidatura de Marcelo Freixo (PSB) ao governo, mas a disputa pela vaga ao Senado tem sido o obstáculo para o andamento da campanha. O PT lançou o deputado estadual André Ceciliano, também com o aval de Lula. Já o PSB mantém a candidatura do deputado federal Alessandro Molon.

No PT, enquanto o diretório fluminense defende Ceciliano, caciques petistas criticam a postura do presidente da Assembleia Legislativa (Alerj) por sua proximidade com o governador Cláudio Castro (PL), aliado de Bolsonaro. Na avaliação desses petistas, Ceciliano “tem que ter lado”. No PSB, parte das lideranças vê com simpatia a candidatura de Molon, que preside o diretório estadual, e trata Freixo com ressalvas por ser um nome recém-chegado ao partido.

Interlocutores de Freixo dizem que a indefinição atrapalha sua associação a Lula, vista como crucial para a campanha. Petistas com assento na direção nacional do partido, mas sem voz de decisão na campanha presidencial, apostam que uma pesquisa contratada pelo partido na semana passada, para medir a força de Bolsonaro e de Lula no Rio, poderia balizar a retirada do nome de Freixo. Nesse caso, o pretexto é atrair partidos que hoje estão fora da aliança nacional petista, como o PSD, do prefeito Eduardo Paes, que já mostrou interesse no apoio de Lula a seu pré-candidato ao governo, Felipe Santa Cruz.

“O Rio está precisando de um freio de arrumação. Não vejo que o problema seja a candidatura do Molon, mas sim o melhor arranjo para ampliar a candidatura do Lula”, argumentou o secretário nacional de Comunicação do PT, Jilmar Tatto.

No cenário gaúcho, incomodado com a pré-candidatura de Edegar Pretto (PT), o PSB agora acena com uma aliança com o PDT, para dar palanque a Ciro Gomes. O ex-deputado Beto Albuquerque, nome do PSB ao governo, afirma que ele e Ciro se apoiam mutuamente, e que o PT “parece que guarda rancor” contra seu partido.

“Tentei de todas as formas liderar uma frente de esquerda. Não vou assumir compromisso com quem não me apoia. O PT teria que fazer uma terapia coletiva para tratar esse rancor. A aliança nacional está consolidada, mas talvez Lula não tenha o apoio que poderia nos estados, por conta dessa insistência do PT contra o PSB em alguns locais”, afirmou Albuquerque, que tem um histórico distanciamento dos petistas no estado.

Eterna disputa

Também na região Sul, há concorrência entre candidatos de PT e PSB em Santa Catarina. Na eleição catarinense, Lula já declarou querer que os pré-candidatos Décio Lima (PT) e Dario Berger (PSB) caminhem juntos.

Em Pernambuco, PSB e PT chegaram a um acordo para a sucessão do governador Paulo Câmara (PSB), mas a aliança criou um palanque paralelo de Lula. A deputada federal Marília Arraes trocou o PT pelo Solidariedade, que abrigou sua pré-candidatura ao governo.

Nas últimas semanas, o ex-presidente já enquadrou o PT em estados como Minas, onde atuou pela retirada da candidatura do petista Reginaldo Lopes ao Senado para garantir composição com o PSD, de Alexandre Kalil, postulante ao governo. A tendência é que Lula também atue para que o PT do Maranhão apoie e a reeleição do governador Carlos Brandão (PSB), que assumiu o cargo após a renúncia de Flávio Dino (PSB), pré-candidato ao Senado. 

Entre no  canal do Último Segundo no Telegram e veja as principais notícias do dia no Brasil e no Mundo. Siga também o perfil geral do Portal iG .

Comentários Facebook
Propaganda

POLÍTICA NACIONAL

Castro oferece Senado para Crivella desistir de tentar governo do RJ

Publicados

em

source
Castro oferece Senado para Crivella desistir de tentar governo do RJ
Reprodução: Commons – 10/05/2022

Castro oferece Senado para Crivella desistir de tentar governo do RJ

A disposição do ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella (Republicanos) de voltar à cena política, cogitando até uma candidatura ao Palácio Guanabara, despertou uma reação do governador do Rio, Cláudio Castro (PL), que agora tenta atraí-lo para sua chapa à reeleição como candidato ao Senado. Nome do campo da direita com o apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao estado, Castro teme que Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, conquiste o eleitorado evangélico.

O ex-prefeito formaria mais um palanque para o governador e integraria uma proposta ainda mais conservadora do que a hoje representada pela aliança com Romário (PL) — candidato ao Senado da coligação.

Para evitar que as candidaturas de Castro e Crivella concorram concomitantemente e dividam eleitores, lideranças do PL prometem aumentar o espaço do Republicanos em um eventual próximo mandato do governador, caso o ex-prefeito do Rio desista do Guanabara. Atualmente, o partido ligado à Igreja Universal comanda a Secretaria estadual de Assistência Social e é responsável por nomeações na pasta de Administração Penitenciária.

Marcelo Crivella
Fernando Frazão/Agência Brasil

Marcelo Crivella

A proposta encontra amparo na decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que decidiu que partidos de uma mesma coligação podem lançar mais de um candidato ao Senado. No entanto, é vista como uma espécie de traição a Romário, colega de partido do governador.

Mesmo liderando as pesquisas de intenção de votos para o Senado, o ex-jogador não conta com o apoio de membros da chamada ala ideológica do governo Bolsonaro, que defendem o lançamento de uma candidatura que levante a bandeira das pautas de costumes. Para o chamado “bolsonarismo raiz”, o grupo político do presidente seria mais bem representado por Crivella.

Apesar do desejo de concorrer ao governo e de ser bem-visto como um nome ao Senado, Crivella esbarra em resistências internas no Republicanos. No cálculo mais conservador de alguns nomes do partido, uma candidatura do ex-prefeito à Câmara dos Deputados significaria um voo mais tranquilo para Crivella e para o partido, além de garantir um número maior de parlamentares na bancada federal.

Nos bastidores da legenda, o presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, tenta controlar as pressões de deputados que contam com os votos amealhados por Crivella e a vontade do próprio ex-prefeito, que não esconde o desânimo com a possibilidade de concorrer a deputado.

Procurado, o ex-prefeito não respondeu aos pedidos de entrevista. Pereira afirmou que, por ora, ainda não há nada definido.

De olho na vaga de vice

A vaga de vice na chapa de Castro também entrou em discussão diante da tensão entre o governador e Washington Reis (MDB), cotado para o posto. Na última semana, durante a eleição do novo conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), eles seguiram caminhos diferentes, o que fez com que vários partidos oferecessem nomes para a composição.

O próprio Republicanos sugeriu para vice a deputada Rosângela Gomes, enquanto o União Brasil, que aguarda a definição da elegibilidade de seu pré-candidato ao estado, Anthony Garotinho, acenou com Marcos Soares, Fábio Silva e Daniela do Waguinho. Nome que agradava a Castro, o deputado federal Dr. Luizinho (PP) tentará novamente a Câmara e será puxador de votos.

O impasse entre Castro e Reis, no entanto, parece apaziguado. Os dois participaram de agenda na última sexta e reiteraram a parceria.

Entre no  canal do Último Segundo no Telegram e veja as principais notícias do dia no Brasil e no Mundo. Siga também o  perfil geral do Portal iG.

Comentários Facebook
Continue lendo

Polícia

ENTRETENIMENTO

MATO GROSSO

Política Nacional

Mais Lidas da Semana